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sábado, 22 de setembro de 2018

Diante de Deus



Diante de Deus
Emmanuel por Chico Xavier
Reformador (FEB) Agosto 1954

Para Jesus, a existência de Deus não oferece motivo para contendas e altercações.
Não indaga em torno da natureza do Eterno.
Não pergunta onde mora.
N'Ele não vê a causa obscura e impessoal do Universo.
Chama-Lhe simplesmente “nosso Pai”.
Nos instantes de trabalho e de prece, de alegria e de sofrimento, dirige-se ao Supremo Senhor, na posição de filho amoroso e confiante.
O Mestre padroniza para nós a atitude que nos cabe, perante Deus.
Nem pesquisa indébita.
Nem inquirição precipitada.
Nem exigência descabida.
Nem definição desrespeitosa.
Quando orares, procura a câmara secreta da consciência e confia-te a Deus, como Nosso Pai Celestial.
Sê sincero e fiel.
Na condição de filhos necessitados, rendamo-nos lealmente.    
Não perguntes se Deus é um foco gerador de mundos ou se é uma força irradiando vidas.
Não possuímos ainda a inteligência suscetível de refletir-lhe a grandeza, mas trazemos o coração capaz de sentir-lhe o amor.
            Procuremos, assim, Nosso Pai, acima de tudo, e Deus, Nosso Pai, nos escutará.

Jerusalém! Jesuralém!



Jerusalém! Jerusalém!
Vinélius de Marco (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Agosto 1951

Continuamos a receber com evangélica paciência, dispostos sempre ao perdão, as atitudes nada cristãs do clero católico. A Humanidade não desconhece o grande e luminoso espírito que foi Francisco de Assis, frade italiano, que os católicos canonizaram em 1228. Vejamos como os pretensos seguidores de Jesus, na ambiência clerical católica, se distanciam de Francisco de Assis.

Enquanto o clero nos chama de cínicos (“Nem podemos imaginar maior cinismo do que o dos espíritas quando, não obstante, continuam a proclamar, em todos os seus livros e jornais, que “o Espiritismo e o Cristianismo ensinam a mesma coisa” fugindo inteiramente ao espírito de tolerância e amor manifestados pelo Cristo, Francisco de Assis, S. Francisco de Assis, tem as seguintes palavras em uma de suas preces: "Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz; onde haja ódio, consenti que eu semeie amor; perdão, onde haja injúria." Percebe-se a diferença de sentimentos e de linguagem. Naturalmente, também a diferença de vibrações espirituais, porque Francisco de Assis de fato exprime o pensamento cristão, enquanto aqueles outros, que se dizem proprietários da Verdade, ofendem a majestade da moral cristã com ideias e expressões de revolta.

Curiosamente, diz o clero: "Sejamos, portanto, integralmente cristãos. Sigamos o Cristo, Evangelista da caridade." Mas, como, se começam por demonstrar que são integralmente anticristãos? Como podem seguir o Cristo, que reconhecem como "Evangelista da caridade", se persistem em faltar aos mais comezinhos princípios de caridade, negando o “amor ao próximo”? Tudo é facilmente compreensível: não é o Cristianismo que eles defendem, porque não pode haver defesa do que não é atacado nem
ameaçado, mas respeitado e reverenciado, como fazem os espíritas, verdadeiramente discípulos de Jesus e colaboradores da grande obra em prol do Espiritismo, o Cristianismo redivivo.

Depois de dizerem como devem ser tratados os “pertinazes e obstinados adeptos da
doutrina espírita” (graças a Deus que eles o reconhecem, porque isso evidencia a grande sinceridade da nossa crença e a fé irresistível de nossa fé), aponta-nos o caminho dos infernos, esquecidos de que, por maior boa vontade que demonstremos, não nos será possível ocupar o lugar que de direito lhes pertence... Mandam os caridosos opositores do Espiritismo que os espíritas sejam declarados "infames” e insinuam sejamos tratados como feiticeiros e tiradas nossas vidas, citando trechos adrede escolhidos: "Não deixarás viver os feiticeiros"...

Como eles se distanciam do boníssimo Francisco de Assis que dizia, compenetrado da verdade cristã que seus pretensos seguidores ainda não compreenderam: "Divino Mestre, permiti que eu não procure tanto ser consolado quanto consolar; ser compreendido quanto compreender; ser amado quanto amar, porque é dando que recebemos; perdoando é que somos perdoados."

Não entendem Jesus, esses que se referem aos espíritas com ódio no coração. Que Deus deles se apiede e os perdoe porque, quanto mais falam no Cristo, menos cristãos se mostram, uma vez que o Nazareno pregou: "Como o Pai me amou, assim também eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardares os meus mandamentos, permanecereis no meu amor”. Está provado que os nossos rancorosos adversários não guardam os mandamentos de Jesus, porque desferem anátemas contra os que não comungam com as suas ideias. Portanto, se não guardam os mandamentos de Jesus, não estão em seu amor, não permanecem no amor do Cristo. Esqueceram-se, há muito, das palavras de Jesus: ''Este é o meu mandamento, que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando." Mas Jesus não determinou que os seguidores ou supostos seguidores de sua Doutrina amassem somente a seus amigos, tanto que esclareceu: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” Em outra oportunidade fora incisivo: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos maldizem, orai pelos que vos insultam."

Que têm feito os espíritas, senão demonstrar amor aos que os atacam ferozmente '? Esse amor evidenciamo-lo com o interesse singelo de mostrar-lhes as palavras de Jesus, para que se convençam da verdade e não persistam no erro. Assim procedendo, demonstramos amor e fazemos o bem aos que nos odeiam quando apenas desejamos dar cumprimento às lições de Jesus, através da Terceira Revelação. Bendizemos as expressões amargas, cheias de fel, com que o clero procura atingir-nos, pois, desta forma, nos apegamos mais e mais à nossa Doutrina e tornamos o Espiritismo ainda mais forte com o robustecimento incessante da nossa fé. Por fim, sempre, em nossas preces, pedimos a Deus misericórdia para os nossos inimigos, isto é, para aqueles que se dizem e o afirmam por palavras e atos serem nossos inimigos por nos não nos consideramos inimigos de ninguém. Cotejamos as nossas ações com as ações dos que nos combatem, as nossas palavras, com as palavras dos que se enraivecem ao pensar em nós.

Façamos sempre assim, ó espíritas, pregoeiros do vero Cristianismo, do Cristianismo cheio da humildade e do amor de Jesus, do Cristianismo puro que está no Evangelho, e perdoemos ao clero católico, antes e depois do VI Congresso Eucarístico Nacional de 1953, porque eles, segundo suas próprias palavras, que revelam alarme ante o progresso do Espiritismo, estão desorientados e desejam "opor um dique à expansão da heresia espirita nos meios católicos do Brasil". Pretendem, como dizem, "desmascarar a Doutrina Espírita". Isto é impossível, porque nossa Doutrina foi revelada do Alto, traz a proteção de Deus e está sob o amparo de Jesus. O Espiritismo veio para evitar, justamente, que eles destruíssem o Cristianismo, pois, acima de dogmas mofados e superstições destinadas a embair povos ainda sem o necessário esclarecimento espiritual, os grandes Espíritos da Seara de Jesus, entre os quais Ismael, patrono da Federação Espírita Brasileira, Emmanuel e muitos outros; têm dirigido e orientado o benemérito serviço de elucidação religiosa iniciado com o apostolado de Allan Kardec.

Elevando o nosso pensamento a Jesus, pedimos ao Mestre que perdoe aos que se desviam do caminho traçado no Evangelho, e repetimos, com Francisco de Assis, com vistas ao clero católico este trecho da amorosa prece deste luminoso Espírito: "Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz: onde haja ódio, consenti que não procuremos tanto ser consolados, quanto consolar; ser compreendidos, quanto compreender; ser amados, quanto amar. Porque é dando que recebemos; perdoando é que somos perdoados; e morrendo é que nascemos para a Vida Eterna."

É do Evangelho (Mateus, 23:37, 38) esta advertência do Mestre: "Jerusalém, Jerusalém! que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar teus filhos como uma galinha ajunta os do seu ninho debaixo das suas asas, e tu não o quiseste!

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Provérbio de Salomão



Provérbio de Salomão
João de Deus
Reformador (FEB) Agosto 1951

Vigiai, diz Salomão,
Noite e dia o coração,
Que é dele que provém
Todo o mal e todo o bem.

Katie King







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        Fotos de Florence Cook e de Katie King

Annie Owen Morgan
Christiano Agarido (Ismael Gomes Braga)
Reformador (FEB) Maio 1951


           
Se nos resta dívida de gratidão aos Espíritos livres que voluntariamente se submetem ao sacrifício de mergulhar na atmosfera penosa e espessa da Terra para nos erguer, temos que gravar indelevelmente nos corações a lembrança de uma dama que viveu aproximadamente de 1640 a 1663, nos tempos mais agitados da História da Inglaterra e que se chamou, entre seus contemporâneos, Annie Owen Morgan mas entrou para a História do Espiritismo com o pseudônimo de Katie King, cerca de duzentos anos depois dessa encarnação aventurosa do século XVII.

Não resgatou a história do século XVII a sua existência: o pouco que sabemos a seu respeito nos foi revelado por ela mesmo, 200 anos mais tarde, numa série de sessões de materializações realizadas em Londres, com o máximo rigor de fiscalização e relatadas por uma dezena de pessoas da máxima responsabilidade social, científica e moral. Neste artiguete mencionamos apenas alguns dados colhidos nos depoimentos das testemunhas, dignas de toda a fé.

Nasceu na última fase do reinado de Carlos I, viveu ao tempo da República e desencarnou aos 23 anos de idade no reinado de Carlos II daí fixarmos aproximadamente o período de 1640 a 1663, acima, que não pode conter erro grande, Talvez seja um pouco antes ou depois, o que pouco importa.

Foi infeliz no casamento e não gosta que se refira à sua vida conjugal, mas tem novamente marido no mundo espiritual e é feliz nesta união post-mortem.

É de estatura alta, esbelta, rosto longo, rica cabeleira castanha dourada que lhe cai encaracolada pelos ombros e vai até quase à cintura. Olhos vivos e maliciosos, tez muito alva, movimentos fáceis e rápidos. É uma jovem de beleza fascinante e de maneiras desenvoltas que, por vezes, tocam as raias da violência. Certa feita um assistente lhe dirigiu uma pergunta inconveniente; a resposta foi um soco violento que ela aplicou ao peito do indelicado e que lhe doeu muito, até depois da sessão.

Em via de regra, porém, é muito gentil, conversa muito, responde a todas as perguntas que lhe fazem os assistentes, com exceção única quando a interrogam pela sua vida conjugal na Terra, porque   então se enfada.

Atende a todos os pedidos, dá pedaços do vestido branco que sempre usa a quantos lhe pedem e permite lhe cortem madeixa dos cabelos. Numa sessão permitiu a uma dama que lhe cortasse toda a rica cabeleira, mas a reconstituiu imediatamente, e os cachos de cabelos, caídos ao solo, desapareceram logo.

Certa noite em que sua materialização estava muito perfeita, reclamou que a aplaudissem o que todos fizeram com uma salva de palmas e ela se mostrou contente com a manifestação.

Permitia as mais penosas experiências. Certa vez lhe pediram permissão para abrir todas as luzes sobre o seu corpo materializado, de modo a fazê-lo fundir-se diante de todos. Apesar de penosa a experiência, ela consentiu: com os braços abertos, junto a uma parede, deixou que acendessem todas as luzes e vissem seu lindo corpo fundir-se diante de todos como se fosse uma boneca de neve sob os raios do Sol.

A quantos lhe pediam autógrafos, escrevia longas cartas diante de todos e as entregava.

Na intimidade, em casa de William Crookes, assentava-se ao chão com as crianças e lhes contava interessantes histórias de suas aventuras nas Índias, com a mais encantadora simplicidade de uma jovem do nosso mundo.

Certa vez um assistente apalpou-lhe um braço e fê-la notar que o braço não tinha ossos. Imediatamente corrigiu ela o defeito de materialização e lhe apresentou um braço humano normal, com todos os ossos.

Essas manifestações se estenderam por um período de três anos e Annie Owen Morgan, ou Katie King, explicou que sua vinda à Terra era uma penosa missão, finda a qual seria ela promovida a uma esfera espiritual mais elevado e não teria que submeter-se mais àquele sacrifício.

Em 21 de Maio de 1874 terminou ela a missão e, numa sessão patética de lágrimas de despedida, escreveu estas linhas:
           
"Annie Owen Morgan (conhecida por Katie King) à sua amiga Florence Marryat Rose Cross oferece esta lembrança. Pensai em mim, 21 de Maio de 1874.”

Entregou um ramalhete de flores com essa breve mensagem, dirigiu-se ao gabinete para despertar a médium, Florence Cook, para quem implorou as bênçãos de Deus e despediu-se para não mais voltar.

As notas breves deste artiguete foram colhidas no opúsculo História das aparições de Katie King conforme os documentos ingleses forma a segunda parte do livro Um caso de desmaterialização parcial do corpo de um médium, edição de 1961, onde o estudioso poderá ler com todos os pormenores essa história que marca um dos pontos culminantes da Terceira Revelação.

Como tais fatos tem encontrado confirmações um pouco por toda a parte, nos oitenta anos decorridos, sua força probante é inconcussa.

Vemos pelos relatos que esse espírito cumpriu uma grande missão, prestou os mais relevantes serviços à Humanidade, se bem que não seja ele próprio de esfera muito afastada da Terra.  Recorda-nos a vida em Nosso Lar e noutras colônias espirituais próximas à Terra, nos belos livros de André Luiz.

A todos os admiradores de André Luiz, sugerimos um estudo atento das oitenta e poucas páginas que nos conservam essa preciosa documentação do século passado, e a todos os corações lembramos a gratidão que devemos a Annie Owen Morgan.

A Cachoeira



A Cachoeira
Casimiro Cunha por Chico Xavier
Reformador (FEB) Janeiro 1941

Quando passes, meditando
No cimo da ribanceira,
Repara na majestade
Que esplende na cachoeira.

É bom pensar na grandeza
Que a sua potência encerra,
Na entrosagem de elementos
Das forças de toda a terra.

No lugar mais solitário,
É um cântico de alegria,
Derramando em derredor
A abundância da energia.

Para dar-se em benefícios,
A sua maior ciência
Não quer admiração,
Pede esforço e inteligência.

Mesmo ao longe das cidades
Depois de compreendida,
A cachoeira renova
A expressão dos bens da vida.

Retamente aproveitada,
É fonte de evolução,
Movendo milhões de braços,
Nas lutas do ganha-pão.

É mãe generosa e augusta
Das fábricas de trabalho,
Que distribui no caminho
A luz, o pão, o agasalho.

E aprendemos na lição,
Quando a vemos, face a face,
Que a água buscou um abismo
Por onde se despenhasse.

Nesse símbolo profundo
De grandeza e dinamismo,
Nós vemos o amor de Deus
E a extensão do nosso abismo.

Nós somos o sorvedouro
De miséria e de discórdia,
Deus é a eterna cachoeira
De luz e misericórdia.     

O verdadeiro Espírita



O Verdadeiro Espírita
Irmão Job
Reformador (FEB) Fevereiro 1951

Todos aqueles que, bem intencionados, ingressam na Seara Espírita, julgam, devido à falta de experiência e de estudo doutrinário, existir entre todos os adeptos da Doutrina dos Espíritos a mais perfeita compreensão, solidariedade e fraternidade; por isto, depois de algum tempo, muitos ficam decepcionados, como se a Doutrina Cristã tivesse culpa dos erros dos homens e começam a fazer insistentemente as seguintes perguntas: - Por que razão vivem os espíritas tão dispersos, trabalham tão separados, possuem opiniões tão diferentes e adotam métodos tão diversos uns dos outros? Não é a mesma a doutrina que servem e defendem? Não possuem a mesma fé, segundo Kardec afirma, "capaz de encarar a razão face a face em todas as épocas da Humanidade", a fé que enche o espírito e purifica o coração? Não é a mesma Bandeira que segue à frente da Caravana Espírita? Não é o mesmo programa de caridade que adotam e não são os mesmos ideais cristãos que desejam objetivar? Porque, então, esta separação e desigualdade de opiniões e de atitudes?

Esses neófitos não podem compreender, dada a sua transparência, pureza de intenções e falta de conhecimentos gerais, o motivo das atitudes e dos gestos de muitos que se distanciam dos outros companheiros de labores espíritas, como se houvesse barreiras intransponíveis que os estivessem separando, quando a Doutrina ensina a amar e manda que todos se unam em nome do Cristo e trabalhem pelo bem coletivo.

A Doutrina Espírita não é responsável, nem podia ser, uma vez que o espírito possui o livre arbítrio, pelos desvios dos homens, pela sua desobediência e deslealdade aos Evangelhos de Jesus.

Num educandário o regime adotado e os ensinos ministrados são os mesmos para todos os alunos, entretanto, enquanto uns são premiados e outros reprovados e, pior ainda, são expulsos como indesejáveis, como nocivos aos seus colegas; enquanto uns estudam seriamente, com todo o gosto e interesse, aprendendo realmente as lições, a fim de se tornarem mestres e ensinarem depois, outros, preguiçosamente, não comparecem às aulas e terminam abandonando os estudos por julgá-los aborrecidos e desnecessários.

- Que culpa tem o educandário e seus professores pelo descaso dos alunos para com os estudos e, também, do seu mau comportamento?

Não se pode exigir, porque não é possível conseguir-se, que, num colégio, todos os alunos estudem e progridam da mesma forma, uma vez que cada um possui gênio diferente em virtude da desigualdade de situação moral e intelectual, em consequência da posição espiritual.

Demais, não se pode esperar que um aluno do jardim da infância e mesmo do curso primário tenha a mesma cultura e alcance intelectual dos alunos do curso ginasial, como estes não podem ter os mesmos conhecimentos daqueles que já estão nas faculdades superiores, salvo os gênios, aqueles altamente evoluídos, que possuem as ideias inatas, enfim, os missionários.

Entretanto, quando o educandário é verdadeiramente cristão e obedece rigorosamente aos princípios evangélicos, nos seus alunos encontramos desigualdade de inteligências e de gênios, mas, a mesma disciplina celestial, a mesma educação moral e religiosa, muita união entre si e amor uns aos outros e ao colégio que tantos benefícios lhes está proporcionando.

O que faz um educandário cristão e garante o bom êxito do seu empreendimento não é o seu nome e muito menos a sua aparência suntuosa e confortável e sim os métodos sadios adotados pelos seus dirigentes, a cultura intelectual, moral e evangélica dos seus professores, aliada a uma exemplificação completa e perfeita dos ensinos salvadores do Divino Mestre.

A garantia de um edifício está na sua base. Se, esta base é sólida, se foi construída de acordo com todas as exigências da Engenharia, o edifício estará livre de ruir, de ser derrubado pela força do vento ou pela fúria da tempestade, tudo suportará fácil e serenamente como os indestrutíveis rochedos diante da violência do mar sempre revolto.         

Pois bem, meus irmãos, é preciso fazer da Seara Espírita um educandário verdadeiramente cristão, para que todos os adeptos da Doutrina dos Espíritos se eduquem cristãmente e como os verdadeiros cristãos pensem, falem e procedam. Mas, é preciso não esquecer jamais que um educandário para ser verdadeiramente cristão é necessário que obedeça rigorosa e misericordiosamente aos Evangelhos de Jesus.

Construí, portanto, o edifício salvador do Cristianismo do Cristo dentro e fora de vós, lembrando-vos sempre de que a garantia da felicidade individual e coletiva está na cristianização perfeita de cada homem, principalmente de cada adepto da Doutrina Espírita-Cristã, incumbida de irmanar e conduzir todas as almas para o Reino de Jesus.

O verdadeiro espírita não é o médium que recebe comunicações de Espíritos e muito menos aqueles que abraçaram o Espiritismo convencidos pelo fenômeno mediúnico, atraídos pelo interesse na caridade material dispensada pelas criaturas benevolentes.

O verdadeiro espírita é aquele que se converteu à moral espírita e a pratica rigorosamente, que é justo e misericordioso, desinteressado e sincero, enfim, que concorre para o progresso do Espiritismo ensinando e exemplificando os Evangelhos de Nosso Senhor Jesus-Cristo.

O verdadeiro espírita não se decepciona com o mau comportamento dos seus semelhantes, porque vê em cada homem um espírito ignorante, falido, em trânsito por este mundo de provações penosas para desenvolver os seus bons pendores e aprender a sufocar os maus até extingui-los completamente.

Respondendo às indagações feitas no princípio desta mensagem, dizemos o seguinte: muitos espíritas ainda vivem dispersos porque ainda não se cristianizaram: trabalham separados porque, não possuindo iluminação interior, não podem harmonizar-se com o exterior, principalmente com o exterior sadio, por isto, só procuram os que, como eles, também estão no escuro; possuem opiniões diferentes porque ainda não são do Cristo de Deus; adotam métodos diversos porque ainda não compreenderam a Verdade, por este motivo não pensam no bem coletivo e sim em si mesmos, nas perigosas e falsas honras temporárias do mundo.

Pelo exposto, pode-se bem compreender que esses espíritas, homens infantis, aparentemente servem e defendem a mesma Doutrina, mas, na realidade, estão desservindo a Santa Causa e prejudicando fortemente o seu próprio progresso espiritual, pois quem com o Cristo não ajunta contra Ele espalha e quem não põe o Azeite da Virtude na Candeia de seu coração, na Hora da chegada do Senhor, não pode tomar parte nas Bodas da Verdade, porque esta desprevenido, no escuro e condenado pela mentira e pela pobreza da sua alma ingrata, injusta, desobediente e infiel.

Os maus espíritas creem firmemente na existência dos Espíritos, possuem a fé inabalável no fenômeno mediúnico, porém, não a fé cristã que purifica e diviniza os sentimentos; por isto, aplaudem veementemente a passagem gloriosa da Caravana Espírita, mas, não a acompanham para o Reino de Jesus; fazem, algumas vezes, a caridade material e utilizam-se dos seus benefícios, porém, não ajudam os seus companheiros a socorrer os necessitados morais nem se sacrificam pelo bem da Humanidade; a separação entre eles e a desigualdade; de opiniões e de atitudes são motivadas pela diferença de situação espiritual, pois que se encontram no mesmo mundo, podendo até morar na mesma casa, mas, moralmente, a distância que os separa é infinita, porque estão em planos mentais completamente opostos, por esta razão não se entendem nem se harmonizam. É o resultado admirável das Leis de afinidade e de causa e efeito.

Compete aos mais esclarecidos, a exemplo de Jesus de Nazaré, sacrificar-se em benefício dos ignorantes, e aos responsáveis pela propaganda da Doutrina Espírita-Cristã, organizar os trabalhos doutrinários, fazer a uniformização sistemática dos métodos adotados, a fim de que todos aprendam pela mesma cartilha, cada coisa seja colocada no seu devido lugar, para que os maus espíritos se tornem bons e os convencidos da Verdade se convertam à Verdade e também se salvem e alcancem a vida eterna.
(Ext. do Boletim do Instituto Espírita “João Evangelista”, nº 38.)

Tudo é atração



Tudo é atração
Ismael Souto
por Chico Xavier
Reformador (FEB) Fevereiro 1951

Tudo é magnetismo no campo universal.
 A gota d'água obedece aos imperativos da afinidade química, os sóis se harmonizam, através da atração, dentro das leis cósmicas.  
Imantamo-nos uns aos outros, pelos laços do amor ou do ódio, e, pelo perdão ou pela vingança, algemamo-nos mutuamente.
Em razão disso, imaginar é centralizar energias na direção dos objetivos que nos propomos alcançar.
Quem ama e ajuda, acende claridade sublime.  
Quem odeia e perturba, arremessa treva espessa para fora de si.
Nessa cadeia de manifestações da nossa vontade, todos nós magnetizamos pessoas, situações e elementos, nas vibrações de nosso propósito atuante, para trazê-los ao nosso círculo pessoal.
Será o amanhã, segundo idealizarmos hoje, tanto quanto hoje é o reflexo de ontem.
A mente estende fios vivos em todos os lugares por onde transitam os interesses que lhe dizem respeito, e, através desses fios potentes e milagrosos, apesar de invisíveis, atingimos a concretização dos mais recônditos intentos.
Mentalizando, o homem sobe ao céu ou desce ao inferno, porque nós mesmos, segundo as diretrizes ocultas que preferimos, nos elevamos às culminâncias da luz ou nos arremessamos aos despenhadeiros da sombra...
Guarde, pois, cauteloso, a fonte dos seus pensamentos que, a cada minuto, se fazem agentes ativos de suas deliberações no bem ou no mal, onde o seu espírito estiver trabalhando.
Toda criatura, emite e recebe eflúvios e ondas de criação, renovação e destruição, no campo das ideias, porquanto a ideia é a força plástica, exteriorizante e inextinguível da alma eterna, no infinito do espaço e do tempo.
De acordo com os projetos que você apresentar à vida, a vida, que é a gloriosa manifestação de Deus, responderá a você com as realizações desejadas.
Subir e descer, esperar ou desesperar, lucrar ou perder, melhorar ou piorar, crescer ou reduzir, avançar ou estacionar resultam de nossa atitude interior. 
Vigie o pensamento e a vontade, para que se desenvolvam e marchem, dentro dos moldes do ilimitado Bem, e jamais se arrependerá, porque o próprio Cristo ensinou, de viva voz, que "o homem possui o seu tesouro onde guarda o coração".

A prece de Voltaire


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A Prece de Voltaire
A Direção
Reformador (FEB) Abril 1944

No primeiro volume de sua Política e Legislação, artigo intitulado A tolerância Universal, diz Voltaire:

"Já não me dirijo aos homens; mas somente a ti, oh! Deus de todos seres, de todos os mundos e de todos os tempos.

Se a fracas criaturas, perdidas na imensidade e imperceptíveis ao resto do Universo, é permitida a audácia de pedir alguma coisa a ti que nos deste tudo, a ti cujos decretos são imutáveis e eternos, tem piedade dos erros que são inerentes à nossa própria natureza, afasta os danos que deles nos podem provir.

Não nos deste um coração para nos odiarmos, nem mãos para nos degolarmos; faze que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo desta vida penosa e passageira; que as diferenças insignificantes dos vestidos com que cobrimos nossos débeis corpos, de nossas linguagens imperfeitas, de nossos usos ridículos, das leis
tão incompletas que nos regem, de nossas opiniões insensatas, de todas as nossas condições sociais, tão desproporcionada aos nossos olhos e tão nivelada aos teus; que todas essas pequenas variantes por que se distinguem uns dos outros os átomos chamados homens, não sejam para eles um motivo de ódio e perseguições; que os que, em pleno dia, acendem velas em honra tua, não repilam os que preferem celebrar-te a luz do teu Sol; que aqueles que cobrem seus vestidos com uma tela branca para dizer-nos que devemos amar-te, não detestem aos que dizem o mesmo, cobertos com um manto negro; que tenham o mesmo valor a adoração expressa por
palavras de uma língua antiga e a que é feita nas de uma língua moderna: que os que se vestem de vermelho ou de violeta, que dominam sobre uma pequena parcela de lama deste mundo e possuem em quantidade os fragmentos arredondados de um certo metal, desfrutem sem orgulho do que eles chamam grandeza e riqueza, e
que os outros os não invejem. 

Tu sabes que não há nessas futilidades motivo para o orgulho nem para a inveja. Possam os homens todos lembrarem-se sempre que são irmãos, e repelir com horror a tirania exercida sobre as almas, como execram a pilhagem que arrebata pela força o fruto do trabalho e da indústria pacífica.

Se os flagelos da guerra são inevitáveis, não nos odiemos, ao menos, não nos despedacemos no seio da paz.

Empreguemos o tão curto instante da nossa existência em abençoar igualmente, em mil diversas línguas, de Sião à Califórnia, a bondade daquele que nos deu a vida". (Do “Reformador” de abril de 1884).