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domingo, 8 de setembro de 2019

Creio

Eurípedes Barsanulpho

‘Creio’
por Emmanuel Darcey

Fonte:
Livro: “Eurípedes: o homem e a missão” por Corina Novelino
Ed.: Instituto de Difusão Espírita - 1979


“CREIO que não temos nossa causa em nós mesmos; que existe acima do homem e superior à natureza um Ser Pensante, Infinito, Eterno, Imutável, um Supremo Legislador; que a existência de um Criador, de uma Razão primitiva, é um fato adquirido pela evidência material dos fatos, que o Universo não é nem surdo, nem cego; que a vida não é uma confusão sem fim, um caos informe; que tudo tem a sua razão de ser, seu alvo, seu fim.

CREIO que o Nada é uma palavra vã; que a morte não existe; que nada morre; que o ser sobrevive ao seu invólucro; que a morte não é um termo, mas, uma metamorfose, uma transformação necessária, um renovamento; que somos eternos pela base do nosso ser; que nada do que existe pode ser aniquilado; que existiremos, porque existimos.

CREIO que não há aniquilamento, mas sempre estados sucedendo a outros estados, a eterna transmissão de uma ordem de coisas a outra, de uma economia a outra, de um serviço a outro; que tudo renasce; que tudo volta a sua hora, melhorado, aperfeiçoado pelo labor; que o nascimento não é o verdadeiro começo; que nascer não é principiar, mas mudar de figura; que nossas existências não são mais do que continuações, séries, consequências, que sono ou despertar, morte ou nascimento, são uma e a mesma coisa; transição semelhante, acidente previsto.

CREIO que tudo evolui e tende para um estado superior; que tudo se transforma e aperfeiçoa; que o homem marcha sempre e sempre se engrandece; que tudo rola, prolonga-se e renova-se; que a morte não é o único teatro de nossas lutas e de nossos progressos; que o universo é sem lacuna; que há mundos infinitos nesse universo infinito; que o mundo é um ponto que conduz a outro e que os há para todos os graus de crescimento.

CREIO que, saindo desta vida, não entramos em um estado definitivo; que nada se acaba neste mundo; que enquanto um destino humano tem alguma coisa a cumprir, isto é, um progresso a realizar, não está para ele acabado; que a morte não deve ser tomada senão como um descanso em nossa viagem; que a morte é feixe de caminhos, que irradiam em todas as direções do universo e nos quais efetuamos nosso destino infinito.

CREIO que DEUS não criou almas civilizadas; que a alma humana é o resultado do trabalho da vida; que todos os homens são cidadãos da mesma pátria, membros da mesma família, ramos da mesma árvore; que todos têm origem, destino e aspiração comuns; que todos começaram a ascensão e que estão mais ou menos altos; que os mais vis têm por lei alcançar os mais elevados.

CREIO que o homem não é o último anel que une a criatura ao Criador; que não somos os primeiros depois de DEUS; que temos ao menos tantos degraus sobre a cabeça como abaixo dos pés; que a vida está em toda parte, que a alma está em toda parte, que a alma está em toda coisa, que o corpo envolve um espírito; que o homem não é o único; que é seguido de uma sombra; que todos, o próprio calhau miserável tem atrás de si uma sombra, [têm] uma sombra diante deles; que todos são a alma que vive, que viveu, que deve viver.

CREIO que a harmonia do Universo se resume em uma só lei, que o progresso por toda parte é para todos, para o animal como para a planta, para a planta como para o mineral; que tudo segue a mesma rotação, que tudo morre da mesma maneira e morre ultimamente; que a vida sorve todos os seus elementos da própria morte; que cresce por série contínua de transformações infinitas, que parte do infinitamente pequeno e marcha para o infinitamente grande.

CREIO que tudo o que vive é encarnação; que toda evolução, toda transformação é encarnação; que as criaturas sobem no crescimento d’alma como no dos invólucros; que o homem é o espírito encarnado; que a alma não é criada ao mesmo tempo em que o corpo, que ela é apenas incorporada; que a encarnação é uma lei da natureza, uma necessidade absoluta, consequência lógica da lei do progresso; que todo homem é um resumo de existências anteriores, que se compõem de numerosos personagens, formando um só.

CREIO na pluralidade dos mundos, na multiplicidade das existências, na universal ascensão dos seres, na progressão contínua da alma, com os seus transportes, seus recuos, suas crises e as sanções que daí decorrem.

CREIO que neste Universo, obra da Infinita Sabedoria, nada acontece pelo jogo do acaso, que nada se faz sem uma Soberana Justiça; que toda desordem não existe senão em aparência; que não há acaso nem fatalidade; que há forças, leis, que ninguém pode derrogar; que todas as coisas do mundo têm ligação entre si; que nada é isolado; que o mundo material é solidário com o mundo espiritual e que ambos se penetram reciprocamente; que tudo se mantém, se concorda, tudo se encadeia, e se liga, sob o ponto de vista moral, como físico, que na ordem dos fatos, do mais simples ao mais complexo, tudo é regulado por uma lei.

CREIO que a lei moral é uma verdade absoluta; que a Justiça, a Sabedoria, a Virtude, existem na marcha do mundo, tanto quanto a realidade física; que não se pode transpor, sem trabalho e sem mérito, um grau na iniciação humana; que o espírito deve chegar só, por si, à verdade, e que tem de tornar-se merecedor de sua felicidade; que a felicidade para ter tido o seu preço, deve ser adquirida e não concedida.

CREIO que a vida não é um jogo, uma ilusão, que a verdadeira vida não é a que multiplica gozos; que a felicidade tal qual a entendemos não pode existir; que é preciso que o esforço subsista neste mundo; que não estamos aqui para gozar, mas para lutar, trabalhar, combater; que a luta é necessária ao desenvolvimento do espírito; que o verdadeiro fim da vida consiste no dever que incumbe a todo ser humano de subjugar a matéria ao espírito.

CREIO que o homem é justificado não por sua fé, mas por suas obras; que a prática do bem é a lei superior, a condição sine qua non de nosso futuro; que a santidade é o alvo a que devemos chegar; que não se pode fazer tudo impunemente; que a felicidade e a desgraça dos homens depende absolutamente da observação da lei universal, que rege a ordem em a natureza.

CREIO que existem um Inferno e um Paraíso filosóficos, isto é, um sistema natural que liga entre si, intimamente, as causas além e aquém do tempo; que sempre nos sucedemos a nós mesmos; que sempre determinamos, por nossa marcha presente, a marcha que seguiremos mais tarde.

CREIO que o presente determina o futuro; que cada homem tece em volta de si o seu destino; que se torna sem cessar o que mereceu ser; que nenhum desvio do caminho reto fica impune; que os que dele se afastam serão a ele levados fatalmente; que o progresso é uma lei soberana a qual ninguém resiste; que não há um defeito, uma imperfeição moral, uma ação má que não tenha a sua contradita e suas consequências naturais; que não há ato útil sem proveito, falta sem sanção; que não há ação que possa sonegar-se.

CREIO que cada um deve a si mesmo a sua sorte; que cada um cria as suas alegrias como as suas penas; que o homem é o seu próprio algoz; que se remunera e se pune a si mesmo; que colhe o que semeia e nutre-se do que colhe, debilitado ou fortificado pelos alimentos que ele próprio produziu; que a alma transporta em si mesma seu próprio castigo, em todo lugar em que se possa encontrar; que o inferno não é um lugar, mas uma condição de ser, um estado da alma; que pertence a cada de nós sair dele ou aí nos manter.

CREIO que a pena não está senão na falta; que é impossível que essas coisas possam separar-se; que o sofrimento não é resultado do acaso; que toda lágrima lava alguma coisa; que dor e culpabilidade são sinônimos; que o homem em evolução é tributário de seus erros e de seus maus pensamentos; que somos nós os instrumentos de nosso próprio suplício.

CREIO que toda vida culposa deve ser resgatada; que toda falta cometida, todo mal causado é uma dívida contraída, que deve ser paga no momento ou noutro, quer em uma existência quer na outra; que a fatalidade aparente, que semeia de males o caminho da vida, não é senão a consequência do nosso passado, o efeito produzido pela causa; que a vida terrestre é ao mesmo tempo reparação e preparação; que nenhum de nós é o que deve ser e que é preciso que a razão se cumpra, que a justiça se faça e o bem seja.

CREIO que cada nova existência é um novo ponto de partida, em que o homem é aquilo que se fez; que renasce com o seu débito e com o seu crédito; que nada perde do que adquiriu; que o esquecimento temporário do passado é a condição indispensável de toda provação e de todo o progresso; que é preciso que o esforço seja livre e voluntário; que o conhecimento dos fatos anteriores e das sanções inevitáveis embaraçaria o homem, em lugar de ajudá-lo; que é justo e necessário que, em seu estado atual, o passado e o futuro lhe sejam ocultos.

CREIO, enfim, que a revelação é progressiva, que a verdade se desvenda sempre, segundo os tempos e os lugares; que estamos na aurora da vida consciente e que marchamos, todos, na solidariedade universal, através de vidas sucessivas para a infinita perfeição; que o futuro encerra e que tudo foi criado tendo em vista um bem final; que o Bem é a lei do universo e o Mal um estado transitório, sempre reparável, uma das fases inferiores da evolução dos seres para o bem; que nada de irremediável pesa sobre nós; que tudo se apaga; tudo se dissolve; que a dor é libertadora; que nada é negro, nada é triste; que tudo acaba bem e que não se tem senão de esperar a sua hora em um mundo ou em outro.”







sábado, 12 de dezembro de 2015

Os testes do caminho


             Em todos os setores da vida submete-se o Espírito à aferição de resistência valores pelos mecanismos do Universo.

            Da mais singela das formas às mais altas expressões da consciência, a natureza nenhum momento deixa de prover a banca examinadora de papel e lápis, adequados à altura da prova.

            A rigor, os testes se sucedem na razão direta das capacidades íntimas do discípulo porque o mestre sempre leva em conta os limites do plausível, fiel ao conceito do peso da cruz depositada sobre os ombros do ser.

            Se nas camadas menos densas da manifestação anímica as provas são desafios ao Espírito interessado em ascender, o teste, na Terra, sob o peso constritor do corpo que lhe é peculiar, é testemunho penoso, aparentando eternidade, que instrui e fortalece o íntimo, na serenidade, ou algoz enfurecido, que desespera e assola. Tudo depende de como o encara o homem.

            Útil lembrar que só pelo abatimento do débito o crédito nos bancos da divina providência aumenta. Não existe outra alternativa. Para que o triunfo realize, incentivando-nos a novas conquistas, no plano do Espírito Imortal, avalistas possuidores de vastíssimo patrimônio imperecível, inerente aos tesouros da individualidade, garantiram nossos títulos. Se somos nós, todavia, os responsáveis pela emissão dos cheques, uma vez que a responsabilidade jamais supera os tetos da capacidade. Quanto mais fizermos em benefício do ser humano, tanto mais contribuiremos para a noção integral do homem.

            Diante de quaisquer empecilhos, portanto, humildade continua sendo a grande serva em nossa conta, nos setores da economia celeste. O quanto realizarmos, o quanto reverterá a nosso crédito; o quanto nos beneficiarmos em nós, através da renúncia, o quanto a sociedade aprimorar-se-á. É pelas parcelas somadas que se altera o produto. Nenhum sábio assomou aos pináculos do conhecimento sem milhares de adições na conta íntima, base do condomínio das duas asas, gerando equilíbrio. Aliás, não foi pela revolta ou pelo destempero que o Senhor entrou em comunhão com Deus.

            Convencidos da realidade, entendamos o próximo com a mesma prodigalidade de desculpas com que acendramos a fertilidade de porém para com nossas próprias falhas. Não que raiemos pelas bordas do desculpismo destruidor; no entanto, nada se resolverá a chicote. O talião é Lei diretamente vinculada a Deus, assim também em sua aplicação.

            Nisso tudo, somemos parcelas de desprendimento, abandonando progressivamente noção egoística de personalidade, e percebamos o hoje a apontar-nos não o que somos, tão-somente, mas aquilo que devemos ser.

            Reflitamos em nós as luzes do Cristo, suportando os testes do caminho. Eles nada mais são que a medida de nossa inferioridade.

Os testes do caminho
Eurípedes Barsanulfo
Reformador (FEB) Abril 1976

(Mensagem recebida no Grupo Ismael, em 19-2-1976) 

sábado, 30 de maio de 2015

Transição

A palavra morrera na garganta.
Alguém me estende o suco de uma pera.
Busco em vão engolir... Anoitecera...
E cresce a angústia imensa que me espanta.
Horas passam... A dor se me agiganta.
Não mais posso agitar as mãos de cera.
Recordo, em pranto, o tempo que perdera,
Arrimando-me à fé serena e santa.
    Mas surge doce estrela refulgindo,
                               E vejo o nosso Eurípedes sorrindo...
                                     Surpresa enorme o coração me invade
                                       Descansa agora o corpo em paz  segura 
                                    E, chorando de dor e de ventura,
                                   Vi-me, de novo, em plena liberdade...


Transição
Cornélio Pires
por Chico Xavier

Reformador (FEB) Fevereiro 1959



quarta-feira, 10 de julho de 2013

16. 'Mediunidade e Jesus'


16) Mediunidade e Jesus

Eurípedes Barsanulfo
por Chico Xavier

Reformador (FEB) Julho 1959


            Quem hoje ironiza a mediunidade, em nome do Cristo, esquece-se, naturalmente, de que Jesus foi quem mais a honrou neste mundo, erguendo-a ao mais alto nível de aprimoramento e revelação, para alicerçar a sua eterna doutrina entre os homens.

            É assim que começa o apostolado divino, santificando-lhe os valores na clariaudiência e na clarividência, entre Maria e Isabel, José e Zacarias, Ana e Simeão, no estabelecimento da Boa Nova.

            E segue adiante, enaltecendo-a na inspiração junto dos doutores do Templo; exaltando-a nos fenômenos de efeitos físicos, ao transformar a água em vinho, nas bodas de Caná; sublimando-a, nas atividades da cura, ao transmitir passes de socorro aos cegos e paralíticos, desalentados e aflitos, reconstituindo lhes a saúde; ilustrando-a na levitação, quando caminha sobre as águas; dignificando-a nas tarefas de desobsessão, ao instruir e consolar os desencarnados sofredores ligados aos alienados mentais que lhe surgem à frente; glorificando-a na materialização, em se transfigurando ao lado de Espíritos radiantes, no cimo do Tabor, e elevando-a sempre no magnetismo sublimado, ao aliviar os enfermos com a simples presença, ao revitalizar corpos cadaverizados, ao multiplicar pães e peixes para a
 turba faminta ou ao apaziguar as forças da Natureza.

            E, confirmando o intercâmbio entre os vivos da Terra e os vivos da Eternidade, reaparece, Ele mesmo, ante os discípulos espantados, traçando planos de redenção que culminam no dia de Pentecostes - o momento inesquecível do Evangelho -, quando os seus mensageiros convertem os Apóstolos em médiuns falantes na praça pública, para esclarecimento do povo necessitado de luz.

            Como é fácil de observar, a mediunidade, como recurso espiritual de sintonia, não é a Doutrina Espírita, que expressa atualmente o Cristianismo Redivivo, mas, sempre que enobrecida pela honestidade e pela fé, pela educação e pela virtude, é o veículo respeitável da convicção na sobrevivência.

            Assim, pois, não nos agastemos contra aqueles que a perseguem, através do achincalhe - tristes negadores da realidade cristã, ainda mesmo quando se escondam sob os veneráveis distintivos da autoridade humana -, porquanto os talentos medianímicos estiveram incessantemente nas mãos de Jesus, o nosso Divino Mestre, que deve ser considerado, por todos nós, como sendo o Excelso Médium de Deus.



segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Caridade do Coração


Caridade do Coração
           
            Você sabe, meu filho, que sua passagem pela Terra visa o seu aperfeiçoamento, a elevação de seu espírito, o conhecimento aprimorado que te darão sabedoria.

            Seu tempo é precioso na aquisição dos bens.

            Entretanto, o aprimoramento do espírito pede dedicação e esforço maior.

            Há um bem a ser adquirido, com urgência: a caridade do coração para os corações, a caridade para o próprio coração.

            Inicie buscando a inspiração e a Lei do Coração Altíssimo, para que sua vivência seja digna, serena, harmoniosa.

            Procure, com grande empenho, os ensinos evangélicos, para que eles vibrem em sua vida como sonoros sinos de alerta, de júbilo, de convite.

            Exercite a caridade do coração para com você mesmo, dedicando-se ao dever de cada dia com esmero e ainda num tentame maravilhoso, buscando além do lar os corações sofredores que esperam de suas mãos a dádiva humilde e carinhosa, levando às casas empobrecidas a parte de seu próprio coração, numa doação permanente de amor para que sua luz cresça sempre.

            Sua vigilância não deve esmorecer. Acenda a cada instante a lâmpada da fé e agasalhe a esperança como bênção do Senhor.

            Nas tarefas cristãs, procure ver o Cristo de Deus guiando seus passos, orientando seus pensamentos.

            A oração é o fio invisível para ligá-lo ao Mestre e fazê-lo sentir a sua sublime presença.

            O Evangelho pede a sua cooperação, não apenas meia hora por semana, mas sempre.

            O espírita-cristão tem o poder de sentir, entender melhor as bênçãos que o Mestre envia à Terra; por esse motivo, a sua responsabilidade diante do Mundo Maior.

            Somos todos pequeninos obreiros da seara do Senhor, iniciantes do caminho da luz, entretanto, com o poder de elevarmo-nos às esferas mais altas.

            Não deixe que seu coração sofra os impactos da vida e procure na sublime sintonia com as Mentes superiores, a vivência perfeita, estabelecendo a caridade abençoada para o seu coração e do seu coração para os corações sofredores.

            Discípulos do Mestre inolvidável da cruz, é o seu formoso Coração a fonte de inesgotável caridade.
                                                          
 Eurípides Barsanulfo

por Mª Cecilia Paiva
in “Garimpeiros do Além”
(2ª Ed. 1991 Instituto Maria)