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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Solilóquio do Alto



Solilóquio do Alto
a um espírita cristão
por Lux
Reformador (FEB) Junho 1923

Não esmoreças na campanha regeneradora que te é de utilidade.

Os espíritos do Senhor veem o teu desassossego e sentem a justa aflição de teu viver de dores. Mas, que queres? O mundo é o depurador das almas que o procuram e nele merecem as suas provações, porque outras reencarnam em planetas inferiores, onde os sofrimentos são duplamente maiores!

Efetivamente, a situação em que te debates, por amor à justiça, é bastante penosa: muitos inimigos adquiriste nas existências passadas e estes tudo têm feito para se vingar do mal que lhes fizeste.

O Senhor consentiu nessa perseguição de que tens sido vítima por todas as formas, direta ou indiretamente, por intermédio até dos rebentos da Árvore da Vida que te compõem o núcleo familiar, para que pudesses sentir, ao vivo, quanto é prejudicial a desobediência à lei do amor, da justiça e da gratidão, a fim de renunciares, por completo, aos sentimentos de rebeldia sempre contrários à evolução do Espirito.      

Tem confiança, porém, pois a prova a mais dolorosa já terás realizado e dentro de ti residem as energias sãs, reabilitadoras, para que te tornes apto à execução de trabalhos mais suaves, compensadores da renúncia a que, cultivando o progresso em ascendência moral, te tens devotado.

Volve o pensamento, confiante na sua misericórdia, ao Pai e dize aos teus companheiros de jornada espírita que se não afastem dos fulgores da fé para que possam gozar, unificados por Jesus, os prazeres de uma existência melhor em que, na floração dos bons sentimentos, possam todos cooperar, de modo eficaz, para a educação social.

Tem confiança e fé na misericórdia do Pai.


quarta-feira, 17 de julho de 2019

Apregoar a humildade...



"Discípulo do Cristo, para que tenhas amoroso comedimento em toda a tua vida e atos disciplinares, considerando-o Mestre e embaixador de Deus, não apregoes tua humildade, porque nisso pode haver orgulho mas, dentro de tua alma, conserva-te unido a ela, orientando-te por ela com sujeição e docilidade, para que teus atos a revelem cristãmente e teu interior seja luminoso."
   Lux.
Reformador (FEB) Julho 1923

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Do "Livro de um sonhador"



Do “Livro de um Sonhador”
Lux
Reformador (FEB) Janeiro  1920

            Contemplo-te, Ó homem, e as tuas incertezas, os teus cismas, as tuas queixas, as tuas investidas, as tuas renúncias, as tuas quedas e as tuas dores, me causam dor - porque também sou homem!

            Considero, no luto, as tuas mágoas; na indigência, experimento o rigor de teu castigo, participando de tuas penas; na tua opulência, compulso a arrogância pueril de tua vaidade; e, nas tuas mágoas, nas tuas penas, na estulticie de tua vaidade, penalizado, embebo a minha pena, para dizer-te que me causas pena!
             
            Compadeço-me de ti, e meu grande pesar se aprofunda e cresce à proporção que desces, que te degradas à ascendência vaidosa do orgulho e no falso terreno da incredulidade te deixas conduzir ao sorvedouro das ingratidões para com Aquele que no mundo veio ensinar o amor, dizendo compassivamente: “Amai-vos uns nos outros e a Deus sobre todas as coisas”, pois, sendo Deus a Vida de todas as vidas, é Ele o autor máximo de tudo quanto existe e o único que, justiceiro e bom, distribui a graça dos bens eternos que enriquecem a vida na imortalidade!

            Oro por ti, quando, desprezado pelo desdém de teus lábios, que me repelem por vezes, no silêncio da noite e no ignorado aposento de minha transitória residência terrena, elevo o pensamento no “Senhor dos Mundos”.

            Nesses momentos de concentração, em que me afasto das coisas materiais, fugindo-lhes ao predomínio esmagador e às ameaças de credores que me recusam a direito do pão, por que os “sonhadores” não vivem neste mundo... sinto que me causas maior compaixão, pois, em troca das flores que te ofereço, abençoadas pelo Divino Pastor que me pastoreia o rebanho dos sentimentos, porque lhe suplico a proteção bendita; em troca da aromal coroa com que te quero ornamentar a fronte e falar ao teu coração, recebo, unicamente, os espinhos de tua indiferença que me retalham a alma e embaraçam o pensamento...

            Vejo, então, que o mundo, pelos companheiros de jornada que conheço, é companheiro da formiga mandando a pobre cigarra viver da própria canção...

            E te lamento, ó homem, porque minha alma não vibra nos departamentos do
egoísmo, do orgulho e da luxúria; vibra por afeto e não por ambicionar mundanas glórias; ambiciona a felicidade que lhe provenha da ventura de concorrer para a fortuna moral do homem ; não vive para si, nem se movimenta por si: vive movimentada pelo Cristo de Deus que a impulsiona e ativa, fornecendo-lhe a meiguice de seus ensinamentos, a ternura infinita de seu amor imenso, reprovando-a, com suavidade, nos erros a que se deixe arrastar; apontando-lhe o caminho da Justiça e do Dever perante o Tribunal Divino; norteando-a na paz, confortando-a na guerra para que se compadeça dos elementos conturbados...

                                   E minha alma, retalhada,
                                   Que em prantos faz a jornada
                                   Desta jornada de dor;
                                   Tem pena de ti, Ó homem,
                                   Ante as lutas que consomem
                                   Teus sentimentos de amor!

domingo, 5 de maio de 2019

Cuidemos de nós



Cuidemos de Nós
por LUX
Reformador (FEB) Jan 1920


            Em 1907, com esta epígrafe, trazendo a assinatura ‘Luziar’, o ‘Jornal Espírita’ que se  publicava em Juiz de Fora, inseriu a página que, linhas abaixo, transcrevemos; por se nos afigurar oportuna nos indecisos tempos que correm, sendo a mesma precedida da seguinte dedicatória: “Aos que mais quero, aos meus irmãos e aos que me não queiram, com todo o fervor de minha obscura existência, rogando ao Pai bênçãos de luz que nos esclareçam, esta humilde página consagro, alimentando, apenas, um desejo: QUE A HUMANIDADE CAMINHE SEGUNDO AS LEIS DO SENHOR.”

Eis a página:

I

            “Crer, amar e progredir, eis a divisa que ora vos trago e que também adoto.

            Acreditemos em Deus, com o maior carinho de nossa vida; a Ele nos consagremos em todos os atos, por forma tal que nosso pensamento não cesse de O procurar e que nossa vontade se não faça enquanto a dEle se não fizer em nós!

II
            Amemos os nossos semelhantes com o amor com que nos queremos para a Vida Eterna.
           
            Amemos com virtude, com a virtude moral que nos deve enriquecer a vida íntima, tornando-nos respeitosos e complacentes, resignados, humildes e submissos para com Deus, à cuja Vontade se deve subordinar a nossa; resignados, quando nos virmos sob o lMPÉRlO DA DORES, porque o sofrimento é nosso, adquirido por NOSSAS FALTAS. Regenerador de nossas almas que, purificadas, te elevarão para o Grande Ser.

III

            Sejamos complacentes e respeitosos: complacentes à imperfeição de nossos semelhantes, dos quais não devemos murmurar, pois, somos imperfeitos e nem sempre NOS JULGAMOS A NÓS MESMOS!

            Sejamos respeitosos para conosco: não nos deixemos dominar por sentimentos ambiciosos e de perversidade que os ESPÍRITOS DA TREVA nos sugerem.

            Amemos, portanto, os nossos semelhantes com o pensamento em Deus suplicando-Lhe por todos, a fim de sermos rodeados e queridos pelos trabalhadores da Sagrada Vinha, pois, praticaremos a mais bela das virtudes – CARIDADE.
IV

           Operemos o nosso progresso: façamos tudo quanto nos tem sido recomendado pelas observações cristãs, atendendo-as com amor, virtude e perseverante trabalho.

            Não olvidemos o dia de AMANHÃ, em verdade vos quero falar, embora, - ai de mim - reconhecendo que sou muito imperfeito, pois, a meu ver, não tarda o Dia em que seremos julgados segundo os nossos atos: uma voz, que ainda ouço, me falou e creio que era verdadeira por que meu pensamento estava em Deus.

            Referindo-se Aquele que nos vem chamar ao cumprimento da Vida Espiritual, quando eu julgava de minhas ações, num exame de consciência, a voz, que me falou. Assim me fez escrever:

Ele!

Quando Ele aparecer em toda a sua luz,
Realizando o ideal da existência em que está:
Quando o Tempo lhe vier, o ambicionado Tempo
Que mui longo se fez e perto já se vê;
Quando o DIA surgir, esse Dia de Paz,
De Justiça, de Amor, de Esperança e de Prêmio,
Aos que seguem na terra a jornada de dor;
Quando calma, feliz, a alvorada da Vida
Se lhe fizer presente - esse querido instante
Em que vai realizar o que lhe está predito;
Quando Ele aparecer em toda sua luz,
Misterioso fulgor, esplêndido clarão,
Numa Graça de Deus, numa bênção de Amor;
Quando ele aparecer da “provação” aceita
Ressurgindo da TREVA em que o “supõe” perdido,
Inútil, conturbado, e sem governo já;
Quando Ele aparecer em todo o seu brilho,
Afugentando o MAL e proclamando o BEM...
Vós outros que O trazeis em soberba censura.
O que ‘aplaudis’ ontem e O ‘criminais’ agora;
Vós que sois da calúnia intrépidos arautos,
Vós que sois da MENTIRA interpretes fieis;
Vós todos que O apontais em vossos defeitos todos,
E esqueceis, entretanto, a imperfeição que é vossa;
Vós que não cultivais os sentimentos bons,
E no rosto trazeis a máscara da bondade...
Vós que O tendes deixado imerso na tristeza,
Porque é quem se acusa e não O defendeis!
Quando Ele aparecer - ó vós que sois bons!
Quando Ele aparecer à luz do Grande- Dia,
Conduzidos sereis à cadeira doa réus
Que Ele quis ocupar para poder julgar-vos!
E o dia já se faz... o Dia da Sentença!
Em que Ele vai surgir – ó vós que o condenais!
................................................................................
Quando Ele aparecer na Luz que Deus lhe dá,
Nesse dia de Paz, de Justiça e de Amor,
Aos humildes buscando e confundindo os grandes;
Quando Ele aparecer, Exaltado por Deus,
No horror da confusão - almas pobres de Luz:
Então exclamareis envergonhados – Ele?”

            Considerando o que acima está e que, talvez, nos seja de bom aviso, uma frase me ocorre à imaginação e, com ela, se conclua a presente página: O DESCUIDO CRIMINOSO E  DEPLORÁVEL dos deveres espirituais, é  causa da infelicidade dos povos e dos que se vão para outra vida. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Instruções Espíritas



Instruções Espíritas
por Lux
Reformador (FEB) Dezembro 1920

Resposta a uma Carta:

            Sofres? Tens a alma sangrando? Pois bem: volve o teu pensamento para o Alto, pede a Deus que te conceda a graça da assistência de seus Mensageiros, suplicam-Lhe, em nome de Jesus, a orientação de que necessites para que te possas colocar ao abrigo do desespero e do desânimo. Considera que na terra também o Mestre sofreu martírios e mede bem a distância em que te achas do Instrutor Divino. Porque O perseguiram? Porque O condenaram nos suplícios da cruz? Porque era justo e bom. Porque, norteando o homem para a vida espiritual, escandalizavam os que se presumiam doutos e tinham os olhos voltados unicamente para as coisas da terra. E em que condição vivias nessa época?...

            A vida, meu amigo, não desaparece com a matéria, com o corpo terreno que
lhe serve de instrumento para o trabalho e para as grandes lutas que trava em proveito de seu desenvolvimento. A sepultura por onde lhe desaparece o invólucro material que se vai transformar e constituir o corpo de novos elementos, é uma porta que se fecha para lhe dizer:

            “Teu reino não é deste mundo.”  

            Quando se chega a este resultado, também se chega ao conhecimento de existências passadas e, a vida do que hoje sofre, sentindo-se presa às que agitara anteriormente no plano material, apercebe-se do grande atraso em que estivera quando, nos tempos idos, associando-se aos perseguidores do Cristo, contra Ele orgulhosamente se fazia nas campanhas do ódio e da difamação!

            Pensa, pois, que não o que hoje procuras ser, quando, animado por sentimentos bons desejas contribuir para o esclarecimento dos ignorantes, para o conforto dos que soluçam e para o bem estar da humanidade.

            Foste a ignorância e o atraso, o orgulho e a ferocidade, de que te desvencilhas
nos momentos de repulsa, de exortações cristãs e de elevados surtos de espiritualidade em procura de Deus.

            Vê, agora, a distância que te separa do amado Mestre. Ele tudo sofreu por amor à  humanidade e os sofrimentos que te pungem provém, apenas, da necessidade que tens de progredir, reparando faltas, educando o sentimento para a conquista da paz e da sabedoria.

            Volve, pois, teu pensamento para o Alto, entrega-te a Jesus e aguarda, serenamente, o DIA DA PASSAGEM.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Ad majorem Dei gloriam...



Ad majorem Dei gloriam
por Lux
Reformador (FEB) Jan 1920

Aos nossos inimigos tonsurados (1)
(1) Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. (Mateus v. 20,43 a 47)

            A campanha indébita e desabrida que iniciastes contra o Espiritismo, tem sido e será contraproducente. Bem ao revés do que esperáveis, vai dia a dia, mais e mais acelerando a marcha triunfal da Doutrina sublime de Jesus.

            Os tempos são chegados dizem e repetem os invisíveis mensageiros de Deus.

            Já pressentistes que o catolicismo, embora multissecular, se acha minado em suas bases e tende a esboroar-se fragorosamente, a expungir-se, per ommia seacula seculorum.

*
            Contra nós vos insurgis - porque praticamos o bem entretanto oramos por vós que praticais mal.

            Recorreis ao anátema, porque bem longe vão os tempos do Santo Ofício, da treda (pérfida) Inquisição, com os seus calabouços infectos, sem ar e sem luz, com os seus mil instrumentos de tortura, com os desumanos autos de fé!

            Não os tendes mais... e recorreis à excomunhão, como se, porventura não estivéramos em um século de inopinas (repentinas) transições progressivas, de surpreendentes transformações sociais.

            Mas, pobres irmãos delinquentes, quem vos deu o poder de excomungar?  De quem houvestes essa prerrogativa? De Deus? Se o afirmardes, ofendereis sacrilegamente aquele que é o Sumo Bem.

            Ah! Vós é que vos arrogastes esse direito, para atemorizar as almas simples! E dizeis-vos ministros de Jesus Cristo!

            Agora, quando possuídos de ódio, nos anematizais, nós outros erguemos fervorosas preces ao Divino Pai, a fim de que, destarte, possais preferir o bem ao mal, a verdade à mentira e a virtude ao vício.

            Fazemo-lo para que vos seja dado deixar esse caminho de trevas por uma senda de luz.

            Pobres irmãos, vós sois delinquentes recidivos: que de males não tendes causado nos vossos semelhantes por meio da seita que ora defendeis com a bravura do herói de Cervantes!

            Que é de vossa acuidade visual? Acaso não podeis notar que hoje são muitos os que tem olhos de ver e ouvidos de ouvir?

            Não vedes porventura, que o fanatismo, mau grado vosso, decresce dia a dia por influxo dos vedetas (atriz de teatro) e pioneiros do Além?

*
            Muito haveis delinquido: já é tempo de vos arrependerdes!  

            Afeitos ao erro- negais a realidade: adstritos à rotina - repulsais o progresso; inimigos de Jesus - perseguis a Sua Doutrina impoluta! Na vossa teologia râncida (fétida), há muito que deu a carcoma!

            Fugi à treva, procurai a luz.

            Deus, que é a misericórdia suprema, vos perdoará, dando-vos que, arrependido, possais conhecer a Verdade. Deixai essa intolerante seita pagã; abandonai esse Deus antropomorfo com o seu cortejo de semideuses, os ídolos, que as moscas estercoram, que a fuligem dos tempos enegrece, que os térmitas destroem!

            Deixai-os: adorai o vero Deus, que é a infinita bondade, fonte perene de Vida e Luz, de Amor e Caridade.

            Abraçai, pois, a sublime Doutrina do Divino Mestre, segui o Espiritismo, o Consolador, há séculos prometido à Humanidade.

            Aures habent et non audient! (têm ouvidos e não ouvem.)