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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Lembrança de Natal



No Natal do Senhor, recordemos-Lhe as palavras divinas:

            "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
            Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados,
            Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
            Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
            Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.      
            Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
            Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
            Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
            Bem-aventurados sereis quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque será grande o vosso galardão nos céus, pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.
            Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos
maldizem, orai peles que vos insultam.
            Ao que vos bate numa face, oferecei também a outra;
            ao que vos arranca o manto, não recuseis a túnica.
            Dai ao que vos pedir e nada reclameis de quem vos tirar o que é vosso.
            Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-lhes vós a eles.
            Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso, Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados, Dai e dar-se vos á: derramarão em vosso regaço uma medida boa, calcada e transbordante, porque a medida com que medirdes os outros será a mesma com que vos medirão a vós.
            A árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.
            Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.
            Se ao trazerdes ao altar a vossa oferta, ali vos lembrardes de que vosso irmão tem alguma coisa contra vós, deixai perante o altar a vossa oferta, ide primeiro reconciliar-vos com o vosso irmão, e depois, voltando, fazei vossa oferenda.
            Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles.
            Quando derdes esmola, não toqueis trombeta diante de vós, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados.
            Não saiba a vossa mão direita o que faz a esquerda, para que a vossa esmola fique em segredo; e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará.
            Quando orardes, entrai no vosso quarto e, fechada a porta, falai com vosso Pai.
            Quando jejuardes, não vos mostreis contristados, como os que desfiguram o resto para ser honrados peles outros.
            Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem podem corroê-los e onde os ladrões podem roubá-los, mas ajuntai tesouros no céu, porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração,
            Dai de graça o que de graça recebeis.
            Não se perturbe o vosso coração: credes em Deus, crede também em mim.
            Na casa do meu Pai há muitas moradas...
            Se me amais, guardai o meu mandamento. Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei.
            Não vos deixarei órfãos. A paz vos deixo, a minha vos deu. Não vo-la dou como a dá o mundo.
            Não desfaleça, pois, o vosso coração. Permanecei no meu amor.
            Quando vier o Consolador, que eu enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade dará testemunho de mim.
            Tenho ainda muito o que vos dizer, mas vós não o podeis suportar ainda. Quando vier, porém, o Espírito da Verdade, ele vos guiará a toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo quanto houver ouvido de mim e vos anunciará as coisas que hão de vir. Os reis dos povos dominam sobre eles e os que exercem autoridade são chamados de benfeitores. Mas, entre vós, o maior será o que se fizer servo de todos e aquele que dirige será como o que serve. Entre vós, eu sou aquele que serve.
            Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem. Quem anda nas trevas não sabe para onde vai.
            Eu sou a luz do mundo, mas se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgarei, porque não vim para julgar o mundo e sim para salvá-lo.
            Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue, porque a própria palavra que digo o julgará no último dia.
            Se eu, sendo Mestre e Senhor, vos lavo os pés, deveis lavar-vos es pés uns aos outros.
            Eu vos dei o exemplo, para que, como vos fiz, façais vós também.
            Em verdade vos digo que não é o servo maior que o seu senhor, nem o enviado maior que aquele que o enviou.
            Se, pois, sabeis essas coisas, bem-aventurados sereis se as praticardes."

Lembrança de Natal
A Redação 

in Reformador (FEB) Dezembro 1978

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Lembrança de Natal


Lembrança de Natal
Editorial
in Reformador (FEB) Dezembro 1978

            No Natal do Senhor, recordemos-Lhe as palavras divinas:

            "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
            Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados,
            Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
            Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
            Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.             
            Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
            Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
            Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
            Bem-aventurados sereis quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque será grande o vosso galardão nos céus, pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.
            Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos
maldizem, orai peles que vos insultam.
            Ao que vos bate numa face, oferecei também a outra;
            Ao que vos arranca o manto, não recuseis a túnica.
            Dai ao que vos pedir e nada reclameis de quem vos tirar o que é vosso.
            Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-lhes vós a eles.
            Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso, Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados, Dai e dar-se vos á: derramarão em vosso regaço uma medida boa, calcada e transbordante, porque a medida com que medirdes os outros será a mesma com que vos medirão a vós.
            A árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.
            Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.
            Se ao trazerdes ao altar a vossa oferta, ali vos lembrardes de que vosso irmão tem alguma coisa contra vós, deixai perante o altar a vossa oferta, ide primeiro reconciliar-vos com o vosso irmão, e depois, voltando, fazei vossa oferenda.
            Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles.
            Quando derdes esmola, não toqueis trombeta diante de vós, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados.
            Não saiba a vossa mão direita o que faz a esquerda, para que a vossa esmola fique em segredo; e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará.
            Quando orardes, entrai no vosso quarto e, fechada a porta, falai com vosso Pai.
            Quando jejuardes, não vos mostreis contristados, como os que desfiguram o resto para ser honrados pelos outros.
            Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem podem corroê-los e onde os ladrões podem roubá-los, mas ajuntai tesouros no céu, porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração,
            Dai de graça o que de graça recebeis.
            Não se perturbe o vosso coração: credes em Deus, crede também em mim.
            Na casa do meu Pai há muitas moradas...
            Se me amais, guardai o meu mandamento. Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei.
            Não vos deixarei órfãos. A paz vos deixo, a minha vos deu. Não vo-la dou como a dá o mundo.
            Não desfaleça, pois, o vosso coração. Permanecei no meu amor.
            Quando vier o Consolador, que eu enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade dará testemunho de mim.
            Tenho ainda muito o que vos dizer, mas vós não o podeis suportar ainda. Quando vier, porém, o Espírito da Verdade, ele vos guiará a toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo quanto houver ouvido de mim e vos anunciará as coisas que hão de vir. Os reis dos povos dominam sobre eles e os que exercem autoridade são chamados de benfeitores. Mas, entre vós, o maior será o que se fizer servo de todos e aquele que dirige será como o que serve. Entre vós, eu sou aquele que serve.
            Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem. Quem anda nas trevas não sabe para onde vai.
            Eu sou a luz do mundo, mas se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgarei, porque não vim para julgar o mundo e sim para salvá-lo.
            Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue, porque a própria palavra que digo o julgará no último dia.
            Se eu, sendo Mestre e Senhor, vos lavo os pés, deveis lavar-vos es pés uns aos outros.
            Eu vos dei o exemplo, para que, como vos fiz, façais vós também.
            Em verdade vos digo que não é o servo maior que o seu senhor, nem o enviado maior que aquele que o enviou.
            Se, pois, sabeis essas coisas, bem-aventurados sereis se as praticardes."


sábado, 17 de dezembro de 2011

Reexame e Retomada


Reexame
e Retomada

             As necessidades humanas e as conveniências mundanas criaram as comemorações festivas do Natal. Resta aproveitá-Ias para recordar uma vez mais a figura majestosa do Nazareno. Dezembro sempre sugere, no mundo inteiro, um reexame de consciência. Se a refrega cotidiana de todos os outros rotineiros meses não ofereceu ao homem um intervalo, sequer, para a introspecção corajosa, sincera, - no último mês do ano não há por que desprezar a derradeira oportunidade, que, mesmo fugaz, é sempre benfazente.

            Com efeito, as comemorações natalinas propiciam essa atitude interior. Por mais não quiséssemos, a cobertura do rádio, da televisão e da imprensa, o incremento da atividade comercial, a divulgação das mensagens oficiais, os cumprimentos, o intercâmbio postal, além de outras tantas costumeiras manifestações, acabam por envolver-nos a todos num mínimo de atmosfera de cristandade, que, ao final, nos empurra para o amor, para o bem, para o perdão, para a confraternização. O Cristo - paradigma de todas as virtudes - amplia-se em nossa alma e somos estimulados a novo esforço para senti-lo melhor, compreendê-lo outra vez, seguir o caminho por ele aberto desde a manjedoura, em sangue e em dor, na jangal espessa da ingratidão e do egoísmo humanos. O homem anseia, então, mercê dos extremos da fé ou da covardia, por aproximar o Cristo mais junto de si, e o seu coração parece que deseja realmente pulsar com o do Senhor, na harmonia das belezas divinas que enlevam a nossa meditação.

            É bom que assim seja, porque  nisso - apesar das frivolidades de algumas dessas manifestações - alteamos o nosso padrão vibratório e conseguimos identificar melhor a Doutrina do Mestre (a mesma de Kardec), escoimada das distorções a que às vezes, pretensiosamente, a exegese especiosa se abalança.

            Podemos então medir a extensão da filosofia crística, preservada na sua pureza primitiva e eterna das enxertias a que os menos avisados do moderno revisionismo se propõem, situando-se inadvertidamente, embora alunos insipientes, acima do próprio Mestre. Por isso mesmo, “obscurum per obscuris” lobrigam nuanças extremadas numa Doutrina que, entretanto, será sempre renúncia, disciplina moral, tolerância e, acima de tudo, humildade diante das injunções de conjunturas temporais. Doutrina por excelência individualista, que acena para a salvação na promessa dos que se reformam intimamente, a fim de que, só depois, seja alcançada a renovação social, como corolário do processo inalienável da evolução de cada Espírito.

            Jesus, que poderia toma-la, não quis o poder. Em nenhum instante disputou-o. E quando a ocasião se lhe afigura própria, deita a lição judiciosa: “A César o que é de César; a Deus o que é de Deus”. Doutrina de não-violência, de passividade construtiva, de dinamismo ordenado - assegura o Reino dos Céus àquele que renunciar ao Reino da Terra. Como reiterou o Espiritismo.

            O Natal é sempre um tempo de paz no calendário humano, para o reexame de consciência e a retomada de posição a que a necessidade de evoluir nos concita. Meditemos nisso, buscando o Cristo em cada minuto de vida terrena, ao menos neste novo dezembro que passa e que pode ser o derradeiro para cada um de nós. Janeiro talvez já seja tarde.

in “Reformador” (FEB) Dezembro 1970


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Orando pelo Natal



Orando no Natal

            Senhor!

            Enquanto vibram as emoções festivas e muitos homens se banqueteiam, evocando aquele Natal que Te trouxe à Terra, recolhemo-nos em silêncio para orar.

            Há tanta dor no mundo, Senhor!

            Os canhões calam os seus troares, momentaneamente, as bombas destruidoras cessam de cair por alguns instantes, nos países em guerra, enquanto nós oramos pelos que mercantilizam vidas, fomentando conflitos e beligerâncias outras;

            pelos que escorcham as populações esfaimadas sob leis impiedosas e escravizantes;

            pelos que se comprazem, como se fossem abutres em forma humana, com a renda nefanda das casas do comércio carnal;

            pelos que exploram os vícios e acumulam usuras como o fruto da alucinação dos obsidiados ignorantes da própria enfermidade;

            pelos que malsinam moçoilas e rapagotes inexperientes, deslumbrados com o fastígio mentiroso da ilusão;

            pelos que difundem a literatura perversa e favorecem a divulgação da criminalidade;

            pelos que fazem enlouquecer, através dos processos escusos, decorrentes da cultura que perverte mentes e corações;

            pelos que se locupletam com as moedas adquiridas mediante o infanticídio hediondo;

            pelos que dormem para a dignidade e sorriem nos pesadelos do torpor moral, que os invadem!

            Senhor!

            Diante das crianças tristonhas e dos velhinhos estropiados, dos enfermos ao abandono e dos atormentados à margem da sociedade, lembramo-nos de rogar por todos eles, mas não nos esquecemos de Te suplicar pelos causadores da miséria e do infortúnio.

            Não sabem o que fazem! — perdoa-os, Senhor!

            Neste Natal, evocando o momento em que as Altas Esferas seguiram contigo à Terra, até o singelo recinto de animais, para o Teu mergulho na névoa dos homens, esparze, novamente, misericórdia e esperança para todos, a fim de que o Ano Novo seja para sofredores e responsáveis pelo sofrimento, a antemanhã da Era do Espírito Imortal de que Te fizeste paradigma após o martírio da Cruz.
           
Joanna de Ângelis
por Divaldo Franco

in “Celeiro de Bênçãos”  
(Ed. LEAL, 5ª Ed., 1992. Nº 1, pág. 11)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Príncipe da Paz



O Príncipe da Paz

por Hermínio C Miranda

Reformador (FEB) Abril 1970

             
            Mesmo agora, há quase dois mil anos de distância do seu nascimento na Palestina, ainda há muita controvérsia em torno da figura ímpar de Jesus e do seu legado doutrinário. As posições variam desde a deificaçâo até o aviltamento mais grosseiro. De certa forma, é compreensível que a personalidade do Cristo tenha levantado tanta celeuma. De tal maneira esteve ele adiantado em relação ao seu tempo que ainda hoje, depois de quase dois milênios, ainda não alcançamos, os homens, toda a profundidade dos seus ensinamentos e toda a extraordinária força e limpidez do seu caráter.

            Podendo nascer entre os poderosos para pregar de cima para baixo a sua mensagem, decidiu, ao contrário, nascer e viver na pobreza para pregá-Ia entre os humildes. Numa época tumultuada pelas paixões políticas e religiosas, prosseguiu imperturbável e com dignidade inexcedível a espalhar a sua palavra redentora. Para demonstrar que a morte era um simples episódio, não recuou diante da mais rude e mesquinha forma de punição e, ainda mais, por crime que não cometera. Interessado em demonstrar o mecanismo de leis desconhecidas dos homens, realizou inúmeros fenômenos insólitos, prontamente classificados como milagres.

            Esse espírito majestoso, que mudou o curso da História, nasceu no anonimato, viveu na pobreza e morreu na infâmia. A História oficial da época mal registra a sua passagem num ou noutro documento tido por muitos como suspeito. É que o impacto vigoroso da sua influência começa com a sua morte e cresce e se agiganta com o passar dos séculos. Seu vulto imenso é daqueles que a nossa pobre visão espiritual somente pode contemplar a distância: de perto, é grande demais.

            Conta-se que alguns dos carrascos de Joana d' Arc ralaram-se de remorso, na certeza de terem sacrificado uma santa, nem bem se apagara a fogueira que à consumiu. No decorrer dos tempos, todos os que perseguiram e sacrificaram Jesus devem ter despertado para essa dura realidade: a de terem sido instrumentos cegos do ódio contra o maior e mais puro espírito de que temos notícia.

            A História, quando começou realmente a se interessar pela figura do Mestre, encontrou-a já mutilada e recoberta de lendas e de mitos. Até mesmo seu ensinamento continha deformações difíceis de eliminar. Em muitos casos, a imaginação dos historiadores supriu a falta de dados concretos e novas paixões se desataram em torno dele. Alguns escreveram para exaltá-lo mais do que ele próprio desejaria; outros, no extremo oposto, tentaram reduzí-I o a um ser mesquinho, igual a muitos, ou perturbado pelos desequilíbrios mentais catalogados pela ciência moderna, houve também quem procurasse demonstrar que ele nunca existiu, senão na imaginação de um povo que buscava a grandeza histórica a qualquer preço.

            No século passado verificaram-se as primeiras tentativas sérias a que hoje se chama desmitificação da imagem do Cristo. Não é outro o sentido das obras mais famosas dessa escola: a de Strauss e a de Renan. Ambos procuram “explicar” o Mestre em termos humanos, o que, até certo ponto, se admite. Procuram aplicar no estudo dele os métodos modernos da historiografia, servindo-se de descobertas recentes e de novos conhecimentos trazidos por novas pesquisas. Esses estudos foram, na verdade, algo de diferente em confronto com as antigas “vidas” de Jesus, elaboradas numa atmosfera de misticismo exagerado que deixavam perder de vista os aspectos humanos do Messias. Strauss e Renan pretendiam escrever biografias. Uma preocupação, no entanto, lhes era obsessiva e lhes foi uma constante: a de reduzir o impacto emocional dos chamados milagres, procurando retirar deles as características sobrenaturais que a teologia clássica sempre lhes atribuíra. A tarefa de esclarecimento, porém, estava reservada ao Espiritismo, que não apenas reinterpretou os Evangelhos, como colocou os fenômenos psíquicos operados pelo Cristo na sua exata posição e perspectiva. Veja-se, nesse sentido, principalmente, “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec. Leia-se, entre muitas outras obras, “Cristianismo e Espiritismo”, de Léon Denis. Mas, acima de tudo, o que recomenda o Espiritismo é que ponhamos, afinal, em prática a moral pregada pelo Mestre e resumida por ele ao cabo dos seus três anos incompletos de pregação:  Amai a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a vós mesmos”. Nisso está, nas suas próprias palavras, o espírito de toda a lei e de todos os profetas.
            Era o que tínhamos a lembrar, já no terço final do século vinte, última fração do segundo milênio, quando, mais uma vez, nosso pensamento repousa, neste Natal, na imagem daquele que está sempre presente no coração e no espírito dos que sonham com um mundo de paz, de harmonia e de amor.



(Extraído do “Diário de Notícias”, de 21/12/1969.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Santuário Materno



Santuário materno
            
             No nosso tempo, mamãe! ...

            Eu era pequenina e louçã.

            Você, estuante de vigor, tomava-me pelas mãos, que mil vezes as suas uniram para o
poema da oração, e me conduzia pelo bosque festivo da vida, cantando aos meus ouvidos musicados pela sinfonia da Natureza as gloriosas mensagens do existir.

            As primaveras se sucediam e quase não percebíamos o passar das festas das Estações ...

            Ainda me recordo das suas narrativas comoventes a respeito de um Nascimento Sublime, quando nos sentávamos entusiasmadas no chão da sala de nossa casa, armando o presépio evocativo ...

            Sua palavra delicada recordava a mais linda história e a mais fascinante Vida, fazendo- me estremecer cada vez, porque sempre nova e sempre bela a evocação do Natal nos seus lábios emoldurados de bondade e nos seus olhos orvalhados de lágrimas.

            Quantas vezes, ao anoitecer, no seu colo. quase a dormir, você me ensinava contar as estrelas que surgiam, falando-me desses ninhos de vidas e de luzes que minhas pequenas mãos, não em poucas tentativas, buscavam alcançar?! ...

            Noutras oportunidades, quando comecei a compreender os sofrimentos humanos e lhe percebi na face os primeiros sulcos das agonias suportadas heroicamente, você, sorrindo, me convidava a confiar n'Ele, o Menino Divino, não me permitindo sofrer com a sua aflição.

            O tempo mostrou-me a sua grandeza, através das incontáveis renúncias que você se soube impor, e da resignação que lhe aureolou a fronte até à velhice consagrada ao bem.

            Recordo-me de você, mamãe, e toda vibro de sadia emotividade. Pelas telas das recordações repassam todas as horas da nossa convivência, e eu me ergo em oração para agradecer a Deus a mãe que você foi para mim.

            Evocando-a em toda a sua grandiosidade de quase santa que você foi, compadeço-me da maternidade ultrajada e negaceada destes dias de inquietação e tormento, deixando-me vencer por justa preocupação.

            Quando ser mãe se transforma em lamentável questão de laboratório ou se converte em
problema de programação racional, face a imposições financeiras, e quando os anovulatórios
obstruem a porta estelar do berço, sim, compreendo que a escassez de amor, na Terra, é o
fermento de dores acerbas que não tardarão ...

            Eu que recebi a alta concessão de poder voltar ao palco da carne através de mulheres como você, ricas de abnegação, bendigo-a, enquanto choro por aquelas que enlouquecem na soledade e no abandono, sem a recordação sequer de duas mãos e dois braços pequeninos, parecidos a asas que um dia lhes rociassem os corações ...

            Por tudo isso, junto as minhas às suas mãos e num presépio simbólico, evocativo, voltamos a orar, no Dia das Mães, pela mulher infortunada que esqueceu ou não deseja santificar a própria vida, fazendo-se santuário, transfigurando-se em mãe.

Amelia Rodrigues

por  Divaldo P. Franco
em 17/3/1970,
no C E "Caminho da Redenção, em Salvador, BA.
Reformador (FEB) Maio 1970

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Natal - Ainda é tempo...


Lendo e Comentando (4)

            Barbanell refere-se em seu editorial de Dezembro à extrema comercialização do Natal, aos excessos à mesa, às cortesias artificiais costumeiras, tudo isso incompatível com os princípios espirituais que regem a comemoração natalina. A maioria nem mesmo se lembra de que a festa tem conotações religiosas tão significativas. O articulista cita a anedota da criança que perguntou à mãe «- Porque razão estragam o Natal com as comemorações religiosas?» .

            Infelizmente essa é realmente a tônica nos festejos que, de início, lembravam apenas a vinda de Jesus à Terra para a sua difícil e valiosa missão de paz.


por Hermínio C Miranda

in Reformador (FEB)  Março 1970