Pesquisar este blog

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Na fase do entendimento

 

Na fase do entendimento

A Redação

Reformador (FEB) Março 1977

            Seriam três, segundo “O Livro dos Espíritos”, os períodos distintos que balizariam o desenvolvimento das ideias espíritas. O da curiosidade, nascido da fenomenologia dos raps ou das mesas girantes, passara rápido, mas, o segundo, do raciocínio e da filosofia, da meditação séria, apenas começara. Viria, depois, inevitavelmente, o terceiro período, da aplicação e das consequências.

            Ultrapassado o primeiro, e substanciado o período seguinte na monumental Codificação do Espiritismo, o Mestre Allan Kardec, sabiamente, à base do raciocínio e da filosofia, pois, daí em diante, a fé seria raciocinada – para poder “encarar face a face a razão, em todas as épocas da Humanidade -, expõe algo do que caracterizaria a Doutrina: “O essencial está em que o ensino dos Espíritos é eminentemente cristão; apoia-se na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, na justiça de Deus, no livre-arbítrio do homem, na moral do Cristo.” (Ob. cit. questão 222.) “O Espiritismo é forte porque assenta sobre as próprias bases da religião.”  “Os que dizem que as crenças espíritas ameaçam invadir o mundo proclamam, ipso facto, a força do Espiritismo, porque jamais poderia tornar-se universal uma ideia sem fundamento e destituída de lógica.” “Não vos espanteis da rapidez com que as ideias espíritas se propagam. A causa dessa celeridade reside na satisfação que trazem a todos os que se aprofundam e que nelas veem alguma coisa mais do que fútil passatempo.” “(...) as consequências do Espiritismo são tornar melhor o homem e, portanto, mais feliz, pela prática da mais pura moral evangélica ...” (Ob. Cit., Conclusão.)

            Superiormente sistematizada a Doutrina dos Espíritos, concluído o segundo período de maturação das ideias que o futuro complementaria continuamente, surgia o 31 de março de 1869. E, cessada a atividade do Missionário lionês, na crosta planetária, abria-se o último dos períodos apontados, definitivo, o da aplicação e das consequências, da vivência dos ensinamentos de Jesus Cristo, em espírito e verdade, que ele soube tão bem antever e perlustrar, na sua condição de lúcido vanguardeiro de uma Nova Era. Tornar-se-ia melhor o homem e mais feliz, seguindo o roteiro das almas para a gloriosa imortalidade.

            Allan Kardec não deixou de esclarecer que o segredo da força que faria triunfar o Espiritismo, a causa de sua propagação residem no fato que ele, melhor compreendido na sai essência íntima e no seu alcance, “tanger a corda mais sensível do homem: a da sua felicidade, mesmo neste mundo. Enquanto a sua influência não atinge as massas, ele vai felicitando os que o compreendem”. (Id. ib.)  

            No estudo da questão 160 de “O Livro dos Espíritos”, Emmanuel distinguiu os mesmos períodos como de aviso, chegada e entendimento. Considera que Allan Kardec estabeleceu rumos, criando obrigações e definindo responsabilidades, ao encetar a obra do entendimento, “que esclarece a posição da Doutrina e do fenômeno, como quem separa o trigo da vestimenta de palha”. Reporta-se, em seguida, ao fato de que a edificação espiritual obedece “à cronologia da mente”, motivo por que se veem, ainda hoje, tantos que permanecem na faze do aviso, a par de muitos que estacionam na da chegada, entre a esperança e a convicção. E pondera, finalizando, que nos achamos na fase do entendimento, na qual precisamos saber concretizar os princípios da fraternidade, esparzir o socorro moral às consciências e levar a luz ao coração do povo, pois o Plano Espiritual atinge o Plano Físico, visando a reunir todas as criaturas e habilitá-las “para a continuidade do serviço de hoje, no grande futuro ou no grande além”... (“Seara dos Médiuns”) , 2ª Ed., pp. 95-96, FEB).

            Os espíritas, portanto, no derradeiro quartel do século XX, não ignorarão o grande desafio de tornar o Consolador mais e mais acessível às massas, em toda a parte, fazendo eco à palavra do Alto. Se o “conhecereis a verdade, e a verdade vos fará livres” (João 5:32) interessa a cada adepto do Espiritismo, como ser eterno, não interessará menos a quantos mais aspirem pela mensagem da Codificação Kardequiana.  


Um comentário: