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sábado, 31 de março de 2012

31 de Março



31 de Março

04/05     ‘Trovas do reconforto’

Injúrias e humilhações?
Fica nas regras do amor
Onde o perdão rege a vida
O vencido é o vencedor.

Lucano dos Reis  

por Chico Xavier
in  ‘Reformador’  (FEB)  Agosto  1972



sexta-feira, 30 de março de 2012

Deve o Educador falar em Deus?



Deve o Educador
Falar em Deus?
           
           

            Há quem negue categoricamente que a ideia de Deus deva fazer parte da educação.

            E eles têm razão, quando pela palavra "Deus" se entende o que quase todos os teólogos ocidentais entendem.

            Mas, quando por "Deus" se entende o que os grande iniciados de todos os povos entendem, então essa ideia é o próprio alicerce da verdadeira educação.

            No século 17, o filósofo Spinoza disse que Deus é a alma do Universo, e no século 20, Einstein, o pai da Era Atômica, encampou essa ideia de Spinoza.

            Aliás, já no primeiro século, disse Paulo de Tarso aos filósofos atenienses que Deus é aquele "no qual vivemos, nos movemos e temos a nossa existência".

            Nenhum homem de experiência profunda entende por Deus uma pessoa ou individualidade, mesmo que eleve esse conceito à milionésima potência. Pessoa significa invariavelmente uma limitação - e um Deus limitado não é Deus, mas apenas um ídolo sublimado.

            Deus é A REALIDADE UNIVERSAL, O SER, A INTELIGÊNCIA CREADORA, A CONSCIÊNCIA CÓSMICA, A ALMA e O UNO do UNIVERSO, cujo Verso é o corpo visível do cosmos.

            Para dar ao educando uma ideia mais ou menos adequada de Deus, poderíamos simplesmente chamá-lo VIDA. E sobre esta base poderíamos desenvolver o diálogo seguinte:

            - Esta planta é viva?
            - Sim, ela é viva, porque cresce, floresce e frutifica.
            - Esta planta é a Vida?
            - Não, ela é viva, mas não é a Vida.
            - Que é que tu entendes por Vida?
            - Vida é aquilo que faz os vivos serem vivos.
            - Já viste a Vida?
            - Não, a Vida não se pode ver; só poderemos ver os vivos.
            - Quer dizer que a Vida é invisível, que fez os vivos visíveis?
            - É isto mesmo. Ou talvez melhor seria dizer: a Vida é a Essência, que se manifesta em existências vivas.
            - Quer dizer que a Vida e os vivos são idênticos?
            - Idênticos na Essência, mas não na existência.
            - Suponhamos que esta planta morra; então a Vida morreu?
            - Não, morreu somente o vivo, mas não a Vida.
            - Para onde foi a Vida?
            - Não foi para lugar algum. A Vida está em toda a parte; ela é, por assim dizer, a Alma do Universo.
            - E os vivos?
            - Os vivos são formas visíveis da vida invisível. Quando as formas desaparecem, nós dizemos que o vivo morreu.
            - Quer dizer "morrer" é o desaparecimento de uma forma da Vida, de um vivo.
            - É isso mesmo. Assim, quando uma forma da Vida aparece, nós chamamos isto "nascer".
            - A Vida nasce e morre?
            - Não, a Vida vive, mas não começa a viver, nem acaba de viver.
            - Quer dizer, a Vida é eterna e imortal?
            - É isto mesmo: a Vida é eterna e imortal.
            Nunca nasceu, e nunca morrerá, mas sempre viveu, sempre vive e sempre viverá.
            - Essa Vida até parece ser Deus.
            - A Vida é Deus, ou melhor ela é a própria Divindade.
            - Quer dizer que os que dizem que Deus é pessoa, confundem a Vida com os vivos.
            - Exatamente. Como não se pode perceber, nem mesmo pensar a Vida, os homens se agarram a um vivo, que se pode ver, pensar e analisar.
            - Se não se pode perceber nem pensar Deus, a Vida, como o podemos descobrir?
            - Nenhum homem pode descobrir Deus - mas Deus pode descobrir o homem.
            - Deus pode descobrir o homem?
            -  Sim, quando o homem permite ser descoberto.
            - Que quer dizer "permite"?
            - Quando o homem vive de certo modo, Deus o descobre, e então o homem tem certeza de Deus. Mas, se o homem não vive de modo que Deus o possa descobrir, o homem discute sobre Deus, mas não tem certeza dele. Certeza não é descobrir Deus; certeza é ser descoberto por Deus.
            - A filosofia oriental diz: "Quando o discípulo está pronto, então o Mestre aparece" - é isto ser descoberto por Deus?
            - Exatamente.
            - E quando é que o discípulo está pronto para ser descoberto pelo Mestre?
            - O homem está pronto para essa descoberta divina, quando ele diviniza toda a sua consciência com a vida divina e harmoniza toda a sua vida ou vivência de acordo com essa vida.
            - Quer dizer que tudo depende do fato de o homem estar pronto, estar em condições de ser descoberto pela Vida.
            - E que tem isto que ver com educação?
            - O educador, quando já foi descoberto por Deus, pode mostrar ao educando o caminho certo onde Deus o possa descobrir.
            - O caminho, quer dizer, a vivência do homem.
            - Sim, o modo de viver dele.
            - Isto é religião?
            - Sim, isto é a única Religião, mas não é uma religião. uma teologia; é antes uma sabedoria de ser e de agir. Se o homem está em harmonia com Deus, pela consciência e pela vivência, então ele sabe o que é Deus, e vive de acordo com esse saber. É religioso.
            - Isto é felicidade?
            - Sim isto é a única felicidade.


            Homem, conhece-te a ti mesmo



           
Huberto Rohden

in “Educação do Homem Integral”
(2ª Ed, reescrita - Fundação Alvorada - 1979)





30 de Março


30 de Março

03/05     ‘Trovas do reconforto’

O fracasso não existe
Se o trabalho não te cansa
Só não existe vitória
Onde se perde a esperança.

Lucano dos Reis  

por Chico Xavier
in  ‘Reformador’  (FEB)  Agosto  1972


quinta-feira, 29 de março de 2012

29 de Março


29 Março

02/05     ‘Trovas do reconforto’

Perdeste? Não te lamentes.
Cessa o pranto em que te esgotas.
A ciência de vencer
Aprende-se nas derrotas.

Lucano dos Reis  

por Chico Xavier
in  ‘Reformador’  (FEB)  Agosto  1972




quarta-feira, 28 de março de 2012

Semear para Colher


para
Colher

            Desculpem-nos os nobres irmãos espiritistas, neste ensejo de comunicação que o Senhor nos permitiu.        

            Não entendemos bem a posição daqueles que recebem a graça divina do Espírito Consolador, a Doutrina dos Espíritos, o Evangelho redivivo.

            Falam na paz e quase todos ou quase sempre produzem discórdias.

            Enaltecem a humildade e resvalam nos abismos imensuráveis do orgulho.

            Pregam a Boa Nova, exaltando o amor do Cristo de Deus, e às ocultas comentam desairosos noticiários do mundo íntimo dos santuários de estudos.

            Erguem-se em orações brilhantes e emocionantes, e curvam-se temerosos ante os fatos inconsequentes do dia-a-dia.

            Guardam a atitude de adeptos fervorosos da Doutrina Sagrada, e conservam o coração repleto de fel.

            Grande Luz a do Espiritismo!

            Ela traz à Terra a presença do Mestre Imortal, num resplendor de glória.

            Imaculado como os lírios, perfumado pelo Divino Amor, santificado, porque oriundo do coração sagrado do Cristo de Deus, o Espiritismo é o representante do Mestre na Terra; entretanto, em torno dele, a luz presente do Imortal, vemos dissensões, distúrbios, confusões.

            Nascido na manjedoura humilde, enaltecido na missão santa do Mestre, erguido no alto do Gólgota, revivido no Consolador, o espírito do Cristo revela-se em esplendor celestial na Doutrina Espírita.

            Chegam os aflitos do caminho, os coxos e os estropiados, os cegos e os paralíticos, os mortos das margens das estradas, os desvairados e os sofredores, procurando, como outrora, a força esplêndida da Doutrina que cura, orienta, salva.

            O mundo ergue-se aflito e, atônito, vai descobrindo a grande luz.

            Como entender a repetição, nos dias atuais, do mesmo panorama que cercou o Mestre em Jerusalém, quando a Revelação cresceu, demonstrando a Verdade no espelho vivo das mentes abertas para a luz?

            Por que o cerco indébito à Doutrina sagrada? Por que a discussão, a confusão, o desrespeito?

            A mensagem do Senhor aí permanece viva: "Sereis considerados meus discípulos
se vos amardes uns aos outros, como vos tenho amado."

            Trazendo-vos estas páginas, não desejamos interferir em vidas ou resoluções; entretanto, à luz da Espiritualidade, sentimos pesar sobre os nossos ombros a responsabilidade de sermos espíritas, por termos recebido a Divina Luz!

            Por que retardar o passo, por que não aproveitar o tempo para achegarmos jubilosos ao Senhor, procurando-lhe a destra amiga para exclamarmos como Saulo: - Senhor, que quereis que eu faça?

            Irmãos, amigos, detenhamo-nos à beira dos abismos que sorvem os incautos!

            Meditemos na palavra sagrada, deixemos os trapos do homem velho e, transformados para o Cristo, estendamos as mãos para o alto, em ação de graças; e, trabalhando e servindo humildemente, avancemos para diante, ajustados à sublime vontade do Senhor.

            Que ele nos abençoe.

     Wantuil (Espírito)
por Mª Cecília Paiva 

Mensagem recebida em 22 de julho de 1975
e publicada em ‘Reformador’ (FEB) em  setembro 1975





Um Exemplo Imperecível



Um Exemplo
Imperecível
inReformador’ (FEB) Maio 1974
por Indalício Mendes

Trabalhai, não pela comida que perece,
mas pela comida que permanece para a vida eterna,
a qual o Filho do homem vos dará:
porque sobre ele Imprimiu o selo do Pai, que é Deus.”
Jesus (João 6:27)


            Deixando em nossos corações o rastro indestrutível da saudade, partiu Antônio Wantuil de Freitas para a Espiritualidade, depois de haver dado ao mundo sublime exemplo de amor e fidelidade ao Cristo de Deus, no mandato que recebeu ao adotar a Doutrina codificada pelo ilustre mestre Allan Kardec.

            Homem inteligente, arguto, dinâmico, possuía admirável acuidade mental e clarividência no trato com as criaturas humanas, antecipando, não raro, as conclusões de fatos que mal se definiam aos seus olhos. Não estamos dizendo que o nosso Wantuil haja sido um profeta, no sentido vulgar do termo, mas, efetivamente, tinha intuições que geralmente escapavam ao comum dos homens. Foi absolutamente consciente do papel que deveria representar na vida terrena e intransigente quanto aos deveres com Deus e Jesus. Habituou-se muito cedo ao trabalho severo e aprendera que jamais se recupera o tempo perdido com inutilidades. Assim, sempre encontrava um meio de valorizar o tempo, sem se desumanizar, sem se negar ao contato e troca de ideias com outras pessoas, ocasiões que considerava como pausas indispensáveis à reconquista da energia despendida no labor estrênuo. Parecia que em sua mente lúcida estava sempre aberta e iluminada a sentença do Mestre: "Meu pai trabalha até agora, e eu trabalho também." (João, 5:17).

            Muito lhe devemos pelo muito que recebemos na amizade que nos uniu neste período encarnatório, e talvez jamais possamos saldar esse débito. Todavia, onde quer que esteja, o Wantuil estará sempre disposto a nos conceder generosas moratórias, seguindo os passos de Jesus na tolerância e na indulgência que levam ao perdão. Grande espírita cristão, grande amigo!

            Quiseram as circunstâncias que nos encontrássemos ausente do Rio quando ele se desprendeu dos laços físicos, reingressando na Senda dos Espíritos. Não lhe pudemos dar o adeus de corpo presente, mas, por certo, ele já deve ter sentido a manifestação da nossa saudade através do instrumento telecomunicativo da prece. A última vez que nos faláramos, pelo telefone, ao perguntarmos por sua saúde, respondera-nos, no tom discreto peculiar ao seu temperamento, que ia relativamente bem. Não era homem de lamúrias. Compreendia a precariedade da vida terrena e encarava o fatalismo biológico da morte como acontecimento verdadeiramente natural, consoante o ponto de vista espírita.

            Caráter franco, habitualmente comedido no falar, Wantuil aprendera a divergir sem ferir, a dizer não, quando necessário, sem machucar, sem magoar. Mas não iludia ninguém, não fazia promessas enganosas. Como Helvetius, achava que a verdade não pode ser nociva. Procedia, como se diz em nossa terra natal, minha e dele: "mata a cobra e mostra o pau", quer dizer: sempre que era forçado a discordar de uma ideia ou de uma proposta, explicava por que o fazia, pondo o máximo de sinceridade em seus argumentos. A sua autoridade pessoal consolidou-se porque jamais pisou o terreno falso do farisaísmo. Por mais desfavoráveis que fossem as situações, mantinha o ânimo sereno e forte, contagiando os que o cercavam.

            Era bom sem ser piegas e a sua justiça se baseava nos Evangelhos, convencido de que a fraqueza humana decresce de intensidade e pode até anular-se, quando escorada pelo Alto. Naturalmente modesto, cordial e humilde, buscava nos Evangelhos e na prece os esclarecimentos de que necessitava nos momentos de aguda crise, em face de problemas angustiantes. Jamais quebrou a linha de austeridade que vem sendo apanágio dos dirigentes da Casa de Ismael. A Federação Espírita Brasileira foi a "menina dos seus olhos", o coração de sua alma de lúcido cultor do Espiritismo cristão. Podemos situá-lo, sem exagero e sem que nossas palavras sejam suspeitas, em virtude da longa e sólida amizade que nos ligava, entre os maiores Presidentes que já passaram pelo Templo de Ismael.

            Trabalhou, trabalhou muito, trabalhou sempre, sem horas limitadas para os parcos lazeres que conheceu. Deve ter guardado na memória esta frase dos Espíritos em a "Revelação da Revelação", que devemos à fé e à pertinácia de Roustaing: "A oração agradável a Deus é o trabalho: trabalho da inteligência, trabalho do corpo. Cada um de vós deve trabalhar conforme à tarefa que lhe está confiada. Cada um de vós deve, pois, orar continuamente. Trabalhai, eis a oração; vigiai, isto é, garanti-vos, exercendo constante vigilância sobre vós mesmos. Assim,  vossa carne se tornará forte e não mais temereis a tentação. VIGIAI E ORAl, irmãos nossos. O Mestre conta convosco."

            E o Mestre deve estar satisfeito com o servo diligente e responsável, que fez quanto podia para corresponder à sua confiança. Os que conheceram de perto a Antônio Wantuil de Freitas sabem que estamos sendo justo ao relembrar-Ihe o vulto do companheiro valoroso, do administrador probo, vigilante e esclarecido. Nunca transferiu a ninguém suas responsabilidades. Pelo contrário. Fez-se solidário, não poucas vezes, com as responsabilidades de outros, dando sua colaboração constante para preservá-los. Procedia, portanto, como um espírita cristão, solícito no aplacar as atribulações dos que a ele recorriam, buscando as luzes da sua experiência e dos seus conhecimentos.

            Ao sentir-se acuado por questões difíceis, concentrava-se e orava. Punha-se, em seguida, a analisar os assuntos, ponto por ponto, e, finalmente, tomava a decisão definitiva, quando tudo parecia sugerir o contrário do que iria fazer. Disso fomos testemunha e vimos os nossos temores se esboroarem diante da sua segura determinação. Foi um lutador, na boa acepção do termo.

            Relacionar-lhe toda a obra seria estender demais este artigo. Citemos, contudo, o importante papel que representou na edificação e conclusão do Pacto Áureo, sonho de Bezerra de Menezes, destinado a unificar a família espírita do Brasil; os esforços gigantescos que desenvolveu, em 1944, no chamado "Caso Humberto de Campos", que teve extraordinária repercussão, dentro e fora do nosso País, e o qual terminou favoravelmente à Federação Espírita Brasileira, amparada pelas forças espirituais e defendida, nos Tribunais, pelo culto e respeitável confrade Dr. Miguel Timponi, além da valiosa colaboração de outros abnegados correligionários, em vários setores de ação. Era preciso, porém, que a têmpera espirítico-eristã de Wantuil de Freitas fosse submetida a outra prova dificílima. Em 1945, o Espiritismo começou a sofrer restrições cada vez maiores, inclusive perseguições a espíritas e instituições espíritas. Wantuil, com o tato admirável que nunca lhe faltou, procurou ter entendimentos com altas autoridades da República e a verdade foi a duras penas restabelecida, como restabelecida foi também a liberdade que a Constituição assegura a todas as religiões.

            Lembremos também o desenvolvimento do Departamento Editorial, organização sem similar no Espiritismo brasileiro e estrangeiro. Recordemos o lançamento dos selos espíritas, apesar de todos os obstáculos criados pela ação da intolerância e do desamor à harmonia.

            Quanto lhe deve o Espiritismo! Quanto lhe devemos nós, partícipes da sua laboriosa vida doutrinária! Na pálida homenagem que tentamos prestar a esse grande companheiro do Espiritismo brasileiro, pomos nela todo o espírito de justiça que se faz imprescindível. Iríamos longe, muito longe, se esmiuçássemos o trabalho de Wantuil de Freitas, como, por exemplo, a campanha acirrada de alguns poucos irmãos mal esclarecidos contra Roustaing, querendo negar à FEB o direito de respeitar o legado de Bezerra de Menezes e sua inspirada determinação de estabelecer, na Casa de Ismael, o estudo regular de "Os Quatro Evangelhos", como o faz com as obras da Codificação Kardequiana. [1]

            Cercado de companheiros leais, imbuídos da mesma disposição, pôde ele levar a bom termo as tarefas que se impôs.

            Em 1969, ponderara aos que iam decidir a renovação da Diretoria que se sentia enfermo e exausto. Compreendia que a FEB crescera muito e exigia dele e de todos uma soma progressivamente maior de atividade. Era tempo, afirmava, de passar o bastão de comando, para que os altos interesses da FEB não sofressem nenhuma intermitência. Mesmo assim, foi reeleito. Não pudera vencer o ponto de vista dos que insistiam em sua continuação. Mas, em 1970, suas condições físicas pioraram e só a energia do seu espírito permitira que se desincumbisse dos deveres multiplicados. Antes da Assembleia, reafirmou a resolução de afastar-se, com palavras que significavam mais ou menos isto: "Se vocês querem bem à Federação, não me reelejam desta vez. Fiz o que pude. Estou doente, sem condições para continuar dando à FEB o que ela precisa. Não é justo que me reconduzam à Presidência, comprometendo as necessidades da Casa de Ismael."

            E fomos todos para a Assembleia conformados com a decisão do devotado Wantuil, certos, porém, de que do Alto viria, como veio, a solução que mais conviesse aos interesses do Espiritismo brasileiro. Isto aconteceu em 22 de agosto de 1970. Cessou, nessa data, a sua participação administrativa na FEB, começada em agosto de 1936, quando assumira a Gerência do "Reformador". Entretanto, não se admita sequer que Wantuil se tenha desligado mentalmente da Federação. Acompanhava com carinhoso interesse a nova fase, iniciada por seu discípulo Armando de Oliveira Assis, que, durante mais de vinte anos, seguia-lhe os passos, como vice-presidente da FEB. Mantinha-se atualizado quanto ao movimento espírita, ao ser derrubado pela enfermidade que determinou a sua libertação da carne.

            Aí está, em relatos superficiais, sem roteiro cronológico, algo desse espírita extraordinário, desse companheiro que, simples e humilde, apesar do seu grande valor, marcou uma época invulgar no Espiritismo brasileiro. Não obstante os pesados encargos que absorviam o tempo de que dispunha, ainda "fabricava" algum tempo para escrever e publicar artigos no "Reformador", sob pseudônimos, e algumas obras de magnífico conteúdo doutrinário e evangélico, em português escorreito, em linguagem simples e acessível a todos os níveis de instrução, como "Ciência, Religião e Fanatismo", "Os Milagres de Jesus" e "Síntese do Novo Testamento". Esta última, então, de manifesta utilidade para os estudiosos dos Evangelhos, contém valioso índice por versículos e o resumo de todas as passagens das Escrituras Sagradas, dos ensinamentos deixados por Jesus. E, acrescentemos, sempre fiel a escrupuloso critério ético. São dele as seguintes palavras, ao terminar o preâmbulo da obra citada: "O Novo Testamento, revelação divina por instrumentos humanos, quais o foram os seus autores, apresenta-nos muitos degraus da revelação e conhecimento, somente acessíveis pela evolução com o tempo e pela iluminação com o esforço próprio; uma só LUZ - em filtros diversos." E a assinatura, que é um testemunho da sua personalidade verdadeiramente humilde, embora dinâmica e fecunda: Mínimus.

            Que o dileto amigo, hoje ao lado de outros grandes trabalhadores do Espiritismo cristão, na vida imaterial, como Bezerra, Bittencourt Sampaio, Sayão, Pedro Richard, Cirne, Quintão, Guillon, Paiva Júnior, Ismael Gomes Braga, Fred. Figner, Ignácio Bittencourt, José Augusto Romero e tantos outros, recomece lá o trabalho redentor que o fez digno do salário recebido, pois, na Terra, cumpriu conscientemente sua missão e em nenhum momento tirou a mão do arado nem olhou para trás; nunca depôs no chão a enxada, quando a terra adusta e endurecida exigia mais esforço, mais paciência, mais tenacidade, menos repouso. E foi assim que o eito ingrato, umedecido pelo bendito suor do trabalho, foi sendo transformado em leiras férteis e produtivas.

            A obra que deixou aqui é imperecível pelo exemplo de como se pode servir a Deus e ao Cristo, plantando o bem, colhendo o bem, distribuindo o bem!

Prece – II

Mínimus  (A. Wantuil de Freitas)


Minha vida, Senhor, é toda sofrimento
Desde quando te vi, no Cedron da Judéia.
Muitas vidas já tive aqui na Terra, um cento
Talvez, e longe estou da verdadeira aleia.

Cada vez que aqui volto, eu trago um só desejo:
Transformar o meu "ego" e seguir-te as pegadas.
E ao voltar para o Espaço, eu tristemente vejo
Tantas leis, meu Jesus, que deixei desprezadas.

E se não fora a luz, que me vai melhorando,
Essa dor que aconselha, e me fala, e me inspira,
Certamente outro crime, e talvez mais nefando,

Retardasse o teu Malco e lhe partisse a lira,
Onde canto essa dor que me vem ajudando
A seguir para a frente, a te ter como mira!

(Extraído do livro "Os Milagres da Jesus", pág.  6, 2ª ed. FEB, 1952.)


[1] Os destaques em negrito são do blogueiro.


Populações Incrédulas



Populações Incrédulas

  11,20  Depois, Jesus começou a censurar as cidades onde tinha feito grande número de seus milagres, por terem recusado arrepender-se.
11.21  “ -Ai de ti, Corozaim! Ai de tá, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito elas se teriam  arrependido  sob  o  cilício e a cinza.
11,22 Por isso vos digo: No dia do juízo, haverá menor rigor para Tiro e para Sidônia que para vós!
11,23 E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria  até  este  dia.
11,24 Por isso te digo: No dia do juízo haverá menor rigor para Sodoma do que para ti.” 

            Para Mt (11,20) -A Censura de Cristo -encontramos a palavra de Casimiro Cunha por Chico Xavier, em “Lindos Casos” de Ramiro Gama. Ela nos diz do amor a Cristo manifestado através do Culto Doméstico do Evangelho, procedimento que se enraíza em nossa rotina de vida influenciando, para melhor, os nossos atos e aproximando-nos de Deus:
           
Culto Doméstico

        Quando o culto do Evangelho
            Brilha no centro do Lar,
            A luta de cada dia
            Começa a santificar.

            Onde a língua tresloucada
            Dilacera e calunia,
            Brotam flores luminosas
            de sacrossanta alegria.

            No lugar em que a mentira
            Faz guerra de incompreensão,
            A verdade estabelece,
            O império do Amor cristão.

            Onde a ira ruge e morde,
            Qual rude e invisível fera,
            Surge o silêncio amoroso
            Que entende, respeita e espera,

            A mente dos aprendizes,
            Bebe luz em pleno ar,
            Todos disputam contentes,
            A glória do verbo dar.

            A bênção do culto aberto
            Na divina diretriz,
            Conversa Jesus com todos
            E a casa vive feliz.

            Quem traz consigo a alegria
            Combatendo a treva e o mal,
            Encontra a porta sublime
            Do Reino Celestial.”

            Para Mt (11,20-24) - Populações Incrédulas - tomemos Antônio Luiz Sayão em “Elucidações Evangélicas”(Ed FEB):

            Penitência significa arrependimento. A penitência do Espírito consiste no pungente remorso de sua falta e na expiação que se lhe segue; tudo, porém, do ponto de vista moral e não como o entendia a gente daqueles tempos, que só admitia a reparação material.

            Quanto ao deverem ser tratados com menor rigor os de Tiro e Sidônia, do que os de Corozaim e Betsaida, e os de Sodoma menos rigorosamente do que os de Cafarnaum, é porque estes, como os de Corozaim e Betsaida, foram testemunhas dos milagres e, por orgulho, tudo haviam rejeitado, tinham fechado os olhos à luz, tornando-se, portanto, mais criminosos do que os de Sodoma que, atacados, pela sua materialidade, no lodaçal das paixões vis, talvez destas se houvessem libertado, se houvessem a palavra do Mestre e presenciassem os “milagres” por Ele operados. Fazendo essa distinção, queria Jesus que os homens compreendessem que, de todos os crimes passíveis de castigo, os mais graves são os que a inteligência comete, que os rigorosamente puníveis, dentre os que resultam dos arrasamentos da matéria, são aqueles de que o Espírito conscientemente participa.

            O inferno, é a consciência do culpado e o lugar onde ele sofre a expiação de seus crimes, qualquer que seja esse lugar. Onde quer que o Espírito se ache presa de contínuas torturas, quer encarnado, que desencarnado, é o seu inferno, termo de que Jesus usava alegoricamente.”

28 de Março



01/05     ‘Trovas do reconforto’

Dificuldades e provas?
Põe a tristeza de lado
Muita aflição no caminho
É socorro disfarçado

Lucano dos Reis  

por Chico Xavier
in  ‘Reformador’  (FEB)  Agosto  1972



terça-feira, 27 de março de 2012

Máximas de um Pobre Operário




Máximas de
 um Pobre Operário
           
            

             Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda a tua mente e com todas as tuas forças.

            Faze aos outros o que queres que os outros te façam...

            Não condenes - e não serás condenado.

            Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita.

            Há mais felicidade em dar que em receber.

            Perdoai aos homens - e sereis perdoados por Deus.

            Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos fazem mal, orai pelos que vos perseguem e caluniam - para serdes filhos do Pai celeste, ele, que faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e faz chover sobre justos e pecadores ...

            Não podeis servir a dois senhores - a Deus e às riquezas.

            Mais fácil é passar um camelo pelo fundo duma  agulha do que um rico entrar no reino de Deus.

            Dai de graça o que de graça recebestes.

            Quem se humilhar será exaltado - e quem se exaltar será humilhado.

            Dai a César o que é de César - e a Deus o que é de Deus.

            Eu vim para servir - e não para ser servido.

            Arranca primeiro a trave do teu olho - e depois verás como tirar o argueiro do olho de teu irmão ...

            O que fizerdes ao menor de meus irmãos - a mim é o que faz eis.

            Se não vos tornardes como as crianças não entrareis no reino do céu ...

            Tudo é possível àquele que tem fé.
           
            Quando um cego conduz a outro cego ambos vem a cair na cova ...
            Quem perder a sua vida por minha causa, - ganhá-la-á ...

            O que entra na boca não torna o homem impuro - mas sim, o que sai do coração ...

            Quem dentre vós quiser ser o maior - torne-se o servo de todos ...

            Eu sou o caminho, a verdade e a vida ...

            Eu sou a luz do mundo - quem me segue não anda em trevas ...

            Larga é a estrada que conduz à perdição - estreito é o caminho que conduz à vida ...

            Não andeis inquietos pelo que haveis de comer, beber e vestir - considerai as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam nem recolhem em celeiros - e o Pai celeste lhes dá de comer ...

            Considerai os lírios do campo, como crescem: não trabalham nem fiam - e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu jamais como um deles ...

            Quando alguém te ferir na face direita - apresenta-lhe também a outra ...

            Quando alguém te rouba a túnica - cede-lhe também a capa ...

            Quando alguém te obriga a acompanhá-lo por mil passos - vai com ele dois mil ...

            Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros assim como eu vos tenho amado ... Por isto há de o mundo conhecer que sois discípulos meus ...

            A tal ponto amou Deus o mundo que por ele entregou seu Filho Unigênito, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna...

            A vida eterna é esta: Conhecerem-te a ti, único Deus verdadeiro - e a Jesus Cristo que enviaste...


Huberto Rohden
in “De  Alma para Alma” (Ed. União Cultural Editora 1956)