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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

04. Máximas extraídas dos Ensinos dos Espíritos



04. Máximas extraídas
dos Ensinos dos Espíritos.
           

            A crença no Espiritismo só é proveitosa àquele de quem se pode dizer: Vale mais hoje do que ontem.
           

            Allan Kardec
Pág. 51 e seguintes.
‘O Espiritismo na sua Expressão mais Simples’
1ª Ed FEB 2006

Tradução de Evandro Noleto Bezerra

terça-feira, 29 de outubro de 2013

03. Máximas extraídas dos Ensinos dos Espíritos.


03. Máximas extraídas
dos Ensinos dos Espíritos.
           

            O egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição, a cupidez, o ódio, a inveja, o ciúme, a maledicência são, para a alma, ervas venenosas, das quais é preciso, todos os dias, arrancar alguns brotos e que têm por antídoto a caridade e a humildade.
           

            Allan Kardec
Pág. 51 e seguintes.
‘O Espiritismo na sua Expressão mais Simples’
1ª Ed FEB 2006
Tradução de Evandro Noleto Bezerra

O trabalho, enfim.


O trabalho, enfim
Martins Peralva
Reformador (FEB) Janeiro 1961

                        " ...nenhum amigo do mundo poderia avaliar a alegria sublime
 do médico que recomeçava a educação de si mesmo,
na enfermagem rudimentar." – André Luiz



            Um dos mais significativos capítulos da obra "Nosso Lar" - cujo estudo, metódico e pormenorizado vimos de concluir no C. E. "Célia Xavier", em Belo Horizonte - tem o título de "O Trabalho, enfim".

            Como, geralmente, o leitor, espírita ou não, pouco se detém na essência das lições, limitando-se, a grande maioria, a simplesmente lê-las, houvemos por bem ressaltá-lo nesta crônica, como o fizéramos no "Célia Xavier", na noite em que o estudáramos, perante os companheiros de aprendizado.

            Quem se dedica ao exame da literatura de André Luiz, não desconhece o esforço que esse grande Espírito realizou, a partir do instante em que as carinhosas e enérgicas mãos de Clarêncio o retiraram das sombras umbralinas.

            Luta imensa, profunda, difícil e complexa - porque complexa e difícil, profunda e imensa é a luta do soerguimento, da ressurreição.

            Luta de renovação, afinal.

            Alguns anos se passaram, inúmeras foram as emoções vividas por André Luiz na operosa e simpática organização fundada por distintos portugueses, desencarnados no Brasil, no século XVI.

            Muitas alegrias e surpresas felicitaram o ex-médico terrestre.

            A maior e mais importante alegria, contudo, consistiu no seu primeiro contato efetivo com o trabalho.

            Verificou-se no momento em que suas abençoadas mãos se movimentaram, por iniciativa própria e sob o impulso do Bem, no trabalho socorrista.

            A ênfase que o próprio André Luiz põe no título: "O Trabalho, enfim", fala melhor do que qualquer referência nossa.

            Fala mais alto do que qualquer evidência que possamos atribuir ao fato.

* * *

            Foi uma visita às Câmaras de Retificação.

            Por toda a parte o sofrimento, a angústia, o desespero, gerando a dor.

            André Luiz confessa:  "Nunca poderia imaginar o quadro que se desenhava agora aos meus olhos. Não era o hospital de sangue, nem o instituto de tratamento normal da saúde orgânica. Era uma série de câmaras vastas, ligadas entre si e repletas de verdadeiros despojos humanos.

            Singular vozerio pairava no ar. Gemidos, soluços, frases dolorosas pronunciadas a esmo...

            Rostos desvairados, mãos esqueléticas, faces monstruosas deixavam transparecer terrivel miséria espiritual.

            Tão angustiosas foram minhas primeiras impressões que procurei os recursos da prece para não fraquejar."

            A visita de André Luiz às Câmaras, realizada a seu tempo, fê-lo entrar em contato com infelizes entidades, almas alucinadas, enlouquecidas. Quando Tobias, seu acompanhante, começou a aplicar passes nos enfermos, notou o antigo médico da Terra que os dois primeiros começaram a expelir negra substancia pela boca, espécie de vômito escuro e viscoso, com terríveis emanações cadavéricas.

            Observando que Narcisa, outra acompanhante, fazia o possível por atender à tarefa de limpeza, André Luiz, convertendo-se em humilde e simples enfermeiro, agarrou-se aos petrechos de higiene e lançou-se ao trabalho com fervor.

            Começou a limpar, ele próprio, a substância negra e mal cheirosa que escorria da boca dos enfermos...

            Esse episódio, auspicioso e decisivo para a continuidade do esforço libertador do querido amigo, foi, para ele, tão significativo, que se não privou de traduzi-lo, enfaticamente, no título do capítulo em que o descreve: O TRABALHO, ENFIM.

            Várias experiências cercam e assinalam o problema renovativo dos seres, encarnados ou desencarnados; o mais importante, contudo, decerto, é que marca a superação do preconceito, da vaidade afinal.

            É aquela em que a criatura se dispõe ao trabalho com o Senhor, com humildade e ardor. Ouçamos a palavra da respeitável entidade, externando para nós outros, da esfera física, o indefinível júbilo de que se viu possuído, na inolvidável manhã das Câmaras de Retificação:

            "O serviço continuou por todo o dia, custando-me abençoado suor, e nenhum amigo do mundo poderia avaliar a alegria sublime do Médico que recomeçava a educação de si mesmo na enfermagem rudimentar."

            O destaque por André Luiz dispensado ao seu primeiro dia de trabalho, efetivo e consciente, espontâneo e sincero, não deve passar despercebido aos aprendizes do plano terrestre.

            E que nos seja possível, a todos, sem demora e em definitivo, repetir com o querido André Luiz: O trabalho, enfim.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

02. Máximas Extraídas dos Ensinos dos Espíritos



Máximas extraídas
dos Ensinos dos Espíritos.
         

          O verdadeiro espírita não é o que crê nas manifestações, mas aquele que aproveita do ensino dado pelos Espíritos. De nada adianta acreditar, se a crença não o levar a dar um passo à frente no caminho do progresso e não o tornar melhor para como seu próximo.
           

            Allan Kardec
Pág. 51 e seguintes.
‘O Espiritismo na sua Expressão mais Simples’
1ª Ed FEB 2006

Tradução de Evandro Noleto Bezerra

domingo, 27 de outubro de 2013

XX. 'Apreciando a Paulo'

Platão

 XX a
‘Apreciando a Paulo’
      comentários em torno
    das Epístolas de S. Paulo
   por Ernani Cabral

Tipografia Kardec - 1958


“Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade
e culto dos anjos, metendo-se em coisas que não viu;
estando debalde inchado em sua carnal compreensão.”
(Epístola aos Colossenses, 2:18)

            Cuidado com as subjugações ou com a escravidão mental!

            O espírita-cristão é, antes de tudo, livre pensador. Deve passar todos os ensinamentos, todas as experiências pelo crivo da razão, e só aceitar aquilo que o deixe em paz com sua própria consciência.

            O entendimento é gradativo; o processo de iluminação é lento, pois, assim como “a Natureza não dá saltos”, conforme diz o brocardo, não podemos ter fé ou convicção profunda de um dia para outro. Na eternidade não há pressa.

            As coisas vão devagar. O Espírito é chamado para o conhecimento das verdades eternas, mas é preciso persistir nessa busca, honestamente, para que possa ser escolhido. “Aquele que perseverar até ao fim será salvo”, disse Jesus (Mateus, 10 :22). Deve o homem perseverar no estudo e, sobretudo, nos propósitos de sua própria regeneração. Esta, também, não se obtém às carreiras.

            É indispensável que cada um se convença de que é pecador e imperfeito, tendo ainda muito que evoluir.

            As pessoas estranhas ao conhecimento espiritual gostam de se elogiar, dizendo-se honestas e cumpridores dos deveres.

            Mas, qual o indivíduo que cumpre, estritamente, com seus deveres, amando o próximo como a si mesmo? Nossa perfeição é sempre relativa. Portanto, quão longe estamos da perfeição completa!

            Entretanto, o Divino Mestre aconselha: “Sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus, 5:48.)

            Mas ele assim falando doutrinava para nossa vida eterna, de que a atual também faz parte. É preciso que nos esforcemos à procura da elevação. Nisto reside o mérito: na boa vontade, na sinceridade de propósitos, no esforço individual em busca da ascese, ou seja, da ascensão para Deus.

            Porém, nada de jactâncias, nem de sentimentos de superioridade e, sobretudo, nada de julgar o próximo, supondo-o inferior, pois, se estivéssemos em seu lugar, talvez procedêssemos pior. Suas atitudes também não podem ser julgadas, de vez que, às vezes, o que nos parece errado, tem uma razão de ser. Além disto, cumpre-nos sempre ter tolerância, que é amor.

            Os motivos que determinam a conduta escapam, geralmente, à percepção de quem não está atento. Daí porque é preciso vigiar, não se deixando o homem arrastar pelos impulsos. As aparências enganam, e um ato, mesmo virtuoso, de quem encobre falta alheia para não acusar, pode ser tomado em sentido rigoroso e injusto.

            Sócrates já recomendava o conhece-te a ti mesmo, que é o começo e a base da perfeição. Devemos estudar nossa índole, nossos pendores e examinar se certas atitudes não são, porventura, frutos de sentimentos inferiores, que decorrem do egoísmo, imperfeição comum a todos os homens.

            Temos sempre o propósito de desculpar nossas faltas. As pessoas sempre se justificam de seus erros, dando uma razão para eles. Mas os Espíritos do Senhor recomendam que sejamos rigorosos conosco e tolerantes para com o próximo.

            Os defeitos individuais, mesmo pequenos, merecem corrigidos. Se não tivermos força para combater os pequenos erros, como nos poderemos livrar dos grandes?

            O Espiritismo vai nos melhorando através dos séculos, contanto que sejamos leais aos seus ensinamentos, os quais são os de Jesus e de seus apóstolos, interpretados “em espírito e verdade”, isto é, com simplicidade e pureza, sem preocupações dogmáticas ou da prática de ritos, que são coisas dispensáveis, já que o principal é a transformação moral e a prática do bem ou da caridade.

            Nada de discussões que não edificam e que o apóstolo Paulo também condenava. “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito.” (Ef., 4:18) Aquele que já se sente capaz, pode esclarecer seu irmão, máxime se ele o pedir. Mas não queira impor sua vontade “a ferro e a fogo”, nem ficar agastado, se não for ouvido. Cada um tem seu livre arbítrio e é responsável pelos seus próprios atos. Quem erra conscientemente, pratica o pecado contra o Espírito-Santo, comete o a que Jesus se referiu, dizendo que não tem perdão (Marcos, 3:29), isto é, te-lo-á de pagar “até o último ceitil”.

            O apóstolo Paulo nos adverte; neste versículo de sua Epístola aos Colossenses, que nos devemos precatar, a fim de que ninguém nos domine, seja homem ou Espírito.

            Os homens são falhos e muitos Espíritos estão sujeitos ao erro. “O Senhor nosso Deus é o único Senhor.” (Deut., 6:4; Marcos, 12:29) Obrigar a mente a quaisquer imposições alheias, admirar alguém com exagero, é sujeitar-se a ter decepções. Amar um Espírito ou uma pessoa demais, é paixão, sentimento tido como condenável pela própria Psicologia, que é a ciência que estuda a alma humana e os seus processos fenomênicos.

            Paixão - ela nos ensina - é um sentimento exagerado. Qualquer que seja, pela pátria, por alguém, por algum Espírito, ou mesmo pela própria mãe ou pelos filhos, torna-se reprovável, porque excessivo ou patológico.

            O verdadeiro amor é sereno e controlado. Não deve ir ao ponto de concordar com os erros; precisamos ter a energia moral bastante de discordar, mesmo com doçura. Somos responsáveis perante Deus pelas criaturas que nos foram entregues ou que estão sob nossa guarda.

            Acreditar na infalibilidade alheia é tolice. As mistificações servem de lições proveitosas para não cairmos nesses excessos e nem no fanatismo.

            Tudo deve ser passado pelo crivo da razão, eis o ensino dos Mensageiros do Senhor, que não devemos cansar de repetir.

            Daí porque - homens livres e cristãos conscientes - não podemos aceitar os dogmas religiosos, que têm de ser admitidos como artigos de fé, sem quaisquer exames. Acredita-se ou não nos dogmas, dizem os teólogos, mas não se tem o direito de investigar, de duvidar ou de querer penetrar em sua essência. É a escravidão mental contrária ao roteiro traçado por São Paulo, quando recomenda: “Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem.” (1 Tess., 5:19 a 21)

            Porque essa subjugação intelectual a conclusões de teólogos, decorrentes de concílios de que só participaram homens falíveis? Não será extinguir o Espírito, negar o direito ao raciocínio alheio, à liberdade de investigar? - É a fé cega, primária, instintiva, irracional, que pode conduzir ao erro, com pouca possibilidade de retroceder.

Pitágoras

XX b
‘Apreciando a Paulo’
      comentários em torno
    das Epístolas de S. Paulo
   por Ernani Cabral

Tipografia Kardec - 1958


            É também deixar-se dominar “a bel-prazer”, como diz Paulo, “com pretexto de humildade ou de culto aos anjos, metendo-se em coisas que não viu” ou sobre as quais não quer refletir, com medo de enfrentar a verdade, que é acessível a todo homem estudioso e
sincero.

            Dizem, para impressionar, que aqueles concílios contavam sempre com a presença do Espírito-Santo. Mas, quem o provou? Basta tal afirmativa para que logo se creia neles, sem mais exames!

            Duvidam de nossas sessões espíritas - e têm essa faculdade, porque não investigam -, mas acham que devemos crer, cegamente, nas conclusões de seus concílios, alguns feitos há séculos, de cujas discussões nem temos notícia!

            Defendem o direito de criar dogmas, através de seus doutores, mas negam a própria doutrina de Jesus, que é simplicidade e amor, pois ele mesmo disse:

            “Nada há de encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se.” (Mateus, 10:26; Lucas, 12:2.)

            Se o dogma é “mistério”, mas se esse “mistério” religioso não existe na doutrina de Jesus, conforme suas próprias palavras, aceitá-lo é discordar dessas palavras para ficar com os ensinos dos homens, que não têm o poder de revogá-las.

            Já temos acentuado que o mistério só existe como fruto de nossa ignorância. À medida que vamos evoluindo em conhecimento, os mistérios vão desaparecendo. Não podemos aceitar algo como mistério, sem o direito de investigar. Isto seria tolher nossa liberdade intelectual, e a liberdade do homem é direito sagrado, que Deus concedeu, e que ninguém, nem em Seu nome, tem a faculdade de violentar, seja lá por que pretexto... E como afirmou São Paulo, no versículo ora comentado, ninguém nos deve dominar, porque somos criaturas livres, responsáveis pelos nossos atos e que precisamos evoluir pelas nossas próprias experiências. Nosso supremo roteiro é o Novo Testamento, que ele nos legou com seus apóstolos. Tirar daí conclusões que ofendam a essência de sua doutrina generosa e liberal, é desmenti-lo, com propósitos de dominação, como geralmente sucede.

            O Cristianismo puro, que decorre dos Evangelhos, não tem complexidade dogmática; foi criado, antes desses concílios, pelo Divino Mestre e por seus apóstolos. A estes e não aos dogmas devemos seguir, espontaneamente, procurando ser humildes e regenerados, seguindo apenas os mandamentos divinos, e não os enxertos feitos na doutrina do Senhor, com o propósito de escravizar consciências. Cristianismo, que o Espírito-Santo ora procura restaurar na Terra, em toda a sua pureza primitiva, consiste apenas no amor - a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. “Destes dois mandamentos” (que se fundam no amor), “depende toda a lei e os profetas.” (Mateus, 22:40.) Os dogmas são, por consequência, criações de certos cristãos e não do Mestre Excelso. São interpretações humanas dos textos bíblicos, que os Espíritos Superiores (a verdadeira falange do Espírito-Santo, que já se comunica com as pessoas de boa vontade) condenam e desautorizam.

            Os concílios de homens sujeitos ao erro, cuja infalibilidade pessoal eles mesmos decretaram, desviaram o Cristianismo de seu verdadeiro sentido e de seu terreno exato, proporcionando até a cobrança de espórtulas por sacramentos, taxados a preço fixo, num comércio abominável com as coisas santas, como se com dinheiro, e não com virtudes, pudesse ser conquistado o reino de Deus.

            Todavia, não devemos ter aversão por tais religiosos - muitos dos quais procedem também como cristãos, porque são regenerados e fazem o bem -, mas apenas nos cumpre evitar a comunhão com seus erros e com suas fraquezas, tornando-nos libertos desses preconceitos multisseculares, que tanto fanatismo têm gerado e que tantos males têm causado à Humanidade, porque o crente dogmático quase sempre é intolerante, achando que somente ele está de posse da verdade, e que os outros trilham a senda da impostura, sem salvação.

            Os Mensageiros do Senhor, que são as vozes dos Céus, ensinam-nos ainda que a crença nos dogmas serve de entrave ao nosso progresso espiritual, pois que, comumente, gera o medo, que é um sério obstáculo à evolução do Espírito. É este sentimento, incutido pela crença nos dogmas, que nos faz ter dúvidas e receios, quando começamos a investigar sobre o Espiritismo. Travando contato com os bons Espíritos, tendo confiança neles, nosso medo vai desaparecendo, para nosso próprio bem, pois então estaremos libertos dos tabus e dos preconceitos. E nosso Espírito estará apto a prosseguir na trilha evolutiva do conhecimento, que liberta, como disse Jesus:

            “Se permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos;
            “E conhecereis a verdade, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ” (João, 8:31 e 32)

            Sabemos que Jesus é universal. É de todos os homens e pertencente a todas as religiões, mesmo àquelas que não o admitem, mas que em parte o adotam, porque proclamam certos princípios que pertencem à sua filosofia. Sabemos também que o principal é a prática do bem e não o rótulo religioso. Mas podemos afirmar que o Espiritismo é a cúpula do Cristianismo, a Terceira Revelação de Deus, que veio libertar os homens de seus erros e de seus preconceitos, incutidos quase sempre por criaturas que têm procurado servir-se dos ensinamentos de Jesus para os seus propósitos de dominação temporal, esquecidas da lição fundamental do meigo Rabi: “Dai de graça o que de graça recebestes.” (Mateus, 10:8, in fine.)

            Sendo indivíduos cultos, bem podiam viver de lecionar ou no exercício de outras profissões honestas, deixando de explorar os homens em nome de Deus, como chegam a fazer.

            Muitos desses, repetimos, são bem intencionados; acreditam em sua Igreja com sinceridade - exatamente porque não investigaram ou porque não têm liberdade para fazê-lo - e pensam estar a serviço da verdade. Chegam a realizar algum bem, embora deturpando com seus dogmas a singeleza do Cristianismo. Praticam e ensinam uma espécie de curso primário - ou de jardim da infância - em matéria de religião, e como abundam os ignorantes, os que se não querem dar ao trabalho de estudar o assunto, seus processos dão para estes algum resultado, motivo pelo qual não devem ser condenados, pois têm alguma utilidade de ordem moral. Além disso, se há Espíritos encarnados de diversas categorias e de diferentes graus de entendimento, não se pode exigir que todos pensem de igual maneira ou que sigam a mesma religião. Eis porque, embora discordando de nossos irmãos de outros credos, devemos ter tolerância para com eles, sentimento de compreensão e alta dose de amor.

            Os espíritas que têm raiva de padres e que vivem a combatê-los sistematicamente, em qualquer ocasião (felizmente, são poucos), ainda estão longe de ser cristãos, ainda não sabem ser espíritas, porque temos a obrigação de demonstrar tolerância e amor com todos, mesmo para com os ateus.

            Há pontos lindos do Evangelho que podemos abordar em nossas reuniões (e Allan Kardec bem os condensou em “O Evangelho segundo o Espiritismo”), sem necessidade de descermos às competições religiosas.

            Pregando a doutrina do Cristo sem ataques pessoais e sem insultos, convenceremos com mais facilidade do que irritando ou chocando a compreensão dos que nos ouvem ainda com algumas reservas mentais ou com certas dúvidas, próprias de quem começa...

            Sejamos prudentes como o Senhor Jesus recomendou.

            Tenhamos liberdade de consciência, convicção do que afirmamos, mas sem querer dominar nosso semelhante, nem ferir o seu livre arbítrio, o que é também faltar com a caridade.

            Quando tivermos de versar esses delicados assuntos, façamo-lo sem ofensas, mas com o propósito leal de servir à Verdade, escolhendo as palavras, combatendo os erros e não os homens, porque estes são nossos irmãos e, às vezes, moralmente estão acima de nós. Há também cristãos entre outras crenças e nós não monopolizamos a Jesus.

            Grau de entendimento é sabedoria - aspecto da evolução. Mas tem sempre de ser acrisolada pelo amor, pedra de toque ou sinal do verdadeiro espírita-cristão.

            O Espiritismo também não se impõe. E nem todos estão à altura de compreender que ele é a Terceira Revelação de Deus e a expressão maior da verdade dada aos homens de boa vontade, exatamente porque não é doutrina de seres humanos, mas dos Mensageiros do Senhor. E quem duvidar, que investigue, a fim de ter esta convicção que, graças a Deus, já possuímos. Nossa fé não é cega, mas raciocinada, fruto de anos de dúvidas, de incertezas, de investigações, até que se arraigou em nosso Espírito, inabalavelmente.

            E felizes dos que creem na imortalidade da alma, nas vidas sucessivas e na Justiça de Deus, sabendo que a cada um será dado, não só pela sua fé, “mas segundo as suas obras”, como disse Jesus, reafirmando o que está escrito no Velho Testamento. (Mateus, 16:27 e I Sam., 2:3)

            Nossa existência atual tem um encadeamento lógico com o passado e plantamos agora o que havemos de colher no futuro, confiados sempre na misericórdia divina. Temos a convicção profunda de que Deus é bom, como afirmou o Divino Mestre, nosso irmão maior, o protetor e governador de nosso planeta. E apreciemos a Paulo porque ele foi o “vaso escolhido” para vulgarizar seus ensinamentos entre os homens, dando-nos também lições
imortais, que nos servirão por toda a eternidade!

  

 Péricles


01. O Ensino dos Espíritos


Máximas extraídas
dos Ensinos dos Espíritos.
         

          O fim essencial do Espiritismo é tornar melhores os homens. Nele não se procure senão o que possa concorrer para o seu progresso moral e intelectual.
           
         
Allan Kardec
Pág. 51 e seguintes.
‘O Espiritismo na sua Expressão mais Simples’
1ª Ed FEB 2006

Tradução de Evandro Noleto Bezerra

sábado, 26 de outubro de 2013

Sorriso


Sorriso
Meimei
por Chico Xavier
Reformador (FEB) Janeiro 1958

            Onde estiveres, seja onde for, não olvides estender o sorriso, por oferta sublime da própria alma.

            Ele é o agente que neutraliza o poder do mal e a oração inarticulada que inibe a extensão da treva.

            Com ele, apagarás o fogo da cólera, cerrando a porta ao incêndio da crueldade.

            Por ele, atenderás à plantação da esperança, soerguendo almas caídas na sombra, para que retomem à luz.

            Em casa, é a bênção da paz, na lareira da confiança; no trabalho, é música silenciosa, incentivando a cooperação; no mundo, é chamamento de simpatia ...

            Sorri para a dificuldade e a dificuldade transformar-se-á em socorro de tua vida.

            Sorri para a nuvem e, ainda mesmo que a nuvem se desfaça em chuva de lágrimas nos teus olhos, o pranto será reconforto ao Céu, a fecundar-te os campos ao coração.

            Não te roga o desesperado a solução do enigma de sofrimento que lhe persegue o destino. Implora-te um sorriso de amor, em que se lhe renovem as forças, para que prossiga em seu atormentado caminho.

            E, em verdade, se os famintos e os nus te pedem pão e agasalho, esperam de ti, acima de tudo, o sorriso de ternura e compreensão, que lhes acalme as chagas ocultas.

            Não condenes as criaturas que se arrojaram aos precipícios da violência ou do crime. Oferece-lhes o sorriso generoso da fraternidade, que ajuda incessantemente, e voltar-se-ão, renovadas, para o roteiro ao bem.

            Sorri, trabalhando e aprendendo, auxiliando e amando sempre.

            Lembra-te de que o sorriso é o orvalho da caridade, e que, por isso, cada manhã, o dia renascente no Céu é um sorriso de Deus.



sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Orando e Vigiando


Orando e vigiando

Guillon Ribeiro
por Chico Xavier
in ‘Instruções Psicofônicas’ 7ª Ed 1995-FEB

            Na fase de tempo consagrada às Instruções, em nossa reunião da noite de 26 de maio de 1955, a transfiguração do médium era mais sensível. A breves momentos, soou, reconfortante e bem timbrada, a palavra do mentor que nos visitava. Esse amigo era o Dr. Gulllon Ribeiro, aquele digno orientador de nossa Causa, no Brasil, que, por muitos anos, foi o venerável Presidente da Federação Espirita Brasileira, e cujo devotamento à nossa Doutrina prescinde das nossas referências. Sua palavra, na rápida passagem por nosso recinto, constitui elevada exortação ao desempenho dos deveres cristãos que nos cabem no Espiritismo, compelindo-nos a pensar mais detidamente na extensão de nossos compromissos. Esclarecemos que esta é a primeira comunicação do Dr. Gulllon Ribeiro, quer psicográfica ou psicofonicamente, através das faculdades do médium Xavier. Grande foi, portanto, a nossa alegria em lhe recebendo a mensagem direta e agradecemos reconhecidamente a Jesus semelhante contato.

             “Meus irmãos, glorificada seja a Vontade de Nosso Pai Celestial.

            Humilde companheiro vosso, incorporado à caravana dos obreiros de boa-vontade, não por méritos que nos falham, mas sim por havermos recebido “acréscimo de misericórdia” que a infinita bondade do Senhor jamais recusa ao espírito desperto para as necessidades da própria regeneração, associamo-nos, hoje, às vossas orações e tarefas, deprecando as bênçãos de Jesus em nosso benefício, a fim de que não nos faleçam a energia e o bom ânimo, na empresa de socorro aos nossos irmãos que se brutalizaram depois da morte ou que, além dela, se fizeram infortunados seareiros do egoísmo e da crueldade, da violência e do ódio.

            Ah! meus amigos, quantos legionários da nossa grande causa, para gáudio da sombra geradora da discórdia, na hora grave que atravessamos, adormecem à margem dos compromissos assumidos, embriagados no ópio da indiferença, cegos para a missão do Espiritismo como o Paracleto que nos foi prometido pelo Cristo de Deus, surdos para com a realidade que lhes brada emocionantes apelos ao trabalho do Evangelho, ou hipnotizados nas contendas antifraternas em que malbaratam os recursos que o Senhor nos empresta, convertendo-se, levianamente, na instrumentalidade viva da negação e das trevas!

            Crendo brunir a elucidação doutrinária, traçam inextricáveis labirintos para as almas ainda inseguras de si e que se nos abeiram do manancial de consolações preciosas; e, supondo cultuar a verdade, apenas extravagam na retórica infeliz de quantos se anulam sob os narcóticos da vaidade, transformando a água viva da fé que lhes jorrava dos corações em fel envenenado de loucura e perturbação para si mesmos ou caindo sob os golpes desapiedados de nossos infelizes companheiros do passado, a nos acenarem de outras reencarnações e de outras eras.

            Eis por que rogamos ao Senhor nos conserve naquela oração e naquela vigilância que exprimem o trabalho digno e a ardente caridade com que devemos honrar o altar de luta em que fomos chamados a servi-lo.

            Crede que o Espiritismo é o restaurador do Cristianismo em sua primitiva e gloriosa pureza e que os espíritas sinceros são, por excelência, na atualidade, os cristãos mais diretamente responsáveis pela substancialização dos ensinamentos que o nosso Divino Mestre legou à Humanidade.

            Procuremos, por isso, o nosso lugar de aprendizes e servidores e, compreendendo o valor da oportunidade e do tempo, ofereçamos nossas vidas à cristianização das consciências, começando por nós mesmos, suplicando ao pulcro Espírito de Nossa Mãe Santíssima nos ilumine a estrada para o aprisco do Divino Pastor.

            Acordados, assim, para as obrigações a que nos entrosamos na obra de luz e amor, louvemos a bondade de Nosso Pai Celestial para sempre.”




terça-feira, 15 de outubro de 2013

Carta a um amigo



Carta a um amigo
Eça de Queiroz (Espírito)
por Gilberto Campista Guarino
Reformador (FEB) Outubro 1976

Eternidade.

Meu caro:

            Encontro-te na posição de quem luta desesperadamente por sair de um labirinto de dúvidas excruciantes.

            Eras sereno como o rosa pôr-do-sol, firme como uma rocha acostumada ao impacto das ondas; Eras seguro, sem rodeios, preciso, de raciocínio límpido e claro. Não alimentaras ainda a avantesma da dúvida aterradora, que hoje te cerca, com um séquito de íncubos e súcubos lançando-te leito abaixo, quando (crês) mais necessitas descansar.

            Todo organismo sofre crises, meu caro amigo (permita-me, outra vez, dar ao meu verbo esse toque de fraternidade, que fraternidade eu sinto); tu estás como quem desperta, vivo, entre a sepultura de mortos, crendo-te defunto em terra de vivos. Não invertas as posições; não busques outras complexidades nas tantas que hoje te ameaçam, ou melhor, que crês te ameaçarem a integridade.

            Dizia o teu amigo (não confundas... sou o que deste país te escreve) que, uma vez, tu te sentiste firme como rocha acostumada às lambadas do oceano. Com efeito, meu caro... (que ouvido algum nos ouça... ) - estarias mesmo na posição em que só se colocam as almas redimidas? O como te situas hoje prova-te que não eras o todo-poderoso que imaginavas.

            Caíste do pedestal... ora... porque estavas no ar, porque jamais tiveste os pés sobre o solo.

            Sim, eras, talvez (que a consciência te conceda esse entendimento, é justo...), uma rocha; mas, não consideraste, porventura, que as rochas também tombam e afundam na areia das praias, sob o fustigar das vagas?.. Consideraste, sim, meu caro, a pedra, só a pedra; mas simplesmente te esqueceste de medir e pesar, caramba, o tremendo valor da água! Eras rocha, mas (pretendendo ser inflexível) esquecias-te de que vivias à beira do mar, de um mar calmo, certo. Nunca aventaste a possibilidade de uma ressaca ou desse fenômeno que os técnicos denomina cabeça-d’água? Nunca pensaste em que um cascalho lançado sobre a água poderia gerar uma vaga monstruosa, que haveria de pilhar-te bem quando tomavas sol, estirado sobre os grãos macios da areia?

            Não foste, todavia, colhido por ressaca, ou por cabeça-d'água: um maremoto sacudiu-te e quase te destroça. Serve isso para que a crise nova (que demonstra que o teu organismo está vivo) te impulsione para a prudência.

            Permita-me dizer, meu bom amigo: sempre tiveste horror aos defeitos que, segundo a tua filosofia, caracterizam o vulgo. Mas (esse foi o teu engano, pensa bem... ) debatias-te infantilmente por imitar os "grandes homens"... em tudo, integralmente e fielmente... fidedignamente, dizias de ti para contigo. E querias copiá-los até mesmo nos defeitos (enormes, meu caro) que pensavas fossem virtudes. Só te esqueceste de que era nesses defeitos, precisamente neles esses valores negativos, se assim preferires, que eles se igualavam ao que apelidas vulgo. Eram eles, os grandes homens, nesses momentos, os grandes tolos, porque, na relatividade desse mundo sem filosofia divina, subjaziam aos pequenos.

            Tinham mais, entendiam mais, sabiam mais falavam de tudo, quase sempre sem dizer coisa alguma. Meu querido: novamente te confundiste!.. Esses não eram os grandes homens; teu conceito de grandeza estava errado.

            Vias como gigante o pretensioso, porque só frequentaste o meio dos pretensiosos. Ouve cá, meu caro... Quem te fala é um velho companheiro que vegetou na prosápia dos salões um pimpão que se fartou da futilidade das louvaminhas, que apreciou e renunciou à zumbaia, que repetiu a ladainha do orgulhoso (do tolo...) na piedade falsa, que tem por cerne não o desejo louvável de ascender, mas a satisfação mórbida da hipertrofia do eu, que o teu singular engano te mostra agora. Eu desejo; eu quero; eu pretendo, eu faço, eu considero... Eu; eu, eu... eu!

            Eu!.. por Deus, meu irmão!.. Não penses que estás a morrer justo quando nasces para o Altíssimo!

            Teu, do coração,

Eça de Queiroz

            PS - A ti, o integral do meu respeito. Toma do chicote... não te furtes à grande oportunidade de passar de nobre, sob o pesado estore dos faetontes, a trintanário, na boleia do carro da humildade. Ama, meu caro.

Do Blog
prosápia - linhagem, ascendência, raça. Orgulho, jactância, vaidade.
pimpão - Vestido com elegância.
zumbaia- Cortesia exagerada, mesura rasgada, salamaleque.
louvaminhas - lisonjas continuadas.
estore - Cortina de fazenda ou lona para janelas que levanta e abaixa por meio de dispositivo.
faetonte - Carruagem leve, descoberta e de quatro rodas.

trintanário - Empregado que viaja ao lado do cocheiro, na boleia da carruagem.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

'O Fantasma de Galileu'

O Julgamento de Galileu

O Fantasma de Galileu
Antônio Túlio /Ismael Gomes Braga
Reformador (FEB) Janeiro 1958

            Na coleção de livros contra o Espiritismo, publicada sob o título "CONTRA A HERESIA ESPíRITA", o 7.° tomo é sobre Galileu Galilei e Giordano Bruno, e traz o nome "Galileu Galilei - à luz da História e da Astronomia". Foi escrito por José Bernard, S. J., e é prefaciado por Frei Boaventura, O.F.M.

            A finalidade do livro é acusar de novo Galileu e defender a Igreja.

            Reconhece que Galileu foi um gênio de primeira grandeza, mas lhe ataca a moral. Diz que "em Pádua tinha três filhos sem estar casado" (pág. 22); que era arrogante, combativo, desrespeitoso e assim desencadeou ódios que culminaram pela sua condenação.

            Quanto a Giordano Bruno igualmente faz tremendas acusações contra sua moral e sua agressividade. Diz que a condenação não foi por causa das suas descobertas astronômicas, mas por imoralidade e heresias. Um lamentável erro tipográfico na pág. 66 diz que ele foi queimado "vivo em 17-2-1699". Foi em 1600, aos 52 anos de idade, pois que nasceu em 1548.

            O livro foi escrito especialmente contra os espíritas, como fica dito no prefácio, o que nos dá certo prestígio. Pensamos que essa coleção de livros nos faz demasiada honra.

            A propósito do decreto que condenou o livro de Copérnico, o autor é muito elegante. Diz na pág. 35:

            “ Este funesto decreto é sem dúvida um dos atos mais infelizes já realizados por um órgão oficial da Igreja Católica. Condena uma verdade das ciências naturais e o faz por um motivo religioso."

            Sobre a sentença contra Galileu, lemos na pág. 57:

            “Assim chegou no dia 22-6-1633 o desfecho do triste drama, a publicação oficial da sentença. O ato se [êz na aula magna (não na igreja!) do colégio dominicano Maria sopra Minerva, só em presença dos membros do S. Ofício (Inquisição). Os juízes declaram: Galilei se tornou suspeito de heresia. Existe a suspeita de ter ele defendido a doutrina falsa e contrária à Sagrada Escritura de que o Sol seja imóvel, a Terra móvel, o Sol e não a Terra o centro do mundo e que se possa sustentar e defender como provável uma opinião ainda depois de ela ser declarada contrária à Sagrada Escritura. Desta forma Galilei incorreu nas censuras eclesiásticas das quais será absolvido se fizer abjuração. Seu livro é proibido, ele mesmo condenado à prisão segundo o beneplácito da Inquisição e, durante três anos, rezará semanalmente os sete salmos penitenciais."

            O livro ataca fortemente Camille Flammarion que cita em “Astronomie Populaire" os episódios das condenações de Giordano Bruno e Galileu. As palavras de Flammarion vêm citadas na pág. 63.

            A fim de demonstrar que queimar vivo não era privilégio da Igreja, o autor nos cita o seguinte fato:

            “Em 1307, Filipe IV, o Belo, cobiçou os ricos bens da Ordem dos Templários. Em 12 de Outubro daquele ano, o rei fingido distinguiu o grão-mestre Jacob de Molay com grandes honras e no dia seguinte o lançou repentinamente na prisão com todos os cavaleiros, membros da Ordem na França. 54 cavaleiros que se prontificaram a testemunhar pela inocência da Ordem foram queimados vivos em Paris. Em todos os casos (p. ex. fora da França, onde foi aplicada a tortura), ficou patente a inocência dos cavaleiros. O Papa protestou, mas em geral mostrou--se fraco, e aboliu a Ordem. A 13-3-1314 o rei mandou queimar vivo também o grão-mestre." (Pág. 67)

            Esse rei católico morreu nesse mesmo ano de 1314, em que mandou queimar vivo o grão-mestre dos Templários. Não sabemos se é honroso para a Igreja o episódio citado, de fato ocorrido no mundo católico, havendo sido queimados vivos 55 homens inocentes e virtuosos, com a finalidade expressa de se apoderarem dos bens da Ordem. Temos mais compaixão de Filipe, o Belo, do que de suas numerosas vítimas.

            Mais de três séculos depois do processo inquisitorial que condenou Galileu, seu fantasma ainda assusta a Igreja e a leva a acusá-lo de novo, como vemos nesse livro.

            Como defesa da Igreja, o livro não tem valor algum; ao contrário, confirma a verdade triste de sua História. E essa História já vem de longe. As perseguições contra os judeus, movidas pela Igreja e continuadas através de séculos, nunca serão esquecidas. As Cruzadas, guerras de pilhagem e extermínio, em nome da Igreja, duraram quatro séculos. Esse longo passado é indefensável. Atacar o Espiritismo, ainda tão jovem, é inútil. Cumpre reconhecer que é preciso fazer tudo de novo, porque o passado está todo errado.


Galileu