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domingo, 30 de setembro de 2018

Podemos evocar os espíritos?



Podemos evocar os Espíritos?
Jarbas Leone Varanda
Reformador (FEB) Maio 1994

                Está surgindo em determinados órgãos da imprensa espírita uma discussão que reputaríamos acadêmica, se não víssemos a ação sutil das trevas visando atacar a obra mediúnica de CHICO XAVIER: é a questão da EVOCAÇÃO DIRETA dos espíritos. Podemos ou não evocar diretamente os Espíritos? Levantou-se a celeuma em razão de comunicações dadas pelos Espíritos André Luiz e Emmanuel DESACONSELHANDO tal prática em nosso intercâmbio mediúnico, mais particularmente nas sessões práticas de desobsessão. Mais ainda, segundo alguns articulistas, como Josué de Freitas, tal desaconselhamento estaria enfraquecendo as nossas Casas Espíritas no tratamento das obsessões, e mais do que isto, contrariando ALLAN KARDEC, principalmente no Capítulo XXV de “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, quando cuida da matéria, justificando as evocações.
            Sem qualquer intenção de polêmica, mas tão somente de chamar a atenção para o ataque ao mais fiel continuador de Kardec, afirmamos que NÃO EXISTEM CONTRADIÇÕES entre o pensamento de André Luiz e Emmanuel e o do Codificador. Aqueles Benfeitores Espirituais não afirmam que não podemos evocar os Espíritos, mas apenas DESACONSELHAM tal prática pelos inconvenientes que as evocações podem trazer. Assim, André Luiz em “Desobsessão” aconselha que os médiuns esclarecedores não devem CONSTRANGER os médiuns psicofônicos, atentos ao preceito da ESPONTANEIDADE. No mesmo sentido Emmanuel, nas Questões 369 e 380 de “O Consolador”, salientando que, se Kardec se interessou pela EVOCAÇÃO DIRETA isto se deu em razão da TAREFA EXCEPCIONAL do Codificador, aliada às NECESSIDADES e aos MÉRITOS distantes da esfera de atividades dos aprendizes comuns!
            Realmente, não podemos nos esquecer de que KARDEC estava numa TAREFA ESPECIAL, como Codificador, dotado de uma AUTORIDADE MORAL e com respaldo numa ASSESSORIA espiritual da falange do ESPÍRITO DE VERDADE que lhe davam CONDIÇÕES EXPERIMENTAIS excepcionais, até mesmo para fazer EVOCAÇÕES necessárias, condições essas ESPECIALÍSSIMAS que não mais se repetiriam na história do Espiritismo!...
            Vale considerar, ainda, que Allan Kardec, depois de justificar as evocações, mostra-nos que tais práticas, se são passíveis de ÊXITO, os inconvenientes e os obstáculos são muito frequentes, com a possibilidade das mistificações, afirmando que as comunicações espontâneas não têm tais inconvenientes, quando controlamos os Espíritos e temos a certeza de não deixar que os maus venham a dominar. É o Codificador que nos fala no item 272 do Cap. XXV de “O LIVRO DOS MÉDIUNS”:
            “Frequentemente, as evocações oferecem mais dificuldades aos médiuns do que os ditados espontâneos, sobretudo quando se trata de obter respostas precisas a questões circunstanciadas. Para isto, são necessários médiuns especiais, ao mesmo tempo flexíveis e positivos e já (...) vimos que eles são raros.”(o primeiro grifo é nosso; o segundo é do original.)
            Já no item 275 do mesmo Capítulo, Kardec enumera as causas que se podem opor à manifestação dos Espíritos, e são decorrentes do próprio Espírito ou estranhas a ele. No primeiro caso, cita as OCUPAÇÕES e MISSÕES que estejam desempenhando, por exemplo, como impedimentos. No segundo caso, cita as concernentes à NATUREZA do médium, à CONDIÇÃO da pessoa que evoca, ao MEIO em que se faz a evocação e, por fim, ao FIM a que se propõe. E no item 277, Kardec sintetiza o assunto dizendo que “a faculdade de evocar todo e qualquer Espírito não implica para este a obrigação de estar à nossa disposição (...)”.
            Para tudo isto, fácil se torna concluir que:
a)         conforme vimos, nossos Benfeitores André Luiz e Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier, não contrariam a Codificação, pois APENAS ACONSELHAM e aconselhar não significa proibição e nem negação do pensamento kardequiano;
b)         que a ESPONTANEIDADE deve ser a tônica de nosso intercâmbio mediúnico, valendo a afirmativa de que “o telefone deve tocar de lá para cá e não daqui para lá”.
            Vamos nos lembrar de depoimento recente de Stig Roland Ibsen:

            “Já ouvi pessoalmente de Francisco Cândido Xavier que Allan Kardec evocava os Espíritos porque tinha condições morais para isso. Chico disse que não se sente com a elevação necessária para tanto e por isso não evoca. Esta é também a minha posição em relação ao tema.”

                Concluindo: PODEMOS, sim, evocar os Espíritos, mas NÃO DEVEMOS, no melhor entendimento daqueles Benfeitores Espirituais!...


Unidade de Tarefa



Unidade de Tarefa
Guillon Ribeiro
por Gilberto Campista Guarino
Reformador (FEB) Nov 1976

Impossível servir a Deus e a Mamon, conquanto seja o mundo de César um meio de alcançarmos as realizações supremas do Espírito.

Ninguém deve arvorar-se a posição de acusador, seja em que campo seja, uma vez que o juízo pelo homem retornará sobre ele, inevitavelmente.

Pautemo-nos pela ação nobre expressa no verbo servir. Como integrante do Amor, não estipula credos, raças, usos e costumes, mas se aplica a responder, no exemplo, ao anseio de esclarecimento inerente ao próprio ser.

Entendendo, com as almas amigas, aqui em quotização de forças para o trabalho com Jesus, que a exclusão de Mamon de nossas cogitações é matéria
pacífica; e que, assim também, o entendimento de César como meio natural a nossa condição - e não como um fim em si - de alcançarmos o Bem é produto da observação seguida em experimentações múltiplas, em vidas sucessivas, ressalta o serviço como técnica das técnicas, útil e aplicável a todas as situações em que nos achemos.

Servir - o grande impulso. No entanto, aponte-se, não raro o impulso da paixão tem início nas impressões do Amor, no campo do mundo. Servir, assim, não exclui prudência e estudo, para benefício de todos.

Considerando nosso aspecto de exceção na ordem imperecível, todos os impulsos partem das profundezas do Espírito, mas tendem, ao atravessarem as camadas superficiais de dogmas e preconceitos, no consciente prejudicado, a macular-se nos domínios da forma.

Assim, servir: impulso que deve ser canalizado, para a produção de bons frutos.

Comum se observarem os mais dignos valores envoltos no nevoeiro da tendência menos feliz, tornada efetiva pela desorganização de esquemas de trabalho. O mesmo se passa, às vezes, com as intenções mais nobres.

Deste modo, servir: impulso a ser canalizado nas diretivas da ordem. Esta, todavia, é a inspetora-chefe na escola do Amor, e, como tal, não pode marginalizar a bondade construtiva sem tender a estrangular-se a si mesma, degenerando em tirania avassalante.

Neste passo, servir: impulso a ser canalizado nas diretivas da ordem, em esquema anticorrosivo segundo o Amor.

TRABALHO ESPÍRITA - SERVIÇO PLANEJADO - PLANEJAMENTO ENÉRGICO EM SERVIÇO -  ENERGIA MAGNÂNIMA - PROFILAXIA DO DESGOVERNO ÍNTIMO - LIBERTAÇÃO DO HOMEM PELO SERVIÇO À HUMANIDADE.

É preciso servir com planejamento, ordem e Amor; é necessário planejar o serviço com disciplina e ternura; é mais que urgente disciplinar os impulsos no campo do serviço com Jesus, porque devoção ao Mestre é unidade de tarefa, e onde todos fazem o que querem quase ninguém faz o que deve.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

No silêncio da saudade



No Silêncio da Saudade
Fontes de Luz
por Hernani T. Sant'Anna
Reformador (FEB) Novembro 1976

O Céu não é insensível aos apelos aflitos dos corações que choram e sangram, na Terra, na saudade de seus amados, transferidos de plano pelo fenômeno da morte física.

Entretanto, na comunicação entre os dois mundos, precisam ser vencidas certas dificuldades de natureza emocional, psíquica e instrumental.

Muitas vezes o silêncio da saudade, na ausência aparente, é imposição de disciplina necessária e de amor legítimo, muito mais bondosa e justa do que poderá supor quem não possua maior conhecimento de causa.

Haja, pois, em cada um de nós, suficiente entendimento e humildade de coração, para agradecermos a Jesus as bênçãos misericordiosas que nos concede, até mesmo quando nos nega aquilo que imaginamos desavisadamente seja o melhor para nós.

Guardemos nosso coração em paz e estejamos certos de que é dentro de nossa própria alma que temos de ver e ouvir os que verdadeiramente amamos, cuja imagem e cuja voz' devem vibrar no imo de nós mesmos.

Todos precisamos adquirir, no bojo do tempo, a ciência da renúncia e do silêncio, para o acrisolamento do verdadeiro amor, aprendendo com a Natureza a construir permanentemente e sem alardes a grandeza da vida.

Formação de Equipe



Formação de equipe
Guillon Ribeiro por Júlio Cezar Grandi
Reformador (FEB) Novembro 1976        

O Espiritismo não é, como Paracleto, destinado unicamente a enxugar lágrimas, pensar chagas ou lenir temores. Acima de tudo, traz consigo a gloriosa missão de renovador do "eu", ensejando-nos abençoado afã de nossa redenção.

Prodigaliza-nos campo de esforço próprio, descerrando-nos a liberdade de consciência com que estamos responsabilizados face a nossas construções espirituais, sem nos exonerar do apoio recíproco, com o qual colaboraremos, uns com os outros, na renovação dos homens para a eternidade.

Traz-nos a Ciência e a Filosofia como fontes de indagação e pesquisa, orientação e certeza. Mas, oferta-nos, de igual modo, o Evangelho por desiderato de nossas vidas na marcha para a luz infinita, convocando-nos à semeadura de valores imperecíveis em nossa intimidade espiritual.

Entretanto, já imaginaste o Centro Espírita como uma usina de amplos benefícios, reclamando-nos cooperação eficiente quais peças indispensáveis aos mecanismos da luz em harmoniosa produtividade?

Busca, desta forma, despertar na consciência de teus companheiros de fé o senso do cooperativismo e da participação, evitando as lideranças autocráticas que não refletem, de modo algum, os princípios renovadores da Terceira Revelação.

Já vão distantes os gloriosos misteres de nossos antepassados, imolando-se, sozinhos, pela implantação do ideal, quais moirões de excelente decisão e férrea vontade, embasando os serviços da crença. Nosso lema, na atualidade, é congregar, reunir, para melhor servir a Jesus.

Enseja realização para teus companheiros de fé. A hora do despertamento vem soando para muitos corações nas lutas terrenas a demandarem os núcleos espiritistas como células vivas de trabalho cristão.

Permitir a cristalização da Causa em rotinas de experiências pretéritas é impedir a marcha do progresso que o Espiritismo enfaticamente proclama com seu lastreado bom senso.

A experiência humana avança com as conquistas científicas e, ao seu lado, marcha a Doutrina Espírita pelos trilhos evolucionistas.

Convoca participantes para as tarefas que se esbocem nos cenários da Instituição.     
      
É fato que a seara ainda é de poucos. Entretanto, somos, muitas vezes, aqueles que mais reduzimos o grupo dos lidadores fiéis, impedindo a incursão de novos cooperadores junto à Causa, por abraçar desmedida superproteção aos Negócios do Senhor que a Divina Providência supervisiona.

A hora presente é de intensa convocação às campanhas de esclarecimento dos homens. Grande é o número dos que deixam diariamente o casulo de carne, estupefaciados diante da realidade da vida.

Nossos irmãos desencarnados, em dificuldades emocionais, não dispensam, por agora, as reuniões de esclarecimento e auxílio. Entretanto, reconhecemos ser de maior eficiência a elucidação dos encarnados, os que permanecem com os pés na poeira do mundo, a fim de que o erro campeie em menor escala pelos escaninhos humanos, evitando maiores dificuldades no plano espiritual.

Falar aos desencarnados é remediar problemas. Mas, evangelizar encarnados será impedir o mutirão das trevas nos escombros do além.

Sei que febricitas de entusiasmo pelas tarefas do auxílio fraterno em nome da benemerência. Louvável, pelo esforço no amor ao próximo. Porém, não descuides de reservar nas acomodações da Casa Espírita alguns metros quadrados para uma assistência social diferente. Aquela desenvolvida em favor da Criança e do Jovem que um dia te substituirão nas lides administrativas da Instituição, comandando, também, o movimento espírita que defendes, na atualidade, com entranhada dedicação.

Elabora um estudo sistematizado da Doutrina que tanto admiras. Já arrolaste os livros de esclarecimentos doutrinários que vens relegando a segundo plano, negligenciando com os imperativos da leitura assídua e permanente, que visa a uma eficaz atualização de conhecimentos?

Já te ocorreu a elaboração de um plano de estudo e de ensino para os frequentadores da Instituição Espírita, atendendo, com igual interesse, crianças, jovens e adultos?

Quando os Espíritos do Senhor apontaram Allan Kardec como o Codificador da Doutrina, assentaram suas esperanças nas experiências de um eminente professor e didata, pedagogo e sociólogo, sábio e pesquisador, deixando aí, também, valiosa advertência para a posteridade.

Esforça-te, Amigo, por penetrar nos valores do conhecimento espírita.

Espiritismo pode ser fenomenologia de conforto espiritual. Entretanto, por terapia de Espíritos endividados, há de ser estudo e meditação, informação e ensino que favoreçam, continuamente, as indagações do raciocínio e do trabalho em favor do Espírito, construindo alavancas de Amor e Sabedoria que, de futuro, o reerguerá aos Cimos das bem-aventuranças.


sábado, 22 de setembro de 2018

Diante de Deus



Diante de Deus
Emmanuel por Chico Xavier
Reformador (FEB) Agosto 1954

Para Jesus, a existência de Deus não oferece motivo para contendas e altercações.
Não indaga em torno da natureza do Eterno.
Não pergunta onde mora.
N'Ele não vê a causa obscura e impessoal do Universo.
Chama-Lhe simplesmente “nosso Pai”.
Nos instantes de trabalho e de prece, de alegria e de sofrimento, dirige-se ao Supremo Senhor, na posição de filho amoroso e confiante.
O Mestre padroniza para nós a atitude que nos cabe, perante Deus.
Nem pesquisa indébita.
Nem inquirição precipitada.
Nem exigência descabida.
Nem definição desrespeitosa.
Quando orares, procura a câmara secreta da consciência e confia-te a Deus, como Nosso Pai Celestial.
Sê sincero e fiel.
Na condição de filhos necessitados, rendamo-nos lealmente.    
Não perguntes se Deus é um foco gerador de mundos ou se é uma força irradiando vidas.
Não possuímos ainda a inteligência suscetível de refletir-lhe a grandeza, mas trazemos o coração capaz de sentir-lhe o amor.
            Procuremos, assim, Nosso Pai, acima de tudo, e Deus, Nosso Pai, nos escutará.

Jerusalém! Jesuralém!



Jerusalém! Jerusalém!
Vinélius de Marco (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Agosto 1951

Continuamos a receber com evangélica paciência, dispostos sempre ao perdão, as atitudes nada cristãs do clero católico. A Humanidade não desconhece o grande e luminoso espírito que foi Francisco de Assis, frade italiano, que os católicos canonizaram em 1228. Vejamos como os pretensos seguidores de Jesus, na ambiência clerical católica, se distanciam de Francisco de Assis.

Enquanto o clero nos chama de cínicos (“Nem podemos imaginar maior cinismo do que o dos espíritas quando, não obstante, continuam a proclamar, em todos os seus livros e jornais, que “o Espiritismo e o Cristianismo ensinam a mesma coisa” fugindo inteiramente ao espírito de tolerância e amor manifestados pelo Cristo, Francisco de Assis, S. Francisco de Assis, tem as seguintes palavras em uma de suas preces: "Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz; onde haja ódio, consenti que eu semeie amor; perdão, onde haja injúria." Percebe-se a diferença de sentimentos e de linguagem. Naturalmente, também a diferença de vibrações espirituais, porque Francisco de Assis de fato exprime o pensamento cristão, enquanto aqueles outros, que se dizem proprietários da Verdade, ofendem a majestade da moral cristã com ideias e expressões de revolta.

Curiosamente, diz o clero: "Sejamos, portanto, integralmente cristãos. Sigamos o Cristo, Evangelista da caridade." Mas, como, se começam por demonstrar que são integralmente anticristãos? Como podem seguir o Cristo, que reconhecem como "Evangelista da caridade", se persistem em faltar aos mais comezinhos princípios de caridade, negando o “amor ao próximo”? Tudo é facilmente compreensível: não é o Cristianismo que eles defendem, porque não pode haver defesa do que não é atacado nem
ameaçado, mas respeitado e reverenciado, como fazem os espíritas, verdadeiramente discípulos de Jesus e colaboradores da grande obra em prol do Espiritismo, o Cristianismo redivivo.

Depois de dizerem como devem ser tratados os “pertinazes e obstinados adeptos da
doutrina espírita” (graças a Deus que eles o reconhecem, porque isso evidencia a grande sinceridade da nossa crença e a fé irresistível de nossa fé), aponta-nos o caminho dos infernos, esquecidos de que, por maior boa vontade que demonstremos, não nos será possível ocupar o lugar que de direito lhes pertence... Mandam os caridosos opositores do Espiritismo que os espíritas sejam declarados "infames” e insinuam sejamos tratados como feiticeiros e tiradas nossas vidas, citando trechos adrede escolhidos: "Não deixarás viver os feiticeiros"...

Como eles se distanciam do boníssimo Francisco de Assis que dizia, compenetrado da verdade cristã que seus pretensos seguidores ainda não compreenderam: "Divino Mestre, permiti que eu não procure tanto ser consolado quanto consolar; ser compreendido quanto compreender; ser amado quanto amar, porque é dando que recebemos; perdoando é que somos perdoados."

Não entendem Jesus, esses que se referem aos espíritas com ódio no coração. Que Deus deles se apiede e os perdoe porque, quanto mais falam no Cristo, menos cristãos se mostram, uma vez que o Nazareno pregou: "Como o Pai me amou, assim também eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardares os meus mandamentos, permanecereis no meu amor”. Está provado que os nossos rancorosos adversários não guardam os mandamentos de Jesus, porque desferem anátemas contra os que não comungam com as suas ideias. Portanto, se não guardam os mandamentos de Jesus, não estão em seu amor, não permanecem no amor do Cristo. Esqueceram-se, há muito, das palavras de Jesus: ''Este é o meu mandamento, que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando." Mas Jesus não determinou que os seguidores ou supostos seguidores de sua Doutrina amassem somente a seus amigos, tanto que esclareceu: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” Em outra oportunidade fora incisivo: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos maldizem, orai pelos que vos insultam."

Que têm feito os espíritas, senão demonstrar amor aos que os atacam ferozmente '? Esse amor evidenciamo-lo com o interesse singelo de mostrar-lhes as palavras de Jesus, para que se convençam da verdade e não persistam no erro. Assim procedendo, demonstramos amor e fazemos o bem aos que nos odeiam quando apenas desejamos dar cumprimento às lições de Jesus, através da Terceira Revelação. Bendizemos as expressões amargas, cheias de fel, com que o clero procura atingir-nos, pois, desta forma, nos apegamos mais e mais à nossa Doutrina e tornamos o Espiritismo ainda mais forte com o robustecimento incessante da nossa fé. Por fim, sempre, em nossas preces, pedimos a Deus misericórdia para os nossos inimigos, isto é, para aqueles que se dizem e o afirmam por palavras e atos serem nossos inimigos por nos não nos consideramos inimigos de ninguém. Cotejamos as nossas ações com as ações dos que nos combatem, as nossas palavras, com as palavras dos que se enraivecem ao pensar em nós.

Façamos sempre assim, ó espíritas, pregoeiros do vero Cristianismo, do Cristianismo cheio da humildade e do amor de Jesus, do Cristianismo puro que está no Evangelho, e perdoemos ao clero católico, antes e depois do VI Congresso Eucarístico Nacional de 1953, porque eles, segundo suas próprias palavras, que revelam alarme ante o progresso do Espiritismo, estão desorientados e desejam "opor um dique à expansão da heresia espirita nos meios católicos do Brasil". Pretendem, como dizem, "desmascarar a Doutrina Espírita". Isto é impossível, porque nossa Doutrina foi revelada do Alto, traz a proteção de Deus e está sob o amparo de Jesus. O Espiritismo veio para evitar, justamente, que eles destruíssem o Cristianismo, pois, acima de dogmas mofados e superstições destinadas a embair povos ainda sem o necessário esclarecimento espiritual, os grandes Espíritos da Seara de Jesus, entre os quais Ismael, patrono da Federação Espírita Brasileira, Emmanuel e muitos outros; têm dirigido e orientado o benemérito serviço de elucidação religiosa iniciado com o apostolado de Allan Kardec.

Elevando o nosso pensamento a Jesus, pedimos ao Mestre que perdoe aos que se desviam do caminho traçado no Evangelho, e repetimos, com Francisco de Assis, com vistas ao clero católico este trecho da amorosa prece deste luminoso Espírito: "Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz: onde haja ódio, consenti que não procuremos tanto ser consolados, quanto consolar; ser compreendidos, quanto compreender; ser amados, quanto amar. Porque é dando que recebemos; perdoando é que somos perdoados; e morrendo é que nascemos para a Vida Eterna."

É do Evangelho (Mateus, 23:37, 38) esta advertência do Mestre: "Jerusalém, Jerusalém! que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar teus filhos como uma galinha ajunta os do seu ninho debaixo das suas asas, e tu não o quiseste!

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Provérbio de Salomão



Provérbio de Salomão
João de Deus
Reformador (FEB) Agosto 1951

Vigiai, diz Salomão,
Noite e dia o coração,
Que é dele que provém
Todo o mal e todo o bem.

Katie King







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        Fotos de Florence Cook e de Katie King

Annie Owen Morgan
Christiano Agarido (Ismael Gomes Braga)
Reformador (FEB) Maio 1951


           
Se nos resta dívida de gratidão aos Espíritos livres que voluntariamente se submetem ao sacrifício de mergulhar na atmosfera penosa e espessa da Terra para nos erguer, temos que gravar indelevelmente nos corações a lembrança de uma dama que viveu aproximadamente de 1640 a 1663, nos tempos mais agitados da História da Inglaterra e que se chamou, entre seus contemporâneos, Annie Owen Morgan mas entrou para a História do Espiritismo com o pseudônimo de Katie King, cerca de duzentos anos depois dessa encarnação aventurosa do século XVII.

Não resgatou a história do século XVII a sua existência: o pouco que sabemos a seu respeito nos foi revelado por ela mesmo, 200 anos mais tarde, numa série de sessões de materializações realizadas em Londres, com o máximo rigor de fiscalização e relatadas por uma dezena de pessoas da máxima responsabilidade social, científica e moral. Neste artiguete mencionamos apenas alguns dados colhidos nos depoimentos das testemunhas, dignas de toda a fé.

Nasceu na última fase do reinado de Carlos I, viveu ao tempo da República e desencarnou aos 23 anos de idade no reinado de Carlos II daí fixarmos aproximadamente o período de 1640 a 1663, acima, que não pode conter erro grande, Talvez seja um pouco antes ou depois, o que pouco importa.

Foi infeliz no casamento e não gosta que se refira à sua vida conjugal, mas tem novamente marido no mundo espiritual e é feliz nesta união post-mortem.

É de estatura alta, esbelta, rosto longo, rica cabeleira castanha dourada que lhe cai encaracolada pelos ombros e vai até quase à cintura. Olhos vivos e maliciosos, tez muito alva, movimentos fáceis e rápidos. É uma jovem de beleza fascinante e de maneiras desenvoltas que, por vezes, tocam as raias da violência. Certa feita um assistente lhe dirigiu uma pergunta inconveniente; a resposta foi um soco violento que ela aplicou ao peito do indelicado e que lhe doeu muito, até depois da sessão.

Em via de regra, porém, é muito gentil, conversa muito, responde a todas as perguntas que lhe fazem os assistentes, com exceção única quando a interrogam pela sua vida conjugal na Terra, porque   então se enfada.

Atende a todos os pedidos, dá pedaços do vestido branco que sempre usa a quantos lhe pedem e permite lhe cortem madeixa dos cabelos. Numa sessão permitiu a uma dama que lhe cortasse toda a rica cabeleira, mas a reconstituiu imediatamente, e os cachos de cabelos, caídos ao solo, desapareceram logo.

Certa noite em que sua materialização estava muito perfeita, reclamou que a aplaudissem o que todos fizeram com uma salva de palmas e ela se mostrou contente com a manifestação.

Permitia as mais penosas experiências. Certa vez lhe pediram permissão para abrir todas as luzes sobre o seu corpo materializado, de modo a fazê-lo fundir-se diante de todos. Apesar de penosa a experiência, ela consentiu: com os braços abertos, junto a uma parede, deixou que acendessem todas as luzes e vissem seu lindo corpo fundir-se diante de todos como se fosse uma boneca de neve sob os raios do Sol.

A quantos lhe pediam autógrafos, escrevia longas cartas diante de todos e as entregava.

Na intimidade, em casa de William Crookes, assentava-se ao chão com as crianças e lhes contava interessantes histórias de suas aventuras nas Índias, com a mais encantadora simplicidade de uma jovem do nosso mundo.

Certa vez um assistente apalpou-lhe um braço e fê-la notar que o braço não tinha ossos. Imediatamente corrigiu ela o defeito de materialização e lhe apresentou um braço humano normal, com todos os ossos.

Essas manifestações se estenderam por um período de três anos e Annie Owen Morgan, ou Katie King, explicou que sua vinda à Terra era uma penosa missão, finda a qual seria ela promovida a uma esfera espiritual mais elevado e não teria que submeter-se mais àquele sacrifício.

Em 21 de Maio de 1874 terminou ela a missão e, numa sessão patética de lágrimas de despedida, escreveu estas linhas:
           
"Annie Owen Morgan (conhecida por Katie King) à sua amiga Florence Marryat Rose Cross oferece esta lembrança. Pensai em mim, 21 de Maio de 1874.”

Entregou um ramalhete de flores com essa breve mensagem, dirigiu-se ao gabinete para despertar a médium, Florence Cook, para quem implorou as bênçãos de Deus e despediu-se para não mais voltar.

As notas breves deste artiguete foram colhidas no opúsculo História das aparições de Katie King conforme os documentos ingleses forma a segunda parte do livro Um caso de desmaterialização parcial do corpo de um médium, edição de 1961, onde o estudioso poderá ler com todos os pormenores essa história que marca um dos pontos culminantes da Terceira Revelação.

Como tais fatos tem encontrado confirmações um pouco por toda a parte, nos oitenta anos decorridos, sua força probante é inconcussa.

Vemos pelos relatos que esse espírito cumpriu uma grande missão, prestou os mais relevantes serviços à Humanidade, se bem que não seja ele próprio de esfera muito afastada da Terra.  Recorda-nos a vida em Nosso Lar e noutras colônias espirituais próximas à Terra, nos belos livros de André Luiz.

A todos os admiradores de André Luiz, sugerimos um estudo atento das oitenta e poucas páginas que nos conservam essa preciosa documentação do século passado, e a todos os corações lembramos a gratidão que devemos a Annie Owen Morgan.

A Cachoeira



A Cachoeira
Casimiro Cunha por Chico Xavier
Reformador (FEB) Janeiro 1941

Quando passes, meditando
No cimo da ribanceira,
Repara na majestade
Que esplende na cachoeira.

É bom pensar na grandeza
Que a sua potência encerra,
Na entrosagem de elementos
Das forças de toda a terra.

No lugar mais solitário,
É um cântico de alegria,
Derramando em derredor
A abundância da energia.

Para dar-se em benefícios,
A sua maior ciência
Não quer admiração,
Pede esforço e inteligência.

Mesmo ao longe das cidades
Depois de compreendida,
A cachoeira renova
A expressão dos bens da vida.

Retamente aproveitada,
É fonte de evolução,
Movendo milhões de braços,
Nas lutas do ganha-pão.

É mãe generosa e augusta
Das fábricas de trabalho,
Que distribui no caminho
A luz, o pão, o agasalho.

E aprendemos na lição,
Quando a vemos, face a face,
Que a água buscou um abismo
Por onde se despenhasse.

Nesse símbolo profundo
De grandeza e dinamismo,
Nós vemos o amor de Deus
E a extensão do nosso abismo.

Nós somos o sorvedouro
De miséria e de discórdia,
Deus é a eterna cachoeira
De luz e misericórdia.