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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Espiritismo e Passividade



Espiritismo e Passividade
Túlio Tupinambá \ (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Junho 1976

A Interpretação da palavra de Jesus entre os espíritas precisa ser cuidadosa, a fim de que não surjam dúvidas capazes de torcer-lhe o verdadeiro sentido. Em "O Evangelho segundo o Espiritismo" está tudo muito claro, muito compreensível, de fácil assimilação. Mas, há sempre aqueles que passam muito rapidamente sobre os textos, relendo-os como quem se inteira das corriqueiras notícias do dia, em vez de permanecerem atentos ao espírito das sentenças.

Não raro, encontramos pessoas desafeiçoadas ou indiferentes ao Espiritismo que, pelas opiniões que emitem em determinadas circunstâncias, supõem que a verdadeira atitude do espírita deve ser passiva, para não desagradar a ninguém, para evitar julgar e não incorrer no risco de vir a ser julgado. Então, se o espírita profliga um ato mau, um comportamento censurável ou um gesto digno de reprovação enérgica, simulam surpresa e perguntam, com um certo ar de ironia:

- Você, um espírita, agir assim? Esqueceu-se da tolerância? Não se lembra do que diz o Evangelho - "não julgueis para não serdes julgados"?

Trata-se de um recurso um tanto solerte, sem dúvida, porque o espírita não está desligado da humanidade. É um ser humano, sujeito, como todos, às influências do meio em que vive e subordinado às mesmas leis que regem a vida comum de outras pessoas. Não pode, nem deve, figurar como uma múmia, incapaz de usar do seu direito de opinar, de criticar, embora conscienciosamente, o que não puder deixar de ser criticado, de punir o que for necessário punir. Isso é claro como água. Entretanto, a sua opinião, a sua crítica e o exercício da punição, quando for imprescindível exercê-lo, terá de pautar-se pelo espírito do Evangelho. A opinião,  a crítica ou censura e a punição devem conter, sempre e sempre, primordialmente, uma finalidade educativa, corretiva, saneadora, nunca ferina, implacável ou odiosa.

O espírita não pode ser um "maria-vai-com-as-outras", nem um piegas. É um ser integrado numa realidade. Não é possível desvincular-se dessa condição, porque integra a humanidade.

O Evangelho ensina-nos a todos que "a misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacífico". Se alguém persiste na prática de uma ação má, recalcitrante, portanto, o espírita deve aplicar a energia compatível com a gravidade do ato consumado. Mas essa energia não significa violência verbal ou física, mas uma sanção moral. E disso Jesus nos deu exemplos expressivos, ele, a encarnação da bondade e da doçura. Era preciso, porém, que o fizesse, quer ao defrontar os vendilhões que ultrajavam o templo, quer ao  proferir frases enérgicas, como "raça de víboras", "hipócritas", etc. Mas Jesus tinha e tem autoridade para isso. O essencial é que, ao adotarmos uma atitude que implique censura ou advertência, tenhamos, mutatis mutandis, dentro da relatividade necessária, autoridade moral para fazê-lo, sem desbordamento, sem excesso. A repressão do mal não invalida a oportunidade do perdão, embora ,"o homem seja sempre punido por aquilo em que pecou".

Não fora assim, o mundo se transformaria num caos, num pandemônio, sem ordem, sem disciplina, sem respeito, por não haver lugar para a autoridade, para a obediência, para a repressão do mal e o incentivo do bem. A chamada "psicologia moderna", baseada na liberdade total do indivíduo, deu "nisso" que se vê, hoje, na Terra: desordem generalizada, deseducação de homens, mulheres, jovens e crianças. Criaram-se pseudo teorias de educação. Todos estão sujeitos a adquirir "complexos", "recalques" etc., segundo algumas teorias, de modo que cada qual deve fazer o que entende, para poder ser uma criatura integral, com liberdade ilimitada, etc., etc.

Não é condenável a censura que colima coibir o mal e salvar o pecador, que deve ser esclarecido, orientado, educado, para que reconheça a inconveniência do que disse ou fez, arrependendo-se e mostrando-se disposto a não reincidir no erro cometido. "O reproche lançado à conduta de outrem pode obedecer a dois móveis: reprimir o mal, ou desacreditar a pessoa cujos atos se criticam. Não tem escusa nunca este último propósito, porquanto, no caso, então, só há maledicência e maldade. O primeiro pode ser louvável e constitui mesmo, em certas ocasiões, um dever, porque um bem deverá daí resultar, e porque, a não ser assim, jamais, na sociedade, se reprimiria o mal. Não cumpre, aliás, ao homem auxiliar o progresso do seu semelhante? Importa, pois, não se tome em sentido absoluto este princípio: "Não julgueis se não quiserdes ser julgado", porquanto a letra mata e o espírito vivifica."

Ratificando essas palavras, assim termina o comentário: "A consciência íntima, ao demais, nega respeito e submissão voluntária àquele que, investido de um poder qualquer, viola as leis e os princípios de cuja aplicação lhe cabe o encargo. Aos olhos de Deus, uma única autoridade legítima existe: a que se apóia no exemplo que dá do bem. É o que, igualmente, ressalta das palavras de Jesus" ("O Evangelho segundo o Espiritismo", cap. X, item 13, páginas 180/1, 64.a ed., FEB, 1976).

Não deve, pois, o espírita ser um excêntrico, um exótico na sociedade humana, à qual pertence e da qual não pode marginalizar-se. Sempre que a indulgência não seja prejudicial ao faltoso nem a terceiros, deve ser exercida, pois, adequadamente utilizada, será uma prova de amor, e é de amor que o mundo precisa, é de amor que todos nós precisamos, a fim de que se cumpra o mandamento do Mestre amado: "Amai-vos uns aos outros!" E não sete vezes apenas, "mas até setenta vezes sete vezes".

A atitude normal do espírita-cristão tem de ser a de uma criatura sintonizada com Jesus. Aprendamos a não ser desagradáveis, a não vermos somente o lado escuro da vida. Pelo contrário, busquemos dentro de nós a paz que precisamos transmitir aos nossos semelhantes. Para isso, procuremos criá-la através da exemplificação da Doutrina e do Evangelho. Só com os exemplos é que poderemos construir uma personalidade espírita-cristã. Palavras, faladas ou escritas, são de valor relativo. O que vale, realmente, é o exemplo. Não seremos nunca espíritas, e muito menos cristãos, se adotarmos uma atitude hipócrita, aparentando virtudes que não cultivamos. Poderemos enganar as outras pessoas, podemos enganar-nos a nós mesmos, mas não enganaremos a Deus, a Jesus e aos Espíritos devotados que cumprem mandatos do Alto. Dizer-se alguém espírita é fácil. Ser espírita, porém, espírita de verdade, depende de sacrifícios a que teremos de submeter a nossa alma, para livrá-la do orgulho, do egoísmo e de outros defeitos graves.

No Evangelho citado, cap. V, página 121, há uma comunicação espiritual de Fénelon, cujo final, por expressivo, reproduzimos a seguir: "Habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender e crede que Deus é justo em todas as coisas. Muitas vezes, o que vos parece um mal é um bem. Tão limitadas, no entanto, são as vossas faculdades, que o conjunto do grande todo não o apreendem os vossos sentidos obtusos. Esforçai-vos por sair, pelo pensamento, da vossa acanhada esfera e, à medida que vos elevardes, diminuirá para vós a importância da vida material que, nesse caso, se vos apresentará como simples incidente, no curso infinito da vossa existência espiritual, única existência verdadeira."

Está claro que a tolerância mal compreendida e pior aplicada pode servir de incentivo ao mal e, assim, em vez de contribuir para a reparação de um erro e a regeneração de um faltoso, terá efeito contrário. Demais, "não é possível que Jesus haja proibido se profligue o mal, uma vez que ele próprio nos deu o exemplo, tendo-o feito, até, em termos enérgicos. O que quis significar é que a autoridade para censurar está na razão direta da autoridade moral daquele que censura. Tornar-se alguém culpado daquilo que condena noutrem é abdicar dessa autoridade, é privar-se do direito de repressão. A consciência íntima, ao demais, nega respeito e submissão voluntária àquele que, investido de um poder qualquer, viola as leis e os princípios de cuja aplicação lhe cabe o encargo. Aos olhos de Deus, uma única autoridade legítima existe: a que se apóia no exemplo que dá do bem. É o que, igualmente, ressalta das palavras de Jesus."

Há mais: quando nos referimos a energia, não sugerimos a atitude grosseira, violenta, desmedida. Não. Nada disso. Queremos reportar-nos à necessidade da ação calma, serena, branda, a par de argumentos firmes, que demonstrem, de maneira irrefutável, os inconvenientes do mal, suas consequências imediatas ou remotas contra o autor da ação censurada. Não há necessidade de gritos, de frases contundentes, de gestos agressivos, de censura ostensiva diante de outras pessoas, mas de persuasão. Energia não significa brutalidade, mas serena e firme força moral, notadamente nos casos de reincidência. O único sentimento capaz de vencer o mal é o sentimento do amor, não do amor piegas, mas do amor fraterno de quem ajuda, até de quem pretenda salvar. Há ainda muita pieguice em alguns setores do Espiritismo, porque se entende mal o que seja amor, o que seja humildade, o que seja respeito à Doutrina.

Na repressão a um ato mau, é bom repetir, não se estará apenas buscando recuperar o faltoso, mas também impedir que a sua ação seja danosa a outrem. Portanto, não se pense que, por não sermos perfeitos, devamos omitir-nos diante de erros e faltas passíveis de advertência e retificação, pois, segundo São Luiz, na obra citada, p. 187, cada um de nós "deve trabalhar pelo progresso de todos e, sobretudo, daqueles cuja tutela nos foi confiada.” Mas, por isso mesmo, devemos fazê-lo com moderação, para um fim útil, e não, como as mais das vezes, pelo prazer de denegrir. Neste último caso, a repreensão é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda seja cumprido com todo o cuidado possível. Ao demais, a censura que alguém faça a outrem deve ao mesmo tempo dirigi-la a si próprio, procurando saber se não a terá merecido" .

A indulgência sistemática, indiscriminada, pode estimular a maldade, gerando abusos e encorajando a dissimulação. Nenhum de nós deve alimentar a preocupação de parecer bom, fazendo-se notar por manifestações aparentes de tolerância e paciência. Nosso dever perante a Doutrina é procurar ser bom, conscientemente tolerante e paciente em todos os momentos, o que não é nada fácil, mas tem de ser conseguido à custa de quaisquer sacrifícios de nossa parte, através de, um esforço auto-educativo.

O falso bom é nocivo a si próprio e ao meio em que vive. Jesus censurou a hipocrisia e ensinou que devemos lutar contra o mal, sem praticá-lo, porque o bem é o instrumento de trabalho social do espírita-cristão, de todo aquele que pretende ser reconhecido como cristão. O farisaísmo, entretanto, não morreu. Continua vivo. É perigoso, porque enganador. Insinuante, malicioso, escorregadio, pode ele destruir lares, organizações humanas de qualquer natureza, porque possui artimanhas que o homem verdadeiramente honesto não pode imaginar.

Não há livro mais recomendável, num mundo atribulado como o de hoje, do que o Evangelho, por ser o melhor tratado de relações humanas de todos os tempos. Constitui roteiro infalível para quem deseja encontrar a paz no caminho e a luz no coração. Jesus frisou o respeito que devemos nutrir pelos direitos alheios, assim como desejamos que os nossos sejam também respeitados. "Estende-se mesmo aos deveres contraídos para com a família, a sociedade, a autoridade, tanto quanto para com os indivíduos em geral" (ob. cit., p. 192).

Portanto, não devemos apenas ler o Evangelho, mas estudá-lo, meditar sobre os ensinamentos de Jesus; que são insuperáveis e eternos. Se o mundo se dispusesse a segui-los, a Terra, dentro de algum tempo, transformar-se-ia num paraíso, porque os homens compreenderiam a grandeza e a importância da recomendação de Jesus:, "Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam, pois é nisto que consistem a lei e os profetas" (Mateus - VII, v. 12), e "tratai os homens como quereríeis que eles vos tratassem" (Lucas - VI, v. 31).

Nada mais pernicioso ao Espiritismo do que a passividade. O verdadeiro espírita não deve nem pode ser passivo. A Doutrina exige ação, clara e definida. Aquele que se mantém neutro, quando uma definição de sua parte se torna imprescindível, não é prudente, mas omisso. A franqueza rude, nem sempre é bem recebida entre os homens, que a tomam, geralmente, por hostilidade, má-vontade ou impertinência. Todavia, ponderada, dita com suavidade e manifesto desejo de colaboração, deve sempre ser bem-vinda, porque é sincera e permite a revelação de perigos ou inconveniências que não podemos ver, mas que outros, de fora, podem perceber e compreender devidamente.

Em qualquer setor da vida humana, a lealdade e a sinceridade devem imperar, em benefício da ordem e da disciplina, do respeito mútuo e da consagração da verdade. A passividade será sempre sério entrave ao progresso, quer dos indivíduos, da sociedade e do mundo. É, pois, importante a educação moral no inter relacionamento humano. O homem educado sabe escolher os caminhos que deve seguir na vida de relação, sem melindrar ou ofender seus semelhantes, ainda quando se torne necessário divergir e dar vigor ao seu procedimento, porque a energia não prescinde do tato nem das boas maneiras. É justo e compreensível que haja discordância de opiniões sobre um mesmo assunto, que surjam soluções diferentes para um mesmo problema. Tudo, porém, pode ser alcançado sem choques ou atritos graves, através da compreensão e da lealdade. Aquele que erra e, movido pelo orgulho, não deseja dar-se por vencido, ainda que tenha intimamente a presunção de não haver sido feliz, e insincero, consigo e com os companheiros. O que
descobre o erro e não adota uma posição fraterna para corrigi-lo, em face do irmão que desacertou, também é infrator da lei da fraternidade.

Assim, todos os atos e sentimentos humanos encontram orientação e solução dentro do Evangelho. Se não acertamos é porque não queremos mudar de rumo, e, como não mudamos de rumo, continuamos incompreendidos e sem compreender que as leis da vida são morais e não comportam definições outras que não as que se acham nos ensinamentos do Nazareno.

Nem foi por outro motivo que Pedro Richard, um dos homens mais fiéis à Doutrina que Espíritos superiores, por vontade de Jesus, fizeram chegar a Allan Kardec, costumava dizer que o Evangelho é o Livro que melhor convém ao homem desejoso de ser feliz e de fazer felizes seus semelhantes.

Corpo Mental e Perispírito



Corpo Mental e Perispírito
Aloysio R. Paiva
Reformador (FEB) Junho 1976


Sob o ponto de vista de sua finalidade, corpo quer dizer - instrumento de manifestação. Assim, quando dizemos corpo físico estamos nos referindo ao veículo carnal de que se utiliza o Espírito durante a permanência na Crosta planetária, em cada reencarnação. Após nova experiência terrena, passa a usar outro corpo, isto é, volta a utilizar-se de veículo de manifestação adequado à matéria sutil de que se reveste o mundo espiritual.

            Assim como a Nona Sinfonia de Beethoven precisa de uma aprimorada orquestra para ser bem executada, o Espírito - a centelha divina, a parte substancial e eterna do ser - precisa de meios para poder manifestar-se e agir ostensivamente, segundo o estado vibratório da substância que compõe os diversos planos da Criação.

Com relação ao corpo extra terreno, é de se considerar, ainda, a farta sinonímia registrada em nosso vocabulário. "O Livro dos Espíritos" adota o termo perispírito, que quer dizer - em torno do Espírito. Ele é designado, ainda, por corpo espiritual, corpo astral, corpo etéreo, ou, então, como se vê em André Luiz, psicossoma. Tudo isso expressa a mesma coisa.

Feito esse intróito, passemos ao tema a que nos propomos.

Hoje, após os ensinamentos recebidos dos Espíritos Reveladores, podemos ter uma idéia bem mais clara da indumentária que passaremos a utilizar, após a experiência carnal.

Enquanto o corpo físico é relativamente estável, com as variações verificadas nos estágios de crescimento e decrepitude, o corpo espiritual do ser humano é bastante variável. Isso se deve à sua estrutura, que apresenta, segundo André Luiz:

( ... ) "uma formação sutil, urdida em recursos dinâmicos, extremamente porosa e plástica, em cuja tessitura as células, noutra faixa vibratória, à face do sistema de permuta visceralmente renovado, se distribuem mais ou menos à feição das partículas colóides, com a respectiva carga elétrica, comportando-se no espaço segundo a sua condição específica, e apresentando estados morfológicos conforme o campo mental a que se ajuste." (1)

(1) "Evolução em Dois Mundos", pág. 26.

Estando intimamente ligada ao "campo mental a que se ajusta", a matéria quintessenciada, de que se reveste o perispírito, sofre, como não podia deixar de ser, influência decisiva do poder mental da criatura, a ponto de o corpo espiritual poder tomar a forma que o Espírito queira (2). Muito elucidativo, a esse respeito, é o exemplo mencionado por C. G. Botelho, em" "Memórias de um Suicida", onde Aníbal de Silas, entidade de grande hierarquia espiritual, se apresentava como um quase adolescente, tendo ele sido o menino
acariciado por Jesus, há dois mil anos, quando enunciava a imorredoura lição: "Deixai vir a mim os pequeninos ... "
(3)

(2) "O Livro dos Espíritos", pergunta nº 95.
(3) "Memórias de um Suicida", 1ª ed., pág. 480


Esse ascendente mental, que elabora e comanda o corpo espiritual, possui, também, o seu próprio veículo de manifestação, ou seja, o CORPO MENTAL. É o que afirma, de modo preciso, André Luiz:

"Para definirmos, de alguma sorte, o corpo espiritual, é preciso considerar, antes de tudo, que ele não é reflexo do corpo físico, porque, na realidade, é o corpo físico que o reflete, tanto quanto ele próprio, o corpo espiritual, retrata em si o corpo mental que lhe preside a formação."

Esclarecendo, ainda:

"O corpo mental, assinalado experimentalmente por diversos estudiosos, é o envoltório sutil da mente, e que, por agora, não podemos definir com mais amplitude de conceituação, além daquela com que tem sido apresentado pelos pesquisadores encarnados, e isto por falta de terminologia adequada no dicionário terrestre." (4)

(4) "Evolução em Dois Mundos", pág. 25 e nota de roda pé.

Entre os pesquisadores encarnados a que se refere André Luiz, podemos incluir os adeptos da Teosofia. Annie Besant fala abertamente sobre o corpo mental, dizendo, entre outras coisas:

(...) "quanto à sua função, é o veículo imediato no qual o Eu se manifesta como inteligência; com relação ao seu desenvolvimento, cresce de vida para vida, proporcionalmente ao aprimoramento intelectual, organizando-se, também, mais e mais definidamente à medida que os atributos e qualidades da mente se façam mais e mais marcantes; é oval - semelhante a um ovo - em seus contornos, e interpenetra os corpos astral e físico, e os rodeia com uma atmosfera radiante à medida que se desenvolve, fazendo-se cada vez maior, conforme aumenta a capacidade intelectual. Não é necessário dizer que esta forma oval se converte em um objeto formosíssimo e glorioso, quando o
homem desenvolve as aptidões superiores da mente."
(5)

(5) "EI Hombre y Sus Corpos", de Annie Besant. Editorial Schiafiro, Buenos Aires, pág. 67 e seguintes.

Segundo os próprios teosofistas, essas informações são obtidas através da clarividência.

Não podendo definir amplamente o corpo mental, por ora, dá-nos André Luiz interessantes notícias, auxiliando-nos a compreender-lhe o comportamento e a expansão evolutivos:

"Definimos o fluido, dessa ou daquela procedência, como sendo um corpo cujas moléculas cedem invariavelmente à mínima pressão, movendo-se entre si, quando retidas por um agente de contenção, ou separando-se, quando entregues a si mesmas." "No plano espiritual, o homem desencarnado vai lidar, mais diretamente, com um fluido vivo e multiforme, estuante e inestancável, a nascer-lhe da própria alma, de vez que podemos defini-lo, até certo ponto, por subproduto do fluido cósmico, absorvido pela mente humana, em processo vitalista semelhante à respiração, pelo qual a criatura assimila a força emanante do Criador, esparsa em todo o Cosmo, transubstanciando-a, sob a própria responsabilidade, para influenciar na Criação, a partir de si mesma." "Esse fluido é o seu próprio pensamento contínuo, gerando potenciais energéticos com que não havia sonhado." (6)

(6) "Evolução em Dois Mundos", págs. 95/96.

E acrescenta, em nova e magistral lição:

"O plano físico é o berço da evolução que o plano extra físico aprimora. O primeiro insufla o sopro da vida, cujas edificações o segundo aperfeiçoa. A reencarnação multiplica as experiências, somando-as, pouco a pouco. A desencarnação subtrai-lhes lentamente as parcelas inúteis ao progresso do Espírito e divide os remanescentes, definindo os resultados com que o Espírito se encontra enobrecido ou endividado perante a Lei!” (7)

(7) "Evolução em Dois Mundos", pág. 101.

Sendo o perispírito uma projeção do corpo mental, quanto mais evoluída a criatura tanto mais perfeito e radioso se revela o seu veículo espiritual. O inverso é, também, verdadeiro:

"O instrumento perispirítico do selvagem deve ser classificado como protoforma humana, extremamente condensado pela sua integração com a matéria mais densa. Está para o organismo aprimorado dos Espíritos algo enobrecidos, como um macaco antropomorfo está para o homem bem-posto das cidades modernas. Em criaturas dessa espécie, a vida moral está começando a aparecer e o perispírito nelas ainda se encontra enormemente pastoso. Por esse motivo permanecerão muito tempo na escola da experiência, como o bloco de pedra rude sob marteladas, antes de oferecer de si mesmo a obra-prima..."

"O prodigioso corpo do homem na Crosta Terrestre foi erigido pacientemente, no curso dos séculos, e o delicado veículo do Espírito, nos planos mais elevados, vem sendo construído, célula por célula, na esteira dos milênios incessantes... até que nos transfiramos de residência, aptos a deixar, em definitivo, o caminho das formas, colocando-nos na direção das esferas do Espírito Puro, onde nos aguardam os inconcebíveis, os inimagináveis recursos da suprema sublimação! (8)

(8) "Entre a Terra e o Céu", pág. 132.

Infelizmente, na posição evolutiva em que se encontra, o homem não tem sabido usar, de maneira nobre, os recursos de que dispõe para aprimorar seus instrumentos de manifestação. Criações mentais de natureza inferior, cultivadas com sofreguidão e assiduidade, prejudicam enormemente os contornos morfológicos do corpo espiritual, de extrema delicadeza, 0nde ficam impressos todos os maus tratos recebidos da mente. Daí a existência, no mundo extra físico, tão bem descrito por André Luiz, de desencarnados portando aleijões em suas formas, ou, então, os casos mais graves de seres humanos que se apresentam, grotescamente, sob forma animalesca, fenômenos esses denominados de zoantropia.

É fácil entender que o homem, ao alimentar, durante tempo relativamente longo, desejos e sensações próprios das faixas evolutivas sub-humanas, acabe imprimindo, ainda que provisoriamente, ao perispírito configurações equivalentes a esses impulsos e anseios. Na realidade, sob certos aspectos de natureza mental não há muita diferença entre o gastrônomo inveterado e um suíno; entre o assaltante frio e calculista e um felino à espreita de sua presa; entre o enfatuado e um colorido pavão.

O ascendente mental sobre o corpo espiritual é tão grande que, em determinadas circunstâncias, os efeitos podem ser imediatos, dependendo da força do jato mental, como no caso narrado por André Luiz, em que um verdugo da Espiritualidade, arvorando-se em juiz de infeliz irmã com pesados débitos na última romagem terrena, e utilizando processo hipnótico de grande intensidade, compeliu-a a transformar-se numa loba. (9)

(9) "Libertação", pág. 72.

Outra compungente situação de aviltamento do corpo espiritual é a que conduz ao seu desgaste, transformando-o numa espécie de esfera, de "formas indecisas e obscuras", num simples ovóide de tamanho um pouco maior que um crânio humano. (10)

(10) Idem, pág. 84.

Uma das causas mais frequentes do desgaste do veículo perispirítico é a idéia fixa da vingança, do ódio.

Eis como se dá esse processo deprimente:

"Muitos infelizes, obstinados na ideia de fazerem justiça pelas próprias mãos ou confiados a vicioso apego, quando desafivelados do carro físico, em que  volvem sutilmente aqueles que se lhes fazem objeto de calculada atenção e, auto-hipnotizados por imagens de afetividade ou desforço, infinitamente repetidas por eles próprios, acabam em deplorável fixação monoideísta, fora das noções de espaço e tempo, acusando, passo a passo, enormes transformações na morfologia do veículo espiritual, porquanto, de órgãos psicossomáticos retraídos, por falta de função, assemelham-se a ovóides, vinculados às próprias vítimas que, de modo geral, lhe aceitam, mecanicamente, a influenciação, à face dos pensamentos de remorso ou arrependimento tardio, ódio voraz ou egoísmo exigente que alimentam no próprio cérebro, através de ondas mentais incessantes." (11)

(11) "Evolução em Dois Mundos", pág. 117.

É de se salientar que a forma ovóide é a do próprio corpo mental, como já foi dito acima. Assim, quando o Espírito se apresenta sob essa aparência é sinal de que ele está usando "apenas" o seu "corpo mental". Isto está confirmado por André Luiz, que, referindo-se a uma falange de Espíritos nessas condições diz que eles se "caracterizavam pelo veículo mental". (12)

(12) "Libertação", pág. 115.

De tudo isso, tira-se uma conclusão curiosa: o ser humano, no mundo espiritual, perde seu veículo perispirítico ou por falta de uso adequado ou por prescindir dele, em planos de vibrações mais altas. Só que nestas regiões, o corpo mental se apresenta muito diferente da formação limitada do ovóide já mencionado, conforme nos mostra André Luiz:

"Enriquecer a mente de conhecimentos novos, aperfeiçoar-lhe as faculdades de expressão, purificá-la nas correntes iluminativas do bem e engrandecê-la com a incorporação definitiva de princípios nobres é desenvolver nosso corpo glorioso na expressão do apóstolo Paulo, estruturando-o em matéria sublimada e divina. Essa matéria é o tipo de veículo a que aspiramos, ao nos referirmos à vida que nos é superior. Estamos ainda presos às aglutinações celulares dos elementos físico-perispirituais, tanto quanto a tartaruga permanece algemada à carapaça. Imergimo-nos dentro de fluídos carnais e deles nos libertamos, em vicioso vai-vem, através de existências numerosas, até que acordemos a vida mental para expressões santificadoras.” (13)

(13) Idem, pág. 86
           
Esses sentimentos sublimes, ministrados pelos instrutores do Mundo Maior, compelem-nos a meditar nos sagrados objetivos de nossa existência, subordinando os nossos propósitos do Senhor, a caminho daquela meta luminosa que nos foi revelada pela palavra do Mestre: “Sede perfeitos!”

            A distância a ser percorrida é imensa, bem sabemos, mas a “marcha de alguns quilômetros começa com o primeiro passo”, como já dizia a antiga sabedoria chinesa. E quem já deu o primeiro passo não deve voltar atrás. Poderá encontrar muitas surpresas no caminho, desprezar a trilha mais curta, sofrer algumas quedas, mas, após descortinar o Sol das Verdades Eternas, não mais se comprazerá nas sombras da retaguarda.




Seleção cármica do mundo



Seleção Cármica do Mundo
Indalício Mendes
Reformador (FEB) Julho 1976


Neste mundo tumultuado em que vivemos, sacudido, sem nenhuma dúvida, pela necessidade mais acentuada de depuração, somos todos forçados a tomar conhecimento de fatos gravíssimos, porquanto demonstram que a natureza humana, apesar de tantos e tantos séculos de civilização, ainda está contaminada por Espíritos impuros, capazes de provocar o desespero, como, aliás, está acontecendo, em virtude da utilização de até então não conhecidos processos de violência e rebeldia. São, evidentemente, Espíritos ainda cegos pelo ódio, e alucinados pela ânsia de vingança, ainda na suposição de que o melhor remédio para os males humanos é a força, a intolerância e o fanatismo ideológico.

A Terra passa por severo e extenso período de transição, a caminho de uma nova Era. Essa transição é multiforme, e não apenas moral e espiritual. Além do gigantesco desenvolvimento científico, de que os progressos tecnológicos nos dão idéia clara e insofismável, há a tentativa do Materialismo, convencido, por certo, de que estabelecerá definitivamente seu domínio discricionário neste planeta, se, num derradeiro e desesperado esforço, expulsar do seio da humanidade o sentimento religioso que lhe é inato, não obstante tantas teorias confusas e efêmeras pretenderem que tal sentimento não passa de mito criado pelo próprio homem, quando despertava para a vida intelectual e ainda não possuía nenhuma explicação para os fenômenos da Natureza, que tanto o assustavam e preocupavam.

Entretanto, já começou o trabalho de expurgo anunciado pelas profecias. Será cruento e demorado. Todas as imundícies da alma humana não evoluída virão à tona, como estão vindo, para que se alcance a catarse indispensável ao estabelecimento de uma vida simples e pacífica, na qual os homens se compreendam e se respeitem, e se amem, realizando na Terra "o reino dos céus" de que nos falam os Evangelhos. A limpeza começou, pois a roda cármica foi acionada com energia pelos próprios faltosos, e os efeitos aí estão, à vista de todos: grupos que se hostilizam, derramando sangue, semeando a intranquilidade, conspurcando as mais belas conquistas humanas, até que, esgotados os recursos da violência e da desumanidade, satisfeitas as exigências cármicas criadas e alimentadas por Espíritos divorciados do Bem, possa ir este planeta, a pouco e pouco, curando suas feridas, buscando o reequilíbrio social e compreendendo, depois de tantas dores individuais e coletivas, que sem o Evangelho não há salvação.

Os desatinos têm sido tantos, e tão diversificados, que até os mais delicados animais sofrem a crueza da ação de pessoas gananciosas. Não faz muito tempo, os jornais descreveram o massacre frio de milhares de pintinhos, a pretexto de serem salvaguardados discutíveis interesses econômicos (?). Para maior tristeza nossa, o fato aconteceu no BrasiL.. Por toda parte da Terra, a ansiedade e o medo acicatam o homem. Em nome da liberdade, matam-se inocentes. Em nome do direito, sacrificam-se pessoas inermes, deixando que o desespero ajude a maldade a dominar a Terra, como se o Anticristo esperado já estivesse com o seu macabro programa em execução.

Aqueles que se afeiçoam ao estudo das profecias, e acompanham com religioso interesse a vida contemporânea hão de ter verificado que os acontecimentos que estão agitando o mundo, a começar pelos desentendimentos no Oriente Médio, foram previstos com absoluta precisão, e com absoluta precisão estão observando que os eventos de cada dia se conjugam para a comprovação real, embora trágica, dos fatos que assinalam a tarefa catártica deste fim de século.

Jeane Dixon, famosa vidente católica norte--americana, que predisse o assassínio de John Kennedy, Presidente dos Estados Unidos da América do Norte, além de numerosos outros vaticínios já confirmados, anunciou já haver nascido no Oriente Médio aquele que será reconhecido como AntiCristo, e que a renovação espiritual da Terra tornar-se-á mais evidente depois de 1999, isto é, às vésperas do repontar do ano 2000.

A crosta planetária também está sendo preparada para tão acalentador acontecimento. Inúmeras transformações geológicas, climáticas, etc., têm sido apontadas por cientistas de idoneidade real. O orbe modificar-se-á para dar novo ambiente à humanidade também modificada. É a Lei de evolução que se desenvolve, ressaltando a grandeza da Inteligência Divina, que os cépticos contestam, esquecidos de que ninguém deixará de ter o seu quinhão, quando chegar o momento decisivo, quando a Verdade se mostrar em toda a sua opulência e todo o seu poder incoercível. Não será destruído o planeta, mas os Espíritos rebeldes e reincidentes, que terão, agora, a sua derradeira oportunidade de reabilitação, experimentarão as consequências de suas reiteradas ofensas à Lei divina, sofrendo o exílio corretor em esferas mais inferiores, para que se libertem dos instintos ferozes que tanto têm conturbado a vida humana.

Talvez se julgue que estejamos fantasiando ou que pretendamos fazer ficção com assunto tão importante. Nada disso. Nossas palavras fundamentam-se nas profecias, que começam nas Sagradas Escrituras, transitando pelo Apocalipse de João, e varando os tempos, através de outros intérpretes, nem sempre levados a sério, mas que, em sua humildade, têm trazido à humanidade a previsão do que a espera, em virtude da reincidência no mal, no desdém às advertências do Alto, na teimosia irracional de admitir que o Espírito imortal possa, um dia, ser escravizado pelo ateísmo materialista.

Quando alguém trata destes assuntos, fala no deserto. O menos que dizem é que está com o "miolo mole", tornou-se místico, está "atuado", etc. A roda cármica continua girando incessantemente. Foi predito que o materialismo e o hedonismo avassalariam o mundo atual, e que a juventude inexperiente seria iludida e levada a movimentos estranhos e bizarros de reivindicações muitas vezes absurdas. Quem quiser ter o trabalho de um exame retrospectivo do que aconteceu numa só década (1960-1970) poderá tirar conclusões seguras de que as previsões não foram exageradas. Disseminaram-se pelo mundo a irresponsabilidade e a violência; a segurança individual e coletiva, principalmente em determinadas regiões da Terra, tornou-se precária; aumentou em toda parte o índice de criminalidade; o monopólio do petróleo está evidenciando a progressiva dificuldade que o Oriente impõe ao Ocidente, sacrificando a economia de numerosas nações e provocando perturbações inúmeras. E essa economia, por força da hegemonia oriental no campo petrolífero, tornou estática a balança econômico-financeira de nações que aspiram ainda a libertar-se do subdesenvolvimento, acarretando inquietações sociais bem visíveis.

Por uma espécie de atavismo, ou que melhor e mais apropriado nome tenha, paira a impressão de que as agruras experimentadas no passado remoto pelo Oriente, ante o avassalamento do Ocidente, inclusive através das Cruzadas, voltam-se agora contra o mundo ocidental. Isto nada mais é do que o retorno cármico, que nunca falha e não poupa indivíduos, coletividades, nações. Não nos tomem por símile de Cassandra. Não. Consultem-se as profecias, busquem-se as verdades que nelas se encontram, não raro veladas pela letra. Lembremo-nos da advertência de Paulo: "Segui a caridade; contudo, aspirai aos dons espirituais, porém sobre todos ao de profecia. O que fala em língua não fala a homens, senão a Deus; pois ninguém o entende, mas em espírito fala mistérios. Porém, aquele que profetiza, fala a homens para edificação, exortação e consolação. Aquele que fala em língua edifica-se a si mesmo; mas, o que profetiza, edifica a igreja (isto é, a religião). Quero que todos vós faleis em línguas, mas, antes, que profetizeis; maior é aquele que profetiza do que aquele que fala em línguas, a não ser que as interprete, para que a igreja (a religião, esclarecemos) receba a edificação" (I Coríntios, 14-1:5). (Parêntesis nossos.)

Já iniciada a idade apocalíptica em 1914, o período mais trágico e lúgubre da história da humanidade processou-se com a ascensão de Hitler ao poder, e a consequente conflagração bélica que sacrificou milhões de seres e mudou a face do mundo, desde então perturbada pela Besta, que buscou aprimorar-se no extermínio cruel, frio e satânico de milhões de judeus, conforme se pode ver, recentemente, num programa impressionantemente macabro apresentado na Televisão brasileira.

Todos esses fatos se encadeiam, estão inter relacionados, mostrando a que requintes de maldade pode ser levado o homem divorciado de Deus. Todavia, o poder extraordinário de Hitler chamado então, "a nova encarnação de Átila", superou folgadamente o Rei dos Hunos, que, no século V a.C., varreu o Oriente e o Ocidente, semeando a dor e o luto, o desespero e o terror, até surgir a punição que o aguardava, em 451, quando foi derrotado por Aécío, Meroveu e Teodorico. Morreu na noite de seu casamento com a princesa Hilda, da Borgonha ...

No século VIII, entretanto, uma vidente conhecida como Santa Odila, teve uma visão profética: "Ouve, ouve, ó meu irmão, que eu vi o terror das florestas e das montanhas. O espanto gelou os povos. Chegou o tempo em que a Germânia (hoje, Alemanha) será chamada a nação mais belicosa da Terra. Chegou a época em que surgirá do seio do seu povo o guerreiro terrível, que empreenderá a guerra do mundo e a quem os povos armados chamarão o AntiCristo, aquele que será amaldiçoado pelas mães, chorando, como Raquel, seus filhos, e não querendo ser consoladas. Vinte povos diversos combaterão nesta guerra. O conquistador sairá das margens do Danúbio. (...) A guerra que empreender será a mais pavorosa que as criaturas humanas jamais terão sofrido. (...) Ele alcançará vitórias em terra, no mar e até nos ares, pois se verão seus guerreiros alados, em cavalgadas inimagináveis, elevarem-se até ao firmamento, para aí se apoderarem das estrelas, a fim de as arremessarem sobre as cidades e nelas atearem grandes incêndios. (...) Entretanto, o conquistador terá atingido o apogeu de seus triunfos cerca do meio do sexto mês do segundo ano das hostilidades: será o fim do primeiro período, dito de vitórias sangrentas ("Cruentarum victoriarum"). Julgará ele, então, poder ditar suas condições."

Aqui, um parêntese: A visão foi de uma clareza impressionante. Aí está retratado Hitler. Os trechos grifados ressaltam a realidade dos fatos previstos. Os "guerreiros alados" são os aviadores da Luftwaffe; as estrelas, os terríveis explosivos usados nos ataques aéreos. O leitor não terá dificuldade de verificar, por si mesmo, o realismo da descrição. Continuemos, porém:

"A segunda parte da guerra será igual, em duração, à metade da primeira e será chamada de "tempus deminutionis" (o período da diminuição). Será fecunda em surpresas (rebus inopinatis), as quais farão tremer os povos. Pelo meio deste tempo, as populações submetidas ao conquistador clamarão: "Paz! Paz! ... " Mas não haverá paz alguma. Não será o fim, mas o começo do fim, quando o combate se travar na cidade das cidades. (O texto em latim diz: "Non finis, sed equidem finis, quando in oppido oppidorum de manu certaverint"). Neste momento, os seus quererão dilapidá-lo, mas, no Oriente, far-se-ão coisas prodigiosas.

"O terceiro período será de curta duração: Chamar-lhe-ão "período de invasão", porque, por uma justa compensação das coisas, o país do conquistador será invadido por todos os lados (ex omnibus partibus). ( ... ) Os povos crerão que seu fim está próximo, o cetro passará a outras mãos e os meus se regozijarão. Todos os povos espoliados recuperarão o que houverem perdido e alguma coisa mais. ( ... ) A região da Lutetia (antigo nome da França) será salva, etc. ("Assim falaram os profetas", de Ernst Izgur, edição em língua portuguesa, 1943, "Livros de Portugal, Ltda." - Rio, páginas 141/143).

Corroborando a espantosa profecia de Santa Odila, surgiu, no século XVII (ano de 1600), a profecia latina de Frei Johannes, da qual reproduzimos somente alguns trechos:
1) "Em 1889, nascerá, nas margens do Danúbio, um homem com o nome de Anticristo. (1)
2) Príncipe da mentira, invocará Deus e dirá, para justificar-se, que vem para castigar povos corrompidos. (2)
3) Durante muito tempo, agirá por traição, e, informado pelos seus espiões, que percorrerão toda a Terra, saberá os segredos dos poderosos. (3)
4) Terá doutos que justificarão a sua missão no mundo.
5) Uma guerra, porém, desmascará-lo-á. Seus exércitos numerosos, semelhantes a legiões infernais, invadirão várias nações, levando tudo de vencida e destruindo tudo à sua passagem", etc. (4)

Neste pequeno trecho de cinco itens (são 25 itens ao todo), podemos notar a segurança da predição completa:

(1) Adolf Hitler, que nasceu no lugar e ano indicados;
(2) os "povos corrompidos" citados são os judeus;
(3) a larga rede de espionagem mantida pelo nazismo;
(4) pessoas de relevo que apoiaram Hitler;
(5) a guerra que ele desencadeou e que terminou em 1945, com a sua derrota
total.

Houve tempo em que a perseguição a hereges esvaziava todas as classes da sociedade, das mais humildes às mais elevadas. O concílio de Constança foi convocado, em 1415. Tinha ele um triplo fim:

 1º. a união da Igreja sob a direção e o domínio de um único Papa;
2º. a reforma do clero;
3º. a supressão da heresia.

 A História conta-nos como a heresia foi erradicada, à custa de crimes inomináveis, inclusive contra inocentes. De conformidade com a orientação política estabelecida, esse concílio foi proclamado "concílio supremo", pretendendo a abdicação do Papa João XXIII, ratificando-se contra ele todas as acusações, algumas delas realmente monstruosas, que justificavam completamente o epíteto de "diabo encarnado", que lhe haviam atribuído. Foi mudado o modo de sufrágio,
introduzindo-se o voto por nação, que reduzia os italianos a um único voto. Foi a esse mesmo concílio que João Huss se apresentou sob a proteção dum salvo-conduto do Imperador Segismundo, sendo, desde sua chegada, aprisionado. A 5 de junho desse mesmo ano, Huss foi conduzido, acorrentado à presença do concílio, que declarou que a fé concedida a um herético podia ser legitimamente violada.

A sessão conciliar foi tumultuosa, com protestos contra a traição a Huss. Muitas vozes ergueram-se a seu favor, clamando por sua libertação. Outras, ávidas de sangue, queriam a execução do preso. A reunião foi adiada. No mesmo dia um eclipse do Sol, que parecia total, em Praga, motivou comentários desencontrados. O Imperador estivera presente com todos os seus pares. Feita uma lista dos erros atribuídos a João Huss, redigiram uma fórmula de retratação, que ele recusou com as seguintes palavras: "Entrego-me a Jesus Cristo, o juiz poderoso e justíssimo. É a ele que confio minha causa, ele, que julgará cada homem, não se deixando iludir por falsos testemunhos ou por concílios desvairados, mas segundo a verdade e os méritos de cada um." A 1º de julho, o concílio reuniu-se solenemente. Trinta artigos contra Huss foram lidos, acusado, dentre outras coisas, de crer que o pão não era metamorfoseado depois da consagração. O prisioneiro, em sua angústia, olhou fixamente o traidor Segismundo e exclamou: "É, entretanto, sob a proteção do salvo-conduto do Imperador que vim aqui!" O monarca culpado não pode deixar de corar. João Huss foi forçado a ajoelhar-se para ouvir a sentença. Seus escritos e seu corpo foram consumidos pela fogueira daqueles que se inculcavam seguidores de Jesus!

Desculpe o leitor essa digressão que fizemos com o objetivo de traçar o quadro tétrico e intolerante enfrentado por João Huss, sobre quem escreveu Max (pseudônimo do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes):

"João Huss arranca das trevas da ignorância a idéia da pluralidade de existências e da comunicação dos espíritos, e João Huss é condenado à fogueira. Correm, porém, os tempos, e o hussismo, com o nome mudado em Espiritismo, vai avassalando o mundo, recebendo a sua sagração das mãos dos maiores sábios de nosso tempo." E ainda: "O Espiritismo é o nome próprio da doutrina de que João Huss foi precursor e de que Charcot é inconsciente apóstolo." ("Estudos Filosóficos" – 1º vol., páginas 240 e 242.)

O segundo ciclo iniciou-se no ano de 1594 e terminou em 1804. Acontecimentos históricos, astronômicos e geológicos, verdadeiramente espantosos, marcaram-lhe o período. Nele sobreveio a mais sangrenta e pavorosa de todas as revoluções de caráter social: a Revolução Francesa, que subverteu o regime monárquico-feudal, extinguiu a supremacia da nobreza latifundiária e estabeleceu um sistema social mais favorável ao progresso industrial e ao desenvolvimento econômico e político das camadas populares. A revolução de 1789 abriu novos horizontes para a humanidade, não obstante os clamorosos erros cometidos, as injustiças consumadas e crimes, como o assassínio do grande sábio Lavoisier, que envergonham a espécie humana. A varredura cármica foi terrível, tendo sacudido os alicerces da velha Europa, e repercutindo, com grande força, na vida política e social de todos os povos, através de líderes que, comumente, eram arrebatados pela demagogia e a solércia, na busca do poder.

O terceiro ciclo, de 1804 a 2014, ainda em curso, começou, efetivamente com a coroação de Napoleão Bonaparte pelo Papa, no dia 2 de dezembro de 1804. O Imperador corso dominou o mundo de sua época, mas não escapou ao determinismo cármico, Cumpria-lhe realizar uma missão importante, que a ambição desnaturou. Costumava dizer que "o futuro está nas mãos de Deus", sem se lembrar de que Deus nos conferiu o livre-arbítrio e o senso de responsabilidade para não irmos além do permitido por Suas leis. Constituem capítulo interessante da história de Bonaparte as superstições que cultivava, que o Dr. Cabanes relata em "O Consultório Secreto da História". Todavia, nem tudo era superstição. O Imperador era dotado de mediunidade intuitiva e dado a pressentimentos que se confirmavam, na maioria das vezes. Ele mesmo confessou duma feita: "Meus pressentimentos nunca me enganam." Era, igualmente, dado a visões e possuía inelutável aversão à letra M. Cabanes menciona a influência do M em sua vida: "Mortier fora um dos seus melhores generais. Três dos seus ministros haviam-se chamado Maret, Mollieu, Motativet. Seu primeiro camareiro chamava-se Montesquiou. O duque de Bassano, Maret, era o seu conselheiro mais ouvido. Seis marechais traziam nomes começando pela letra M: Massena, Marmont, Mortier, Moncey e Murat. Marbeuf fora o primeiro a reconhecer sua capacidade na Escola Militar. Mas Mallet conspirou contra ele, Murat abandonou-o, depois de Marmont.  Metternich batera-o no terreno da diplomacia. Entregou-se ao capitão Maitland, a bordo do navio Bellérophont. Em 1814, a resistência em Soissons teria salvado o Imperador, assegurando- lhe os resultados de sua marcha de flanco sobre os exércitos de coligação; o general que comandava aquela cidade chamava-se Moreau; ele abriu as portas muito cedo, e Napoleão, vendo falhar seu plano, exclamou: - Esse nome de Moreau sempre me trouxe desgraça!"

Marengo fora - é verdade - a primeira vitória que obtivera sobre o general Mélas, um nome predestinado. Depois, ganhou as batalhas de Montemotte, Millesimo, Mondovi, Montmirail, Montereau. No entanto, foi completamente esmagado em Mont-Saint-Jean (Waterloo) . Milão foi a primeira capital onde entrou como vencedor: Moskva, a última. Perdeu o Egito com Menou, e foi Miollis quem, por sua ordem, aprisionou o Papa. Em Santa Helena, dois de seus fiéis eram o criado de quarto Marchand e o general Montholou. Enfim, não foi em Malmaison que ele passou as poucas horas de calma e de felicidade que sua existência tão atribulada lhe permitiu?" Podemos apontar, também, como curiosidade (*), que o W (M invertido) também foi fatídico para Napoleão: Waterloo e Wellington. É sobremaneira interessante repetir estas outras palavras do Dr. Cabanes, por profundamente insuspeito, aos pontos de vista do Imperador. Diz ele: " ... Napoleão tinha notável tendência para sobrenatural." - "Napoleão é, ao mesmo tempo, intuitivo e o homem de ação. Admitamos que essa faculdade de intuição seja levada suficientemente longe para fazê-lo adivinhar o desconhecido, para dar-lhe esta visão "à longue portée" que, às vezes, lhe revelará de antemão os acontecimentos, em meio às brumas indecisas de um futuro longínquo, e então nos explicaremos aqueles pressentimentos, aquelas profecias que, num exame superficial, estaríamos inclinados a assemelhar a sonhos ocos."

"Napoleão acreditava na Providência e na alma imortal, e esta mistura de fatalismo e de espiritualismo não é assim tão incoerente, como poderia parecer à primeira vista. Para ele, a alma não era somente separada do corpo; ela poderia viver sua própria vida em atmosfera especial, toda sua, e que é o domínio que os nossos sentidos não nos permitem explorar, o domínio do oculto e do maravilhoso". (Vol. II, páginas 193-194).

Os grandes homens sempre deixam, na vida dos povos, na história da humanidade, rastros de sua passagem, marcas de ações que contribuem para precipitar ou para favorecer acontecimentos importantes no destino dos homens e do planeta. O terceiro ciclo tem-nos dado grandes sábios. Mas, também, o progresso intelectual e material, em consequência de benefícios que tornaram a existência mais cheia de prazeres e conveniências, o hedonismo e o materialismo cresceram em demasia.

Os homens não quiseram compreender o grave erro de desprezarem os deveres espirituais. Aprenderam, em sua luta secular contra a Igreja romana, contra os excessos da intolerância e o desrespeito aos preceitos evangélicos, a supor que Deus é uma fantasia´e que o homem se fez deus deste mundo material e intranquilo em que vivemos. Mas, são falsos deuses, trabalhados pelo orgulho, pela vaidade, pelo egoísmo, pela ambição. Deuses de pés de barro, que não poderão jamais resistir às Leis espirituais a que todos estamos sujeitos. É tempo de se pensar no cultivo da alma. Os bens materiais são permissíveis desde que não proscrevam do pensamento humano os deveres espirituais.

Consultemos a História, da Revolução Francesa para cá. Veremos, como que numa tela cinematográfica, os acontecimentos notáveis que confirmam, uma a uma, todas as profecias da Bíblia, de Nostradamus, etc. Consultemos a obra do famoso Michel e encontraremos nela o relato sintético de todos os acontecimentos históricos que trouxeram a humanidade à situação que hoje defronta. O futuro está fatalmente entrelaçado ao pretérito. Os fatos de hoje foram engendrados ontem. É uma cadeia interminável de acontecimentos faustos e infaustos (*) Vide, em "Obras Póstumas" - Segunda Parte -, a explicação de Allan Kardec a respeito das previsões da Sra. de Cardone, em 6-5-1857, que vira, na leitura das linhas das mãos do Codificador, a tiara espiritual. (Páginas 287 a 291, 15. edição, FEB, 1975.) que impele a humanidade para o expurgo que há de vir. Os acontecimentos políticos e sociais nem sempre são obra do homem de hoje, mas de homens de ontem, que semearam o que hoje colhe a humanidade. Muitos poderão ver na atitude dos monopolizadores do petróleo no Oriente Médio uma consequência remota dos sofrimentos impostos aos orientais, inclusive durante as Cruzadas. Não há acontecimentos estanques. Pelo contrário, todos são solidários entre si, multo embora não tenhamos elementos para positivar essa correlação antiga e permanente da causa com o efeito.

Nas décadas porvindouras, tomem nota disto os jovens de agora, o mundo sofrerá terríveis comoções, e a humanidade será levada a experimentar as durezas da vida que o materialismo lhe tem dado, com o abandono do Evangelho. Aqueles que buscam o aconchego de Deus na Religião, cultivando o Bem e o Amor fraterno, esses serão o trigo que será cuidadosamente separado do joio condenado. As profundas alterações por que vem passando o mundo, aqui e ali, no comportamento humano, na subversão dos bons costumes, no repúdio à Moral cristã, são elementos que servem para configurar as condições novas que estão sendo geradas pelo processo cármico em andamento.

Adverte Emmanuel: "A Terra está povoada, em quase todas as latitudes, de seres que se desenvolveram com ela própria e que se afinam perfeitamente às suas condições fluídicas. Pequena percentagem de homens é constituída de elementos espirituais de outros orbes mais elevados que o vosso; daí, a enorme diferença de avanço moral entre os seres humanos e os abnegados apóstolos da luz que, em todos os tempos, tentam clarear-lhe as estradas do progresso. É comum conhecerem-se pessoas que nutrem perfeita adoração a todos os prazeres que o mundo lhes oferece. Por minuto de voluptuosidade, pela contemplação dos seus haveres efêmeros, por uma hora de contacto com as suas ilusões, jamais procurariam o conhecimento das verdades da eterna vida do espírito; procuram toda casta de gozos, evitam qualquer estudo ou meditação e se entregam, freneticamente, ao bem-estar que a carne lhes oferta. Essas criaturas, invariavelmente, são espíritos estritamente terrenos, que não saem dos âmbitos da existência mesquinha do planeta neta; esta afirmação, porém, não implica, de modo geral, a origem desses seres em vosso próprio orbe, mas, sim, a verdade de que muitos deles, pelas suas condições psíquicas, mereceram viver em sua superfície, como prova, expiação ou meio de progresso. Apegam-se com fervor a tudo quanto seja carnal e experimentam o pavor da morte, inseguros na sua fé e falhos de conhecimentos quanto à sua vida futura."

As profecias são um aviso, uma advertência, secundando a palavra do Cristo, Governador do planeta. Sodoma e Gomorra devem ser consideradas como expressão da materialidade e impiedade humana, como exemplo de que o materialismo e o ateísmo não são mais que forjas do sofrimento. Jamais se viu a Terra tão desorientada e revoltada como nestes tempos tumultuosos. O Evangelho foi esquecido, a Religião foi repudiada, a Fraternidade superior foi trocada pela solidariedade no vício e no mal. Todavia, os que hoje sorriem superiormente, ironizando o chamamento dos crentes em Deus, no Cristo e no poder redentor do Evangelho, esquecem-se de que a dor os acompanha, silenciosa, para acicatá-los na devida oportunidade. Mais tarde, não terão forças para ironizar, porque o sofrimento afugenta os sentimentos inferiores e desperta para a verdade. E, desta vez, tudo será mais sério, porque a humanidade terá pela frente, de novo, o AntiCristo, em sua derradeira ofensiva.

"O Evangelho do Divino Mestre ainda encontrará, por algum tempo, a resistência das trevas. A má-fé, a ignorância, o simonismo, o império da força conspirarão contra ele, mas tempo virá em que a sua ascendência será reconhecida. Nos dias de flagelo e de provações coletivas, é para a sua luz eterna que a humanidade se voltará, tomada de esperança. Então, novamente se ouvirão as palavras benditas do Sermão da Montanha e, através das planícies, dos montes e dos vales, o homem conhecerá o caminho, a verdade e a vida" (Emmanuel).

"Que civilização é esta em que tudo o que é construído pelo homem serve para a destruição do próprio homem?" Essa era a pergunta que Leonardo Da Vinci fazia há mais de 450 anos. Dessa época aos nossos dias, o homem progrediu muito na arte de matar e de destruir. Tomemos como imagem simbólica desse sinistro progresso a bomba atômica, que destruiu Hiroxima e Nagasaki. Que civilização será esta nossa, quando a luz da explosão atômica seduz mais que a luz suave do Evangelho?"

Um monge de nome Johannes, há mais de cem anos, profetizou: "Em 1889, nascerá nas margens do Danúbio um homem que merecerá o nome de AntiCristo." Nesse ano, nascia em Braunau, na Austria, Adolf Schucklburger, que, aos 21 anos, começaria a chamar-se Adolf Hitler. Segundo os numerologistas, o nome Schucklburger trazia influências maléficas, enquanto Adolf prevê gênio e felicidade. Entretanto, de acordo ainda com esses especialistas, o nome Adolf Hitler era também maléfico. Esse estudo foi feito antes de irromper a 2ª Grande Guerra Mundial. Ver-se-á, pois, que a malignidade de Adolf Hitler foi além das piores expectativas. Mais do que Átila, foi ele considerado também o AntiCristo. Mas, já foi anunciado que o 3º Anticristo é esperado nos últimos anos do século atual, que desencadeará a 3ª Guerra Mundial. Só a misericórdia divina poderá intervir para poupar a humanidade de tão extrema provação. Mas, que faz a humanidade para ir ao encontro dessa misericórdia? Nada. O panorama político-social do mundo não precisa de comentário.

O Espiritismo Cristão é o fanal da esperança que pode levar a humanidade à compreensão de Deus e à solução do problema da Verdade, através do Evangelho, em espírito e verdade.
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Obras consultadas: A BíbIia, "Histoire du Développement Intellectuel de l’Europe" - J. W. Draper; "As Quatro Babilônias", de Marlus Coeli; "Assim falaram os profetas", de Ernst Izgur"; "O Livro das Profecias", de Mozart Monteiro; "Profecias de Nostradamus", Marques da Cruz; "Les Prophéties de Maitre Michel Nostradamus", Dr. de Fontbrune; "Dom de Profecia pela fenomenal Jeane Dixon", de Ruth Montgomery; "The Call to Glory - Speakes of Jesus and Prophecy ", de Jeane Dixon; "Profetas e Profecias" - Nostradamus, de João Paulo Freire (Mário); "Novos Profetas do Médio Oriente", de Isaac Akcelrud; "A Profecia e o Fim dos Tempos", de Leoni Kaseff.


Fraternidade e Paz



Fraternidade e Paz
Ismael
Reformador (FEB) Junho 1976

Permite-me, Senhor, imitar tua sublime lição, quando, subindo ao Monte, reuniste em torno de ti a multidão dos aflitos, dos injustiçados, dos que tinham necessidade de ser assistidos em amor e em compreensão, dos que fossem capazes de renunciar para exemplificar humildade.

Nós, Senhor, a quem convidaste à graça de servir-te, suplicamos, ainda uma vez,
volveres para nós o teu coração, tão cheio de amor, a fim de que possamos igualmente transmitir, aos que nos confiaste, as esperanças da bem-aventurança, sem que seja retirada a noção da responsabilidade e dos testemunhos que lhes são inerentes.

Permite-me, Senhor, assistir os discípulos da minha oficina de trabalho santificado, distribuídos pelo imenso campo de atividade para onde transferiste a Árvore do Evangelho, que, um dia, estenderá seus ramos por todo o orbe terreno, exigindo, até lá, suor e lágrimas dos desbravadores dos caminhos, dos responsáveis pela aradura da terra.

Tu os conheces, Senhor, melhor do que eles mesmos, sabes das fraquezas e das paixões neles enraizadas. Nós te suplicamos, Senhor, lhes fortaleças a fé, diante das lutas. Renova-lhes o Sermão do Monte, lembrando-lhes que o Reino dos Céus pertencerá aos humildes, aos que forem capazes de, renunciando, perdoar setenta vezes sete vezes. Faze-lhes, Senhor, sentir que somente os compreenderás como teus irmãos pelo amor que tiverem uns para com os outros.

Meus filhos, meus irmãos, se me amais, ajudai-me a: reunir, em torno da bandeira da Fraternidade, da bandeira branca da Paz, as ovelhas que Jesus me entregou.

Meus filhos, uni-vos! Buscai solucionar vossas divergências na mansidão e na prudência, na humildade e no amor, mas, antes de tudo, busquemos seguir Jesus, porque Ele é o Caminho. Ele é toda a Verdade, toda a Luz, toda a Sabedoria que a Humanidade pode comportar.

Meus filhos, meus irmãos em Jesus, discípulos de seu Evangelho - irmãos espíritas: Busquemos antes de tudo entender-nos, busquemos confraternizar-nos, busquemos servir sem preocupar-nos com o lugar, que cada um renuncie um pouco a si mesmo, em favor do próximo, buscando todos em Jesus a Divina Luz, o Divino Amor, onde encontrarão, por certo, Sabedoria capaz de solucionar todas as dúvidas,

Rogo-te, Senhor, abençoeis as tuas ovelhas, os discípulos que me confiaste.

Abençoada seja a vossa comunhão.
Ismael
(Mensagem recebida no Grupo Ismael,
da Federação Espírita Brasileira, em 8-4-1976.)