Súplica de Natal
Anália Franco
por Divaldo Franco
Reformador (FEB)
Dezembro 1970
Ajoelhada junto à Manjedoura que
honraste pelo teu nascimento, recordo-me das crianças que não podem expressar a própria aflição, solicitando amparo para
suas múltiplas necessidades.
Rogo, então, em favor de todos eles,
limitados nas paredes estreitas das expiações punitivas!..
Pelos pequeninos cuja boca se
transformou em furna silenciosa, incapacitada de expressar as vibrações das
santas melodias; por aqueles cujos ouvidos, impossibilitados de registrarem os
sons, se transformaram em labirintos, onde as vozes se perdem em trevas
silenciosas; por aqueles cujos olhos se apagaram, quais brasas transformadas em
carvão, sem luz nem vida; por aqueles que caminham a esmo nos corredores
sombrios dos desequilíbrios mentais, retidos na gaiola triste da loucura ou da
imbecilidade; pelas que trazem as vísceras expostas ou carregam o corpo
deformado, semelhantes a barro amolecido que mãos desesperadas trabalharam;
pelas que perderam a luz da esperança na tormenta da orfandade e descem aos abismos da desarmonia moral, caminhando,
vencidas, para as grades do presídio ou para as celas dos manicômios!..
São também crianças!
Não sabem sorrir nem conseguem amar,
impossibilitadas de compreender as belezas que vestem a Terra, em nome do teu amor.
Poucos, no mundo, se animam a fitá-las,
e raros somente se encorajam a oferecer-lhes as mãos, receando-lhes as
presenças desagradáveis.
Ajuda-me, Senhor, a transformar o
coração numa arca de amor, abarrotada de bênçãos, a fim de poder distender-lhes a esperança e a alegria, na santa noite
de Natal, enquanto a Natureza em festa, recordando o teu nascimento, entoa a doce
barcarola da felicidade. Desejo aconchegá-las ao peito, estreitando-as em meus braços,
chorando de emoção, e, no doce enlevo, recordar a tua Mãe Santíssima, na santa noite do teu
nascimento!..
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