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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Quantas bençãos dela vem...



Quantas bênçãos dela vêm!

Não cultives aversões;
Nada disso te faz bem;
Faze uma prece e observa
Quantas bênçãos dela vêm!

Não guardes no coração
Qualquer mágoa por ninguém;
A oração é sempre luz:
Quantas bênçãos dela vêm!

Ante os percalços da estrada
E as dores que sobrevêm,
Fala, pois, com Deus na prece:
Quantas bênçãos dela vêm!

Perante qualquer problema
Que nas sombras te retém,
Recorre à oração e aguarda
Quantas bênçãos dela vêm!

Se a descrença das pessoas
Atingiu a ti também,
Pela prece tudo muda:
Quantas bênçãos dela vêm!

Deus ouve nossos clamores,
Não menospreza ninguém.
Que valor tem uma prece:
Quantas bênçãos dela vêm!

Casimiro Cunha

in: “Semeadores da Verdade”
Espíritos Diversos
Psicografia de Alaor Borges Jr.
Editora Espírita Paulo e Estevão - 1998


21b. "O Protestantismo e o Espiritismo" por Benedito A. da Fonseca




21b
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941



            Continuemos a comparar versículos com versículos e meditemos:

            "Pergunta pois à gerações passadas e examina com cuidado a memória de nossos pais: porque somos de ontem e o ignoramos, porquanto nossos dias passam sobre a terra como uma sombra". (Jó, VIII. 8-9).

            Jó, com essas palavras proclama a justiça de Deus: Se não te recordas de teres na presente vida corporal cometido faltas - que te façam merecedor de sofrimentos que torturam o teu corpo e laceram o teu coração, pergunta às gerações passadas; procura investigar se é possível teres delinquido em existências precedentes, pois somos de ontem, já vivemos noutros tempos, ainda que o tenhamos esquecido, por nos impedir a matéria, qual espessa sombra, a representação do quadro das anteriores existências.

            "Crês, por ventura, que um homem morto possa viver? Todos os dias da presente vida estou esperando que chegue a minha mudança". (Jó. XIV. 14).

             Jó eleva o seu coração ao Senhor e a pergunta que lhe dirige é a expressão de esperança que acalenta no fundo de sua alma. Crê, ou antes pressente a reencarnação, e esse pressentimento dá-lhe força para suportar, resignado, os trabalhos da sua presente vida, esperando a sua mudança para uma vida mais feliz, onde espera gozar, em consequência da expiação presente.

            "Quantas tribulações penosas me tens feito provar, e voltando a mim, me tens dado vida, e do abismo da terra me tens tirado. Tens multiplicado a tua magnanimidade, e voltando a mim me tens consolado". (Salmos, LXX. 20-21).

            Davi, num momento de inspiração superior fala das suas passadas existências e, recordando as tribulações sofridas, entoa hinos de louvor ao Senhor, por tê-lo feito voltar à vida, tirando-o dos abismos da terra.

            "E passaram os seus anos em coisas vãs e os seus dias com grande fadiga. Quando (o Senhor) os fazia morrer, eles o buscavam, voltavam e se convertiam". (Salmos, LXXVII. 33-34).

            Os maus, os pecadores endurecidos, viviam na vaidade, a sua vida era apressada e curta. Só se lembravam do Senhor depois da morte. Então, buscavam-no, e a misericórdia do Pai lhes concedia voltar à vida para que o reconhecessem e adorassem.

            "Porque a tua misericórdia sobre mim é grande e tiraste a minha alma do inferno inferior." (Salmos, LXXXV: 13).

            Eu morava, diz Davi, em outro mundo inferior a este, onde os sofrimentos humanos são maiores; a tua misericórdia porém, é grande sobre mim, e compadecido das minhas misérias tiraste dali a minha alma e me permitiste vir descansar aqui, melhorando a sorte do meu Espírito.

            "Ai de vós, homens ímpios! que abandonastes a lei do Senhor Altíssimo, se nascerdes, nascereis em maldição, se morrerdes, a maldição será a vossa herança". (Eclesiastes, XLI, 11-12).

            Ai de vós que andais na abominação e no pecado, porque, se sois mortos, nascereis trazendo convosco a maldição das vossas obras; e se vivos, morrereis e a vossa memória será amaldiçoada. 


21. "O Protestantismo e o Espiritismo" por Benedito A. da Fonseca



21
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941


CAPITULO XIX

            Falemos agora da expulsão dos anjos e vejamos o que são o inferno e o céu da Escritura. Antes de entrar no assunto, leiamos um pouco os Evangelhos e comparemos versículos com versículos:

            "Na casa de meu Pai há muitas moradas, se não, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos o lugar". (João, XIV: 2.)

            "Esperamos pois, novos céus e nova terra, onde habita a justiça, segundo a promessa" (II Pedro, li: 13.)

            Porque, eis que eu crio novos céus e nova Terra, e não haverá mais lembrança das coisas passadas ." Isaías, LXV: 17.

            "Conheço um homem que... foi arrebatado até ao terceiro céu" (II Coríntios, XII: 2.)

            "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste curral, também me convêm trazer estas". (S. João, X: 16.)

            "Aquele que é menor no reino dos céus, é maior do que João Batista". (Mateus, XI: 11.)

            "Será chamado grande no reino do céu... Será chamado o menor no reino do céu". (S. Mateus, V: 19.)

            Versículos como estes, existem aos milhares nas Escrituras, concordantes com a doutrina dos Espíritos quanto á pluralidade dos mundos.

            Para bem podermos compreender a queda dos anjos, saibamos que a Escritura nos revela a existência de muitos mundos, muitos planetas: Uns muito atrasados, outros mais adiantados. Todos esses planetas se transformarão com o tempo, pelo progresso de seus habitantes. A terra mesma tem progredido extraordinariamente nos últimos séculos, especialmente neste século XX. Há planetas inferiores que passaram ao grau de superioridade pelo adiantamento moral e intelectual de seus habitantes. Essas moradas da casa do Pai, são céus diferentes uns dos outros. Os estudiosos, obedientes e progressistas, avançam e evolvem; os estacionários, refratários ao bem e ao progresso voltam, pela reencarnação, a planetas inferiores (1).

            (1) "Depois da morte" de L. Denis - Parte II, capítulo XI.

            Muitos milhares de anos antes de Moisés escrever o Pentateuco, uma raça rebelde veio reencarnar-se no mundo. Um planeta que evoluiu e passou ao grau de paraíso; que deixou de ser mundo de expiação para o ser de aperfeiçoamento, não comportava mais os rebeldes, os refratários ao bem e ao progresso. Esses habitantes estacionários, rotineiros e teimosos, morreram nesse planeta e lá não puderam mais reencarnar nem ficar ao redor dele, tentando os seus habitantes aperfeiçoados: Houve para eles o dia do juízo; Deus os obrigou a voltar para a terra, planeta inferior, mundo de expiação - inferno de provações.

            Esses Espíritos que desceram à Terra e nele se reencarnaram, são os anjos expulsos do céu. Deram o nome de Adão (1).

            (1) "A Gênese" de Kardec, XII: 16 e versículo 23, parágrafo 3º - "Estudos filosóficos, de Max "Ev. Rama Krichna".

            Para Adão, ou para essa plêiade de Espíritos que veio em coletividade, a terra era o inferno, (mundo inferior). Era o inferno, porque o planeta evolvido de onde foram obrigados a sair, era como o céu em relação ao planeta terra.

            Houve lá também a pregação da verdade; eles, porém, não quiseram aceitá-la: permaneceram rebeldes, fanáticos, incrédulos; não acompanharam o progresso desse mundo feliz, rejeitaram a verdade.

            Nessa ocasião, (por um tempo que durou séculos) houve essa batalha - batalha da pregação da verdade contra as errôneas doutrinas que lá havia. - Os que fecharam os olhos e taparam os ouvidos foram vencidos e precipitados na... Terra: O chefe e seus subalternos. E Adão e seus companheiros se reencarnaram .- os anjos caíram do céu por seu orgulho, sua teima e rebelião contra a verdade.

            É a mesma expulsão do Paraiso que nos descreve o Gênesis, (III: 23). É um símbolo que representa uma verdade.

            A batalha que houve nesse mundo evoluído, de onde Adão e seus companheiros foram expulsos, é a mesma que está havendo aqui na Terra; é a pregação da verdade rejeitada pelos fanáticos e rebeldes que não querem ver nem ouvir.

            Adão, (os espíritos reencarnados) trouxe para a Terra, há milhares de anos a ciência, os conhecimentos adquiridos em suas sucessivas existências. Os homens da Terra foram surpreendidos quando viram em seus filhos, conhecimentos profundos e ideias elevadas, inteligências desenvolvidas que assombravam o povo atrasado e ignorante, a ponto de dizerem que eles eram filhos de Deus, diferentes dos filhos dos homens (1). A Bíblia concorda e ensina esta verdade no Gênesis, Cap. VI: 2:

            (1) Nós admiramos um Sócrates, um PIatão, um Newton, um Copérnico, um Galileu, um Lavoisier, um Roetgen, um Edison, um Benjamin Franklin, um Santos Dumont, um William Harvey, um Camille FIammarion e um Guilherme Marconi, etc.

            "E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra e lhes nasceram filhos, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram." (Gênesis, VI: 2.)

            Os "filhos de Deus" eram os Espíritos adiantados em ciências e artes, que lhes ensinavam muitas coisas; que lhes faziam muitas descobertas. Eram os rebeldes que vieram para a prisão - para o inferno; - para a Terra, mundo inferior, muito atrasado naquele tempo.

            Se assim não é, como se pode compreender?

            Quem eram então aqueles filhos de Deus, que se casavam com as filhas dos homens?



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

20c. "O Protestantismo e o Espiritismo" por Benedito A. Fonseca


20c
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941


            A Escritura nos diz quem é o diabo, o príncipe ou deus deste mundo; claro, claríssimo para quem estuda e raciocina, repelindo os absurdos e as incongruências:

            "As obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, imundície, dissolução, idolatria, feitiçaria, inimizade, porfias, emulações, iras, pelejas, dissenções, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonerias e coisas semelhantes a estas, vos declaro acerca das quais, que os que comentem tais coisas não herdarão o reino de Deus." (Gálatas, V: 19).

            Paulo diz a mesma coisa em I Coríntios, VI:10, que é o a que se pode chamar diabo: adultério, fornicação, mentira, sodomia, avareza, embriagues, maledicência, ciúme, desconfiança, malquerenças, juízos temerários. Concorda com Efésios, V: 5; I Timóteo, I: 9-10; Apocalipse, XXI: 8 e XXXII: 15.

            O satanás que põe alguém para fora da graça de Deus, (reino de Deus) , é um nome que personifica tudo isso que disse o apóstolo Paulo. Quem tiver inteligência, que compreenda, se quiser compreender!

            Todo aquele que comete estas coisas, pratica desobediência à lei de Jesus Cristo e, sofre as consequências. Ao deixar este mundo, a sua alma leva para o mundo invisível as suas iniquidades. (As suas obras o seguem. Apocalipse, XV: 13). Assim como todo aquele que obedece à lei de Jesus Cristo e põe em prática os conselhos do Evangelho, também leva as suas obras: Os primeiros são diabos, os segundos são anjos. (Mateus XXII: 30 e XXV: 34). Anjos bons são as almas dos que praticam a lei de Jesus Cristo. Diabos são as almas dos que lhe desobedecem. As almas dos bons nos defendem contra as tentações das almas dos maus. Estas, enquanto permanecem na maldade, continuam a sofrer as consequências. Mas Deus não lhes nega o arrependimento. (Lucas, XV: 20). Quando os Espíritos dos maus se cansam de sofrer, se cansam de lidar com os porcos, (versículo 16) voltam-se para Deus, arrependidos, tornam-se bons.

            Compreende-se que os demônios, diabos tentadores, são os Espíritos dos que eram maus na Terra: os ladrões, os bêbedos, os homicidas, os mentirosos, os fornicadores, os adúlteros, os ciumentos, os invejosos, os maldizentes, feiticeiros, avarentos, caluniadores, traidores, astuciosos e enganadores. Esses, continuam nessas condições, e no estado invisível estão em toda a parte, aos milhares e são atraídos pelos pensamentos das
pessoas que têm iguais sentimentos e são por eles tentados.

             As más inclinações dos habitantes da terra refletem-se no invisível e esses tais, seguindo os exemplos, continuam no mal.

            Ponha-se em prática o Evangelho de Jesus; desapareça todo o mal da face da terra e os demônios se tornarão cristãos; só assim a Terra será a Nova Jerusalém, será o Éden, jardim de delícias, paraíso, o que terá de ser ainda para o futuro (1).

            (1) Lede o capitulo XIX, a seguir.

            O arrependimento e a salvação por Cristo não é só enquanto estamos na terra. Depois desta vida terrena, na outra do além-túmulo, também as almas se arrependem e o Cristo as salva.

            Esta é a doutrina espirita, com a qual o apóstolo Paulo concorda e concordam tambem Lucas, Mateus e outros escritores dos livros da Bíblia. Leia-se atentamente: I aos Coríntíos, XV: 19; Atos, III: 21; Mateus, XVII: 11. São Paulo diz abertamente: "Se esperarmos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens". (I Corint., XV: 19).      

            Os protestantes negam orações a Deus em favor dos falecidos e faltam com a caridade. S. Pedro não é dessa opinião; pois ele diz que o Evangelho é também pregado aos Mortos. I Ped. III: 19 e IV: 6). Pedro concorda com o Mestre que disse: "Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá". (João, XI: 25)." E em outro lugar: "Os mortos ouvirão as palavras do filho do homem e os que as ouvirem, viverão". (S. João, V: 25 e versículo 28).





A Existência do Inferno

Domingos de Gusmão queima livros dos Cátaros

A existência do Inferno
Lincóia Araucano (Ismael Gomes Braga)
Reformador ((FEB) Novembro 1947

            Absolutamente nada teríamos nós que ver com o ardoroso livro do Padre Paschoal Lacroix - A Existência do Inferno Provada de Pleno Acordo com a Sã Razão - no qual defende S. Revma. a sua fé robusta num Deus irado que condena a quase totalidade dos seus filhos às fogueiras eternas. A questão interessaria somente aos católicos romanos e passaríamos por ela com o devido respeito que nos merecem todas as convicções humanas; mas a páginas tantas, ou, mais precisamente, à página 144, S. Revma. escreve esta epígrafe: Contra o Espiritismo, e passa a combater a doutrina reencarnacionista e refutar o Espiritismo. Aí já nos parece de nosso dever pedir a palavra, com o devido respeito, para examinarmos os argumentos do Autor.

             Dogmatiza S. Revma.:

             "A morte é o último limite do prazo concedido para operar a salvação".

            Examinemos esta proposição. O homem morre em todas as idades; com alguns minutos, algumas horas, alguns dias, anos, decênios ou em plena velhice. Uma criatura a quem Deus só concedeu 10 anos de vida, só viveu infantilmente, brincando, sem pensar em coisa alguma séria. Mui pouco provável que tenha feito algo digno da bem-aventurança eterna. Admitamos mesmo que só tenha feito mal. Seu discernimento ainda é insuficiente para a pena severíssima de uma condenação eterna. Seria justo que outro receba oitenta anos para preparar a sua salvação e este só dez anos, dos quais sete foram passados sem responsabilidade, segundo a Doutrina da Igreja, e só três teve ele para se aparelhar à vida eterna? O Autor é terminante:

              "Conforme a morte achar cada um, justo ou pecador, amigo ou inimigo de Deus, assim será a sua eterna sorte, ou de bem-aventurado no céu, ou de réprobo no inferno".

            O infeliz que nasceu e viveu num meio ignorante, sem mestre de religião, nos remotos sertões, morre sem saber distinguir entre o bem e o mal, praticando o mal por ignorância, mas estará irremediavelmente condenado ao fogo eterno.

            S. Revma. entra a atacar violentamente a doutrina reencarnacionista que permitiria a esse infeliz salvar-se por meio de outras existências. A reencarnação é burla do demônio para lançar os homens no inferno, assegura-nos S. Revma. Cita o caso de uma menina que ele mesmo conhecera e que antes de completar quatro anos já sabia ler perfeitamente, escrever, fazer contas, mas isso nada tem que ver com reencarnação. A menina sabia, porque o pai ensinou. O Autor mesmo nos diz:

           "Fazemos exceção da doutrina budista, relativamente recente, (1) da transmigração das almas e das provações infindas, todos os povos do mundo fazem começar na morte a lei inexorável da justiça como castigo sem fim. Contra esta opinião universal os espíritas sustentam a reencarnação e a continuação das provações e expiações após a morte..."

            (1) Quinhentos anos mais antiga e muito mais divulgada do que o Cristianismo.

            Não é exato que o budismo seja a única religião reencarnacionista: também o bramanismo o é e, portanto, essa doutrina é mais velha e muito mais numerosa do que a Católica Romana. Não é exato, também, que todos os povos do mundo creiam em penas depois da morte, porque os materialistas, desde os saduceus do tempo de Jesus até os positivistas do século vinte, não creem na sobrevivência da alma.

            Leiamos os argumentos contra a reencarnação e as expiações depois da morte:

           "Não há dúvida de que Deus teria podido prolongar para a alma separada do corpo o tempo de merecimento, porém, de fato não o fez. Sabemos isso com absoluta certeza pela revelação".

            Examinemos, pois, a revelação nos Livros Sagrados da Igreja...

            No Velho Testamento encontramos logo o Decálogo (Êxodo, XX, 5. e 6): ...sou Deus zeloso, que puno a iniquidade dos pais nos filhos, na terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem ...  "Não pune nos mesmos, nem nos seus filhos e netos, mas na terceira e quarta geração (in tertiam et quartam generationem), porque só então os culpados já se reencarnaram e recebem as consequências de seus pecados.

            Passando ao Evangelho, vemos Jesus interrogando os seus discípulos: "Quem dizem que eu sou" e eles respondendo: "Dizem uns que és João Batista; outros, que Elias; outros, que Jeremias ou algum dos profetas". (Mat. 16:13 e 14).

            Não é evidente que Jesus sabia que o povo o tomaria pela reencarnação de um grande vulto do passado e o mesmo pensavam os discípulos?

            Mais adiante, Jesus declara que João Batista é Elias reencarnado (Mat. 17: 10 a 13). Depois Jesus diz a Nicodemos que para entrar no céu é preciso nascer de novo (Jo. 3:1 a 12). Jesus ensina a doutrina reencarnacionista com toda a clareza quando diz que João Batista, filho de Zacarias e Isabel, cujos pais todos conheciam, e viram-no desde a infância, era a reencarnação do Profeta Elias: "Pois todos os profetas e a lei até João profetizaram; e se quereis recebê-lo, ele mesmo é Elias que há de vir. O que tem ouvidos ouça"... (Mateus, 11:13 a 15). .

            A doutrina reencarnacionista está solidamente apoiada na Revelação cristã, mas está também revelada no bramanismo, mil anos antes de Gautama Buda, confirmada por ele, fundador do Budismo, quinhentos anos antes do Cristo: Quanto ao número de crentes, o dogma reencarnacionista tem o dobro dos crentes que tem o dogma do inferno eterno: mas não é só Sócrates e outros grandes filósofos ensinaram essa doutrina; a sã razão faz dela pedra angular da Justiça Divina. Só ela explica a evolução universal e é necessária, portanto, à filosofia científica como solução do problema da evolução dos seres vivos, mais notadamente do homem.

            O Espiritismo não a inventou, não a criou, não a descobriu, somente deu-lhe novo impulso no Ocidente e com isso vai evitando o domínio do materialismo ateu a que conduzem os dogmas absurdos, ilógicos, blasfemos que reclamam fé cega num Deus que o fanatismo religioso transformou em monstro odioso que criaria bilhões de seres nas trevas primitivas, privados de todos os meios de se salvarem, para serem condenados irremissivelmente por toda a eternidade. Com a doutrina da existência única que pode ser até de alguns minutos, como já dissemos, seguida da condenação eterna, ficariam sem explicação numerosos fatos naturais: gerações sem conto que viveram e vivem fora da civilização cristã; desigualdade de ideias morais e intelectuais inatas; povos bárbaros e primitivos que existiram e existem criados por Deus e sem a mínima possibilidade de salvarem-se.

            A doutrina do inferno eterno é tão ilógica, tão repugnante, que engendra o ateísmo materialista e afasta a humanidade ocidental da religião. As Igrejas que ensinam tal doutrina, assumem uma responsabilidade tremenda perante Deus e a humanidade. Felizmente, é um dogma em plena decadência, pertence aos séculos tenebrosos. Quem no lo informa é o mesmo Padre Lacroix nas págs. 77 e 78 do seu livro. Leiamos:

         "O professor George H. Beets, da Northwestern University, de Chicago, acaba de publicar um livro interessante, referindo nele o resultado de um inquérito sobre o estado doutrinal das principais seitas protestantes da América  do Norte. Reuniu em seu volume as respostas de 500 ministros protestantes de credos diferentes e de 200 estudantes de teologia a um questionário de 56 quesitos sobre pontos essenciais da doutrina cristã. Todos concordam apenas na existência de Deus. Quanto à existência do inferno 53 ministros e só 11 estudantes de teologia aceitaram a possibilidade de haver tal local de punição".

            Reduzamos isso a percentagem: 10,6 % dos ministros creem no inferno, portanto, 89,4 % não creem. Dos estudantes de teologia, 94,5 negam o inferno e somente, 5,5 % creem nele. Logo, o inferno perde por 636 votos contra apenas 64 a favor, ou sejam 91 % contra e 9 % a favor. Se os dogmas se aprovam ou reprovam por votação, nos Concílios, já é tempo de proclamarem as Igrejas protestantes que Deus é todo amor e encontra sempre em sua infinita misericórdia os meios de salvar seus filhos. Para isso dispõe Ele de saber e poder infinitos e da eternidade inteira. Os dogmas da unicidade da existência e do inferno eterno seriam a falência do Criador: teria Ele falhado completamente na criação, porque teria criado uma humanidade incapaz de salvar-se, pecadora, ignorante, indigna de seu Criador: e como a árvore se conhece pelo fruto, Deus seria uma árvore má, porque seus frutos seriam esta humanidade tão longe de qualquer perfeição. Tal caricatura de Deus fez o poeta dizer:

            "Depois o Criador (honra lhe seja feita!)
            Achou a sua obra uma obra imperfeita,
            Mundo sarrafaçal (que trabalha mal no seu ofício), globo de fancaria (trabalho grosseiro, coisa malfeita).,
           Que nem um aprendiz de Deus assinaria... "

            A luz da verdade, da doutrina reencarnacionista, tudo se esclarece e enaltece ao Infinito a Divindade: A Terra não é senão pequena parte do Universo, penitenciária provisória para onde são mandados os Espíritos rebeldes que perturbavam a harmonia de mundos mais adiantados. Os maus da Terra são degredados, estão cumprindo pena entre povos espiritualmente primitivos e rudes. Estes, primitivos e rudes, são crianças espirituais, filhos da Terra e progridem intelectualmente com o auxílio dos condenados que são grandes inteligências desprovidas de moral. Deus sabe salvar a todos: os maus, que são desterrados para mundos inferiores, cumprem missões de progresso material e intelectual em suas
penitenciárias, ajudando os Espíritos jovens a desenvolver a inteligência e melhorar a situação de habitabilidade de seu mundo.

            Além dos primitivos habitantes da Terra e dos culpados que aqui estão cumprindo penas, ainda Deus nos envia grandes Missionários, Espíritos de elevação moral e intelectual que nos vêm guiar rumo à felicidade eterna.

            A Terra é habitada por três categorias de seres humanos: 1º - seus próprios filhos, crianças espirituais, formam os povos primitivos, os selvícolas que ainda não são bons nem maus, que são simbolizados por Adão e Eva no Éden, antes de haverem comido o fruto da árvore da ciência do bem e do mal; 2º - os rebeldes que só progrediram em inteligência e não merecem ainda habitar mundos melhores; para estes a Terra é um mundo inferior, ou inferno, mas não eterno, porque eles progredirão e sairão d'aqui; 3º - os raros Espíritos realmente superiores, em missão, que aqui se chamam Vicente de Paulo, Francisco de Assis, Thomas Edison, Allan Kardec, Zamenhof e outros.

            Logo, não conhecemos a humanidade inteira, mas somente uma pequena fração e esta mesma ainda em formação, caminhando para a perfeição que terá fatalmente de alcançar um dia. A obra de Deus é um poema grandioso que nos enleva à adoração; ao ensejo de servi-Lo por amor, respeito, admiração, mas não pelo pavor do Inferno, pelo terror de um monstro cruel que nos imporia violentamente que o amássemos e servíssemos para não sermos lançados às chamas eternas. Reclamaria todo amor, mas só inspiraria todo o ódio, por nos haver criado incapazes de nos salvarmos, nos expor à tentação de demônios infinitamente mais inteligentes do que nós e só haver dado a um número insignificante de seus filhos os recursos necessários à salvação, numa desigualdade irritante e odiosa. Tal monstro só poderia ser temido e odiado, mas nunca amado sinceramente, como devemos amar a um Deus todo amor que nos salva a todos, absolutamente a todos, só nos deixando a escolha do tempo: uns seguem desde o início o caminho do bem e salvam-se cedo; outros seguem o caminho do mal, sofrem, repetem as provas, demoram, são lançados a mundos inferiores (infernos), mas finalmente se corrigem e por fim se salvam. A crença na existência da encarnação única e no inferno eterno é uma blasfêmia, ofensa à infinita bondade de Deus, negação da sua sabedoria, do seu amor. Felizmente, como vimos acima, essa ideia monstruosa, só digna de séculos tenebrosos, vai desaparecendo do mundo. Deus que lhe abrevie o desaparecimento!




sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Conselhos a um Juiz





Conselhos a um Juiz

            Meu Amigo, meu Irmão, que o Justo Juiz te ilumine a inteligência e fortaleça o coração.

            Não te falta socorro e é por isso que te pedimos prosseguir, sem desfalecimento, na missão de que foste revestido pelo Supremo Poder.

            Sabemos que as tuas noites são cheias de vigílias dolorosas.

            Assombram-te, muitas vezes, os quadros do caminho redentor, repleto de responsabilidades diversas. Não temas, porém.

            As tuas provações de homem, no campo doméstico, e os infinitos cuidados que te impõe a vida social são bem pesados, bem o reconhecemos. Entretanto, é preciso serenar o coração e seguir avante.

            A missão de julgar é efetivamente angustiosa para quantos receberam de Jesus mais avançadas concepções do direito humano.

            O juiz reto sofre amarguras interiores e experimenta aflições de toda a sorte, porque a conceituação de Humanidade encontra, em seu raciocínio e em sua sensibilidade, esfera mais vasta para a necessária dilatação; contudo, não podemos prescindir dos Missionários da Ordem.

            A toga é sagrada na medicação do organismo coletivo e há que examinar a heterogeneidade dos caracteres, na estrada da evolução, para compreendermos semelhante exigência.

            É por essa razão que te rogamos calma e coragem no desempenho dos teus deveres humanos e divinos.

            Aceita as injunções do teu cargo à maneira de embarcação, no oceano encapelado, à procura do porto de tua paz intima.

            Os padecimentos intelectuais que te perturbam frequentemente, nesse mister, decorrem do passado distante, que, muitas vezes, julgaste sem maior consideração.

            Conheceste o tormento de todos aqueles que lavram sentenças imponderadas e iníquas.

            É por esse motivo que a tua situação, embora honrosa e digna, constitui doloroso sacerdócio para a tua alma sensível.  

            Segue, todavia, com a Lâmpada do Cristo, nas mãos operosas. Essa claridade sublime que brilha, sem ofuscar, iluminar-te-á os olhos inteligentes na emissão de todos os despachos que a Justiça reclama de tua mente.

            No exame dos processos mais comuns, lembra-te, meu Irmão, de que Amigos abençoados te auxiliam e orientam, cooperando em tuas reflexões e despachos fraternos.

            Tenha a Calma e a Ponderação como duas conselheiras permanentes de teu caminho e encontrarás sempre a Porta de Jesus tocada de sublimes inspirações para o teu espírito sinceramente interessado em servir ao Divino Mestre.

            Procura o aspecto mais nobre, o ângulo mais elevado, a particularidade mais digna, no desdobramento de teus esforços, no campo da luta construtiva. Entretanto, se é preciso salientar a grandeza da absolvição, que liberta e restaura, não podes igualmente esquecer que o organismo social do mundo ainda apresenta zonas enfermiças e cancerosas. E o Sacerdote da Ordem e da segurança, em numerosas ocasiões, é compelido a desempenhar as funções do médico: isolando e amputando, curando chagas e sanando deformações.

            Em todas as minudências do caminho, procura o amparo da Inspiração Divina que te segue de perto, através de companheiros leais, desde muitos séculos, associados ao teu espírito, na obra de redenção.

            Adeus. E que a Paz do Senhor habite em teu coração, como o mais precioso dom de vida eterna, são os votos do amigo e servo humilde,

Emmanuel

Emmanuel por Chico  Xavier, em 14 de março de 1946, às 12 horas,  destinada ao
Dr. Lafaiete Dutra Ateniense, juiz de Direito da Comarca de Piranga, em Minas Gerais, que no-la deu a publicar)



20b. "O Protestantismo e o Espiritismo" por Benedito A. da Fonseca


20b
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941

            O diabo que existe na igreja protestante foi herdado dos sacerdotes romanos, o mesmo que estes herdaram do sacerdócio hebreu.

            Agarrando-se á letra dos Evangelhos, o protestantismo não pode compreender o verdadeiro sentido das palavras de Jesus, que dizia não ser o seu reino deste mundo. Nas poucas vezes que Jesus falou de Satanás, foi para se referir aos erros e maldades dos homens e de uma baixa condição espiritual, e não para designar um ser, determinado anjo de luz, como diz a igreja criado puro e perfeito e tornando-se impuro e imperfeito, logrando assim os atributos divinos que ficam destruídos e inutilizados com as decisões sinodais das igrejas e seitas confusas.

            Os próprios Revs. teólogos Amos, Binney e Daniel Stelle, dizem:

            "Alguns supõem que pelo demônio se deseja significar um princípio de mal personificado; outros, as más inclinações dos homens; outros tudo que é contrário ao bem" (obra citada).

            Vejamos a origem e significação dessas palavras que tanto lucro tem dado aos sacerdotes de Roma e tanto terror tem causado aos protestantes:

            Diabo vem da palavra latina diabolus e originou-se do grego, que significa acusador, caluniador.

            Demônio vem do grego, e antes do catolicismo lhe dar a significação de anjo mau, anjo decaído, já a palavra significava demônio, gênio, (daimon).

            Satanás é palavra hebraica que passou para o grego e significa adversário, inimigo.

            Belzebú quer dizer ídolo das moscas, (1) assim se chamava o ídolo que os Acaronitas (2) adoravam e o invocavam contra a praga das moscas. Os hebreus que tinham por sacerdotes os escribas e os fariseus, viram-se obrigados a crer no diabo inventado por eles, assim como os protestantes creem no diabo herdado dos sacerdotes do catolicismo romano, que por sua vez o receberam por herança dos seus antecessores hebreus.

            (1) Deus mosca, deus enxota-moscas, Vd. D. e Enciclopédia Internacional, VoI. III pag. 1352. (Uma das divindades dos filisteus).
            (2) Acaronitas - Habitantes de Acaron ou Ekron, (hoje Akir), antiga cidade do pais dos filisteus.

            Belzebú não é uma invenção de Jesus e sim dos sacerdotes que o crucificaram. Lê-se em São Lucas: "Porém alguns deles diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebú, príncipe dos demônios. (Lucas, XI: 15; Pois dizeis que eu expulso os demônios por Belzebú. (Lucas, XI: 18)."




Examinai Tudo...






Examinai Tudo

            As Igrejas reformadas proclamaram o direito e o dever de cada crente examinar livremente as Escrituras, em vez de deixar ao Clero essa tarefa. Foi um grande bem, porque nos diferentes graus de evolução de cada Espírito encarnado, as Escrituras não interessam do mesmo modo e por igual à todos, e não podem ser interpretadas unilateralmente para a coletividade. Cada crente, realmente, fará nelas as descobertas que lhe são mais necessárias no momento e não poderia confiar a outrem essa tarefa.

            Apoiando esse dever de livre exame, citam a cada instante as seguintes palavras de Paulo, em sua Primeira Epístola aos Tessalonicenses, cap. 5, versículo 19 a 21:

              "Não extingais o Espírito; não desprezeis as profecias, mas ponde tudo à     prova, retende o que é bom."

            Por vezes abreviam em forma de máxima: "Examinai tudo e aceitai o que é bom", o que não prejudica o pensamento de Paulo, do grande Inspirado. Mas, precisamos examinar o sentido que tinham essas palavras ao tempo de Paulo, e para isso basta folhearmos o Livro de Atos dos Apóstolos, onde leremos:           .

             2: 1/4: ”Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um ruído, como de um vento tempestuoso, que encheu toda a casa onde estavam sentados e lhes apareceram umas como línguas de fogo, as quais se distribuíram, para repousar sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem."

            5: 16: “Também das cidades circunvizinhas de Jerusalém afluía uma multidão trazendo enfermos e atormentados de espíritos imundos, os quais eram todos curados."

           6:9/10:  " ...disputavam com Estevão; e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito pelo qual ele falava."

          8: 7: "Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam, clamando em alta
voz!' 

         8 29: “Disse o Espírito a Felipe: Aproxima-te e ajunta-te a este carro."

        10:19/20: "Enquanto Pedro estava meditando sobre a visão, disse-lhe o Espírito: Eis que dois homens te procuram; levanta-te, pois, desce e vai com eles, nada duvidando; porque eu os enviei!'

        11: 12: (Fala Pedro): “O Espírito disse que eu fosse sem escrúpulo com eles."

        15: 32: "Judas e Silas, que eram também profetas ... "

        16: 16/18: "Enquanto íamos ao lugar de oração, veio-nos ao encontro uma moça que tinha um espírito adivinhador, a qual com as suas adivinhações dava muito lucro aos amos. Ela, seguindo a Paulo e a nós, clamava: Estes homens que vos anunciam o caminho da salvação, são servos de Deus Altíssimo. E fazia isso por muitos dias. Mas Paulo, enfadado, virou-se para ela e disse ao Espírito: Eu te ordeno em nome de Jesus Cristo que saias dela; e na mesma hora saiu."

         19: 12:  "... e deles saíam os espíritos malignos."    

         21: 4: "... e eles pelo Espírito diziam a Paulo que não entrasse em Jerusalém!'

         23: 9: "... e quem sabe se lhe falou algum espírito ou anjo?"

         Como se vê dessas citações, os Discípulos de Jesus, ao tempo de Paulo, achavam-se em constantes relações com Espíritos bons e maus, e os que, como Judas e Silas, possuíam faculdades mediúnicas, eram chamados Profetas. Regressando aos tempos de Paulo pelo estudo do Novo Testamento, vemos que só há diferenças de palavras: chamavam possessos aos obsidiados, profetas aos médiuns e profecias às comunicações de Espíritos superiores, mas os fenômenos eram os mesmos de hoje e de todos os tempos. Portanto, as palavras de Paulo, postas em linguagem moderna, seriam assim traduzidas:

            "Não impeçais ao Espírito comunicar-se; não desprezeis as comunicações, mas examinai-as bem e só retende as boas."        

            Isso mesmo recomendam Kardec e todos os espíritas esclarecidos e prudentes. Logo, os versículos citados tão frequentemente pelos nossos irmãos das Igrejas reformadas, não significam - como eles supõem - que o livre exame deve limitar-se às Escrituras e que a Revelação terminou em Apocalipse. Muito ao contrário, refere-se Paulo precipuamente às comunicações dos Espíritos, ao que modernamente chamamos Espiritismo.

            Na forma abreviada, poderíamos redigir assim: "Examinai tudo o que dizem os Espíritos e aceitai o que for bom".

            Como o materialismo que invadiu as Igrejas, quase todos os ensinos da Bíblia se tornaram incompreensíveis ou até ridículos para o homem moderno; mas a Verdade eterna nunca será sepultada. Quem haja lido a moderna literatura espírita, volte a reler a Bíblia e lá encontrará os mesmos fenômenos de todos os tempos. Em vez de destruir as Escrituras, o Espiritismo lhes projeta nova luz, é chave para muitos mistérios, resolve muitas obscuridades.

            O Cristo e os primeiros cristãos curavam os enfermos, afastavam os obsessores, mas as Igrejas perderam a fé e abandonaram as práticas cristãs que só agora ressurgem com o Espiritismo. Quanto às instruções que os Discípulos de Jesus recebiam diretamente dos Espíritos, as Igrejas as classificam hoje em duas categorias: "embuste ou diabolismo", e não percebem que estão destruindo seus próprios alicerces, porque foram fundadas sobre essas mesmas comunicações. - Perderam a fé e, como Pedro, estão afundando.

            Entendamos, pois, as palavras de Paulo, referindo-se às Escrituras existentes em seu tempo, cujo estudo era livre aos leigos, mas mui especialmente às comunicações que amiúde seus contemporâneos recebiam dos Espíritos, e, assim, sigamos lhe o inspirado conselho: Examinemos todas as comunicações, e retenhamos as que são boas.

            Em luta contra a Igreja Católica Romana, que não permite aos leigos o exame das Escrituras, os nossos irmãos protestantes interpretam as palavras do Apóstolo dos Gentios como referentes à Bíblia, sem se lembrarem de que em tal sentido as palavras seriam intempestivas, porque nenhuma Igreja, ao tempo de Paulo, era contrária ao livre exame. Só três ou quatro séculos mais tarde o livre exame sofreu contestação eclesiástica. No entanto, prestaram os protestantes grande serviço inconsciente, porque nós repetiremos com Paulo e no mesmo sentido: "Não frustreis o Espírito: examinai tudo e aceitai o que é bom".

Redação
Reformador Agosto 1946