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segunda-feira, 21 de março de 2011

A 'Mediunidade' por Bezerra de Menezes

     


A Mediunidade


Editorial da Edição de 15.12.1895 do Reformador (FEB)
(reeditado à pág. 27 no ano de 1917)
Escreveu o Dr. Bezerra de Menezes

            Quem empreende um trabalho delicado premune-se dos necessários instrumentos e se, posto em obra, reconhece que um mais daqueles instrumentos tem falhas, que os tornam inaptos para o desejado fim, despreza-os e procura outros.
            A mediunidade é instrumento valiosíssimo para a propagação da nova revelação comunicada à terra pelos espíritos do Senhor.
            A mediunidade foi para tal fim dada aos homens, que assumem por isso a responsabilidade de instrumentos vivos da vontade onipotente.
            O médium, que desempenha consciosamente e de boa vontade a alta missão que lhe foi dada, prestando seu aparelho tanto lhe permitirem suas condições psíquicas e as da vida de relação, receberá do juiz supremo de nossas ações o prêmio prometido aos trabalhadores da seara de Jesus.
            Aquele, porém, que fizer do divino dom meio de especulação, ou empregá-lo em crises fúteis e sem proveito para a humanidade, ou furtar-se ao serviço de sua missão por preguiça ou qualquer outro motivo inconfessável, esse será repelido como instrumento imprestável.
            O que pode haver mais glorioso do que receber de Deus a faculdade de ser instrumento de seu Santíssimo filho, cooperando com Ele na obra de regeneração da humanidade terrestre?
            Quem, pois, será tão inimigo de si próprio que, em vez de empenhar-se por corresponder a tão alta confiança, cultivando aquela faculdade e pondo-a de boa vontade ao serviço a que foi destinado, se esquive à alta função, ou a empregue mal e de modo condenável?
            A mediunidade é uma graça, que faz o homem sócio de Jesus na propagação das verdades eternas; e, pois, é coisa de ser ambicionada com veemência, nunca, porém, desprezada ou desconsiderada.
            Quem a possui deve dar graças a Deus, e fazer o que estiver em suas forças por bem desempenhá-la.
            Como em tudo, o homem dotado da mediunidade é livre em aceitar ou recusar a graça, e em corresponder-lhe tíbia ou vivamente; mas, como em tudo, o homem dotado de mediunidade é responsável pelo modo como usar de sua liberdade com relação a esta missão que lhe foi dada.
            E muito maior será sua responsabilidade se for espírita, porque tem a compreensão de verdades que outros ignoram; e mais se pedirá a quem mais se tiver dado.
            Delicadíssima é a posição do médium, eleito do Senhor para instrumento do ensino de Jesus. Não é um simples propagandista, é uma máquina de propaganda.
            O médium, pois, deve ser cauto, mais do que qualquer outro, na satisfação das necessidades materiais; deve ser dedicado ao trabalho da vinha santa, deve incessantemente cultivar sua inteligência nos ensinos da doutrina, especialmente na parte que se refere à sua especialidade.
            O médium pode ser equiparado ao sacerdote, a quem não é lícito considerar levianamente as coisas do seu ministério.
            Também por isso o bom ou mal êxito dos trabalhos espíritas dependem mais das condições do médium do que da soma das condições de todos os outros circunstantes.
            Uma sessão, em que o diretor dos trabalhos e o médium forem crentes bem de alma, forem bem conhecedores da doutrina, forem trabalhadores de boa vontade e guardarem o respeito devido às coisas sagradas, dará sempre frutos preciosos, embora nem todos os circunstantes estejam compenetrados de seus deveres.
            O diretor dos trabalhos e o médium forem quem  eles se fazem, são as colunas principais do edifício, que será um monumento se os demais membros que constituem o Centro corresponderem de boa vontade para que haja uma concentração e unidade de pensamento para o bem, meios infalíveis de serem atraídos os bons e afastados os maus espíritos.
            Um trabalho feito nestas condições jamais será perturbado pelos enganosos, salvo se, para lição, lhes é permitido entrarem, caso em que sua atenção nunca poderá ficar oculta.
            Imagine-se, depois disso, o que será um trabalho feito em condições opostas: um diretor incompetente, um médium sem a consciência de seu dever e circunstantes mais dominados de curiosidade do que do desejo do bem.
            Não será uma calamidade, porque a misericórdia de Deus não o permite; mas será uma verdadeira bacanal, em que representarão os papéis que bem lhe parecerem os espíritos enganadores, sempre em tais casos tomados a sério, com prejuízo gravíssimo para a verdade e para o bem, porque a multidão de invisíveis que assistirem ao espetáculo sairão dele, em vez de edificados, mais incrédulos do que vieram.
            E a responsabilidade de tão lamentável desastre?
            Entre os dois extremos aqui figurados, é de simples extensão que existe uma longa escala, em cada um de cujos degraus diminuem as condições do trabalho em regra, e aumentam proporcionalmente os do trabalho contra a regra.
            Melhor fora que os autores deste último se abstivessem dele; porque isto menos lhes pesaria; melhor fora que o diretor incompetente; se não quisesse preparar-se, fosse assistir aos trabalhos de outros grupos, e que os indivíduos, em consciência não preparados, se deixassem  ficar em casa.
            Pelo menos assim, se não evitarem a responsabilidade de não se utilizarem do bem que lhes foi dado, evitarão a do escândalo que vão dar, trabalhando sem se terem convenientemente preparado.
            Nada disso se entende com o médium ainda não desenvolvido e que trabalhe para se desenvolver; mas este deve escolher onde praticar. 

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