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terça-feira, 13 de novembro de 2018

O Falso Cristianismo - Partes de 1 a 5



O falso Cristianismo – Parte 1
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Outubro 1919

            É uma tarefa que se impõe àqueles em cujo pensamento ainda se não extinguiu o amor santo da verdade - amor tão imprescindível quanto necessário ao estudo consciencioso dos factos, o que MigueI Unamuno sintetizou nesta frase singela, porém profunda e decisiva: cumpre recristianizar a humanidade.

            Com efeito, o dogmatismo católico, enxameado de preconceitos litúrgicos e de ritos, até agora nada mais fez do que desvirtuar por completo, deturpando-os, truncando-os, invertendo-os mesmo os sublimes ensinamentos do Evangelho.

            Basta um pequeno confronto entre a doutrina que o meigo e bondoso galileu,
- raio de sol descido, entre as indecisões e as trevas macabras de uma era do dissolutismo,  miséria terrenas, - pregou aos homens de seu tempo e as gerações vindouras, cheio de humildade e de fé, e o rol de abtrusos teoremas dogmáticos com que o paganismo vem, há quase dois mil anos, burlando a ingenuidade humana, para que, de pronto, se verifique a sinceridade da nossa afirmativa.

            A infalibilidade do papa e dos concílios, acumulando erros sobre erros e, sob a capa falsa dum simbolismo puramente material, engendrando interpretações exóticas, têm sido o grande cancro que, há dezenove séculos, corrompe, destrói e putrefaz o organismo cristão.

            De origem divina considera a Igreja aquilo que, sponte sua, os seus missionários criam e invertem com uma fertilidade inegavelmente pasmosa.

            Os sacramentos, por exemplo, já Tertuliano, celebre orador sagrado, assim definia o que ele julgava santas virtudes dessas exterioridades inúteis e meramente materiais: “O corpo é lavado para que a alma fique limpa de suas nódoas. O corpo é ungido para que a alma seja consagrada. O corpo é marcado com um sinal para que a alma adquira fortaleza. O corpo recebe a imposição das mãos para que a alma seja iluminada pelo espírito santo. O corpo alimenta-se com a carne e o sangue de Jesus Cristo para que a alma se nutra com a substância de Deus.”

            Os sacramentos: - Estudemo-los, um por um.

            O batismo, sacramentum regenerations per aquam in verbo -, não nos traz à
lembrança a fantasia, perversamente inquinada (corrompida) de verdades do pecado original, que em si não é senão um argumento a favor dos ateus, nas suas investidas iconoclásticas contra a vontade divina? Que os padres o respondam.

            Nada mais inverossímil do que um homem, pseudo enviado de Deus sobre a Terra, com meia dúzia de palavras ditas em mal latim poder expurgar de uma culpa outro homem que, reverente, se ajoelha a seus pés. Um centigrama de cloreto de sódio é o bastante (risum teneatis) (tente não rir)  para delir (remover, desfazer) um grande pecado!

            O homem resgatará as suas faltas, manda a Santa Igreja, ante um cubículo de madeira, batendo hipocritamente sobre o peito. Ora, ela própria ordena que os seus crentes rezem no momento da absolvição: “eu pecador me confesso a Deus...” Mas essa confissão não é feita diretamente a Deus. E a conclusão é lógica: a vaidade de um simples e miserável mortal querendo arrogar-se a prerrogativas divinas!

            A eterna fabula do sapo e da estrela...(seria esta a fábula?  “A história do amor” em http://users.matrix.com.br/gcorreia/fabulas.htm#sapos” ) Cristo perdoou os pecados a Madalena;  replicarão os reverendos, esquecidos de que a graça não estava no que a igreja humana a fez consistir. Havia remorso sincero, profundo. Devia seguir-se a reparação, não infligida e dura como para os culpados incorrigíveis, mas feita com felicidade, com alegria, com vontade de reconquistar o progresso descurado e tornar a entrar no amor do Senhor. (*)

                (*) “Quatro Evangelhos” de Roustaing.

            Mais ridículo, entretanto, é o sacramento da comunhão. Combatido tenazmente dentro da própria igreja, absurdo, imoral, de uma infantilidade a toda prova, aos nossos olhos, ele é bem uma firme característica desse dogmatismo que combatemos.

            O corpo alimenta-se com a carne e o sangue de Cristo para que a alma se nutra com a substância de Deus” disse o teólogo. Nenhum comentário nos sugere a leitura dessa proposição extravagante e grosseira...

            O orgulho da riqueza, esse mesmo orgulho que Kardec e Roustaing tão tenaz e lucidamente combateram, apontando-o como causa de grandes males, levou-a a invadir abruptamente, o terreno da lei civil, copiando dos códigos puramente humanos e sem outra presunção que a de contrabalançar as prerrogativas dos cidadãos, dentro da esfera do Direito, prevenir o excesso, punir os abusos, equilibrar em suma a vida social dos povos, em contrato que nada mais é o casamento.

            Essa invasão da igreja, que também em outros terrenos se há feito notar, é um dos frutos da sua egoística sede de predomínio e expansão, cujos efeitos perniciosos o mundo começa, em boa hora, a repelir.

            Pelo sacramento da ordem as três palavras – accipite spiritum sanctum, (receba o Santo Espírito) proferidas por um bispo, são suficientes para investir o aspirante ao sacerdócio de poderes extraordinários, cujo intuito, embora disfarçado, é manter a hegemonia e a influência da Casta Jesuítica, outra prova evidente do orgulho clerical...

            Com uma simples unção do óleo está o enfermo aparelhado para gozar, per omnia secula, (para sempre) as delícias incomparáveis da bem aventurança eterna...
            Resumindo, o que são, pois, esses sacramentos senão um verdadeiro fetichismo religioso? Di-lo a razão. Di-lo a verdade.

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O falso Cristianismo – Parte 2
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Novembro 1919


            O comércio de indulgências - O aparato com que se reveste o culto destoa violentamente da humilde simplicidade com que o praticavam os cristãos da era apostólica.

            Longe já, vai o tempo em que os soldados de Diocleciano, ao demolirem um templo da Bitínia, apenas encontraram no interior da igreja os fiéis discípulos do Cristo um volume da Sagrada Escritura.

            Hoje, os templos estão abarrotados de altares, imagens, esculturas bizarras,
pinturas de um paganismo excessivo, em que o nu das alegorias é um contraste
sarcástico à cruz tosca e modesta.

            Nas sacristias, vende-se escapulápios, terços, fitas que curam moléstias, medalhas que dão indulgências, velas e palmas que, à moda dos talismãs, endireitam a vida dos que a tem torta...

            Há, porventura, alguma diferença entre a portaria de um convento e o gabinete de consulta de uma quiromante?

            O Papa manda distribuir às incautas ovelhas do seu ingênuo rebanho pequeno
figuras de cera, cuja fabricação é privilégio dos monges de Citeaux.

            São os agnus dei (cordeiro de Deus).  Acresce que esses fetiches não custam nos fiéis apenas a vontade de possui-los... E é esse comercialismo indigno e revoltante que faz com que a igreja católica pareça mais um balcão em que os favores do céu se regateiam a todo preço, do que uma religião destinada ao culto sincero do Altíssimo.

            A infalibilidade papal - Outro erro profundo que o falso cristianismo perpetrou, para a firmeza de seu poderio, é a medida violenta que o concílio do Vaticano, realizado aos treze de Julho de 1870, sancionou contra o voto de quatrocentos e cinquenta e um dos seus membros.

            Roma sentia a necessidade imprescindível dessa inovação. Tinha ainda na lembrança o grito de revolta de Lutero, de Zwinglo e de Calvino.

            Amedrontaram-na as dissenções manifestas e frequentes que abalavam o seu trono.

            “Conhece-se os frutos pela árvore”, diz o Evangelho.

            Que fruto, perguntamos, a árvore desse método falso de interpretações poderia dar?

            A discórdia com seu cortejo de dúvidas e de heresias. Para o sossego, portanto, de Roma, 1ª infalibilidade papal era coisa de absoluta necessidade, inadiável e urgente.

            Perigava a sua doutrina enferma. O próprio clero recusava cumprir as ukases (decisões arbitrárias) do Santo Padre, não reconhecendo em Sua Eminência poderes maiores que o de simples apascentador de um grande rebanho.

            Daí o pavor de Roma trazendo como funesta consequência mais esse erro inominável, com embaraço rotulado de divino.

            Melhor do que todos os nossos argumentos diz a cifra eloquente dos cardeais
que recusaram o seu apoio à exigência orgulhosa da Sé Apostólica.

            A luz da verdade, felizmente, já começou a brilhar, pura, aos nossos olhos.

            Ai de vós, escribas e fariseus!
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O falso Cristianismo – Parte 3
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Dezembro 1919

            O poder temporal do Papa - Como não deve doer na consciência dos que estudam, serenamente, desapaixonadamente, como nós, o dogmatismo católico, apenas impulsionados pelo amor da verdade e guiados pela norma do bom senso, o contraste amargo e triste entre a vida humilde do Cristo e o luxo nababesco com que se rodeia, aparatosamente, aquele que se inculca o príncipe da sua igreja na Terra!

            Não se compreende, com efeito, que uma religião puramente espiritual, de origem divina, subscreva com o aplauso do silêncio criminoso dos seus crentes o que se nos afigura como à qualquer pessoa tão deprimente quanto ilógico e injustificável: o poder temporal do Papa.

            Será que Sua Eminência Reverendíssima não possui, do alto do seu régio trono pontifício, vestido de ouro e púrpura, cercado de baionetas pagas pelos óbulos dos incautos, apostolar as sublimes práticas de Jesus, senão com a sólida garantia de um governo e a consequente renda fabulosa do tesouro de um Estado? 

            O Vaticano é um monumento que a soberba e o orgulho católicos ergueram, num delírio megalomaníaco de grandeza, à pomposa exterioridade material dos seus ritos.

            A perniciosa influência desse poder temporal, através das idades, é fato que os historiadores registram e os sociólogos comentam.

            A intervenção direta do papa em todas as questões meramente políticas que tem convulsionado o mundo, máxime na era negril dos tempos medievais, bem demonstra que Sua Eminência mais se preocupa com as pendengas das chancelarias do que com a salvação das almas do seu descuidado aprisco.

            As lutas entre Roma e os Imperadores da Alemanha, o modo porque o papa se imiscuía nas sucessões de tronos e negócios outros dos Estados europeus, a maneira porque fazia valer o seu prestígio na escolha dos governantes e na decisão dos intrincados  casos da incipiente diplomacia de outrora, tudo isso vem provar que aos falsos apóstolos do Cristo mais convém os enredos dos gabinetes e dos paços reais que o exercício, modesto embora, porém mais glorioso e digno, da missão que se lhe impunha o dever.

            Jesus pregou a bondade, a tolerância, o ensino pela palavra convincente e sincera. Mas no arquivo da história católica apenas datas rubras sobressaem.

            Contemplemos o passado.

            Na França, a matança de S. Bartolomeu, a perseguição bárbara e impiedosa àqueles que não rezavam pela cartilha de Roma, a luta contra os huguenotes, o sangue, a opressão, a tirania.

            Na Suíça, João Huss queimado vivo, sob o apupo da turba, que o apedrejava, com a inconsciência das multidões desvairadas.

            Na Itália, os Gibelinos perseguidos, acossados, expatriados.

            Dante, vítima das suas convicções políticas, sofrendo as agruras e o infortúnio de um exílio forçado.

            Na Áustria e na Alemanha, o mesmo horror.

            Na Espanha, a atmosfera é mais sombria, o quadro mais trágico... a impressão mais dolorosa e lancinante.

            É a Inquisição com seu cortejo de crimes abomináveis. Vítimas inocentes, mulheres e crianças indefesas morrendo entre suplícios que a imaginação infernal dos improvisados juízes de batina porfiava em tornar cada vez mais terríveis, num furor bestial de carnificina e de sangue.

            O luto nos lares, o pranto, a orfandade, a viuvez, a tristeza.

            Em Portugal, homens ilustres, sucumbindo à sanha feroz dos inquisidores.

            Por toda a parte, enfim, um rastro vermelho de opressão e barbaria.

            O quadro, porém, não está completo.

            Há alguma coisa ainda, a observar e a descrever.

            Olhemo-lo um minuto a mais.

            Aqui, Galileu obrigado a retratar-se, sob o peso da intolerância estúpida e da ignorância ameaçadora dos frades.

            Ali, Bartolomeu de Gusmão, jazendo numa masmorra de Toledo.

            Acolá, as obras de Kardec queimadas publicamente em Barcelona.

            A ciência premida.

            Os sábios injuriados, chacoteados, vilipendiados.

            Roma não quer a inteligência.

            Despreza-a, persegue-a, oprime-a.

            Nela vê uma arma terrível contra sua mentira.

            Daí, pois, o seu ódio sem limites.

            A voz de Pedro, o Eremita, e à palavra austera e grave de Urbano VI, toda
a cristandade se levanta e se precipita, como uma avalanche feroz e brutal, contra o Oriente Muçulmano.
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O falso Cristianismo – Parte 4
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Janeiro 1920

            Vem a noite negra das cruzadas.

            A fina flor da nobreza morre c fenece, longe das pátrias, nos campos inóspitos das terras maometanas.

            Burguesia e plebe pagam também ao Deus Moloch da intolerância papal o tributo da sua vida e do seu sangue. E, até agora, tantos séculos decorridos, nenhum sociólogo católico houve que demonstrasse as vantagens de ordem moral, social e até comercial que essa tremenda campanha produziu.

            Conhecimentos dos costumes, hábitos e modos dos países do outro lado do Mediterrâneo, que tanto alegamos historiadores de sotaina?

            Nada valeu ao progresso da época, pois a sua influência, se não foi nula, foi
pelo menos insignificante e banalíssima.

            O papel da igreja, portanto, tem se limitado a propagar entre os homens o
Gérmen das dissenções, da discórdia, da intolerância, tão em desacordo com a fraternidade pregada pela doutrina do Cristo.

            É o sistema do “crê ou morre”.

            Perniciosa, ao nosso ver, é a influência do papismo na marcha evolutiva da humanidade.

            Cumpre lembrar que Roma, foi o baluarte mais poderoso do absolutismo e o esteio mais forte da prepotência tirânica das monarquias da Europa.  

            As ideias liberais, os princípios democráticos tudo enfim que é hoje a base da organização civil e política dos povos cultos encontrou sempre nos pontífices romanos a barreira mais difícil de transpor.

            Tão antipática era a atitude que a Santa Sé mantinha, em face das justas
reclamações dos povos, ansiosos de liberdade, que a revanche contra os padres atingiu ano auge da violência, como na Revolução Francesa e, ainda a pouco, na Revolução Portuguesa, excessos aliás condenáveis.

            A arte moderna, a literatura profana, os grandes mestres, o teatro, as próprias
Invenções do engenho humano, as próprias leis, como as do matrimônio civil e da administração dos bens da igreja pelo Estado, tem contra si o ódio de Roma e os ataques  furibundos dos oradores clericais. Mas a verdade é una e indivisível.

            Apontamos fatos e, estudando-os serenamente, sem paixão, despidos de qualquer interesse baixo ou intuito inconfessável, tiramos conclusões que nos ditaram o raciocínio e a lógica.  

            Mostramos o que é o papismo em si, com seus absurdos.

            Provamos a má influência da igreja sobre o movimento social do mundo em
dezenove séculos.

            Dissemos, apoiados em fatos e documentos incontestes, que tudo que há produzido a humanidade de benéfico e de útil encontrou sempre na igreja o seu mais feroz antagonista.  
            A época  mais sombria e atrasada da história, a idade média, foi exatamente aquela em que mais poderosa se fez a ação de Roma e dos papas.

            A Humanidade como que parou, ou melhor, retrocedeu.

            E, somente depois que se iniciou, nos gabinetes dos filósofos e nas velhas
salas das universidades, a reação contra o clericalismo, que um impulso de progresso e de adiantamento observou-se no mundo.
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O falso Cristianismo – Parte 5
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Janeiro 1920

            O dogmatismo católico conduziu ao materialismo. A árvore maléfica de Roma
não podia dar outro fruto que não o materialismo, desolador e triste. Verdade
inconteste é essa que vimos de afirmar. Foi do conflito entre a ciência dos enciclopedistas, fátua e pedante, e o dogmatismo incoerente dos papas, orgulhoso e arrogante, que nasceram, com os primeiros sintomas da dúvida, o negativismo e a descrença. Roma levou a humanidade no desconforto de um ceticismo funesto, como levou os sábios ao
materialismo.

            “A letra mata, o espírito vivifica”, exclamou Paulo na sua segunda epístola
aos coríntios.

            Foi dessa luta entre a razão ainda vacilante e a intolerância clerical que surgiram as hipóteses, às vezes infantis, as vezes ridículas, da ciência materialista.

            Roma coibindo os seus fiéis da leitura e discussão do texto das escrituras sagradas e, sobretudo, das suas leis e bulas, exacerbou os homens.

            E como já tinha, séculos antes, produzido a Reforma, a dissenção no seio do eu
próprio apostolado, não era de admirar que também produzisse o mais puro e desbragado materialismo.

            “O homem deve raciocinar, estudar, fazer ideia de todas as coisas”, disse
Lucas.

            A Santa Sé, entretanto, não o entende assim. Prefere a letra ao espírito.

            Razão de sobra, pois, tinha Savage, na sua “Religião estudada à luz da doutrina
Darwinista”, quando discorria: “se uma das acusações da igreja à ciência, é a que esta é materialista, ouso notar que a concepção eclesiástica da vida futura foi sempre e é ainda materialismo puro.”

            O corpo material deve ressuscitar e habitar um céu material.

            A culpa, a grande culpa dessa dolorosa enfermidade, que é falta de Fé, cabe, pois
inteira a Roma.

            Mas a verdade começa de brilhar.

            A nova era se inicia radiante de consolação e de promessas.

            Cristo ressurge. O espiritismo é um fato que os sábios já atestam e confirmam.

            Seu ideal é nobre: a perfeição humana, por meio do amor, do estudo e da caridade.



terça-feira, 6 de novembro de 2018

Acusações contra os Fariseus e os Escribas



Acusações contra os Fariseus e os Escribas

 23,1   Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos, disse:      
23,2 “ -Os escribas e os fariseus estão sentados na cátedra de Moisés. 
23,3 Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. 
23,4  atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros     dos homens  mas, não querem movê-los sequer com o dedo.
23,5  fazem todas as suas ações para serem vistas pelos homens. Por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos.       
23,6  gostam dos 1ºs  lugares nos banquetes e das 1ªs  cadeiras nas sinagogas.        
23,7  gostam de ser saudados nas praças públicas e de serem chamados de mestres. 
23,8  mas vós não vos façais chamar de mestre, porque um só é o Pai e vós sois todos irmãos. 
23,9  e a ninguém chameis de pai sobre a terra porque um só é o Pai: Aquele que está nos céus. 
23,10  nem vos façais chamar de mestres, porque só tendes um Mestre, o Cristo 
23,11  o maior dentre vós será vosso servo 
23,12  aquele que se exaltar será humilhado e aquele que se humilhar será exaltado. 23,13 Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Vós fechais aos homens o reino dos céus; Vós mesmos não entrais e nem deixais que entrem os que querem entrar. 
23,14  Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas!  Devorais os bens das viúvas fingindo fazer longas orações. Por isso, sereis castigados com muito mais rigor.
       
        Para Mt (23,1-39) - Preces pagas, encontramos em “O Evangelho...”, de Kardec, no seu Cap. XXVI, o que se segue:
           
            “A prece é um ato de caridade, um impulso do coração; fazer-se pagar pela que se dirige a Deus por outrem, é transformar-se em intermediário assalariado.”
            “A razão, o bom senso, a lógica dizem que Deus, a perfeição absoluta, não pode delegar a criaturas imperfeitas o direito de pôr preço em sua justiça. A justiça de Deus é como o Sol, que está para todo o mundo, para o pobre como para o rico. Se se considera imoral traficar as graças de um soberano da Terra, seria lícito vender as do soberano do universo?”

            Para  Mt (23,13-14) -Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! - leiamos a Luiz Sérgio, em “Dois Mundos Tão Meus”:

            “Assistíamos a Jesus no pátio onde se achava a arca do tesouro e observava os que ali iam depositar as ofertas. Os ricos deitavam largas somas, mas Jesus feliz ficou quando pobre viúva aproximou-se, hesitante, como receosa de ser observada.
            Olhou de um lado para outro.
            Era tão pouco o que tinha para doar... mas o fazia com o coração, ela acreditava na obra de Deus.
             Após depositar a moeda, virou-se e já ia se afastar ligeiro, porém encontrou o olhar de Jesus cravado nela.
             Quanta doçura! Quem não conhece a parábola do óbulo da viúva?
             E assim Jesus ia pregando. Ouvimos o Mestre falar:
             “Ai  de vós escribas e fariseus hipócritas! pois edificais os sepulcros dos profetas e adorais os monumentos dos justos e dizeis: Se existíssemos no tempo dos nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas. Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas” (Mt 23,30-31).
            Os judeus eram muito zelosos com os túmulos dos profetas mortos, mas negligenciavam os seus ensinos.
            Como somos culpados em negligenciar as viúvas, os órfãos, os doentes, em construirmos mausoléus para os mortos!
            Acompanhávamos a narrativa.
            Cristo lutava contra a hipocrisia, os erros pelos quais os homens estavam destruindo a própria alma. O semblante de Jesus estampava divina piedade, quando falou:
            “Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas, e apedrejas os que te são enviados. Quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos como a galinha junta os seus pintinhos debaixo das asas, e tu não quiseste!
            Jesus já Se despedia, olhando fixamente para cada pessoa, e falou:
            Eis que vossa casa vai ficar deserta. (Mt 23,37-39)
            Lenta e dolorosamente deixou Cristo, para sempre, os limites do templo.
            O povo que amava Jesus chorou, os sacerdotes principais encheram-se de terror. Indagaram: Por que Ele proferiu tais palavras? Diante de nós, Cristo preparava-Se para deixar a Crosta, ficando bem claro que Seu amor não se restringia a uma classe; que Seus seguidores não poderiam viver separados, tinham de considerar irmãos uns aos outros, e que um filho de Deus pratica uma boa ação a cada minuto.
             Neste trecho Cristo só falou em caridade, frisando que um bom homem tem de confortar os tristes, proteger os que estão em perigo, abrir a porta aos necessitados e sofredores, pois não devemos negligenciar os pobres e estropiados;
            Deus deu ao rico fortuna para que socorra e conforte Seus filhos sofredores.
            Aqui encerrou a aula, mas, como gostaríamos de permanecer mais tempo.
            Logo estávamos no pátio da Universidade...”

Acusações contra os Fariseus e os Escribas

 23,15  Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas!  Percorrei mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, fazeis dele um merecedor de longo estágio no umbral, duas vezes pior que o que preparais para vós mesmos. 
23,16  Ai de vós, guias de cegos! Vós direis, se alguém jura pelo templo, isto não é nada; mas se jura pelo tesouro do templo, é obrigado pelo seu juramento. 
23,17 Insensatos! Cegos! Qual é o maior? O ouro ou o templo que santifica o ouro? 23,18  E dizeis ainda: Se alguém jura pelo altar, não é nada; mas, se jura pela oferta que está sobre ele, é obrigado. 
23,19  Cegos! Qual é o maior? A oferta ou o altar que santifica a oferta? 
23,20  Aquele que jura pelo altar, jura, ao mesmo tempo, por tudo o que está sobre ele. 23,21  Aquele que jura pelo templo, jura, ao mesmo tempo, pelo trono de Deus e  por  Aquele  que  nele  está sentado.
23,22 E aquele que jura pelo céu, jura, ao mesmo tempo, pelo trono de Deus e por Aquele que nele está sentado. 
23,23  Ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, da erva doce e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: A justiça, a  misericórdia e a  fidelidade. 
23,24 Guias cegos! Filtrais um mosquito e engolis um camelo! 
23,25  Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Limpais por fora o copo e o prato e por dentro estás cheios de roubo e de cobiça.
         
         Para Mt (23,15-25) -Ai de Vós, Escribas e Fariseus Hipócritas! - leiamos ainda a  Sayão, em “Elucidações Evangélicas”:

            “Escribas e fariseus hipócritas são todos os que se abrigam por detrás de uma fé que não possuem, a fim de abusarem da credulidade dos homens e dela se aproveitarem para a consecução de seus fins; são os que mercadejam com as suas orações e vendem as graças do Senhor, assim como a entrada na morada divina.
            São cegos, guias de cegos, que emaranham seus irmãos numa teia inextricável de puerilidades culposas; que substituem os ensinamentos singelos de Nosso Senhor Jesus Cristo, constantes nos Evangelhos, por um tecido de mandamentos mesquinhos e arbitrários que eles mesmos elaboram; pesadas cadeias com que embaraçam o passo no sagrado carreiro da salvação, às criaturas humanas, as quais, cegas também, mas que, no entanto, para verem a luz, bastaria abrissem os olhos, se submetem a um jugo que a razão repele.
            Felizmente, porém, por mais que hajam feito e ainda façam, a luz que se irradia da santa Doutrina do divino Mestre vai espancando as trevas das inteligências e dos corações e esses infelizes, um dia, reconhecerão quão criminosos foram. O remorso, então, e a expiação lhes farão curvar as frontes orgulhosas e dobrar os joelhos inteiriçados. Queiram ou não queiram, hão de eles convencer-se, e bem assim os que lhes obedecem ao mando, que já vai distante o tempo das supersticiosas imposições da teocracia; que ao seu reinado sucedeu o império da inteligência e da razão, tornadas aptas a apreender, em toda a sua simplicidade e pureza, as verdades evangélicas, únicos fundamentos inabaláveis da fé esclarecida e ativa.
            Sim, passou o tempo da fé cega. Os crentes, os verdadeiros crentes, se formam, e cada vez mais assim será, pelo exercício livre do pensamento, pelo estudo, pela observação, pela investigação, pela análise.”

Acusações contra os Fariseus e os Escribas

         23,26  fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato para que também o que está fora fique limpo! 
23,27  Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Por fora parecem formosos, mas, por dentro, estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão. 
23,28  Assim também vós. Por fora pareceis justos aos olhos dos homens mas, por dentro, estais cheios de hipocrisias e de iniquidade. 
23,29  Ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Edificais sepulcros aos profetas, adornais os monumentos dos justos 
23,30  e dizeis, se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos manchado nossas mãos como eles no sangue dos profetas... 
23,31  Testemunhais, assim, contra vós mesmos que sois de fato os filhos dos assassinos dos profetas. 
23,32  Acabais, pois, de encher a medida de vossos pais! 
23,33  Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo? 
23,34 Vede, Eu vos envio profetas, sábios, doutores... matareis e crucificareis uns e açoitareis outros nas vossas sinagogas. 
23,35  Para que caia sobre vós todo o sangue inocente derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem mataste entre o templo e o altar. 
23,36  Em verdade vos digo, todos esses crimes pesam sobre esta raça! 2
23,37  Jerusalém. Jerusalém, que mata os profetas e apedrejas aqueles que te  são enviados! Quantas vezes Eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas...e tu não quiseste! 
23,38  Pois bem! A vossa casa vos é deixada deserta! 
23,39  Porque, Eu vos digo: Já não Me vereis de hoje em diante, até que digais: Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor!       
      
         Para Mt (23,29-39) -Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! - leiamos, mais uma vez, a Sayão, em “Elucidações Evangélicas”:

            “O Divino Mestre aludia, para esses versículos, à morte e às perseguições que os profetas tinham sofrido, ao sacrifício que breve se consumaria no Gólgota, às perseguições, aos martírios e à morte que os apóstolos, os discípulos e os primeiros cristãos viriam a sofrer, aos esforços que Ele fizera para reunir as ovelhas em torno do cajado do bom pastor à destruição de Jerusalém, à dispersão dos Judeus e, finalmente, à época alegórica do fim do mundo, isto é, à época em que, operada pela depuração e transformação do nosso planeta e da humanidade terrena a regeneração desta, vindo o nosso protetor, governador e Mestre em toda a sua glória, os homens (Judeus e Gentios), regenerados, clamarão, num brado uníssono de amor, como outrora a multidão que o acompanhava à sua entrada na cidade santa: Bendito o que vem em nome do Senhor!”

            O Livro dos Médiuns”, de Kardec, em seu Cap. XXXI, apresenta comunicação, obtida por um dos melhores médiuns da Soc. Espírita de Paris, assinada com um nome que o respeito não permitiu Kardec reproduzir.
             Em nota de rodapé, prossegue Kardec:

             “De modo algum duvidamos que Jesus de Nazaré possa manifestar-se; mas, se os espíritos verdadeiramente superiores não o fazem, senão em circunstancias excepcionais, a razão nos inibe de acreditar que o Espírito por excelência puro responda ao chamado do primeiro que apareça. Em todo caso, haveria profanação, no se lhe atribuir uma linguagem indigna dele.”
            “Na comunicação abaixo, apenas uma coisa reconhecemos: é a superioridade incontestável da linguagem e das idéias, deixando que cada um julgue por si mesmo se aquele de quem ela traz o nome não a renegaria.”
            De parte do compilador, apenas recusamos a afirmação “responda ao chamado do primeiro que apareça.” Parece-nos possível que nem o próprio Kardec tivesse claro a magnitude do trabalho que empreendia ao denominar-se, e aos seus pares, dessa forma. Leiamos o texto:  

            “Venho, eu, vosso Salvador e vosso juiz; venho, como outrora, aos filhos transviados de Israel; venho trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, tem que lembrar aos materialistas que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar a planta e que levanta as ondas. Revelei a Doutrina Divina; como o ceifeiro, atei em feixes o bem esparso na Humanidade e disse: Vinde a mim, vós todos que sofreis !
            Mas, ingratos, os homens se desviaram do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e se perderam nas ásperas veredas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; quer, não mais por meio de profetas, não mais por meio de apóstolos, porém, que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, porquanto a morte não existe, vos socorrais e que a voz dos que já não existem ainda se faça ouvir é a Ressureição, e a vida - a prova escolhida, durante a qual, cultivadas, as vossas virtudes têm que crescer e desenvolver-se como o cedro.
            Crede nas vozes que vos respondem: são as próprias almas dos que evocais. Só muito raramente me comunico. Meus amigos, os que hão assistido à minha vida e `a minha morte são os interpretes divinos das vontades de meu Pai.
       Homens fracos, que acreditais no erro das vossas inteligências obscuras, não apagueis o facho que a clemência divina vos coloca nas mãos, para vos clarear a estrada e reconduzir-vos, filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai.
            Em verdade vos digo: crede na diversidade, na multiplicidade dos Espíritos que vos cercam. Estou infinitamente tocado de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa imensa fraqueza, para deixar de estender mão protetora aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem no abismo do erro. Crede, amai, compreendei as verdades que vos são reveladas; não mistureis o joio com o bom grão, os sistemas com as verdades.
            Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensino; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgais o nada, vos clamam vozes: Irmãos! nada perece; Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade.”