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domingo, 9 de dezembro de 2018

15 - Pensamentos de Jax



15 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

             Chorar não é baixeza nem covardia: não é baixeza, porque o pranto é sentimento, e o sentimento é elevação: não é covardia, porque quem chora não foge ao sofrimento, antes o enfrenta, porque a lágrima é um desafio.

14 - Pensamentos de Jax



14 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929


            O desesperado não chora; porque a lágrima é o início da consolação.

13 - Pensamentos de Jax



13 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

           
            Ignóbil é muita vez a lágrima que ri, quando os lábios soluçam: é a lágrima da carpideira.

12 - Pensamentos de Jax



12 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

            A lágrima é a seiva amarga ou doce vertida no pomo celeste - o coração.


domingo, 2 de dezembro de 2018

Ad majorem Dei gloriam...



Ad majorem Dei gloriam
por Lux
Reformador (FEB) Jan 1920

Aos nossos inimigos tonsurados (1)
(1) Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. (Mateus v. 20,43 a 47)

            A campanha indébita e desabrida que iniciastes contra o Espiritismo, tem sido e será contraproducente. Bem ao revés do que esperáveis, vai dia a dia, mais e mais acelerando a marcha triunfal da Doutrina sublime de Jesus.

            Os tempos são chegados dizem e repetem os invisíveis mensageiros de Deus.

            Já pressentistes que o catolicismo, embora multissecular, se acha minado em suas bases e tende a esboroar-se fragorosamente, a expungir-se, per ommia seacula seculorum.

*
            Contra nós vos insurgis - porque praticamos o bem entretanto oramos por vós que praticais mal.

            Recorreis ao anátema, porque bem longe vão os tempos do Santo Ofício, da treda (pérfida) Inquisição, com os seus calabouços infectos, sem ar e sem luz, com os seus mil instrumentos de tortura, com os desumanos autos de fé!

            Não os tendes mais... e recorreis à excomunhão, como se, porventura não estivéramos em um século de inopinas (repentinas) transições progressivas, de surpreendentes transformações sociais.

            Mas, pobres irmãos delinquentes, quem vos deu o poder de excomungar?  De quem houvestes essa prerrogativa? De Deus? Se o afirmardes, ofendereis sacrilegamente aquele que é o Sumo Bem.

            Ah! Vós é que vos arrogastes esse direito, para atemorizar as almas simples! E dizeis-vos ministros de Jesus Cristo!

            Agora, quando possuídos de ódio, nos anematizais, nós outros erguemos fervorosas preces ao Divino Pai, a fim de que, destarte, possais preferir o bem ao mal, a verdade à mentira e a virtude ao vício.

            Fazemo-lo para que vos seja dado deixar esse caminho de trevas por uma senda de luz.

            Pobres irmãos, vós sois delinquentes recidivos: que de males não tendes causado nos vossos semelhantes por meio da seita que ora defendeis com a bravura do herói de Cervantes!

            Que é de vossa acuidade visual? Acaso não podeis notar que hoje são muitos os que tem olhos de ver e ouvidos de ouvir?

            Não vedes porventura, que o fanatismo, mau grado vosso, decresce dia a dia por influxo dos vedetas (atriz de teatro) e pioneiros do Além?

*
            Muito haveis delinquido: já é tempo de vos arrependerdes!  

            Afeitos ao erro- negais a realidade: adstritos à rotina - repulsais o progresso; inimigos de Jesus - perseguis a Sua Doutrina impoluta! Na vossa teologia râncida (fétida), há muito que deu a carcoma!

            Fugi à treva, procurai a luz.

            Deus, que é a misericórdia suprema, vos perdoará, dando-vos que, arrependido, possais conhecer a Verdade. Deixai essa intolerante seita pagã; abandonai esse Deus antropomorfo com o seu cortejo de semideuses, os ídolos, que as moscas estercoram, que a fuligem dos tempos enegrece, que os térmitas destroem!

            Deixai-os: adorai o vero Deus, que é a infinita bondade, fonte perene de Vida e Luz, de Amor e Caridade.

            Abraçai, pois, a sublime Doutrina do Divino Mestre, segui o Espiritismo, o Consolador, há séculos prometido à Humanidade.

            Aures habent et non audient! (têm ouvidos e não ouvem.)


Velar com Jesus




Velar com Jesus
 Emmanuel
por Chico Xavier

             “E voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudeste velar comigo?" (Mateus, 26:40)

            Jesus veio a Terra acordar os homens para a vida maior.

            Interessante lembrar, todavia, que, em sentindo a necessidade de alguém para acompanhá-lo no supremo testemunho, não convidou seguidores temidos ou beneficiados da véspera e sim os discípulos conscientes das próprias obrigações. Entretanto, esses mesmos dormiram, intensificando a solidão do Divino Enviado.

            É indispensável rememoremos o texto evangélico para considerar que o Mestre continua em esforço Incessante e prossegue convocando cooperadores devotados à colaboração necessária. Claro que não confia tarefas de importância fundamental a Espíritos inexperientes ou ignorantes; mas, é Imperioso reconhecer o reduzido número daqueles que não adormecem no mundo enquanto Jesus aguarda resultados da incumbência que lhes foi cometida.

            Olvidando o mandato de que são portadores, inquietam-se pela execução dos próprios desejos, a observarem em grande conta os dias rápidos que o corpo físico lhes oferece. Esquecem-se de que a vida é a eternidade e que a existência terrestre não passa simbolicamente de "uma hora". Em vista disso, ao despertarem na realidade espiritual, os obreiros distraídos choram sob o látego da consciência e anseiam pelo reencontro da paz do Salvador, mas ecoam-lhes ao ouvido as palavras endereçadas a Pedro: Então, nem por uma hora pudeste velar comigo?

            E, em verdade, se ainda não podemos permanecer com o Cristo, ao menos uma hora, como pretendermos a divina união para eternidade?

            (Do livro "Caminho, Verdade e Vida” pg. 191/192)

11 - Pensamentos de Jax



11 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

Lembrar é sair de si para viver em alguém.

10 - Pensamentos de Jax



10 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

Todos os homens gabam-se da sua honra, e incriminam os vícios; 
se fôramos dar crédito ao que dizem, há muito serviriam
de papel de embrulho as páginas dos códigos penais.

9 - Pensamentos de Jax


 9 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

A história é uma tela imensa,
onde a justiça do futuro retrata os mártires do passado.

8 - Pensamentos de Jax



8 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

A altivez do grande chama-se - orgulho,
a do pequeno - brio, pudor.

7 - Pensamentos de Jax


7 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

Há quem compre para um cão uma coleira de prata,
e negue a um faminto os restos da mesa.

6 - Pensamentos de Jax


6 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

            O avaro tem o coração num cofre; o filantropo um cofre no coração. 

5 - Pensamentos de Jax




5 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

O orgulho é uma das formas do ódio e do egoísmo.


4 - Pensamentos de Jax


4 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929
   
          Quereis unir-vos pela ideia? Uni-vos primeiro pelo coração.


3 - Pensamentos de Jax



3 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

            Das palavras com que perdoamos formam os anjos alegres cânticos com que
seremos recebidos no céu: as palavras com que condenamos voltam para dentro de nós e formam esse cântico fúnebre, que é - o remorso - inimigo da felicidade.


sábado, 1 de dezembro de 2018

2 - Pensamentos de Jax



2 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

O ódio cega, o amor alumia; 
o ódio aponta e arrasta para o abismo; 
o amor atrai e aponta para o céu.

1 - Pensamentos de Jax



1 - Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Janeiro 1929

            O arrependimento é ato da consciência que nos quer perdoar, não resultando porém, desse impulso, o perdão;
pois ainda nos resta alguma coisa do remorso.

Combate ao Ateísmo



Combate ao ateísmo?
por Vianna de Carvalho
Reformador (FEB) Janeiro 1920

            No último Consistório secreto, o atual Chefe do catolicismo – não da cristandade que é coisa absolutamente diversa – instruiu o Episcopado para que volte as suas baterias contra o materiaIismo.
            O papa já excomungou a Teosofia, deu ordens relativas à extirpação do Espiritismo e das ideias protestantes. Agora, encara, frente a frente, o problema ateísta. Foi necessária a irrupção do bolchevismo na Europa, com tendências avassaladoras, para despertar o zelo pontifício na eliminação de princípios negativistas que se infiltram nas populações do velho continente.  
            Há dezenas de anos que o materialismo faz seu curso pernicioso, corrompendo  sobretudo a mocidade das faculdades superiores de ensino.  
            A igreja permaneceu indiferente e calada ante essa inoculação de incredulidade no espírito das novas gerações.
            Mas investiu furiosamente se opondo à propagação do Espiritismo que é, sem dúvida, o maior antídoto à enfermidade em todas as suas manifestações.
            A razão dessa atitude se explica facilmente: o Vaticano compreendeu que era impossível reconquistar, com o absurdo revoltante dos dogmas, às classes ilustradas,  inteligências saturadas de conhecimentos positivos.
            Restava a multidão que não raciocina e sustenta o comércio dos sacramentos.
            A esta, os fatos da ciência são como se não existissem.  
            E, como a doutrina dos espíritos pode ser assimilada pelos homens simples e conduzem ao alijamento da bagagem católica, se impunha a sua condenação de qualquer forma.
            A teologia rançosa considerou-a qual terrível rival e moveu-lhe ataques desleais a ver se conseguia arreda-la do campo das competências religiosas.
            Enquanto isto, as concepções filosofia niilista pairavam no alto, nos areópagos das academias.  
            Presentemente, porém, a cena se mudou.
            O povo começa a executar as ilações das teorias dissolventes outrora defesas à sua curiosidade. Houve amplificação de contágio pelos veículos da imprensa, dos comícios e associações libertárias.  
            E a igreja vê-se assediada por mais outro elemento de destruição.
            Nessa conjuntura sem remédio, recorre a argumentos de fé, exaltando o valor do Deísmo quando, no fundo, apenas defende o próprio interesse comprometido pelas correntes do socialismo revolucionário.


Caminho Estreito



Caminho Estreito
Luiz de Oliveira
Reformador (FEB) Novembro 1919

Caminho estreito... Eis-me a caminho!
Como o percorro a soluçar!
Ah! quanto sofre o pobrezinho
Que não tem pão, que não tem lar!

Caminho estreito... Os pés eu tenho
De o palmilhar sangrando, em dor...
Que peso tem, meu Deus, o lenho
De quem procura a luz do amor!

Caminho estreito, escuro e triste!
Por ele vou... e, aos que me veem,
Digo, a sorrir: a fé me assiste,
Que a paz vos seja... Eu vivo bem!

Caminho estreito... Estrada nobre
Vou percorrendo em treva e luz...
Cristo se fez irmão do pobre:
Também do Cristo eu tenho a cruz!

Caminho estreito... Eu o bem digo!
Eu lhe abençoo a escuridão...
Nele Jesus se fez mendigo:
Por ele o pobre é meu irmão...

Caminho estreito em que me irmano
À alma do pobre e ao Bom Pastor,
Quem o percorreu eu não me engano!
Bençãos terá feitas de amor!

Caminho estreito... estreito à vida
De quem não ama o Eterno Ser!
Quem o maldiz os Céus olvida:
Alma não tem para viver!

Caminho estreito, ao Céu aberto!
Nele, estendendo os olhos meus,
Vejo-me só ... Quanto é deserto!
Quanto se foge à Luz de Deus!

Caminho estreito ... Estrada franca,
Aberta à glória do homem que é
Sincero e justo – uma alma branca
Que se conduz na asa da Fé!

Caminho estreito em que contemplo
Do pobre irmão a vida irmã...
Conduzes para o Eterno Templo
Gloriosamente a alma cristã!

Caminho estreito em que pelejo,
Julguei-te mal - perdão! perdão!
Embora só, agora eu vejo
Que és necessário ao bom cristão!

Hospitalização Carcerária



Hospitalização Carcerária
Emmanuel por Chico Xavier
Reformador (FEB)  Fevereiro 1977

            Quando tiveres de anotar o comportamento dos irmãos reeducandos, em retiros carcerários, deixa que a compaixão se te instale no espírito, antes que a palavra te configure as considerações.
            Presídios são escolas-hospitais, dignas de apreço.
            Irmãos internados nesses educandários se erigem à posição de enfermos em tratamento espiritual.
            Magistrados desempenham a função de especialistas, cominando preceitos penalógicos, à feição de recursos curativos para a supressão de desequilíbrios determinados.
            E, de nossa parte, devemos ser os irmãos compreensivos de quantos se vejam na condição de doentes da alma, integrando com eles a grande família humana.
            Somos todos Espíritos imortais, companheiros da mesma caminhada evolutiva.
            De que maneira condenar os semelhantes, se não dispomos de meios para analisar-lhes o sofrimento, quando o sofrimento lhes extravasa do ser, em forma de ignorância e doença, obsessão e criminalidade?
            Que espécie de dor terá erguido o braço daqueles que promoveram a destruição do próprio corpo?
            Quem terá impulsionado a mão do homicida contra aqueles que lhe experimentaram os golpes?
            Quantos dias de resistência gastaram os corações queridos, mas ainda inseguros, até que se emaranhassem nas trevas da tentação?
            Que forças invisíveis na Terra induziram ao enfraquecimento e ao desânimo almas belas e cultas, quando desertaram dos compromissos que elas próprias criaram na Causa do Bem?
            E qual teria sido o nosso comportamento se houvéssemos faceado as inquietações e os problemas em que os nossos semelhantes, considerados em erro, se matricularam em rudes provas?
            Meditemos nessas indagações, já que não nos é dado conhecer os dramas da sombra, desde o princípio, a fim de que não venhamos a intensificar os obstáculos de quantos se reajustam, muitas vezes, à custa de tribulações e de lágrimas.
            Entendemos a legitimidade dos tribunais humanos e todos somos chamados a respeitar-lhes as determinações.
            Entretanto, nas trilhas do relacionamento mútuo, situemo-nos todos - todos nós, os Espíritos ainda vinculados à evolução terrestre - ao esquema das consciências endividadas, ante os foros da Divina Justiça. E, longe de agravar as aflições dos nossos irmãos, sob assistência carcerária, auxiliemo-nos na reabilitação das próprias forças, rogando à Misericórdia Divina para que se compadeça de todos nós.

Regressão de Memória



Regressão de Memória
Emmanuel
por Chico Xavier
Reformador (FEB) Dezembro 1991

            Se fomos trazidos à Terra para esquecer o nosso passado, valorizar o presente e preparar em nosso benefício o futuro melhor, porque provocar a regressão de memória do que fomos ou fizemos, simplesmente por questões de curiosidade vazia, ou buscar aqueles que foram nossos companheiros, a fim de regressar aos desequilíbrios que hoje resgatamos?
            A nossa própria existência atual nos apresentará as tarefas e provas que, em si, são a recapitulação de nosso passado em nossas diversas vidas, ou mesmo, somente de nossa passagem última na Terra fixada no mundo físico, curso de regeneração em que estamos integrados nas chamadas provações de cada dia.
            Por que efetuar a regressão de memória, unicamente para chorar a lembrança dos pretéritos episódios infelizes, ou exibirmos grandeza ilusória em situações que, por simples desejo de leviana retomada de acontecimentos, fomos protagonistas, se já sabemos, especialmente com Allan Kardec, que estamos eliminando gradativamente as nossas imperfeições naturais ou apagando o brilho falso de tantos descaminhos que apenas nos induzirão a erros que não mais desejamos repetir?
            Sejamos sinceros e lancemos um olhar para nossas tendências.


terça-feira, 13 de novembro de 2018

O Falso Cristianismo



O falso Cristianismo – Parte 1
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Outubro 1919

            É uma tarefa que se impõe àqueles em cujo pensamento ainda se não extinguiu o amor santo da verdade - amor tão imprescindível quanto necessário ao estudo consciencioso dos factos, o que MigueI Unamuno sintetizou nesta frase singela, porém profunda e decisiva: cumpre recristianizar a humanidade.

            Com efeito, o dogmatismo católico, enxameado de preconceitos litúrgicos e de ritos, até agora nada mais fez do que desvirtuar por completo, deturpando-os, truncando-os, invertendo-os mesmo os sublimes ensinamentos do Evangelho.

            Basta um pequeno confronto entre a doutrina que o meigo e bondoso galileu,
- raio de sol descido, entre as indecisões e as trevas macabras de uma era do dissolutismo,  miséria terrenas, - pregou aos homens de seu tempo e as gerações vindouras, cheio de humildade e de fé, e o rol de abtrusos teoremas dogmáticos com que o paganismo vem, há quase dois mil anos, burlando a ingenuidade humana, para que, de pronto, se verifique a sinceridade da nossa afirmativa.

            A infalibilidade do papa e dos concílios, acumulando erros sobre erros e, sob a capa falsa dum simbolismo puramente material, engendrando interpretações exóticas, têm sido o grande cancro que, há dezenove séculos, corrompe, destrói e putrefaz o organismo cristão.

            De origem divina considera a Igreja aquilo que, sponte sua, os seus missionários criam e invertem com uma fertilidade inegavelmente pasmosa.

            Os sacramentos, por exemplo, já Tertuliano, celebre orador sagrado, assim definia o que ele julgava santas virtudes dessas exterioridades inúteis e meramente materiais: “O corpo é lavado para que a alma fique limpa de suas nódoas. O corpo é ungido para que a alma seja consagrada. O corpo é marcado com um sinal para que a alma adquira fortaleza. O corpo recebe a imposição das mãos para que a alma seja iluminada pelo espírito santo. O corpo alimenta-se com a carne e o sangue de Jesus Cristo para que a alma se nutra com a substância de Deus.”

            Os sacramentos: - Estudemo-los, um por um.

            O batismo, sacramentum regenerations per aquam in verbo -, não nos traz à
lembrança a fantasia, perversamente inquinada (corrompida) de verdades do pecado original, que em si não é senão um argumento a favor dos ateus, nas suas investidas iconoclásticas contra a vontade divina? Que os padres o respondam.

            Nada mais inverossímil do que um homem, pseudo enviado de Deus sobre a Terra, com meia dúzia de palavras ditas em mal latim poder expurgar de uma culpa outro homem que, reverente, se ajoelha a seus pés. Um centigrama de cloreto de sódio é o bastante (risum teneatis) (tente não rir)  para delir (remover, desfazer) um grande pecado!

            O homem resgatará as suas faltas, manda a Santa Igreja, ante um cubículo de madeira, batendo hipocritamente sobre o peito. Ora, ela própria ordena que os seus crentes rezem no momento da absolvição: “eu pecador me confesso a Deus...” Mas essa confissão não é feita diretamente a Deus. E a conclusão é lógica: a vaidade de um simples e miserável mortal querendo arrogar-se a prerrogativas divinas!

            A eterna fabula do sapo e da estrela...(seria esta a fábula?  “A história do amor” em http://users.matrix.com.br/gcorreia/fabulas.htm#sapos” ) Cristo perdoou os pecados a Madalena;  replicarão os reverendos, esquecidos de que a graça não estava no que a igreja humana a fez consistir. Havia remorso sincero, profundo. Devia seguir-se a reparação, não infligida e dura como para os culpados incorrigíveis, mas feita com felicidade, com alegria, com vontade de reconquistar o progresso descurado e tornar a entrar no amor do Senhor. (*)

                (*) “Quatro Evangelhos” de Roustaing.

            Mais ridículo, entretanto, é o sacramento da comunhão. Combatido tenazmente dentro da própria igreja, absurdo, imoral, de uma infantilidade a toda prova, aos nossos olhos, ele é bem uma firme característica desse dogmatismo que combatemos.

            O corpo alimenta-se com a carne e o sangue de Cristo para que a alma se nutra com a substância de Deus” disse o teólogo. Nenhum comentário nos sugere a leitura dessa proposição extravagante e grosseira...

            O orgulho da riqueza, esse mesmo orgulho que Kardec e Roustaing tão tenaz e lucidamente combateram, apontando-o como causa de grandes males, levou-a a invadir abruptamente, o terreno da lei civil, copiando dos códigos puramente humanos e sem outra presunção que a de contrabalançar as prerrogativas dos cidadãos, dentro da esfera do Direito, prevenir o excesso, punir os abusos, equilibrar em suma a vida social dos povos, em contrato que nada mais é o casamento.

            Essa invasão da igreja, que também em outros terrenos se há feito notar, é um dos frutos da sua egoística sede de predomínio e expansão, cujos efeitos perniciosos o mundo começa, em boa hora, a repelir.

            Pelo sacramento da ordem as três palavras – accipite spiritum sanctum, (receba o Santo Espírito) proferidas por um bispo, são suficientes para investir o aspirante ao sacerdócio de poderes extraordinários, cujo intuito, embora disfarçado, é manter a hegemonia e a influência da Casta Jesuítica, outra prova evidente do orgulho clerical...

            Com uma simples unção do óleo está o enfermo aparelhado para gozar, per omnia secula, (para sempre) as delícias incomparáveis da bem aventurança eterna...
            Resumindo, o que são, pois, esses sacramentos senão um verdadeiro fetichismo religioso? Di-lo a razão. Di-lo a verdade.

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O falso Cristianismo – Parte 2
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Novembro 1919


            O comércio de indulgências - O aparato com que se reveste o culto destoa violentamente da humilde simplicidade com que o praticavam os cristãos da era apostólica.

            Longe já, vai o tempo em que os soldados de Diocleciano, ao demolirem um templo da Bitínia, apenas encontraram no interior da igreja os fiéis discípulos do Cristo um volume da Sagrada Escritura.

            Hoje, os templos estão abarrotados de altares, imagens, esculturas bizarras,
pinturas de um paganismo excessivo, em que o nu das alegorias é um contraste
sarcástico à cruz tosca e modesta.

            Nas sacristias, vende-se escapulápios, terços, fitas que curam moléstias, medalhas que dão indulgências, velas e palmas que, à moda dos talismãs, endireitam a vida dos que a tem torta...

            Há, porventura, alguma diferença entre a portaria de um convento e o gabinete de consulta de uma quiromante?

            O Papa manda distribuir às incautas ovelhas do seu ingênuo rebanho pequeno
figuras de cera, cuja fabricação é privilégio dos monges de Citeaux.

            São os agnus dei (cordeiro de Deus).  Acresce que esses fetiches não custam nos fiéis apenas a vontade de possui-los... E é esse comercialismo indigno e revoltante que faz com que a igreja católica pareça mais um balcão em que os favores do céu se regateiam a todo preço, do que uma religião destinada ao culto sincero do Altíssimo.

            A infalibilidade papal - Outro erro profundo que o falso cristianismo perpetrou, para a firmeza de seu poderio, é a medida violenta que o concílio do Vaticano, realizado aos treze de Julho de 1870, sancionou contra o voto de quatrocentos e cinquenta e um dos seus membros.

            Roma sentia a necessidade imprescindível dessa inovação. Tinha ainda na lembrança o grito de revolta de Lutero, de Zwinglo e de Calvino.

            Amedrontaram-na as dissenções manifestas e frequentes que abalavam o seu trono.

            “Conhece-se os frutos pela árvore”, diz o Evangelho.

            Que fruto, perguntamos, a árvore desse método falso de interpretações poderia dar?

            A discórdia com seu cortejo de dúvidas e de heresias. Para o sossego, portanto, de Roma, 1ª infalibilidade papal era coisa de absoluta necessidade, inadiável e urgente.

            Perigava a sua doutrina enferma. O próprio clero recusava cumprir as ukases (decisões arbitrárias) do Santo Padre, não reconhecendo em Sua Eminência poderes maiores que o de simples apascentador de um grande rebanho.

            Daí o pavor de Roma trazendo como funesta consequência mais esse erro inominável, com embaraço rotulado de divino.

            Melhor do que todos os nossos argumentos diz a cifra eloquente dos cardeais
que recusaram o seu apoio à exigência orgulhosa da Sé Apostólica.

            A luz da verdade, felizmente, já começou a brilhar, pura, aos nossos olhos.

            Ai de vós, escribas e fariseus!
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O falso Cristianismo – Parte 3
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Dezembro 1919

            O poder temporal do Papa - Como não deve doer na consciência dos que estudam, serenamente, desapaixonadamente, como nós, o dogmatismo católico, apenas impulsionados pelo amor da verdade e guiados pela norma do bom senso, o contraste amargo e triste entre a vida humilde do Cristo e o luxo nababesco com que se rodeia, aparatosamente, aquele que se inculca o príncipe da sua igreja na Terra!

            Não se compreende, com efeito, que uma religião puramente espiritual, de origem divina, subscreva com o aplauso do silêncio criminoso dos seus crentes o que se nos afigura como à qualquer pessoa tão deprimente quanto ilógico e injustificável: o poder temporal do Papa.

            Será que Sua Eminência Reverendíssima não possui, do alto do seu régio trono pontifício, vestido de ouro e púrpura, cercado de baionetas pagas pelos óbulos dos incautos, apostolar as sublimes práticas de Jesus, senão com a sólida garantia de um governo e a consequente renda fabulosa do tesouro de um Estado? 

            O Vaticano é um monumento que a soberba e o orgulho católicos ergueram, num delírio megalomaníaco de grandeza, à pomposa exterioridade material dos seus ritos.

            A perniciosa influência desse poder temporal, através das idades, é fato que os historiadores registram e os sociólogos comentam.

            A intervenção direta do papa em todas as questões meramente políticas que tem convulsionado o mundo, máxime na era negril dos tempos medievais, bem demonstra que Sua Eminência mais se preocupa com as pendengas das chancelarias do que com a salvação das almas do seu descuidado aprisco.

            As lutas entre Roma e os Imperadores da Alemanha, o modo porque o papa se imiscuía nas sucessões de tronos e negócios outros dos Estados europeus, a maneira porque fazia valer o seu prestígio na escolha dos governantes e na decisão dos intrincados  casos da incipiente diplomacia de outrora, tudo isso vem provar que aos falsos apóstolos do Cristo mais convém os enredos dos gabinetes e dos paços reais que o exercício, modesto embora, porém mais glorioso e digno, da missão que se lhe impunha o dever.

            Jesus pregou a bondade, a tolerância, o ensino pela palavra convincente e sincera. Mas no arquivo da história católica apenas datas rubras sobressaem.

            Contemplemos o passado.

            Na França, a matança de S. Bartolomeu, a perseguição bárbara e impiedosa àqueles que não rezavam pela cartilha de Roma, a luta contra os huguenotes, o sangue, a opressão, a tirania.

            Na Suíça, João Huss queimado vivo, sob o apupo da turba, que o apedrejava, com a inconsciência das multidões desvairadas.

            Na Itália, os Gibelinos perseguidos, acossados, expatriados.

            Dante, vítima das suas convicções políticas, sofrendo as agruras e o infortúnio de um exílio forçado.

            Na Áustria e na Alemanha, o mesmo horror.

            Na Espanha, a atmosfera é mais sombria, o quadro mais trágico... a impressão mais dolorosa e lancinante.

            É a Inquisição com seu cortejo de crimes abomináveis. Vítimas inocentes, mulheres e crianças indefesas morrendo entre suplícios que a imaginação infernal dos improvisados juízes de batina porfiava em tornar cada vez mais terríveis, num furor bestial de carnificina e de sangue.

            O luto nos lares, o pranto, a orfandade, a viuvez, a tristeza.

            Em Portugal, homens ilustres, sucumbindo à sanha feroz dos inquisidores.

            Por toda a parte, enfim, um rastro vermelho de opressão e barbaria.

            O quadro, porém, não está completo.

            Há alguma coisa ainda, a observar e a descrever.

            Olhemo-lo um minuto a mais.

            Aqui, Galileu obrigado a retratar-se, sob o peso da intolerância estúpida e da ignorância ameaçadora dos frades.

            Ali, Bartolomeu de Gusmão, jazendo numa masmorra de Toledo.

            Acolá, as obras de Kardec queimadas publicamente em Barcelona.

            A ciência premida.

            Os sábios injuriados, chacoteados, vilipendiados.

            Roma não quer a inteligência.

            Despreza-a, persegue-a, oprime-a.

            Nela vê uma arma terrível contra sua mentira.

            Daí, pois, o seu ódio sem limites.

            A voz de Pedro, o Eremita, e à palavra austera e grave de Urbano VI, toda
a cristandade se levanta e se precipita, como uma avalanche feroz e brutal, contra o Oriente Muçulmano.
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O falso Cristianismo – Parte 4
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Janeiro 1920

            Vem a noite negra das cruzadas.

            A fina flor da nobreza morre c fenece, longe das pátrias, nos campos inóspitos das terras maometanas.

            Burguesia e plebe pagam também ao Deus Moloch da intolerância papal o tributo da sua vida e do seu sangue. E, até agora, tantos séculos decorridos, nenhum sociólogo católico houve que demonstrasse as vantagens de ordem moral, social e até comercial que essa tremenda campanha produziu.

            Conhecimentos dos costumes, hábitos e modos dos países do outro lado do Mediterrâneo, que tanto alegamos historiadores de sotaina?

            Nada valeu ao progresso da época, pois a sua influência, se não foi nula, foi
pelo menos insignificante e banalíssima.

            O papel da igreja, portanto, tem se limitado a propagar entre os homens o
Gérmen das dissenções, da discórdia, da intolerância, tão em desacordo com a fraternidade pregada pela doutrina do Cristo.

            É o sistema do “crê ou morre”.

            Perniciosa, ao nosso ver, é a influência do papismo na marcha evolutiva da humanidade.

            Cumpre lembrar que Roma, foi o baluarte mais poderoso do absolutismo e o esteio mais forte da prepotência tirânica das monarquias da Europa.  

            As ideias liberais, os princípios democráticos tudo enfim que é hoje a base da organização civil e política dos povos cultos encontrou sempre nos pontífices romanos a barreira mais difícil de transpor.

            Tão antipática era a atitude que a Santa Sé mantinha, em face das justas
reclamações dos povos, ansiosos de liberdade, que a revanche contra os padres atingiu ano auge da violência, como na Revolução Francesa e, ainda a pouco, na Revolução Portuguesa, excessos aliás condenáveis.

            A arte moderna, a literatura profana, os grandes mestres, o teatro, as próprias
Invenções do engenho humano, as próprias leis, como as do matrimônio civil e da administração dos bens da igreja pelo Estado, tem contra si o ódio de Roma e os ataques  furibundos dos oradores clericais. Mas a verdade é una e indivisível.

            Apontamos fatos e, estudando-os serenamente, sem paixão, despidos de qualquer interesse baixo ou intuito inconfessável, tiramos conclusões que nos ditaram o raciocínio e a lógica.  

            Mostramos o que é o papismo em si, com seus absurdos.

            Provamos a má influência da igreja sobre o movimento social do mundo em
dezenove séculos.

            Dissemos, apoiados em fatos e documentos incontestes, que tudo que há produzido a humanidade de benéfico e de útil encontrou sempre na igreja o seu mais feroz antagonista.  
            A época  mais sombria e atrasada da história, a idade média, foi exatamente aquela em que mais poderosa se fez a ação de Roma e dos papas.

            A Humanidade como que parou, ou melhor, retrocedeu.

            E, somente depois que se iniciou, nos gabinetes dos filósofos e nas velhas
salas das universidades, a reação contra o clericalismo, que um impulso de progresso e de adiantamento observou-se no mundo.
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O falso Cristianismo – Parte 5
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Janeiro 1920

            O dogmatismo católico conduziu ao materialismo. A árvore maléfica de Roma
não podia dar outro fruto que não o materialismo, desolador e triste. Verdade
inconteste é essa que vimos de afirmar. Foi do conflito entre a ciência dos enciclopedistas, fátua e pedante, e o dogmatismo incoerente dos papas, orgulhoso e arrogante, que nasceram, com os primeiros sintomas da dúvida, o negativismo e a descrença. Roma levou a humanidade no desconforto de um ceticismo funesto, como levou os sábios ao
materialismo.

            “A letra mata, o espírito vivifica”, exclamou Paulo na sua segunda epístola
aos coríntios.

            Foi dessa luta entre a razão ainda vacilante e a intolerância clerical que surgiram as hipóteses, às vezes infantis, as vezes ridículas, da ciência materialista.

            Roma coibindo os seus fiéis da leitura e discussão do texto das escrituras sagradas e, sobretudo, das suas leis e bulas, exacerbou os homens.

            E como já tinha, séculos antes, produzido a Reforma, a dissenção no seio do eu
próprio apostolado, não era de admirar que também produzisse o mais puro e desbragado materialismo.

            “O homem deve raciocinar, estudar, fazer ideia de todas as coisas”, disse
Lucas.

            A Santa Sé, entretanto, não o entende assim. Prefere a letra ao espírito.

            Razão de sobra, pois, tinha Savage, na sua “Religião estudada à luz da doutrina
Darwinista”, quando discorria: “se uma das acusações da igreja à ciência, é a que esta é materialista, ouso notar que a concepção eclesiástica da vida futura foi sempre e é ainda materialismo puro.”

            O corpo material deve ressuscitar e habitar um céu material.

            A culpa, a grande culpa dessa dolorosa enfermidade, que é falta de Fé, cabe, pois
inteira a Roma.

            Mas a verdade começa de brilhar.

            A nova era se inicia radiante de consolação e de promessas.

            Cristo ressurge. O espiritismo é um fato que os sábios já atestam e confirmam.

            Seu ideal é nobre: a perfeição humana, por meio do amor, do estudo e da caridade.