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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Maria de Magdala



Maria de Magdala 

16,9  Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete obsessores.   


               Para Mc (16,9) - Maria de Magdala - leiamos  “Boa Nova”, de Humberto de Campos por Chico Xavier, onde coletamos a história dessa piedosa mulher que encarnou ao tempo que  Jesus fazia sua trajetória de luz sobre a Terra:

            “Maria de Magdala  ouvira as pregações do Evangelho do Reino, não longe da vila principesca onde vivia entregue a prazeres, em companhia de patrícios romanos, e tomara-se de admiração profunda pelo Messias.
            Que novo amor era aquele apregoada aos pescadores singelos por lábios tão divinos? Até ali, caminhara ela sobre as rosas rubras do desejo, embriagando-se com o vinho de condenáveis alegrias. No entanto, seu coração estava sequioso e em desalento. Jovem e formosa, emancipara-se dos preconceitos férreos de sua raça; sua beleza lhe escravizara aos caprichos de mulher os mais ardentes admiradores; mas seu espírito tinha fome de amor. O profeta nazareno havia plantado em sua alma novos pensamentos. Depois que lhe ouvira a palavra, observou que as facilidades da vida lhe traziam agora um tédio mortal ao espírito sensível. As músicas voluptuosas não encontravam eco em seu íntimo, os enfeites romanos de sua habitação se tornaram áridos e tristes. Maria chorou longamente, embora não compreendesse ainda o que pleiteava o profeta desconhecido. Entretanto, seu convite amoroso parecia ressoar-lhe nas fibras mais sensíveis de mulher. Jesus chamava-lhe nas fibras para uma vida nova.
            Decorrida uma noite de grandes meditações e antes do famoso banquete em Naim, onde ela ungiria publicamente os pés de Jesus com os bálsamos perfumados de seu afeto, notou-se que uma barca tranquila conduzia a pecadora a Cafarnaum. Dispuseram-se a procurar o Messias, após muitas hesitações. Como a receberia o Senhor, na residência de Simão?  Seus conterrâneos nunca lhe haviam perdoado o abandono do lar e a vida de aventuras. Para todos, ela era a mulher perdida que teria de encontrar a lapidação na praça pública. Sua consciência, porém, lhe pedia que fosse. Jesus tratava a multidão com especial carinho. Jamais lhe observara qualquer expressão de desprezo para com a numerosas mulheres de vida equívoca que o cercavam. Além disso, desejaria trabalhar na execução de suas idéias puras e redentoras. Propunha-se a amar, como Jesus amava, sentir com os seus sentimentos sublimes. Se necessário, saberia renunciar a tudo. Que lhe valiam as jóias raras, os banquetes suntuosos, se, ao fim de tudo isso, conservava a sua sede de amor?!...
            Envolvida por esses pensamentos profundos, Maria de Magdala penetrou o umbral da humilde residência de Simão Pedro, onde Jesus parecia esperá-la, tal a bondade com que a recebeu num grande sorriso. A recém-chegada sentou-se com indefinível emoção a estrangular-lhe o peito.
            Vencendo, porém, as suas mais fortes impressões, assim falou, em voz súplice, feitas as primeiras saudações:
            - Senhor, ouvi a vossa palavra consoladora e venho ao vosso encontro!... Tendes a clarividência do céu e podeis adivinhar como tenho vivido! Sou uma filha do pecado. Todos me condenam. Entretanto, Mestre, observai como tenho sede do verdadeiro amor!... Minha existência, como todos os prazeres, tem sido estéril e amargurada...
            As primeiras lágrimas lhe borbulharam dos olhos, enquanto Jesus a contemplava, com bondade infinita. Ela, porém, continuou:
            Ouvi o vosso amoroso convite ao Evangelho! Desejava ser das vossas ovelhas; mas, será que Deus me aceitaria?
            O Profeta nazareno fitou-a, enternecido, sondando as profundezas de seu pensamento, e respondeu, bondoso:
            -Maria, levanta os olhos para o céu e regozija-te no caminho, porque escutaste a Boa Nova do reino e Deus te abençoa as alegrias! Acaso, poderias pensar que alguém no mundo estivesse condenado ao pecado eterna? Onde, então, o amor de  Nosso Pai? Nunca viste a primavera dar flores sobre uma casa em ruínas? As ruínas são as criaturas humanas; porém, as flores são as esperanças em Deus. Sobre todas as falências e desventuras próprias do homem, as bênçãos paternais de Deus descem e chamam. Sentes hoje esse novo Sol a iluminar-te o destino! Caminha, agora, sob a luz, porque o amor cobre a multidão dos pecados.
            A pecadora de Magdala escutava o Mestre, bebendo-lhe as palavras. Homem algum havia falado assim à sua alma incompreendida. Os mais levianos lhe pervertiam as boas inclinações, os aparentemente virtuosos a desprezavam sem piedade. Engolfada em pensamentos confortadores e ouvindo as referências de Jesus ao amor, Maria acentuou, levemente:
            No entanto, Senhor, tenho amado e tenho sede de amor!...
            -Sim - redarguiu Jesus - tua sede é real. O mundo viciou todas as fontes de redenção e é imprescindível compreenda que em suas sendas a virtude tem de marchar por uma porta muito estreita. Geralmente, um homem deseja ser bom como os outros, ou honesto como os demais, olvidando que o caminho onde todos passam é de fácil acesso e de marcha sem edificações. A virtude no mundo foi transformada na porta larga da conveniência própria. Há os que amam os que lhes pertencem ao círculo pessoal, os que são sinceros com os seus amigos, os que defendem seus familiares, os que adoram os deuses do favor. O que verdadeiramente ama, porém, conhece a renúncia suprema a todos os bens do mundo e vive feliz, na sua senda de trabalhos para  o difícil acesso às luzes da redenção. O amor sincero não exige satisfações passageiras, que se extinguem no mundo com a primeira ilusão; trabalha sempre, sem amargura e sem ambição, com os júbilos do sacrifício. Só o amor que renuncia sabe caminhar para a vida suprema!...
            Maria o escutava, embevecida. Ansiosa por compreender inteiramente aqueles ensinos novos, interrogou atenciosamente:
            -Só o amor pelo sacrifício poderá saciar a sede do coração?
            Jesus teve um gesto afirmativo e continuou:
            -Somente o sacrifício contém o divino mistério da vida. Viver bem é saber imolar-se. Acreditas que o mundo pudesse manter o equilíbrio próprio tão-só com os caprichos antagônicos e por vezes criminosos dos que se elevam à galeria dos triunfadores?  Toda luz humana vem do coração experiente e brando dos que foram sacrificados. Um guerreiro coberto de louros  ergue os seus gritos de vitória sobre os cadáveres que juncam o chão; mas, apenas os que tombaram fazem bastante silêncio, para que se ouça no mundo a mensagem de Deus. O primeiro pode fazer a experiência para um dia; os segundos constroem a estrada definitiva na eternidade. Na tua condição de mulher, já pensaste no que seria o mundo sem as mães exterminadas no silêncio e no sacrifício?  Não são elas as cultivadoras do jardim da vida, onde os homens travam a batalha?!... Muitas vezes, o campo enflorescido se cobre de lama e sangue; entretanto, na sua tarefa silenciosa, os corações maternais não desesperam e reedificam o jardim da vida, imitando a Providência Divina, que espalha sobre um cemitério os lírios perfumados de seu amor ...
            Maria de Magdala, ouvindo aquelas advertências, começou a chorar, a sentir no íntimo o deserto da mulher sem filhos. Por fim, exclamou:
            -Desgraçada de mim, Senhor, que não poderei ser mãe!...
            Então, atraindo-a brandamente a si, o Mestre acrescentou:
            -E qual das mães será maior aos olhos de Deus?  A que se devotou somente aos filhos de sua carne, ou a que consagrou, pelo espírito, aos filhos das outras mães?
            Aquela interrogação pareceu despertá-la para meditações mais profundas. Maria sentiu-se amparada por uma energia interior diferente, que até então desconhecera. A  palavra de Jesus lhe honrava o espírito; convidava-a a ser mãe de seus irmãos em humanidade, aquinhoando-os com os bens supremos das mais elevadas virtudes da vida. Experimentando radiosa felicidade em seu mundo íntimo, contemplou o Messias com os olhos nevoados de lágrimas e, no êxtase de sua imensa alegria, murmurou comovidamente:
            -Senhor, doravante renunciarei a todos os prazeres transitórios do mundo, para adquirir o amor celestial que me ensinastes! ... Acolherei como filhas as minhas irmãs no sofrimento, procurarei os infortunados para aliviar-lhes as feridas do coração, estarei com os aleijados e leprosos...
            Nesse instante, Simão Pedro passou pelo aposento, demandando o interior, e a observou com certa estranheza. A convertida de Magdala lhe sentiu o olhar glacial, quase denotando desprezo, e, já receiosa de um dia perder a convivência do Mestre, perguntou com interesse:
            -Senhor, quando partirdes deste mundo, como ficaremos?
             Jesus compreendeu o motivo e o alcance de sua palavra e esclareceu:
            -Certamente que partirei, mas estaremos eternamente reunidos em espírito. Quanto ao futuro, com o infinito de suas perspectivas, é necessário que cada um tome sua cruz, em busca da porta estreita da redenção, colocando acima de tudo a fidelidade a Deus e, em segundo lugar, a perfeita confiança em si mesmo. Observando que Maria, ainda opressa pelo olhar estranho de Simão Pedro, se preparava a regressar, o Mestre lhe sorriu com bondade e disse:
            -Vai, Maria!... Sacrifica-te e ama sempre. Longo é o caminho, difícil a jornada, estreita a porta; mas, a fé remove os obstáculos... Nada temas: é preciso crer somente!
            Mais tarde, depois de sua gloriosa visão do Cristo ressuscitado, Maria de Magdala voltou de Jesusalém para a Galiléia, seguindo os passos dos companheiros queridos.
            A mensagem da ressurreição espalhara uma alegria infinita.
            Após algum tempo, quando os apóstolos e seguidores do Messias procuravam reviver o passado junto ao Tiberíades, os discípulos diretos do Senhor abandonaram a região, a serviço da Boa Nova. Ao disporem-se os dois últimos companheiros a partir em definitivo para Jerusalém, Maria de Magdala, temendo a solidão da saudade, rogou fervorosamente lhe permitissem acompanhá-los à cidade dos profetas; ambos, no entanto, se negaram a anuir aos seus desejos. Temiam-lhe o pretérito de pecadora, não confiavam em seu coração de mulher. Maria compreendeu, mas lembrou-se do Mestre e resignou-se.  Humilde e sozinha, resistiu a todas as propostas condenáveis que a solicitavam para uma nova queda de sentimentos. Sem recursos para viver, trabalhou pela própria manutenção, em Magdala e Dalmanuta. Foi forte nas horas mais ásperas, alegre nos sofrimentos mais escabrosos, fiel a Deus nos instantes escuros e pungentes. De vez em quando ia as sinagogas, desejosa de cultivar a lição de Jesus; mas as aldeias da Galiléia estavam novamente subjugadas pela intransigência do judaísmo. Ela compreendeu que palmilhava agora o caminho estreito, onde ia só, com a sua confiança em Jesus. Por vezes, chorava de saudade, quando passeava no silêncio da praia, recordando a presença do Messias. As aves do lago, ao crepúsculo, vinham pousar, como outrora, nas alcaparreiras mais próximas; o horizonte oferecia, como sempre, o seu banquete de luz. Ela contemplava as ondas mansas e lhes confiava sua meditações.
            Certo dia, um grupo de leprosos veio a Dalmanuta. Procediam da Idumeia aqueles infelizes, cansados e tristes, em supremo abandono. Perguntaram por Jesus Nazareno, mas todas as portas se lhes fechavam. Maria foi ter com eles e, sentindo-se isolada, com amplo direito de empregar  a sua liberdade, reuniu-os sob as árvores da praia e lhes transmitiu as palavras de Jesus, enchendo-lhes os corações das claridades do Evangelho. As autoridades locais, entretanto, ordenaram  a expulsão imediata dos enfermos. A grande convertida percebeu tamanha alegria no semblante dos infortunados, em face de suas fraternas revelações  a respeito das promessas do Senhor, que se pôs em marcha para  Jerusalém, na companhia deles. Todo o grupo passou a noite ao relento, mas sentia-se que os júbilos do Reino de Deus agora os dominavam. Todos se interessavam pelas descrições de Maria, devoravam-lhe as exortações, contagiados de sua alegria e de sua fé. Chegados à cidade, foram conduzidos ao vale dos leprosos, que ficava distante, onde Madalena penetrou com espontaneidade de coração. Seu espírito recordava as lições do Messias e uma coragem indefinível se assenhoreara de sua alma. Dali em diante, todas as tardes, a mensageira do Evangelho reunia a turba de seus novos amigos e lhes dizia o ensinamento de Jesus. Rostos ulcerados enchiam-se de alegria, olhos sombrios e tristes tocavam-se de nova luz. Maria lhes explicava que Jesus havia exemplificado o bem até a morte, ensinando que todos os seus discípulos deviam ter ânimo para vencer o mundo. Os agonizantes arrastavam-se até junto dela e lhe beijavam a túnica singela. A filha de Magdala, lembrando o amor do Mestre, tomava-os em seus braços fraternos e carinhosos.
            Em breve tempo, sua epiderme apresentava, igualmente, manchas violáceas e tristes. Ela compreendeu a sua nova situação e recordou a recomendação do Messias de que somente sabiam viver os que sabiam imolar-se. E experimentou grande gozo, por haver levado aos seus companheiros de dor uma migalha de esperança. Desde a sua chegada, em todo o vale se falava daquele Reino de Deus que a criatura devia edificar no próprio coração. Os moribundos esperavam a morte com um sorriso ditoso nos lábios, os que a lepra deformara ou abatera guardavam bom ânimo nas fibras mais sensíveis.  Sentindo-se ao termo de sua tarefa meritória, Maria de Magdala desejou rever antigas afeições de seu círculo pessoal, que se encontrava, em Éfeso.  Lá estavam João e Maria, além de outros companheiros dos júbilos cristãos. Adivinhara que as suas últimas dores terrestres vinham muito próximas; então, deliberou pôr em prática seu humilde desejo.   
            Nas despedidas, seus companheiros de infortúnio material vinham suplicar-lhe os derradeiros conselhos e recordações. Envolvendo-os no seu carinho, a emissária do Evangelho lhes dizia apenas:       -Jesus deseja intensamente que nos amemos uns aos outros e que participemos de suas divinas esperanças, na mais extrema lealdade a Deus!...
            Dentre aqueles doentes, os que ainda se equilibravam pelos caminhos lhe traziam o fruto das esmolas escassas e as crianças  abandonadas vinham beijar-lhe as mãos.
            Na fortaleza de sua fé, a ex-pecadora abandonou o vale, através das estradas ásperas, afastando-se de misérrimas choupanas. A peregrinação foi-lhe difícil e angustiosa. Para satisfazer aos seus intentos recorreu à caridade, sofreu penosas humilhações, submeteu-se ao sacrifício. Observando as feridas pustulentas que substituíam sua antiga beleza, alegrava-se em reconhecer que seu espírito não tinha motivos para lamentações.  Jesus a esperava e sua alma era fiel.
            Realizada a sua aspiração, por entre dificuldades infinitas, Maria achou-se, um dia, às portas da cidade; mas, invencível abatimento lhe dominava os centros de força física. No justo momento se suas efusões afetuosas, quando o casario de Éfeso se lhe desdobrava à vista, seu corpo alquebrado negou-se a caminhar. Modesta família de cristãos do subúrbio recolheu-a a uma tenda humilde, caridosamente.
            Madalena pôde ainda rever amizades bem caras, consoante seus desejos. Entretanto, por largos dias de padecimentos debateu-se entre a vida e a morte.
            Uma noite, atingiram o auge as profundas dores que sentia. Sua alma estava iluminada por brandas reminiscências e, não obstante seus olhos se acharem selados pelas pálpebras intumescidas, via com os olhos da imaginação o lago querido, os companheiros da fé, o Mestre bem-amado. Seu espírito parecia transpor as fronteiras da eternidade radiosa. De minuto a minuto, ouvia-se-lhe um gemido surdo, enquanto os irmãos de crença lhe rodeavam o leito de dor, com as preces sinceras de seus corações amigos e desvelados. Em dado instante, observou-se que seu peito não mais arfava. Maria, no entanto, experimentava consoladora sensação de alívio. Sentia-se sob as árvores de Cafarnaum e esperava o Messias. As aves cantavam nos ramos próximos e as ondas sussurantes vinham beijar-lhe os pés. Foi quando viu Jesus aproximar-se, mais belo que nunca. Seu olhar tinha o reflexo do céu e o semblante trazia um júbilo indefinível, O Mestre estendeu-lhe as mãos e ela se prosternou, exclamando, como antigamente:
            -Senhor!...
            Jesus recolheu-a brandamente nos braços e murmurou:
             -Maria, já passaste a porta estreita!... Amaste muito!  Vem!  Eu te espero aqui!

domingo, 18 de agosto de 2019

Calendário



18 de Agosto 

  Amor não cria problema,
Nunca censura ou reclama,
Trabalha e perdoa sempre
Sem pedir nada a quem ama.


 Targélia  Barreto
 por Chico Xavier 
in ‘Reformador’ (FEB)  Agosto 1970

Inspiraçoes - 11



Inspirações – 11
por Angel Aquarod
Reformador (FEB) Outubro 1923


INDICAÇÕES E CONSELHOS

Não olvideis nunca vós, os que sois espíritas militantes, que não somente quando vos pondes em comunicação com o mundo invisível o fazeis com inteligências livres e independentes dentro de certa relatividade, mas que o mesmo acontece nas vossas relações com vossos confrades. Por conseguinte, tendo isto em conta, deveis procurar que nas vossas organizações não imperem opiniões pessoais, irredutíveis; deveis antes procurar conjugar todas as opiniões com as palavras “Liberdade e Amor”. Amar é demonstrar na prática esse amor a todos; portanto, não intentar nunca cercear o menor dos direitos que todos os adeptos têm como irmãos especialmente os que compõem os organismos em que atueis mais diretamente.

Porém, se bem deveis ter para com todos essas legitimas considerações, também deveis atender a que as diferenças intelectuais e morais entre os vossos cooperadores são um obstáculo a que os desenvolvimentos das missões que cabem às coletividades espíritas, que se podem distinguir por sua importância representativa, têm que ser vários nos e não se podem confiar indistintamente a todos os associados, porque seu preparo e suas condições para atuarem com resultado são muitíssimo diversos.

É preciso, dada a missão reservada ao Espiritismo, que não se dispense nenhum dos adeptos; é preciso que todos possam abrigar-se sob o manto das organizações constituídas. Para isso, dos programas dessas organizações representativas devem constar taxativamente todos os desenvolvimentos e aplicações da ideia e para que as massas possam ter o alimento que lhes corresponde e a ocupação apropriada à sua capacidade dever-se-ia estabelecer estudos, atos diversos e ocupações dos fiéis e aplicações da ideia em concordância com essas massas; isto é, com seu estado intelectual e moral geral, com sua capacidade e com sua idiossincrasia.
           
Porém, além dessa massa, há e haverá alguns mais evoluídos, aos quais, nos organismos representativos e no labor geral da ideia, compete e competirá ocupar os lugares de maior destaque e responsabilidade do que os que cabem aos que a compõem. E o labor desses, em todos os sentidos, deverá ter caráter de elevação e transcendência.

Por isso, em todos os núcleos representativos de importância, se impõe e se imporá, cada vez mais no futuro, organizar os trabalhos de maneira que cada um se desenvolva em seu ambiente próprio.

Andaram acertadamente as instituições iniciáticas ao estabelecerem os diferentes graus e hierarquias que se elevam retas, e com a razão também se acham certas associações modernas, ainda que de base antiga, que igualmente têm seus graus e hierarquias. Isto, em realidade, quando para os acessos se observa o rigor e a justiça indispensáveis, a fim de não burlar a prática estabelecida pela instituição, não é antidemocrático, uma vez que dentro de cada centro de trabalho fica estabelecida a mais perfeita igualdade, que permite ocupem um mesmo plano intelectual e moral os seus componentes. Está isso dentro da mais estrita justiça e conveniência e em perfeita concordância com as leis naturais.

Para este ponto se deve chamar a atenção das hostes espiritas militantes, como já o têm feito os espíritos em várias ocasiões. E a vós não é esta a primeira vez que se vos fala de tal coisa. É preciso chamar a atenção para este assunto, porque já chegou o momento de pensar-se em uma mais perfeita organização das hostes espíritas; organização que a todos acolha e de todos aproveite a atividade, a todos alimente com o alimento espiritual que a cada qual corresponda e vele pelo progresso de todos e pela progressiva implantação do espiritismo no mundo, introduzindo o espírito de suas doutrinas em todos os organismos, instituições e costumes.

O perigo maior que oferece este intento, a princípio, é encontrar muito poucos que se submetam aos novos métodos de trabalho e desenvolvimento de ação; porém isso se pode resolver, procurando-se que os poucos que estão dispostos a intentar a aclimação do que exponho, no campo espírita, não desanimem às primeiras contrariedades, mas sigam avante, sejam elas quais forem, ainda que só fiquem três em qualquer sessão ou grupo que se dedique a labores especiais.

Devem estes poucos, quando se contemplem na sua relativa solidão, lembrar-se de que o Cristo disse que estaria onde dois ou três se reunissem em seu nome. Pois bem, tenham a certeza de que, se são somente dois ou três reunidos em nome de Jesus, isto é, em nome do progresso universal, do bem de todos os seres, com eles estará o auxílio divino e que, regado com esse auxilio, o grão que depositam na terra ingrata dos homens indiferentes frutificará no devido tempo. Pensem que todos os princípios das grandes coisas são assim. Jesus começou com doze pobres pescadores e se impôs ao mundo; a semente é um ponto quase invisível e, depositada na terra, dela nasce uma árvore gigantesca. Assim, que os espíritas se persuadam de que devem caracterizar os organismos a que pertencem, de conformidade com as ideias que deixo expostas. Ainda que sejam em começo pouquíssimos, tenham a certeza de que, se persistirem no seu labor solitário e silencioso, conseguirão impor-se e conduzirão o Espiritismo pelos caminhos regulares por onde convém que seja conduzido de acordo com a inspiração dos Diretores invisíveis da evolução.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Elogio vs Censura



“Não concluas que seja modesto um homem, por haver baixado os olhos em face do elogio! Nada mais comum, nada mais fácil, nem mais falacioso! Repara de preferência se ele baixa a cabeça diante de uma crítica justa! Podes aplicar a ti mesmo a regra. Como suportas a censura? Tudo se resume nisso. Raros são aqueles cuja modéstia resiste à experiência.” C. Wagner em “O Amigo”.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Esmagamento do Mal



Esmagamento do Mal
Emmanuel por Chico Xavier
Reformador (FEB) Fevereiro 1943


“E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés."  
Paulo, Romanos, 16:20.

É certo que em toda parte do planeta terrestre se poderá reconhecer a luta sem tréguas entre o bem e o mal. O grande conflito se manifesta sob as mais diversas formas e, no turbilhão de seus movimentos, muitas almas sensíveis se conservam, de modo invariável, na atitude de invocação aos gênios tutelares dos seus destinos, para que estes venham à arena combater os inimigos e prostrá-los de vez.

Solicitar auxilio, recorrer à lei de cooperação, representam atos louváveis do Espírito, que reconhece a fraqueza própria; mas, insistir para que outrem nos tome o lugar no esforço que nos cabe despender, constitui falsa posição, suscetível de acentuar as nossas necessidades.

Satanás, como representação do mal, na vida humana, tem de ser esmagado por Deus, mas Paulo de Tarso define com bastante clareza o local da vitória divina. O triunfo supremo se verificará sob os pés do homem. Quando a criatura, pela sua dedicação ao trabalho iluminativo, se entregar ao Pai, sem reserva, cumprindo-lhe
a vontade sacrossanta, com esquecimento do velho egoísmo animal, apreendendo a grandeza de sua posição de espírito eterno, ter lhe a chegado o dia da vitória santa.

Deus já se entregou aos seus filhos, porém raros filhos se entregam a Deus. É preciso não esquecer que o mal não será eliminado a esmo, mas sim debaixo dos pés de cada um.

Fortaleza



Fortaleza
Emmanuel por Chico Xavier
Reformador (FEB) Fevereiro 1943

"Sabei que a tribulação produz a fortaleza." (Paulo, Romanos, 5:3).

Quereis fortaleza? Não vos esquiveis à tempestade.

Muita gente pretende robustecer-se ao preço de rogativas por evitar serviços ásperos. Chegada a oportunidade sublime de testemunhar, os crentes internam-se, de maneira geral, nos caminhos largos de fuga ao trabalho e, com semelhante atitude acreditam-se fortes e confiantes. Entretanto, mais dia menos dia, surge a ocasião dolorosa em que abrem falência à confiança. Julgam-se perseguidos, abandonados, ao léu da sorte.

Essas impressões, todavia, nascem da ausência de preparo espiritual. Esqueceram-se os imprevidentes que a tempestade tem certas funções educativas que é imprescindível não menosprezar. A tribulação é a tormenta das almas. Ninguém deveria olvidar lhe os benefícios.

Quando a verdade brilhar, nos caminhos da criatura, ver-se-á que dificuldades, obstáculos, sofrimentos não representam espantalho para os homens, mas sim quadros preciosos de lições sublimes, que os aprendizes sinceros nunca podem esquecer.

Que seria da criança sem a experiência? Que será do Espírito sem a necessidade? A tribulação é a força que compele à dilatação de poderes, ao alargamento de caminhos. É preciso conservar-se de pé o homem, desassombradamente, a despeito das rajadas destruidoras e dos golpes violentos, avançando ao encontro dos sagrados os objetivos da vida. Vida nova felicitar lhe á então a esfera intima, conduzindo-o, desde a Terra a gloriosas ressurreições no plano mental.

Escutai as palavras de Paulo e vivei-as! Ai daqueles que se deitarem sob a tempestade! As correntes sujas do aguaceiro poderão sufoca-los, projetando-os no fundo do abismo.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Inspirações - 10



Inspirações – 10
por Angel Aquarod
Reformador (FEB) Outubro 1923

VISANDO A FRATERNIDADE ESPIRITA

Queridos meus: Cumprindo a missão que me impuserem, e por mim aceita com a máxima satisfação, continuemos ocupando-nos com o que interessa à boa marcha do Espiritismo.

Não se pode exigir dos adeptos da Nova Revelação, nem tampouco dos de qualquer outra escola, um proceder impecável. Isso está fora do alcance do homem atual, por mais evoluído que se ache e por maior que seja sua vontade de progredir. Porém, aos espíritas se pode pedir que se esforcem, mais do que atualmente o fazem, para conformar seu proceder com a doutrina que professam.

A primeira coisa que vos deve prender a atenção e a de todos vossos confrades é a relação de perfeita fraternidade em que deveis estar uns para com os outros e umas para com as outras as coletividades.

Tomem para si os espíritas aquelas memoráveis palavras do Redentor do mundo, que constituíram o seu último mandamento: “Amai-vos uns aos outros, nisso conhecerão os homens que sois os meus discípulos, se vos amardes mutuamente como eu vos amei.”

Este mandamento divino geralmente o olvidais, o que é causa de imensa perturbação em vosso campo, impedindo maior esforço pelo desenvolvimento dos novos princípios, pois que não se pode confiar labores de ordem mais elevada, que esperam ocasião oportuna, a servidores que realizam com sensível imperfeição a tarefa que lhes cabe, não porque lhes falte aptidão para aperfeiçoá-la, mas porque se deixam dominar por baixas paixões, que deveriam estar extintas para sempre, para sempre sepultadas nas profundezas do panteão do olvido.

Quando conseguirá a família espírita viver em completa e exemplar fraternidade? Longe está o dia em que isso se possa conseguir. Outros Espíritos terão que incarnar na terra e que invadir as fileiras espíritas trazendo muito desenvolvido o sentimento da fraternidade, a fim de indicarem o verdadeiro rumo para a solução de todas as vossas questões, encaminhando-as a porto seguro, estabelecendo o padrão que deverão imitar nas suas relações os adeptos e os núcleos coletivos. Os adeptos atuais reencarnarão novamente, para seguir o exemplo que verão implantado, aproveitando melhor que agora as lições dos grandes Mestres.

Estais atualmente executando um labor de aprendizes aliás pouco adiantados. Esse labor é o que corresponde ao atual estado do Espiritismo e o que hoje se pode conseguir na terra, dado o modo de ser da sociedade contemporânea. Quando chegar a hora, os obreiros fieis e práticos no bom labor serão escolhidos e se confundirão com os espíritos superiores, que hão de implantar os novos moldes. Os outros, por ineptos ou infiéis, serão excluídos, ficando, porém, como servidores de última categoria, para desempenhar funções subalternas. Porque, sempre, e em toda a espécie de organizações, são necessários espíritos dessa categoria, os quais, exercitando-se nos trabalhos que lhes são adequados, aprendam com os Mestres e se tornem aptos a prestar serviços úteis, de acordo com a capacidade e os merecimentos que vão adquirindo.

Mas, a era em que tudo isso se dará poderá ter seu advento mais ou menos apressado, na medida em que os espíritos que se forem sucedendo, aproveitarem dos ensinamentos do Espiritismo, para por este pautarem seu proceder.

O que mais urge, pois, nas fileiras espíritas, para apressar o advento desse período que anunciei, é o desenvolvimento do sentimento da fraternidade, que abrange o da mais completa benevolência.

Entre os espíritas de todos os países se nota uma espécie de desconsideração, até mesmo de desprezo, pelos confrades que dissentem do modo de apreciar certos pontos doutrinários, que se entregam a determinadas práticas, ou que carecem da cultura de que os outros se julgam possuidores. E o que ocorre no terreno individual, ocorre também na ordem coletiva.

0s que se consideram com maiores possibilidades intelectuais olham com verdadeira indiferença, quando não com censurável desdém, para os que se lhes afiguram mais ignorantes. Os que colocaram a razão como Senhora absoluta do seu modo de apreciar, rendendo-lhe culto de Deusa, têm por fanáticos quantos creem no que se lhes ensina, sem fazerem trabalhar muito a inteligência na análise da doutrina e práticas que se lhes mostrem como indispensáveis, necessárias ou recomendáveis á do Espiritismo.

As coletividades, em geral, se olham como rivais, presas de fanatismos censuráveis, em luta com a razão e o bom senso. Todas se julgam as únicas organizadas conforme a reta doutrina espírita e consideram as práticas que adotam como as melhores, reprovando as preferidas por outras entidades, desde que sejam diversas.

E assim é em todos os aspectos que oferece a vida espírita. Esta má predisposição para a fraternidade e para a benevolência aproveita-a o espírito da discórdia que inspira a umas e outras coletividades o isolamento, fomentando, primeiro, antagonismos irredutíveis.

Tudo isso é necessário que acabe, devendo contra isso reagir os que estão à frente das coletividades espíritas, as quais precisam pôr-se em guarda contra as perversas sugestões do espírito de discórdia, representado por algumas entidades que se comunicam em suas respectivas sociedades.

Porém, tal coisa não se conseguirá, se não se procurar que o sentimento religioso domine em todas as manifestações individuais e coletivas; mas, sentimento bem sentido, não de pura formula. Com esse sentimento, não se excluirá a oração, antes se apelará para ela e, mediante esse entendimento com a Divindade e as Potências superiores, se conseguira tirar todo o poder ao espírito da discórdia. Com o sentimento religioso se desenvolverá paralelamente o de fraternidade e então a benevolência se instalará nos corações espíritas. Com o sentimento de fraternidade e a benevolência inspirando todas as relações individuais e coletivas, forçosamente se logrará a orientação mais conveniente ao progresso do Espiritismo.

Pode-se, pois, considerar completo o fracasso de todos quantos, militando no campo espirita, não levam em conta estes fatores no desenvolvimento e prática do ideal. São valores perdidos, inúteis, para o cumprimento da missão que lhe está reservada.


Cura de um doente


Cura de um Doente                  

14,1  Jesus entrou num sábado na casa de um fariseu notável, para uma refeição. 
14,2 Havia, ali, um homem hidrópico. 
14,3 Jesus dirigiu-se aos doutores da lei e aos fariseus: “ -É permitido ou não fazer curas nos dias de  sábado?” 
14,4  Eles nada disseram. Então, Jesus, tomando o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 
14,5  Depois, dirigindo-se a eles, disse: “ -Qual de vós que, se lhe cair um jumento ou um boi num poço, não o tira imediatamente, mesmo em dia de sábado?” 
14,6 A isto, nada lhe podiam replicar.
* Hidropsia - Acumulação anormal de um líquido seroso em alguma parte do corpo.


             Para Lc (14,1-6) -Cura de um Doente  - cabe   recorrer   a   Antônio   Luiz   Sayão,    em “Elucidações Evangélicas”:

            “O hidrópico fora levado à presença de Jesus pelos doutores da lei, pelos escribas e fariseus, para verem se o apanhavam em culpa, ou por violar o sábado, caso, cedendo aos piedosos impulsos do seu coração, o curasse naquele dia, ou por faltar à caridade, se, para guardar escrupulosamente o sábado, não o fizesse. Porém, Jesus, que lhes lia no íntimo os pensamentos, efetuou a cura, inibindo-os de formular contra Ele qualquer acusação, mediante as perguntas que lhes dirigiu e a que eles se viram impossibilitados de responder.

            Quanto à cura, o Mestre a operou, como todas as outras que os Evangelhos registram, pelo poder da sua vontade, exercendo sobre o doente uma ação magnética, que lhe saturou o organismo dos fluidos apropriados a restabelecer ali o equilíbrio desfeito.

            A hidropsia tem a sua causa num empobrecimento do sangue, cujo quilo diminui, sendo substituído pelas partes aquosas que ele contém, devido isso a uma alteração dos princípios vitais, por efeito de privações ou de excessos.

            Bem dirigida, a ação magnética humana pode deter os progressos dessa decomposição do sangue e mesmo fazê-la cessar; mas, só com tempo e perseverança, porquanto os instrumentos ainda não são bastante puros, para não alterarem ou apoucarem, pelo seu contato, os fluidos de que possam dispor.

            Jesus, magnetizador perfeito, empregava os princípios curativos em toda a sua pureza e, conseguintemente, no máximo grau de eficácia.

            Não diz o evangelista que a tumefação produzida pela enfermidade cessou inopinadamente; diz apenas que a enfermidade foi curada. Significa isso que a causa do mal foi destruída, restabelecendo-se o equilíbrio como conseqüência da ação magnética exercidas, da ação dos fluidos de que Jesus impregnava o organismo do enfermo.

            O mal chegara a uma de suas últimas fases e a fraqueza obstava a que o hidrópico fizesse qualquer esforço. Jesus, entretanto, o mandou embora. É que lhe deu forças, para se retirar, e esse era o prenúncio da cura visível: a desinchação.”

           


domingo, 11 de agosto de 2019

Inspirações - 9



Inspirações – 9
por Angel Aquarod
Reformador (FEB) Setembro 1923

PARA PREPARAR O FUTURO DO ESPIRITISMO

Sinto intenso prazer de poder conversar convosco breves instantes, sobre assuntos que afetam a doutrina que professais, à qual teria também eu servido, na terra, se houvesse podido prolongar meus dias. Porém, à falta disso, sigo daqui o curso do progresso espírita e me comprazo em contribuir para ele na medida do que posso, deste lado.

E daqui, os que estamos dedicados a esta tarefa, prevemos coisas, para o futuro, que não podeis prever. Por isso, pude dizer-vos que o Espiritismo reserva, no porvir, muitas surpresas, tanto a seus adeptos, como aos que hoje são profanos, muitos dos quais se tornarão, em tempo talvez não distante, adeptos fervorosos.

Atualmente, existe, no campo espírita, no que respeita à orientação da marcha do ideal, a aplicação deste ao modo de obrar dos indivíduos e ao da coletividade, uma diversidade enorme de sentir, uma verdadeira anarquia. É o que ocorre sempre em todas as ordens de manifestações do espírito, quando ainda não é possível uma orientação definida relativamente aos processos a empregar-se para converter em obra as teorias.

É natural que não exista entre vós uniformidade de critério, em todos os aspectos da ideia, nem em todos os métodos para seu cultivo; é natural a desorientação de que vos lamentais; porque tudo isso obedece ao regular desenvolvimento do ideal, está plenamente no modo de ser da atual etapa que atravessais. Mas, assim não o considera a maioria, por suporem os que a compõem que, seguindo-se a opinião destes ou daqueles, se conseguirá chegar à uniformidade de métodos, a regularizar os processos de desenvolvimento. Para chegar-se a tal resultado, cada um teria de abrir mão do seu modo de apreciar as coisas, para adotar um só dos métodos encomiados (recomendados). Tal processo, porém, é inexequível.

Todavia, lá se chegará, mas por processos que não imaginais, nem podeis imaginar ainda e que ainda não vos podemos revelar, porque seria prematuro. Se fizéssemos, em vez de facilitarmos o regular desenvolvimento do ideal, o perturbaríamos, pois que vos desviaríamos da missão que cada um de vós deve
atualmente desempenhar, desempenhando a tarefa que vos cabe no labor comum. Depois que cada um tenha executado o labor que lhe corresponde, depois de bem preparados a família espírita e o mundo profano, quando já não haja perigo de desvio, então aparecerá, entre vós, a fórmula salvadora. Até lá, conformai-vos com o fazerdes obra de preparação, com o serdes precursores, pelo vosso trabalho, do labor mais perfeito que em seguida será levado a efeito e dos grandes espíritos que encarnarão na terra para fixar a orientação definitiva. 

Não obstante o que venho de dizer, posso adiantar que está reservado ao Espiritismo unir seu labor ao de quantos, sem exclusivismo, se esforçam, visando o futuro, por conseguir para o gênero humano uma religião que abarque todas as existentes, que a nenhuma rechace, realizando a unidade de crenças, já anunciada aos homens desde tempos imemoriais e que o Cristo patrocinou em seus elevados ensinamentos.

Já vedes que ainda estais distantes do ponto que deveis atingir, embora da vossa doutrina conste que ela objetiva esse elevado propósito. Contudo, se da realização desse desideratum se conserva afastado o Espiritismo, não é porque coisa alguma, em a sua doutrina, que é verdadeira, a isso se oponha, mas pela idiossincrasia da maioria de seus adeptos, que estão ainda muito longe de encarnar em si tão alto ideal.

Para preparardes o advento de uma era em que exista uma religião que a nenhuma outra repila e que a todos ampare e justifique, religião essa vinculada precisamente no Espiritismo, tereis de começar compreendendo quanto precisa que se modifique o atual modo de pensar de seus adeptos. De suas mentes tem que desaparecer toda ideia de agressão a qualquer outro credo. Cumpre considerem que todos são necessários, porque representam sendas diversas apropriadas às necessidades dos espíritos que nelas militam para ascender a Deus.

Quando os espíritas compreenderem isto, o Espiritismo será respeitado e será aceito por todos sem dificuldade alguma.

A hostilidade atual se há de tornar benevolência e respeito.

Disto estais, como já vos disse, muito distantes ainda; porém, já é tempo de preparardes o terreno.

Preciso é para isso que se comece por casa, acostumando-se todos os adeptos ao respeito mútuo e a considerar que, dentro do próprio Espiritismo é forçoso que existam muitas sendas diferentes para ascender-se às culminâncias de seu conhecimento.

O Espiritismo deve acolher em seu seio, dadas as várias tendências que nele existem, todos cujo sentir corresponda a essas tendências. Deve preparar-se para ser de todos, sábios e ignorantes, bons e maus, pobres e ricos, e para contar em seu seio gente de todas as condições, de todas as raças e de todas as nações do mundo.

Assim sendo, deverá formular o seu credo de maneira que ninguém fique excluído e haja, no seu seio, possibilidade para o desenvolvimento de todas as faculdades intelectuais e morais de que é susceptível a alma humana.

Por isso, todos os exclusivistas terão de retificar radicalmente seu critério, pois o exclusivismo, dentro da vossa doutrina, lhe acarretaria a morte.  

Deve tender para seu fim a era dos exclusivistas de escola, porque esses exclusivismos já não correspondem ao grau de evolução alcançado pelos espíritos que no futuro formarão a maioria da humanidade terrestre. Porém, como não será possível excluir os atrasados e eles são por si mesmos exclusivistas, haverá necessidade de uma organização em que eles não fiquem de fora. Bastará que não se lhes permita - tirando-se lhes toda possibilidade de fazê-lo exercer, na sociedade, a influência que exerceram em passa os séculos e que ainda hoje exercem.

Tarefa longa tendes e não espereis que se vos dê tudo feito, pois vos cabe a missão de estudar tudo para colherdes os conhecimentos que esses estudos vos podem proporcionar, sendo isto precisamente o de que vos incumbiram vossos mestres do espaço para que sejais seus instrumentos entre os homens.

Preparai-vos, pois, para acolher em vossas fileiras todo aquele que se vos chegue, seja qual for sua condição e o grau de sua evolução, colocando-o no lugar que lhe é próprio e dando-lhe o alimento que seu estado requer.

Alimento e lugar para todos, entendei-o bem. Se o Espiritismo não adotasse esta fórmula necessária, remédio não haveria senão confiar a outra escola a missão que ele deve desempenhar. Porém, não haverá necessidade disso, porque é providencial que ele reúna todos os espíritos numa só ala e num só pensamento. E, para que assim seja, não faltarão espíritos escolhidos que passarão a militar em seu seio, a fim de cumprir este desígnio divino.