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segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

O Direito de Crer

O Direito de Crer

A Redação

Reformador (FEB) Agosto de 1943

             Como não podia deixar de acontecer, tiveram e vão tendo ainda grande repercussão as razões com que, num processo instaurado contra certo médium, há pouco tempo, por exercício ilegal da medicina, o ilustre Dr. Alcides Gentil, falando como promotor de justiça, opinou pelo arquivamento do mesmo processo. Era natural que assim acontecesse, não só por serem jurídica e moralmente irretorquíveis aquelas razões, como porque, liberto inteiramente do jugo do sectarismo religioso, o referido promotor as expendeu com uma inteireza e um desassombro que não são comuns, porquanto, o que é comum é, em casos desses, ter o preopinante, como diz o vulgo, “um olho no padre e o outro na missa.”

                Assim, contrapondo-se a duas ou três arremetidas de sectaristas ultramontanos, para os quais aquelas razões constituíram um acervo de heresias e blasfêmias, não poucas apreciações judiciosas e encomiásticas têm aparecido, da peça jurídica a que aludimos, tornando indubitável que ela acabará constituindo padrão para quantos, em circunstâncias idênticas ou análogas, hajam de pronunciar-se com independência, retidão e espírito de justiça.

                Dentre essas apreciações judiciosas e ponderadas, cumpre se destaquem as contidas num artigo que subordinado ã epigrafe que acima se lê, em sua edição de 17 de julho último publicou, sem assinatura, a ‘Gazeta Judiciária’, que se edita sob a direção do Dr. Rolando Pedreira, seu proprietário, artigo que, pedindo a devida vênia, aqui transcrevemos e que é o seguinte:

             “Gustave Le Bon notava, há mais de trinta anos, que as nossas atitudes derivam de nossas crenças e opiniões. Os legisladores, porém, nem sempre consideram devidamente esse fato. Tomemos para exemplo o caso do "curandeirismo", previsto entre os “crimes contra a saúde pública” discriminados pelo Código Penal. Conforme a denominação consagrada no Código, não é preciso, para que se caracterize o delito, que se ministre ou aplique, “habitualmente, qualquer substância”; basta que se usem "gestos, palavras ou qualquer outro meio”; com o intuito de curar. Nestas condições, aplicado com rigor esse dispositivo penal, ninguém, por certo, escaparia à sua sanção. Com efeito, a arte de curar, que é tanto mais empírica, quanto mais atrasado é o meio social em que ela se aplica, é, na sua expressão mais simples, uma altruística manifestação de solidariedade humana. Quem sofre, ou está sujeito ao sofrimento, instintivamente se compraz em minorar o sofrimento alheio. E, para este fim, não há ninguém (e isto é nobre) que não se utilize de seus conhecimentos ou de sua experiência. E isto, aliás, que explica as origens religiosas da medicina. E, segundo Augusto Comte, de futuro, a arte médica constituirá uma das atribuições da classe sacerdotal.  “A medicina se encontra melhor incorporada à religião, sob o positivismo, do que sob a teocracia.” O certo é que a tradição, mais imperiosa do que os textos legais, tem confirmado o interesse que as religiões sempre tiveram por essa arte, cujo escopo e a preservação da vida. É muito comum por exemplo, verificar-se que a prática do chamado “curandeirismo” se prende às atividades religiosas. A medicina torna-se assim uma simples questão de fé. Todas as mesmas leis que garantem a liberdade religiosa, que é o direito de crer, cominam penalidades para os indivíduos que procuram curar-se de acordo com a sua fé. O pior, porém, é a direção que se faz, a este respeito, entre o catolicismo e as outras religiões, conquanto sejam Iguais perante a lei: a terapêutica mediúnica, usada pelo Espiritismo é um crime, a “água benta” da Igreja, porém, é um benefício social, posto que, muitas vezes, mais nociva, do ponto de vista higiênico. Em face dessas considerações, apraz-nos louvar a brilhante e corajosa promoção do dr. Alcides Gentil no recente processo de um flagrante de “curandeirismo”, configurado por uma dessas frequentes aplicações práticas do Espiritismo. Não precisamos minudenciar os termos da notável promoção, que tão grande e justificada, irradiação obteve em nossa imprensa, desejamos apenas aplaudi-la. Não pode haver crime, em uma simples manifestação de crença religiosa, na qual, sem que se prove a fraude, é forçoso observar uma completa isenção de culpa. A liberdade religiosa é uma grande conquista social. É, pois, em nome desta nobre conquista que não se deve permitir o privilégio de qualquer religião, legitimando todas as suas práticas, enquanto se condenam fatos idênticos, que se prendem ao exercício, regular, de outros cultos religiosos. Foi assim que entendeu o ilustre representante do Ministério Público, com quem concordou, aliás, muito louvavelmente, o íntegro juiz Mario de Paula Fonseca, determinando o arquivamento dos autos do aludido processo. É possível que uma interpretação literal do Código inspirasse uma atitude diversa. Mas, ter-se-ia, por certo, cometido uma injustiça, porque, na hipótese, não se trata realmente de “curandeirismo”, como notou, com exação, o promotor Alcides Gentil, “Trata-se de ato ligado a determinada crença”. E “atender a fieis, sem o intuito de remuneração (fls. 4), equivale, sem dúvida, a dar uma assistência espiritual muito mais generosa do que aquele que cobra, a dinheiro de contado, a missa, o batismo, ou a encomendação dos mortos”. Eis aí a verdade. É que, para a justiça e para o interesse público, a equiparação dos cultos religiosos é tão importante quanto a liberdade de seu exercício. O que se deve garantir é simplesmente o direito de crer".


quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Fé esclarecida

 

Fé esclarecida

por Allan Kardec

Reformador (FEB) Outubro 1945

             “Espiritismo não quer ser aceito cegamente, antes pede a discussão e a luz. Em vez da fé cega, que sufoca a liberdade de pensar, ele diz: a fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade. A fé precisa de uma base, e esta é o conhecimento perfeito do que se deve crer. Para crer, não basta ver, é preciso compreender.” (“O Evangelho segundo o Espiritismo”). Temos, pois, razão para considerar o Espiritismo o precursor da aristocracia do futuro, da aristocracia intelecto-moral.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Na fase do entendimento

 

Na fase do entendimento

A Redação

Reformador (FEB) Março 1977

            Seriam três, segundo “O Livro dos Espíritos”, os períodos distintos que balizariam o desenvolvimento das ideias espíritas. O da curiosidade, nascido da fenomenologia dos raps ou das mesas girantes, passara rápido, mas, o segundo, do raciocínio e da filosofia, da meditação séria, apenas começara. Viria, depois, inevitavelmente, o terceiro período, da aplicação e das consequências.

            Ultrapassado o primeiro, e substanciado o período seguinte na monumental Codificação do Espiritismo, o Mestre Allan Kardec, sabiamente, à base do raciocínio e da filosofia, pois, daí em diante, a fé seria raciocinada – para poder “encarar face a face a razão, em todas as épocas da Humanidade -, expõe algo do que caracterizaria a Doutrina: “O essencial está em que o ensino dos Espíritos é eminentemente cristão; apoia-se na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, na justiça de Deus, no livre-arbítrio do homem, na moral do Cristo.” (Ob. cit. questão 222.) “O Espiritismo é forte porque assenta sobre as próprias bases da religião.”  “Os que dizem que as crenças espíritas ameaçam invadir o mundo proclamam, ipso facto, a força do Espiritismo, porque jamais poderia tornar-se universal uma ideia sem fundamento e destituída de lógica.” “Não vos espanteis da rapidez com que as ideias espíritas se propagam. A causa dessa celeridade reside na satisfação que trazem a todos os que se aprofundam e que nelas veem alguma coisa mais do que fútil passatempo.” “(...) as consequências do Espiritismo são tornar melhor o homem e, portanto, mais feliz, pela prática da mais pura moral evangélica ...” (Ob. Cit., Conclusão.)

            Superiormente sistematizada a Doutrina dos Espíritos, concluído o segundo período de maturação das ideias que o futuro complementaria continuamente, surgia o 31 de março de 1869. E, cessada a atividade do Missionário lionês, na crosta planetária, abria-se o último dos períodos apontados, definitivo, o da aplicação e das consequências, da vivência dos ensinamentos de Jesus Cristo, em espírito e verdade, que ele soube tão bem antever e perlustrar, na sua condição de lúcido vanguardeiro de uma Nova Era. Tornar-se-ia melhor o homem e mais feliz, seguindo o roteiro das almas para a gloriosa imortalidade.

            Allan Kardec não deixou de esclarecer que o segredo da força que faria triunfar o Espiritismo, a causa de sua propagação residem no fato que ele, melhor compreendido na sai essência íntima e no seu alcance, “tanger a corda mais sensível do homem: a da sua felicidade, mesmo neste mundo. Enquanto a sua influência não atinge as massas, ele vai felicitando os que o compreendem”. (Id. ib.)  

            No estudo da questão 160 de “O Livro dos Espíritos”, Emmanuel distinguiu os mesmos períodos como de aviso, chegada e entendimento. Considera que Allan Kardec estabeleceu rumos, criando obrigações e definindo responsabilidades, ao encetar a obra do entendimento, “que esclarece a posição da Doutrina e do fenômeno, como quem separa o trigo da vestimenta de palha”. Reporta-se, em seguida, ao fato de que a edificação espiritual obedece “à cronologia da mente”, motivo por que se veem, ainda hoje, tantos que permanecem na faze do aviso, a par de muitos que estacionam na da chegada, entre a esperança e a convicção. E pondera, finalizando, que nos achamos na fase do entendimento, na qual precisamos saber concretizar os princípios da fraternidade, esparzir o socorro moral às consciências e levar a luz ao coração do povo, pois o Plano Espiritual atinge o Plano Físico, visando a reunir todas as criaturas e habilitá-las “para a continuidade do serviço de hoje, no grande futuro ou no grande além”... (“Seara dos Médiuns”) , 2ª Ed., pp. 95-96, FEB).

            Os espíritas, portanto, no derradeiro quartel do século XX, não ignorarão o grande desafio de tornar o Consolador mais e mais acessível às massas, em toda a parte, fazendo eco à palavra do Alto. Se o “conhecereis a verdade, e a verdade vos fará livres” (João 5:32) interessa a cada adepto do Espiritismo, como ser eterno, não interessará menos a quantos mais aspirem pela mensagem da Codificação Kardequiana.  


domingo, 26 de setembro de 2021

Está certo

 

Está Certo

por Antonio Wantuil de Freitas

Reformador (FEB) 16 Outubro 1936

                 Constantemente ouvimos, em rodas espíritas, comentários sobre esse ou aquele livro escrito por adversários do Espiritismo. Uns se sentem irritados com tantas inverdades insertas em tais livros, perplexos com a coragem e com a deslealdade dos autores. Outros se admiram da ousadia com que eles se põem a escrever sobre um assunto que não conhecem. Enfim, todas as rodas espíritas comentam, mas raramente alguém se lembra de que tudo isso está certo, certíssimo.

            Cada livro que lançam é uma propaganda que fazem da nossa doutrina, sendo até de lamentar que tenham tiragem reduzida e fiquem, assim mesmo, com a metade encalhada nas livrarias.

            Tais são os disparates e as contradições que elas encerram, que muitas simpatias tem produzido para o Espiritismo e mesmo atraído céticos para o seu estudo.

            Conhecemos um amigo, hoje espírita, que foi trazido ao nosso convívio pela leitura de um livro editado pela Livraria Católica – “Casos Reais a Registrar”.

            Parece-nos que ultimamente os padres e os pastores inteligentes vêm percebendo que os seus livros têm produzido efeito inverso do que imaginaram, chegando alguns, como o ver. Dr. Otoniel Motta, a declarar: - É um perigo negar-se os fenômenos espíritas.

            É fácil compreendermos como os fatos se passam: Um católico lê um livro editado pelos padres, onde afirmam que os fenômenos espíritas são truques. Dias depois lê outro, como o “Casos Reais” acima referido, e pelos mesmos padres publicado e recomendado, asseverando que os fenômenos existem, mas produzidos pelo diabo.

            Ora, esse católico que naturalmente tem cérebro, verifica logo que os padres argumentam com mentiras e contradições e, se mentem, é porque o Espiritismo é inatacável.

            Está, portanto, certo.

            Certo sim, pois se tivessem estudado o Espiritismo, tê-lo-iam compreendido e assimilado. E quem quer que seja, que realmente o estude, jamais o combaterá, tal a pureza, a perfeição e a lógica dos seus ensinamentos.

            Se conhecessem o Espiritismo e o atacassem, o que nos parece impossível, então diríamos – está errado, porque mentiriam conscientemente, mentiriam a si mesmos.


sábado, 22 de maio de 2021

O Espiritismo sem o Evangelho


 O Espiritismo sem o Evangelho

Pedro Richard (Espírito)    Reformador (FEB) Março 1924

(Mensagem recebida mecanicamente no ‘Grupo Ismael’)


             Meus amigos e companheiros, paz em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo,

            A pedra fundamental do grande edifício que há de abrigar toda a humanidade terrena está lançada. Sucessivas levas de obreiros hão de trabalhar para erguer esse imenso Templo, a fim de que nele possa vir a ter morada o Cordeiro Imaculado, que é o Mestre dos mestres e o Senhor de todo gênero humano.

            Em cada posto está colocada uma sentinela a vigiar os obreiros e a encaminhar o trabalho, de acordo com as aptidões dos que se acham sob a sua direção. A Ismael coube dirigir, neste rincão do planeta, os obreiros na execução da parte que lhes cabe no conjunto da obra.

            Nada preciso dizer aos soldados que vem servindo nestas fileiras acerca do modo como esse guia orientou a sua tarefa. A história da doutrina espírita nas terras de Santa Cruz é conhecida de todos vós. O que preciso dizer-vos é que, fora do Evangelho, nada se fará de proveitoso e duradouro nesta parte do planeta.

            Meus caros companheiros, será para vos mostrarem as maravilhas do Infinito que o Senhor vos manda seus mensageiros? Não, não e não. Para isso tendes os órgãos visuais: podeis observar a obra da Criação e ver quão grandiosa é a ação do Sumo Artífice do Universo. Bem outra é a tarefa de seus servos invisíveis. Eles sondam as almas enfermas, para lhes ministrar o único remédio que as tornará sãs: a reforma moral. Cuidam da reforma dos homens, para em seguida atacarem a da sociedade. Tudo mais é deslumbramento, é fogo de artifício, que não toca o sentimento de quem o observa.

            Fiquemos, pois, na retaguarda, tratando de fazer o nosso Espiritismo atrasado, como por aí além se diz, mas procurado edificar-nos a nós mesmos e bendizendo do Senhor pela esmola que nos concede de podermos reconhecer que para alguma coisa nos serviu a consoladora doutrina que professamos, verificando que somos hoje melhores do que ontem.

            Meus queridos amigos, a confusão aí está. Guardemo-nos dela e sigamos a risca a palavra do Cristo, quando nos adverte do surto dos falsos obreiros e falsos profetas.

            Estudai em paz, sob a bênçãos de Maria. Richard




domingo, 11 de abril de 2021

Legendas por legendas

                    


Legendas por legendas

por M. Quintão

Reformador (FEB) Janeiro 1938

             A obra espiritista terá, sem dúvida, uma decisiva e radical influência nos meios sociais em que se vai ela processando, não tanto mercê do alvedrio (livre arbítrio) humano, quanto de autores outros complexos e transcendentes, cujo ritmo escapa à generalidade das criaturas terrenas, para só entremostra-la ainda, fragmentaria e esbatida (suavizada nos tons) na penumbra de um futuro algo remoto.

            Obra de laboração lenta, sutil, profunda, não há contar-lhe tempo nem termos de equação, porque interdepende da possibilidade de todos e de cada um na escala privativa da evolução espiritual.

            Iludem-se, portanto, quantos supõem desde logo mutável o roteiro tormentoso do mundo, no querer armar-lhe com teorias meramente temáticas, compulsórias e arbitrárias, um estágio de paz, de ordem, de tranquilidade universal, mesmo relativas.

            Essa aspiração tão velha quanto o próprio mundo; esse patrimônio inalienável de todas as gerações preteriras, não se vinga de jus nem de fato (nem de direito nem de fato) , senão através de ciclos e ciclos de reencarnações iterativas: de jus, porque, sendo o espírito humano simples mônada divina imperecível, consciente e responsável, antes que mero autômato ocasional e contingente, traz consigo intrínsecas as faculdades correlatas ao grau da própria evolução, a dentro também de zonas limitadas de ação e reação, próprias e reflexas; e de fato, porque, à evidência histórica, o que se verifica é a predominância de um determinismo superior a todos os esforços e desígnios temporais.

            Nem há como desmerecer que, deste ponto de vista considerada, a tradição da nossa humanidade não passa de monumental Babel de lutas indefinidas sobranceando (em posição mais elevada) campos estéreis de linhas iníquas quanto inúteis.

            Fora, então, a vida uma fatalidade sem objetivo e porventura só tolerável no grau de incidência, fortuita e arbitrária, do que pudesse ser, ou parecer, a felicidade de cada um. E, como sem maior afoiteza poder-se-ia concluir que ninguém, jamais, houvesse vingado o plano integral da própria felicidade, estulto (tolo) fora pretender auferi-la de outrem ou a outrem querer deferi-la.     

            Nenhum governo, nenhum povo, nenhum código legislativo poderá, portanto, alterar o ritmo da evolução universal, sem que antes se escovilhem (retirem as impurezas), saneando-os profunda e radicalmente, os valores que engendram, instruem e nobilitam a mesma vida.

            Tais valores são de teor divino em curso de eternidade e imortalidade consciente, viva, e nunca de curso forçado e privativo de uma realidade precária, sempre duvidosa e inconsistente.

            Tais valores não valem, senão de um modo direto e secundário ao provimento do corpo, mas, primariamente ao provimento da alma, que é causa e não efeito do corpo.

            É atender-se a que já se não pode hoje taxar de absurda a concepção de almas sem corpo, porque provado está, à saciedade, o apótema (dito ou palavra memorável) de Paulo: há corpos celestes e corpos terrestres.

            Importa, de conseguinte, admitir que a aberração do conceito de humanidade e felicidade deriva menos do chamado ateísmo - simples fórmula verbal, incapaz de engenhar coisa alguma - do que de uma imperfeita noção das finalidades realíssimas do ser, consciente e responsável, na previsão e provisão de seus destinos.

            As religiões, que ainda hoje tentam aforar (abonar) consciências mediante dogmas inconcebíveis à luz do senso comum, têm, a nosso ver, a maior carga de responsabilidades no báratro (abismo) de iniquidades e angustias que flagelam as gerações contemporâneas.

            Têm-na porque, senhoras de baraço (corda) e cutelo, armadas de privilégios e regalias, elas, as religiões, não souberam, não quiseram ou não puderam capacitar o homem da exata compreensão dos seus destinos neste cenáculo efêmero da Terra.

            E note-se que não arguimos esta nem aquela confissão religiosa porque, católicos ou maometanos, judeus ou budistas, ou luteranos, todos os povos se defrontam divisos (divididos), padecentes, incompreendidos, infelicitados em suma, nesta hora apocalíptica do mundo.

            Hora predita, sem dúvida, mas demorada e difícil, dissemos de começo que a ela não se ajustam imediatas modificações de alcance coletivo sensivelmente apreciáveis, porque dependentes de uma reforma individual estimada morosa e difícil, pelo que se observa no âmago mesmo do nosso proselitismo onde viçam exuberantes os remanescentes do velho.

            Hora difícil porque, inda os compenetrados da irrevocabilidade de uma Justiça Divina perfeita, investem o tumulto despercebidos de que nos domínios da razão só prevalece para triunfar uma força construtiva - a do Amor na pauta evangélica, em espírito e verdade, qual o vêm preceituando as vozes do céu, os arautos da “Nova-Hegira” (a fuga de Maomé de Meca para Medina, em 622 da era cristã) planetária, que são os verdadeiros construtores do “Novo Mundo” prometido pelo Cristo de Deus.

            Porque, só esse amor, que vai do aniquilamento do mais comezinho defeito moral à abnegação da própria vida, pode engendrar a Fé que remove montanhas.

            O Divino Mestre não venceu exércitos, venceu corações. Os cristãos dignos da esmola de luz que lhes é referida para esta fase crítica do rebanho impenitente, precisamos ter mais de vista o bordão do apóstolo que edifica por atos, do que a pena do propagandista que se derrama em palavras.

            A propaganda, quem na faz são os nossos Guias, são os desencarnados a manifestarem-se por toda parte e a despeito de todas as ridículas negaças (negativas) e repulsas; mas, sendo a doutrina por eles ratificada a do Cristianismo Apostólico - doutrina de fatos por excelência - é claro que só a nós outros, encarnados, compete concretizá-la em atos. E até que o possamos fazer a benefício individual, em função da família e do ambiente social mais próximo, em que laboramos, é inútil berrar e encenar programas e legendas inoperantes à forma do mundo, de vez que o mundo é e será sempre a expressão totalitária das provas de cada um.

            Adorar a Deus selecionando credos; exaltar Pátrias traindo, vencendo e massacrando povos; amar a Família injuriando, desprezando e conspurcando a família alheia não é divisa que lisonjeie e iluda o cristão espiritista, que só estima legendas integradas na lei das leis, fora da qual não há salvação, isto é: - Amar a Deus sobre todas a coisas e ao próximo como a si mesmo.

            Tudo mais é palha seca destinada ao fogo das provas remissoras e das expiações dolorosas, aquele emblemático choro e ranger de dentes, que aí se nos vai a cada passo nesta hora apocalíptica do antolhando (desejando) com o desencanto e temor dos que sabem que muitos serão chamados e poucos escolhidos.


domingo, 24 de janeiro de 2021

Religião Espírita

 


Religião Espírita

I. Pequeno (Antonio Wantuil de Freitas)   

Reformador (FEB) Março 1950

 

            O Espiritismo não é uma religião, e, sim, a Religião; isto porque só ele ensina que todas as criaturas se salvarão independentemente dos credos que professem, religando-se todas elas, um dia, ao Criador e Pai.

            Assim, não prometendo o Espiritismo a salvação exclusiva e dogmaticamente para os seus adeptos, mas proclamando que os ensinos de todos os agrupamentos religiosos conduzem a Deus, etc., o Espiritismo, será nos tempos vindouros olhado como a verdadeira religião do Planeta.

            O Espiritismo não é uma religião porque seu fito não é destruir as centenas de religiões e seitas em que se dividiram os homens ou mesmo tomar-lhes o lugar. É, sim, o de penetrar em todas elas, levando-as, através do conhecimento das novas revelações, a se adaptarem à evolução determinada de Mais Alto, qual aconteceu na época em que Jesus esteve entre nós.

            Se alguns grupamentos religiosos forcejarem contra a Luz de Cima, assistiremos então à derrocada e ao desaparecimento deles, exatamente como aconteceu com a maior e mais poderosa organização religiosa do mundo, na época da Roma dos Césares - o Paganismo.

            À palavra religião ligaram os homens a ideia de cerimônias litúrgicas, e, daí, a necessidade de se criar um novo termo ou de se fazer voltar ao vocábulo religião a sua verdadeira significação.

            Não havendo possibilidade de se introduzir um novo termo, por estar registrado o já existente na legislação de todos os países todo o esforço deverá então ser feito no sentido de aplicar à palavra religião o seu significado nato.

            Há empenho, da parte dos nossos adversários em provar às autoridades do País que o Espiritismo não deve ser considerado como religião e que, assim sendo, não se encontra sob a proteção da Constituição Nacional.

            É apenas ciência!" - dizem eles. Mais além, retomam: “Kardec assim o afirmou!” -

A respeito desses pontos, "Reformador' de Outubro de 1949 já esclareceu devidamente, pela pena do próprio Codificador, em trabalho por ele escrito quatro meses antes do seu decesso, afirmando que o Espiritismo não é uma religião, um culto, mas, a religião.

            Em S. Paulo, há tempos, certa autoridade deixou de atender a um justo pedido que os espíritas lhe dirigiram, porque, alegou aquela autoridade, o Espiritismo não é uma religião.

            Quando se processou o último censo da população do Brasil, colocaram, nas fichas distribuídas com o povo, várias religiões e não falaram em Espiritismo, porque, disseram também eles o Espiritismo não é religião.  

            Como vemos, por essa pequena mostra bem fez a Federação Espírita Brasileira declarando taxativamente, em seus novos Estatutos que ela é uma sociedade religiosa.       r

            Vamos ver, agora, diante dessa afirmativa dos Estatutos da Casa Máter, se os nossos irmãos católicos ainda continuarão a espalhar que a Constituição do País não nos coloca em igualdade de direitos com os demais agrupamentos religiosos!


sábado, 23 de janeiro de 2021

A praga do Espiritismo

 

A Praga do Espiritismo

por I. Pequeno (Antonio Wantuil de Freitas)

Reformador (FEB) Agosto 1948

             Anonimamente me vêm sendo enviados jornais católicos que dizem “cobras e lagartos” do Espiritismo, classificado, de praga, de comunista, de prejudicial à Família brasileira, de tudo, enfim.

            E têm razão os referidos jornais. E tem-na igualmente os livros católicos que não se cansam de queixar da tal “praga”. Os fiéis têm, aos poucos, abandonado os seus templos e os donativos lhes estão fugindo, obrigando-os a aumentar, dia a dia, os preços das suas cerimônias, e, nesta época em que a Imprensa vive a apelar para as Comissões de Preços, certamente receiam que lhes tabelem oficialmente os batizados, os casamentos, as missas, os sermões, etc., etc.

            Porque não fazem como os Espíritas, que tudo dão de graça? - Seria mais evangélico. Seria, sabem eles, mas isso não lhes convém, sendo-lhes preferível a aproximação com os Governos, a fim de tentarem que estes criem leis que levem à cadeia os praticantes da tal “praga”.

            No mesmo dia em que recebi um desses jornaizinhos católicos (1-7-48), “O Globo” publicou uma entrevista que lhe concedeu monsenhor Nabuco, auxiliar direto de S. Eminência o cardeal D. Jaime: “Há no Rio 442 igrejas e capelas. A Igreja sente necessidade de criar as missas dialogadas, a fim de atrair os fiéis!”

            Ora, se existem no Rio, entre igrejas e capelas, apenas 442, razão têm os reverendos de se queixarem da “praga do Espiritismo”, pois que, ao tempo em que a Polícia obrigava os Centros Espíritas a se registarem e os seus diretores a se deixarem fichar na seção de gatunos, já existiam para mais de quatrocentas sociedades espíritas registadas na Polícia do Distrito Federal. Hoje, o número é bem maior, e vivem todas elas abarrotadas de crentes, apesar de não lançarem mão do atrativo profano dos foguetórios e da pomposidade da liturgia romana.

            Se há 442 templos católicos, à espera de fiéis, e se há maior número de templos espíritas, abarrotados de crentes, concluímos, pelos próprios dados que nos ofereceram haver mais espíritas que católicos, realmente católicos, na Capital da República, cérebro do País.

            O interessante, porém, é que os fatos se estão passando tal qual sucedeu ao tempo do aparecimento do Cristo: quanto mais apelam para as leis de César, quanto mais violentas são as perseguições, maior número de criaturas aderem à Nova Revelação que o Cristo havia prometido para a época oportuna -- o Espiritismo.

            Quando Deus quer, reverendos ...


sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Concílios Espíritas

 


Concílios Espíritas

por Orlando Romero    Reformador (FEB) Agosto 1948

             O Espiritismo floresce exuberantemente no Brasil, e uma das causas que mais incorrem para a vulgarização dos seus sublimes preceitos é a liberdade de pensamento e de ação que a Doutrina faculta a todos os crentes. O entusiasmo e a inquietação são manifestações próprias do espírito humano em vias de progresso. Surgem as polêmicas e as divergências mais incongruentes; todavia, a essência da Doutrina Espírita não sofre abalos graças às lições que os maiores da Espiritualidade nos ministram, incansavelmente. Daí provém a solidez inabalável do Espiritismo. Kardec codificou-o, Roustaing ampliou-o e o Mensageiros do Senhor continuam a revelar novas verdades à medida que a Humanidade descerra as pálpebras e vislumbra novos e mais amplos horizontes. Se a incompreensão e a dúvida obscurecem ainda alguns espíritos, a culpa não pode caber à Doutrina, mas a homem insatisfeito ou descontente. Resta-nos somente uma alternativa: estudar e compreender. Os livros doutrinários, veículos da mais pura moral, as mensagens e os avisos são vastos. A literatura espírita avoluma-se dia a dia. Ao homem cumpre discernir pela reflexão metodizada e isenta de sectarismo. “O Espiritismo não dogmatiza. Não é nem uma seita, nem uma ortodoxia, mas uma filosofia viva, aberta a todos os espíritos livres, filosofia que evolve, que progride. Não impõe nada; propõe.” Procurar por meio de concílios ou congressos ditar normas e fórmulas ao Espiritismo, seria circunscrever aos preconceitos humanos aquilo que emana de Deus. Cada qual deve auscultar a extensão dos postulados espíritas; convêm a cada qual medir a estreiteza da concepção humana. Ao inverso, o homem incorrerá na ingenuidade da criança que julgara, certa vez, poder represar as águas do oceano construindo um diquezinho de areia. Não; jamais poderemos ditar fórmulas às práticas espíritas como jamais nos será permitido limitar a luz do Astro Rei. Não seriam diretrizes traçadas por alguns homens, reunidos em conclave, que apressariam a evolução da Humanidade. Tais reuniões, bem o sabemos, dissolvem, acirram ódios, geram discórdias. As forças das trevas procuram, por todos os meios, impedir a marcha do Espiritismo, mas nada deterá a sua arrancada; nada impedirá a sua irradiação por todos os quadrantes do mundo, porque ele representa a árvore evangélica plantada pelo Pai Celestial! Unamo-nos em espírito, e procuremos compreender as grandes verdades da Doutrina Espírita, orando e vigiando, para não sofrermos os assaltos imprevistos das trevas.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Doutrina Espírita

 


Doutrina Espírita

A Redação      Reformador (FEB) Outubro 1946

             Não fora difícil dizer que alguma coisa de Kardec é menos boa, e diríamos que a sua obra prima é Introdução ao Estudo da DOUTRINA ESPIRITA, com a qual apresentou ao mundo, em 1857. O Livro dos Espíritos, realmente é maravilha de clareza, síntese, lógica, esse trabalho do Mestre.

            O cientista e filósofo de primeira grandeza, Gustave Geley, teve esta feliz expressão em seu Resumo da Doutrina Espírita:

             “Quantos sistemas filosóficos que apaixonaram muitíssimas gerações eram, em todos os sentidos, inferiores ao Espiritismo!”

             Nada mais verdadeiro! E uma prova disso é que, no curto espaço de menos de um século, a Doutrina espírita se impôs um pouco por toda a parte em meio de velhos sistemas consagrados pela propaganda de séculos e vai triunfando de sorte a prometer um domínio universal nos pensadores do futuro.

            Faltava, porém, até agora um compêndio breve para ampla divulgação dessa Doutrina, sem os embaraços econômicos que causam os volumes grandes e custosos, Nossos propagandistas fazem sacrifício imenso para distribuir volumes grandes e que desanimam o leitor ocupado e não alcançam sua finalidade. Considerando essa necessidade, a Federação Espírita Brasileira preparou um pequeno volume apresentando toda a Doutrina como vem exposta na Introdução, publicada em 1857, e um resumo da História do Espiritismo nestes 90 anos que se seguiram, nestes tempos de papel caríssimo e livros a preços inacessíveis, o novo volume terá grande missão a cumprir no mundo de língua portuguesa. Os propagandistas, a começar pela Editora, terão resposta clara, fácil, rápida, para pôr nas mãos das pessoas que nos interroguem o que é o Espiritismo.

             Em vez de oferecer um exemplar do livro completo, que talvez desanimasse o leitor ocupado, oferecemos diversos exemplares de Doutrina Espírita a pessoas que, se os lerem, certamente procurarão conhecer toda a obra de Kardec.

             Foi essa “introdução” a primeira obra doutrinária que se publicou em língua portuguesa, em 1866, na Bahia, e foi também, em Esperanto, que se anunciou a propaganda entre os esperantistas do mundo todo. Esperamos que os nossos propagandistas saibam empregar, com grande êxito, a nova arma que lhes é posta nas mãos.


quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Res non verba

                      


Res non verba  (fatos não palavras)

por   M. Quintão  Reformador (FEB) Janeiro 1923

             O fato merece glosado, (ser comentado)  em que pese a transcrição integral feita pelo nosso confrade Fred Fígner, em uma de suas crônicas Espíritas do prestigioso ‘Correio da Manhã’ e a que faz, neste mesmo número, o Reformador.

            Não é que o fato seja dos mais surpreendentes nem inusitados para quantos se ilustram na histeria copiosa e edificante da fenomenologia espírita.

            Precioso, entretanto, e oportuno se torna ele pela documentação de um testemunho próximo, cuja autenticidade pode ser solicitada, por quem quer que duvide da sua origem.

             O Dr. Matta Bacellar é um médico de nome feito e de ilibada reputação social. Político militante, ao seu tempo, ele ocupou no seu Estado, e fora dele, cargos de responsabilidade e foi, se nos não enganamos, deputado Constituinte republicana. Médico, clínico há cinquenta anos, lá em Belém, onde reside, ele soube granjear a estima publica a golpes de talento e bondade. É, em suma, uma figura popular.

            Pois bem: materialista confesso desde os tempos acadêmicos, mas sempre leal, esse homem não desdenhou observar os fenômenos espíritas através da mediunidade da Sra. Prado e bastou que, tocado em sua consciência, viesse de público declarar a bancarrota de suas teorias materialistas, abraçando o Espiritismo, para que os corifeus do Catolicismo -como se as crenças fossem coisa de empreitada e o averbassem de paranoia, papalvo e quejandas gentilezas dos que têm Deus nos lábios e fel no coração.

            Objurgatórias (condenações) tais, por gratuitas e tendenciosas, quanto ocas, não têm, sequer, o mérito da originalidade: são “mutatis mutandi” (uma vez efetuadas as necessárias mudanças) o que dos primitivos e veros cristãos diziam os celsos (sublimes), em coro com os sacerdotes de Júpiter e outros deuses menores.

            Contudo, a História é pouco lida e menos meditada nestes tempos de vida intensa e apressada, pelo que sempre convém assinalar a circunstância: são os sacerdotes católicos, presuntivamente espiritualistas, logicamente deístas, os que profligam (derrotam) a conversão de um materialista, demonstrando assim que é melhor não conhecer Deus, não o amar nunca nem jamais pretender servi-lo, em consciência, do que faze-lo pelo Espiritismo.

                Eis o que em poucas palavras, poucas e claras como a sua alma de penitente, nos diz o Dr. Bacellar, antes de historiar o fato - a dilatação de um tumor operado à sua vista e de outras muitas pessoas, por uma entidade espiritual materializada.

                Não queremos nem devemos indagar aqui do modo pelo qual atuaria o cirurgião do espaço, para alcançar o que na técnica humana demandaria todo um aparelhamento prévio. Sabemos, ou antes presumimos, como os seres desencarnados evoluídos manipulam os fluidos imponderáveis aos nossos sentidos, mas, entretanto, condutores de energias incalculáveis. E haverá nisso algo de extraordinário, de incompatível com o que nos limites da humana ciência se nos vai revelando? Pois não estão aí patentes em seus efeitos, embora intangíveis em sua essência, a eletricidade, o magnetismo, os raios ultravioleta? Disso tudo, que é fluido, não ensaia a medicina aplicações à terapêutica?

             Que resta, então, para legitimar o fenômeno no consenso dos seus contraditores? O fato? Ele aí está. A sua origem espirítica? Talvez, mas neste caso a controvérsia não deveria partir da Igreja, que prega a imortalidade da alma e acredita na “comunicação dos Santos”, e sim dos materialistas impenitentes e contumazes.

             A estes competiria provar como, “cientificamente”, das camadas corticais de um cérebro (oh! cerebrina ectoplasmia) sai um cirurgião perfeito e acabado e ainda se faz acompanhar de um assistente espiritual, ambos visíveis e palpáveis, enquanto o médium em transe lá está amarrado a uma cadeira, quando não enjaulado a cadeado!

            Afinal, não há como deixar de convir: é bem mais cômodo negar o fato a priori, insultar os que têm a coragem moral de o testemunhar e confessar, do que explica-lo satisfatoriamente à luz da razão.

            Nós que há vinte anos estudamos e pesquisamos estas coisas; que não colocamos, jamais, os preconceitos da Terra acima dos ditames da consciência; que temos meditado a fragilidade, a transitoriedade de teorias científicas, sistemas filosóficos e confissões religiosas, sempre reivindicamos o direito de clamar: neguem, insultem, mas... provem o contrário.

            Se o Espiritismo, que apresenta fatos desta ordem e converte sábios e doutores é uma doutrina de loucos, deem-nos, então, coisa melhor, mais racional, mais positiva, mais consoladora .

            “Res non verba”, senhores tutores da Natureza ou procuradores de Deus em causa própria. Vamos, a questão não é de palavras, é de fatos.


quinta-feira, 24 de março de 2011

Esclarecendo dúvidas...





Esclarecendo Dúvidas...



       Em sua próxima ida ao Centro do Rio de Janeiro, inclua uma passagem na FEB - Federação Espírita Brasileira, à Av. Passos 30. Você não encontrará nem bustos nem bronzes, mas viverá um pouco do ambiente que envolveu grandes nomes do Espiritismo no Brasil. Em seu interior, afixado em uma porta, havia um aviso que dá nome a essa matéria e para o qual recomendaríamos a mais ampla divulgação, pois expressa, com sabedoria e concisão, a origem da nossa fé e como a praticamos:

“O Espiritismo, conforme reconhece o Conselho Federativo Nacional, órgão da FEB, é a Revelação a prometida pelo Cristo de Deus para os séculos em que a humanidade alcançasse um grau de assimilação mais elevado.
Os fenômenos psíquicos, tão velhos quanto o mundo, só atraíram a atenção dos intelectuais, quando surgiram os ocorridos em Hydesville, em 1848.
Em 1857, após observá-los e catalogá-los com o mais meticuloso rigor científico, Allan Kardec lançou, ao mundo, o primeiro livro da codificação dessa nova revelação - “O Livro dos Espíritos”, criando o vocábulo Espiritismo para designar essa Revelação, então chamada e ainda conhecida em outros países por Neo-Espiritualismo. Difere o Espiritismo de todas as religiões conhecidas por demonstrar a lógica dos seus ensinos através de experiências científicas, por apresentar uma filosofia também baseada em experimentos e observações e documentada por uma legião de sábios de renome universal.
Religião científico-filosófica, confirmando os ensinamentos básicos de todas as religiões, não pretende demolir as que a precederam, antes reconhece a necessidade da existência delas para grande parte da Humanidade, cuja evolução se processará lenta e inevitavelmente.
Doutrina religiosa, sem dogmas propriamente ditos, sem liturgia, sem símbolos, sem sacerdócio organizado, ao contrário de quase todas as demais religiões, não adota em suas reuniões e em suas práticas:

a)  paramentos ou quaisquer vestes especiais;  

b)  vinho ou qualquer bebida alcoólica; 

c)  incenso, mirra, fumo ou substâncias outras que produzam fumaça;  

d)  altares, imagens, andores, velas e quaisquer objetos materiais como auxiliares de atração do público;  

e) hinos ou cantos em línguas mortas ou exóticas, só os admitindo, na língua do país, exclusivamente em reuniões festivas realizadas pela infância e pela juventude e em sessões ditas de efeitos físicos;

f) danças, procissões e atos análogos; 

g) atender a interesses materiais terra-a-terra, rasteiros ou mundanos;

h)  pagamento por toda e qualquer graça conseguida para o próximo; 

i) talismãs, amuletos, orações miraculosas, bentinhos, escapulários ou quaisquer objetos e coisas semelhantes;  

 j) administração de sacramentos, concessão de indulgências, distribuição de títulos nobiliárquicos;  

k) confeccionar horóscopos, exercer a cartomancia, a quiromancia, a astromancia e outras “mancias”;   

l) rituais e encenações extravagantes de modo a impressionar o público;  

m) termos exóticos ou heteróclitos para a designação de seres e coisas; 

n)  fazer promessa e despachos, riscar cruzes e pontos, praticar, enfim, longa série de atos materiais oriundos das velhas e primitivas concepções religiosas.

O fenômeno psíquico pode surgir em qualquer meio religioso ou não e seu aparecimento pode conduzir a criatura ao Espiritismo, mas a consolidação da crença, o conhecimento das leis que presidem os destinos do homem e a perfeita assimilação da Doutrina Espírita só se conseguem através do estudo das obras de Allan Kardec e das que lhes são subsidiárias.”

Nota do blogueiro:
Desconheço o nome do autor ou autores deste texto. Se alguém puder ajudar...