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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Oração

 

Oração

Marcelo Ribeiro por Divaldo Franco

Livro: ‘Sol de Esperança – Ed. LEAL 2ª ed. 1991

           Senhor!

            No santuário do lar, recordando a tua sábia conduta, no abençoado reduto doméstico, nós, os discípulos imperfeitos da tua mensagem de luz, erguemo-nos para rogar em favor das nossas lutas.

            Ajuda-nos a amar, embora a aflição de que nos sentimos objeto;

            ensina-nos a servir, apesar dos desencantos que acumulamos;

            oferece-nos inspiração para as atividades, mesmo em face do cansaço ou do desespero que nos esmagam;

             doa-nos a alegria conquanto as chuvas de fel nos atormentem;

           instruí-nos no serviço do bem, mesmo com as feridas não cicatrizadas da lutas renhidas;

           levanta-nos para prosseguir e perseverar!

           Não somos outros espíritos...

           somos os dilapidadores da paz alheia, envergando roupagens novas;

           somos os algozes do passado, travestidos de vítimas, no presente;

           somos os inquietadores agora inquietados;

           somos os semeadores da discórdia, colhendo cardos;

           somos os pomicultores da usura nas mãos da necessidade;

           recapitulamos para aprender, recomeçamos para crescer;

          Ainda ontem, ouvindo tua voz, desertamos do dever, e dizendo-te servir, distendemos a impiedade e a perturbação...

         Hoje, porém, libertados da imprudência, levantamo-nos para a vida.

         Sê nossa rota, nossa luz, nosso bastão.

         Senhor, sustenta a nossa fragilidade e apiada-te de nós!                

 


sábado, 29 de maio de 2021

Em oração

          

Em oração

Manoel Philomeno de Miranda

por Divaldo Franco

inA Prece segundo os Espíritos

LEAL Editora – Salvador – Bahia – 2ª Edição 1995

 

            Senhor – ensina-nos a respeitar a força do direito alheio na estrada do nosso dever.

            Ante as vicissitudes do caminho, recorda-nos de que no supremo sacrifício da Cruz, entre o escárnio da multidão e o desprezo da Lei, erigiste um monumento à justiça, na grandeza do amor.

            Ajuda-nos, assim, a esquecer todo o mal, cultivando a árvore generosa do perdão.

            Estimula-nos à claridade do bem sem limites, para que o nosso entusiasmo na fé não seja igual a ligeiro meteoro riscando o céu de nossas esperanças, para apagar-se depois...

            Concede-nos a felicidade ímpar de caminhar na trilha do auxílio porque, só aí, através do socorro aos nossos irmãos, aprendemos a cultivar a própria felicidade.

            Tu que nos ensinaste sem palavras no testemunho glorioso da crucificação, ajuda-nos a desculpar incessantemente, trabalhando dentro de nós mesmos pela transformação do nosso espírito, na sucessão do tempo, dia a dia, noite a noite, a fim de que, lapidado, possamos apresenta-lo a Ti no termo de nossa jornada.

            Ensina-nos a enxergar a Tua Ressurreição sublime, mas permite também que recordemos o suplício da Tua solidão, a coroa de espinhos, a cruz infamante e o silêncio tumular que a precederam, como lições incomparáveis para nós, na hora do sofrimento, quando nos chegue.

            Favorece-nos com a segurança da ascensão aos Altos Cimos, porém não nos deixes olvidar que após a jornada silenciosas durante quarenta dias e quarenta noites, entre jejum e meditação, experimentaste a perturbação do mundo e dos homens, em tentações implacáveis que, naturalmente, atravessarão também nossos caminhos...

            Dá-nos a certeza do Reino dos Céus, todavia não nos deixes esquecer que na Terra, por enquanto, não há lugar para os que te servem, tanto quanto não houve para Ti mesmo, auxiliando-nos, entretanto, a viver no mundo, até a conclusão da nossa tarefa redentora.

            Ajuda-nos, Divino Companheiro, a pisar os espinhos sem reclamação, vencendo as dificuldades sem queixas, porque é vivendo nobremente que fazemos jus a uma desencarnação honrada como pórtico de uma ressurreição gloriosa.

            Senhor Jesus, ensina-nos a perdoar, ajuda-nos a esquecer todo o mal, para sermos dignos de Ti! ...


quinta-feira, 6 de maio de 2021

Calamidades

                 

Calamidades

Joanna de Ângelis
Reformador (FEB)  Abril 1974
            (Página psicografada  pelo médium
Divaldo Pereira Franco, na sessão pública da noite de 2-2-1974,
no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)

            Com frequência regular a Terra se faz visitada por catástrofes diversas que deixam rastros de sangue, luto e dor, em veemente convite à meditação dos homens.
            Consequência natural da lei de destruição que enseja a renovação das formas e faculta a evolução dos seres, sempre conseguem produzir impactos, graças à força devastadora de que se revestem.
            Cataclismos sísmicos e revoluções geológicas que irrompem voluptuosos em forma de terremotos, maremotos, erupções vulcânicas obedecem ao impositivo das adaptações, acomodações e estruturação das diversas camadas da Terra, no seu trânsito de ‘mundo expiatório’ para ‘regenerador’.
            Tais desesperadores eventos impõem ao homem invigilante a necessidade da meditação e da submissão à vontade divina, do que resultam transformações morais que o incitam à elevação.
            Olhados sob o ponto de vista espiritual esses flagelos destruidores têm objetivos saneadores que removem as pesadas cargas psíquicas existentes na atmosfera, que o homem elimina e aspira, em contínua intoxicação.
            Indubitavelmente trazem muitas aflições pelos danos que se demoram após a extinção de vidas, arrebatadas coletivamente, deixando marcas de difícil remoção, que se insculpem no caráter, na mente e nos corpos das criaturas.
            Algumas outras calamidades como as pestes, os incêndios, os desastres de alto porte são resultantes do atraso moral e intelectual dos habitantes do planeta, que, no entanto. lhes constituem desafios, que de futuro podem remover ou deles precatar-se. (*)
            As endemias e epidemias que varriam o planeta, no passado, continuamente, com danos incalculáveis, em grande parte são, hoje, capítulo superado, graças às admiráveis conquistas decorrentes da ‘revolução tecnológica’ e da abnegação de inúmeros cientistas que se sacrificaram para a salvação das coletividades. Muitas outras que ainda constituem verdadeiras catástrofes, caminham para oportunas vitórias do engenho e da perseverança humana.
            Há, também, aqueles resultantes da imprevidência, da invigilância, por meio das quais o homem irresponsável se autopune, mediante os rigores dos sofrimentos decorrentes das desencarnações precipitadas, através de violentos sinistros e funestas ocorrências...
            Pareceriam desnecessárias as aflições coletivas que arrebatam justos e injustos, bons e maus, se olhados os saldos precipitadamente. Conveniente, todavia, refletir quanto à justeza das leis divinas que recorrem a métodos purificadores e liberativos, de que os infratores e defraudadores das Leis e da Ordem não se podem furtar ou evitar.
            Comparsas de hediondas chacinas; grupos de vândalos que se aliciam na desordem e usurpação; maltas de inveterados agressores que se identificam em matanças e destruições; corsários e marinhagens desvairados em acumpliciamentos para pilhagens criminosas; soldadesca mercenária, impiedosa e avassaladora, que se refestela, brutal, na inocência imolada selvagemente; incendiários contumazes de lares e celeiros, em hordas nefastas e contínuas; bandos bárbaros de exterminadores, que tudo assolam por onde passam; cúmplices e seviciadores de vítimas inermes que lhe padecem as constrições danosas; pesquisadores e cientistas impenitentes, empedernidos pelas incessantes experiências macabras de que se nutrem em agrupamentos frios; legisladores sádicos e injustos que se desforçam nas gerações débeis que esmagam; conquistadores arbitrários, carniceiros, que subjugam cidades nobres, tornando suas vítimas cadáveres insepultos, enquanto se banqueteiam em sangue e estupor; mentes vinculadas entre si por estranhas amarras de ódio, ciúme e inveja que incendeiam paixões, são reunidos novamente em vidas futuras, atravessando os portais da Imortalidade, através de resgates coletivos, como coletivamente espoliaram, destruíram, escarneceram, aniquilaram, venceram os que  encontravam à frente e consideravam impedimentos à sua ferocidade e barbaria, vandalismo e estrinice, a fim de que se reajustem, no concerto cósmico da Vida, servindo, também, de escarnamento para os demais, que, não obstante se comovam ante as desgraças que os surpreendem, cobrando-lhes as graves dívidas, prosseguem, atônitos e desregrados, em atitudes infelizes sem que lhes hajam constituído lições valiosas, capazes de converter-se em motivo de transformação interior.
            Construtores gananciosos que se fazem para cobranças negativas, maquinistas e condutores de veículos displicentes, que favorecem tragédias volumosas, homens que vendem a honradez e sabem que determinadas calamidades têm origem nas suas mentes e mãos, embora ignorados pela Justiça humana, não se furtarão à Consciência Divina neles mesmos insculpida, que lhes exigirá retorno ao proscênio em que se fizeram criminosos ignorados para tornar-se heróis, salvando outros e perecendo, como necessidade purificadora de que se alçarão, depois, à paz. (*)
            Não constituem castigos as catástrofes que chocam uns e arrebatam outros, antes significam justiça integral que se realiza.
            Enquanto o egoísmo governe os grupos humanos e espalhe suas torpes sementes, em forma de presunção, de ódio, de orgulho, de indiferença à aflição do próximo, a Humanidade provará a ardência dos desesperos coletivos e das coletivas lágrimas, em chamamentos severos à identificação com o bem e o amor, à caridade e ao sacrifício.
            Como há podido pela técnica superar e remover vários fatores de calamidades, pelas conquistas morais conseguirá, a pouco e pouco, suplantar as exigências transitórias de tais injunções redentoras.
            Não bastassem as legítimas concessões do ajustamento espiritual, as calamidades fazem que os homens recordem o poder indômito de forças superiores que os levam a ajustar-se à sua pequenez e emular-se para o crescimento que lhes acena.
            Tocados pelas dores gerais, partícipes das angústias que se abatem sobre os lares vitimados pela fúria da catástrofe, ajudemo-nos e oremos, formando a corrente da fraternidade santificante, e, desde logo, estaremos construindo a coletividade harmônica que atravessará o túmulo em paz e esperança, com os júbilos do viajor retornando ditoso à Pátria da ventura.

            (*) À véspera havia irrompido, em São Paulo, o incêndio do Edifício Joelma, que arrebatou mais de 170 e revelou alguns heróis(Nota da Autora Espiritual.)

domingo, 28 de abril de 2019

Apontamentos correlatos


Apontamentos correlatos
Marco Prisco
por Divaldo Franco
Reformador (FEB) Agosto 1961

A vida física é empréstimo divino.
Na carne, quem começa a viver, também começa a dever.

*

Só a caridade substitui o amor na obra da redenção humana,
Caridade que ajuda é amor que revigora.

*

A reflexão constitui estação de madureza.
Quem não reflete, age desastradamente.

*

A escola, continuando o lar, apresenta os pródromos da vida em coletividade.
Na sociedade encontramos os deveres de uma escola maior.

*

O dever é o amigo que melhor ajuda, estando sempre presente.
Um compromisso liberado enseja deveres novos.

*

A consciência jamais concorda com o crime.
A intuição do certo e do errado é patrimônio inalienável da mente.

*

A fé legítima sempre aponta o pórtico da liberdade espiritual.
Crescimento de alma é medida de liberação.

*

A luz define com exatidão a verdade.
Pode comungar com o lodo e permanecer pura.

*

O Espírito nunca involui.
Na jornada evolutiva, entretanto, estacionar significa seguir na retaguarda.

*

O Espiritismo é sublime renascimento da Doutrina Cristã.
Aceitá-lo na feição de Ciência ou Filosofia somente, 
é desfigura-lo na face mais legítima.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Desencarnação



Desencarnação
Joanna de Ângelis
por Divaldo Franco
em 02/03/74, C E Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

            Resultando da orientação religiosa deficiente que situou a morte como ponte entre a vida física e a sobrenatural, onde a Divina Justiça aguarda o Espírito para brindar-lhe a paz ou a desdita, o conceito errôneo ensejou aos céticos anotações devastadoras, tornando-a simples retorno ao pó donde se teria originado, portanto, ao aniquilamento.
            Não obstante sua remota antiguidade, o culto dos mortos recebeu do hedonismo grego terrível reação, quando os usufrutuários do prazer situaram os impositivos do existir simplesmente no ideal físico e estético da beleza e do gozo com as decorrências imediatas da dissolução dos tecidos e das expressões do pensamento.
            Os estóicos, que se lhe opunham, esforçavam-se por colocar resistências ao pavor da morte, numa tentativa de se evitarem a tristeza e a dor, mediante um fatalismo racionalista com que se deve superá-las, através do esforço sobre-humano para enfocar as realidades do dia-a-dia, vivendo-se com valor cada hora no mundo material.
            O Cristianismo foi, na História, a mais eloquente mensagem de louvou à vida e à morte, considerando-se que a ética vivida e ensinada por Jesus é toda vazada na ‘negação do mundo material’ para a afirmação de Deus e da vida espiritual. A sua mensagem impele o homem ao entesouramento dos valores morais que não transitam nem se perdem quando se decompõe as aparências orgânicas, permanecendo além-túmulo como superiores recursos para a sobrevivência feliz. Além disso, o seu contato com os chamados mortos, em contínua convivência, suas horas de solidão com Deus atestam a grandeza do princípio espiritual sobrepujando as limitações do veículo carnal.
            Como se não bastassem as eloquentes comprovações de que se fez ímpar agente, retornou, ele próprio, do além-túmulo, à presença de um sem-número de testemunhas, com elas confabulando e convivendo com expressões de vitalidade incontestável...
            Em todos os tempos ressumam os atestados imortalistas, no incessante intercâmbio entre as duas esferas: a orgânica e a espiritual.
            Mentes áridas e atormentadas, no entanto, hão procurado sepultar no ‘nada’ a glória imortal. Não obstante o atavismo dessa negação, no inconsciente humano mantido pela sistemática da descrença, jamais foi utilizada a expressão niilista sobre a vida imortal nos incontáveis conúbios de que foram instrumento médiuns, santos e apóstolos, afirmando sempre a sobrevivência... Em todos esses fenômenos paranormais, o verbete Imortalidade superou o aniquilamento do ser, reafirmando a indestrutibilidade do Espírito à decomposição dos tecidos carnais...

                                   ***

            Não há morte, ninguém se equivoque.
            Só há vida, onde quer que se detenha o pensamento.
            Da decomposição pestilencial da matéria surgem multiplicadas, complexas formas de vida.
            Morre a lagarta em histólise de desagregação para surgir a borboleta em histogênese admirável...     
            Morre a semente para libertar a planta...
            Morre o sêmen para formar o corpo...       
            Morre o corpo para que se liberte o Espírito que dele se utiliza como de um veículo em romagem purificadora.
            Sem dúvida, a morte constitui dor inominável quando arrebata o ser querido, retirando-o da convivência e da ternura dos que a amam... Possivelmente, é a dor moto contínuo de maior duração, graças ao apego e valor que se atribuem aos grilhões carnais.
            A ausência do corpo não impede, porém, a presença do ser, desagregado na forma, não todavia, aniquilado na essência. Ninguém sobreviverá sine die enquanto no ergástulo fisiológico.
            Indispensável considerar que a vida orgânica, iniciada no ovo, se dilui quando cessa a circulação sanguínea por falta de oxigenação; todavia, a causa que aglutinou as moléculas e as transformou prossegue, agora livre, continuando os rumos que deve vencer.
            Ninguém é genitor ou filho, esposo ou amigo afeiçoados por caprichos do acaso. Quando se rompem as argamassas não se dessorem os vínculos superiores que os precederam ao berço e os sucederão ao túmulo.
            Imperioso considerar, mediante reflexão continuada, a problemática da morte, a fim de que a surpresa, decorrente da imantação ao corpo físico, não se transforme em rebeldia inútil ou exacerbação dissolvente.

                                                ***

            Os seres amados recebem, onde se encontram vivos após a morte, os dardos da revolta negativa para eles como as lembranças afáveis do amor.
            O pensamento é força vital gravitando no Universo.
            Imã poderoso mantém sua própria força e atrai as ondas semelhantes que nele se fixam ou às quais se liga.
            Assim, recorda os teus mortos com alegria e ternura, mesmo que isto te pareça paradoxal.
            A morte não visita apenas o teu lar. Passa por todas as portas, invariavelmente. Se amas, conforme dizes, atesta-o com nobreza e não por meio da insensatez.
            Uma memória que inspira desesperação, realmente não foi útil nem nobre.
            Somente o amor verdadeiro inspira ânimo e confiança, alegria e esperança.
            Coloca-te no lugar de quem partiu e considera a forma como te sentirias se foras a causa do infortúnio da pessoa que, dizendo amar-te, pensa em fugir, em vingar-se, em abandonar a vida...
            Refletirás melhor e transformarás a dor em flores de alegria, guardando a certeza de que o amanhã fará o teu reencontro com quem amas.
            A vida sempre devolve conforme recebe. Irisa o céu da tua saudade com a luz da oração pelos teus amados imortais. E começa a preparar-te para a vilegiatura que te alcançará logo mais... Rompe as algemas da paixão, quebra as peias do egoísmo, organiza o programa de liberação das mágoas, reflete nas dores e, quando chegar o teu momento, que nenhuma retentiva te prenda na retaguarda...
            Vivendo, está-se desencarnando a pouco e pouco. O golpe final resulta de todos esses pequenos morreres, que lançam a alma na realidade da consciência livre e indestrutível.
            Desencarnar é desembaraçar-se da carne.
            Morrer, literalmente, significa cessar de viver.
            Do ponto de vista espiritual, porém, morte é vida e vida no corpo pode afigurar-se como morte transitória da liberdade e da plenitude da lucidez.
            Vive, pois, de tal forma que, advindo a morte ou desencarnação, estejas livre e prossigas feliz.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Sexo e Obsessão


Sexo e Obsessão
Joanna de Ângelis
por Divaldo P. Franco
Reformador (FEB) Dezembro 1991

            Espíritos perturbados em si mesmos, reencarnam-se anatematizados por desequilíbrios físicos e psíquicos que procedem das lembranças negativas e dos erros anteriormente praticados.

            Espíritos inquietos reemboscam-se na indumentária fisiológica, açulados por falsas necessidades a que se atiraram impensadamente nas existências passadas.
            Espíritos aturdidos recomeçaram a experiência carnal sob o guante de paixões comprometedoras em que mais se infelicitam.

            Espíritos viciados se recondicionam no corpo somático e se permitem acumpliciamento com outros seres reencarnados em ultrizes processos de vampirização recíproca, em que desarticulam os centros genésicos, passando a experimentar desditas inenarráveis.

                                                                       *

            Estatísticas eficientes realizadas do lado de cá informam que os processos infelizes da criminalidade e do desespero procedem invariavelmente do ódio. Merece, porém, examinar, que o ódio resulta das frustrações afetivas, das ansiedades incontidas, do egoísmo exacerbado, da maledicência sinistra, da ira frequente, das ambições desmedidas, dos amores alucinados que se conjugam em nefandos conciliábulos de imprevisíveis resultados.

            Por isso, o amor é fundamental na vida de todos.

            E por ser o sexo a fonte poderosa que faculta a perpetuação da espécie, entre os homens, invariavelmente vai confundido nos delineamentos afetivos, como fator essencial para a comunhão, senão o único meio da exteriorização do amor.

            Diariamente, milhares de criaturas mal informadas ou desavisadas, fascinadas pelas ilusões do prazer, arrojam-se a despenhadeiros da loucura, por frustrações e desassossegos sexuais. Sublime campo de experiências superiores normalmente se converte em paul sombrio de miasmas asfixiantes e tóxicos nefastos.

            Através dele, todavia, o espírito que recomeça a caminhada na Terra, encontra o regaço materno, as mãos vigorosas da paternidade, os braços fraternos transformados em asas de socorro, o ósculo da amizade pura e a certeza do reequilíbrio na oportunidade nova, como porta abençoada para a própria redenção.

            Não o esqueças propositadamente nos cometimentos humanos em que te encontras. Não o espicaces levianamente, buscando as expressões da sua violência. Sublima-o pela continência, mediante a correção do comportamento, através da disciplina mental.

            Não esperes a senectude para que te apresentes sereno.

            Muitas pessoas idosas expressam amarguras, que decorrem de frustrações coercitivas a que se viram impelidas; outras se caracterizam conduzindo excessivas doses de pudor, após a travessia lamentável pelos rios do uso desequilibrado, de que se arrependem dolorosamente, descambando para a aversão sistemática; diversas fingem ignorá-lo, após perderem as exigências naturais pelo cansaço e disfunção que a velhice impõe...

            Muitos males que não podem ser catalogados facilmente decorrem de íntimas inquietações nos departamentos do sexo atribulado, desde os dias da juventude... Em razão disso, ama, quanto te permitam as forças.

            Não esperes, porém, que o ser amado seja compelido a responder-te às aspirações. Provavelmente esses espírito está vinculado a outro espírito e chagaste tarde, não te sendo facultado desatrelá-lo das ligações a que se permitiu prender espontaneamente.

            Se chegas antes, não o atormentes com exigências, porque é possível que o compromisso dele esteja à frente. Se te aproximas tardiamente e desfazes os laços que já mantém, não fruirás a felicidade, e, se impedes que marche na direção das tarefas para as quais reencarnou sofrerás, mais tarde, o travo da desilusão, quando passe o infrene desejo imediato...

            Entregue o teu a mor à vida e envolve-o nas vibrações da ternura que felicita e dulcifica aquele que ama, quanto o que é amado.

            Se, todavia, não possuíres força para o cometimento, não te permitas a conjetura de sonhos escravocratas. Antes, ora e roga o socorro do Alto, para que os anjos guardiães vigilantes te distendam mãos compassivas e bálsamo tranquilizador.

            O teu íntimo amor resplandecerá um dia, após a superação do tormento sexual, em paisagem de festa em que o teu espírito cantará a música da liberdade e da paz.

                                                                       *

            Há mentes viciosas, na Erraticidade, atormentadas e sedentas, vitimadas por paixões que ainda não se aplacaram, que estão realizando constante comércio obsessivo com os que se permitem, na Terra, as alucinações sexuais e os desavisos afetivos. Em conúbios terríveis atiram-se com virulência, explorando os centros genésicos dos encarnados e esfacelando neles a esperança e a alegria de viverem.

            Sutilmente instilam os pensamentos depressivos ou açulam falsas necessidades, absorvendo por  processos mui complexos as expressões do prazer fugidiço e instalando as matrizes de desequilíbrios irreversíveis. Vigia a mente e controla o sexo.

            Quando pensamentos inusitados te sombrearem os painéis mentais com idéias infelizes; quando afetos dúlcidos se transformarem nos recessos do teu coração em fornalha de desejos; quando a ternura com que envolves os a quem estimas ou amas se te apresentar ardente ou angustiante; quando passares a sofrer dolorosas constrições na organização genésica, tem cuidado! Certamente estarás sendo obsidiado por outros Espíritos, encarnados de mente vigorosa ou desencarnados infelizes, em trama contínua para te arrojarem nos despenhadeiros da alucinação. Levanta o pensamento a Jesus e a ele entrega-te em regime de total doação, certo de que o Vencedor de todos os embates te ajudará a sair da constrição cruel, encaminhando-te na direção da harmonia. Para tanto, ora e trabalha pelo bem comum e o bem de todos te oferecerá o lenitivo e a força para a libertação a que aspiras.

domingo, 4 de março de 2018

Desencarnação



Desencarnação

Joanna de Ângelis
por Divaldo Franco
em 02/03/74, C E Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

            Resultando da orientação religiosa deficiente que situou a morte como ponte entre a vida física e a sobrenatural, onde a Divina Justiça aguarda o Espírito para brindar-lhe a paz ou a desdita, o conceito errôneo ensejou aos céticos anotações devastadoras, tornando-a simples retorno ao pó donde se teria originado, portanto, ao aniquilamento.
            Não obstante sua remota antiguidade, o culto dos mortos recebeu do hedonismo grego terrível reação, quando os usufrutuários do prazer situaram os impositivos do existir simplesmente no ideal físico e estético da beleza e do gozo com as decorrências imediatas da dissolução dos tecidos e das expressões do pensamento.
            Os estóicos, que se lhe opunham, esforçavam-se por colocar resistências ao pavor da morte, numa tentativa de se evitarem a tristeza e a dor, mediante um fatalismo racionalista com que se deve superá-las, através do esforço sobre-humano para enfocar as realidades do dia-a-dia, vivendo-se com valor cada hora no mundo material.
            O Cristianismo foi, na História, a mais eloquente mensagem de louvou à vida e à morte, considerando-se que a ética vivida e ensinada por Jesus é toda vazada na ‘negação do mundo material’ para a afirmação de Deus e da vida espiritual. A sua mensagem impele o homem ao entesouramento dos valores morais que não transitam nem se perdem quando se decompõe as aparências orgânicas, permanecendo além-túmulo como superiores recursos para a sobrevivência feliz. Além disso, o seu contato com os chamados mortos, em contínua convivência, suas horas de solidão com Deus atestam a grandeza do princípio espiritual sobrepujando as limitações do veículo carnal.
            Como se não bastassem as eloquentes comprovações de que se fez ímpar agente, retornou, ele próprio, do além-túmulo, à presença de um sem-número de testemunhas, com elas confabulando e convivendo com expressões de vitalidade incontestável...
            Em todos os tempos ressumam os atestados imortalistas, no incessante intercâmbio entre as duas esferas: a orgânica e a espiritual.
            Mentes áridas e atormentadas, no entanto, hão procurado sepultar no ‘nada’ a glória imortal. Não obstante o atavismo dessa negação, no inconsciente humano mantido pela sistemática da descrença, jamais foi utilizada a expressão niilista sobre a vida imortal nos incontáveis conúbios de que foram instrumento médiuns, santos e apóstolos, afirmando sempre a sobrevivência... Em todos esses fenômenos paranormais, o verbete Imortalidade superou o aniquilamento do ser,  reafirmando a indestrutibilidade do Espírito à decomposição dos tecidos carnais...

                                                               ***

            Não há morte, ninguém se equivoque.
            Só há vida, onde quer que se detenha o pensamento.
            Da decomposição pestilencial da matéria surgem multiplicadas, complexas formas de vida.
            Morre a lagarta em histólise de desagregação para surgir a borboleta em histogênese admirável...     
            Morre a semente para libertar a planta...
            Morre o sêmen para formar o corpo...       
            Morre o corpo para que se liberte o Espírito que dele se utiliza como de um veículo em romagem purificadora.
            Sem dúvida, a morte constitui dor inominável quando arrebata o ser querido, retirando-o da convivência e da ternura dos que a amam... Possivelmente, é a dor moto contínuo de maior duração, graças ao apego e valor que se atribuem aos grilhões carnais.
            A ausência do corpo não impede, porém, a presença do ser, desagregado na forma, não todavia, aniquilado na essência. Ninguém sobreviverá sine die enquanto no ergástulo fisiológico.
            Indispensável considerar que a vida orgânica, iniciada no ovo, se dilui quando cessa a circulação sanguínea por falta de oxigenação; todavia, a causa que aglutinou as moléculas e as transformou prossegue, agora livre, continuando os rumos que deve vencer.
            Ninguém é genitor ou filho, esposo ou amigo afeiçoados por caprichos do acaso. Quando se rompem as argamassas não se dessorem os vínculos superiores que os precederam ao berço e os sucederão ao túmulo.
            Imperioso considerar, mediante reflexão continuada, a problemática da morte, a fim de que a surpresa, decorrente da imantação ao corpo físico, não se transforme em rebeldia inútil ou exacerbação dissolvente.

***

            Os seres amados recebem, onde se encontram vivos após a morte, os dardos da revolta negativa para eles como as lembranças afáveis do amor.
            O pensamento é força vital gravitando no Universo.
            Imã poderoso mantém sua própria força e atrai as ondas semelhantes que nele se fixam ou às quais se liga.
            Assim, recorda os teus mortos com alegria e ternura, mesmo que isto te pareça paradoxal.
            A morte não visita apenas o teu lar. Passa por todas as portas, invariavelmente. Se amas, conforme dizes, atesta-o com nobreza e não por meio da insensatez.
            Uma memória que inspira desesperação, realmente não foi útil nem nobre.
            Somente o amor verdadeiro inspira ânimo e confiança, alegria e esperança.
            Coloca-te no lugar de quem partiu e considera a forma como te sentirias se foras a causa do infortúnio da pessoa que, dizendo amar-te, pensa em fugir, em vingar-se, em abandonar a vida...
            Refletirás melhor e transformarás a dor em flores de alegria, guardando a certeza de que o amanhã fará o teu reencontro com quem amas.
            A vida sempre devolve conforme recebe. Irisa o céu da tua saudade com a luz da oração pelos teus amados imortais. E começa a preparar-te para a vilegiatura que te alcançará logo mais... Rompe as algemas da paixão, quebra as peias do egoísmo, organiza o programa de liberação das mágoas, reflete nas dores e, quando chegar o teu momento, que nenhuma retentiva te prenda na retaguarda...
            Vivendo, está-se desencarnando a pouco e pouco. O golpe final resulta de todos esses pequenos morreres, que lançam a alma na realidade da consciência livre e indestrutível.
            Desencarnar é desembaraçar-se da carne.
            Morrer, literalmente, significa cessar de viver.
            Do ponto de vista espiritual, porém, morte é vida e vida no corpo pode afigurar-se como morte transitória da liberdade e da plenitude da lucidez.
            Vive, pois, de tal forma que, advindo a morte ou desencarnação, estejas livre e prossigas feliz.

domingo, 6 de agosto de 2017

Esquisitices e Espiritismo


Esquisitices e Espiritismo
Vianna de Carvalho por Divaldo Franco
Reformador (FEB) Novembro 1972

            Ressumam com frequência nos arraiais da prática mediúnica esdrúxulas superstições que tomam corpo, teimosamente, entre os adeptos menos esclarecidos do Espiritismo, grassando por descuido dos estudiosos, que preferem adotar uma posição dubitativa, malgrado a coerência doutrinária de que sobejas vezes deu mostras o insigne Codificador.

            Pretendendo não se envolver no desagrado da ignorância que se desdobra sob a indumentária de fanatismos repetitivos, alguns espíritas sinceros, encarregados de esclarecer, consolar e instruir doutrinariamente o próximo, fazem-se tolerantes com erros lamentáveis, em detrimento da salutar difusão da Doutrina de Jesus, ora atualizada pelos Espíritos Superiores. A pretexto de não contrariarem a petulância e o aventureirismo, cometem o deplorável engano de compactuarem com o engodo, desconcertando as paisagens da fé e, sem dúvida, conspurcando os postulados kardequianos, que pareceriam aceitar esses apêndices viciosos e jargões deturpadores como informações doutrinárias.

            É natural que a expansão de qualquer ideia de enobrecimento experimente a problemática da superfície em oposição ao valor da profundidade, empalidecendo momentaneamente. Como consequência, todo ideal que se desenvolve celeremente sofre o perigo de desgaste e desfiguração, caso não se precatem aqueles que se tornam propugnadores de suas virtualidades e ensinamentos, especialmente com o porte que caracteriza a Doutrina Espírita.

            De um lado, é a ausência de estudo sistemático, de autodidatismo espirítico haurido na Codificação, de atualização doutrinária em face das conquistas do moderno pensamento filosófico e tecnológico; doutro, é o desamor com que muitos confrades, após se adentrarem no conhecimento imortalista, mantêm atitude de indiferença, resguardando a própria comodidade, por egoísmo, recusando-se a experimentar problemas e tarefas caso se empenhassem na correta difusão e no eficiente esclarecimento espírita; ainda, por outra circunstância, é a falsa super valorização que se atribuem muitos, preferindo a distância, como se a função de quem conhece não fosse a de elucidar os que jazem na incipiência ou na sombra das tentativas infelizes; e, por mal dos males, é porque diversos preferem a falsa estima em que se projetam ilusoriamente, em lugar do aplauso da consciência reta e do labor retamente realizado...

            ...E surgem esquisitices que viram manchetes do sensacionalismo da imprensa, mais interessada na divulgação infeliz, que atrai clientes, do que na Informação segura, que serve como luzes do esclarecimento eficiente.

            Médiuns e médiuns pululam nos diversos campos da propaganda, autopromovendo-se, mediante ridículos conciliábulos com as fantasias vigentes no báratro em que se converteu a Terra, sem aferição de valores autênticos, com raras exceções, conduzindo, quase sempre, a deplorável vulgaridade a nobre mensagem dos Céus, assim chafurdando levianamente nos vícios em que incorrem. Fazem-se instrumentos de visões extravagantes e dizem-se dialogando com anjos e santos desocupados, quando não se utilizam, ousadamente, dos venerandos nomes do Cristo e de Maria, dos Apóstolos como dos eminentes sábios e filósofos do passado, a retomarem com expressões da excentricidade, abordando temas de somenos importância em linguagem chã, com despautérios, em desrespeito às regras elementares da lógica e da gramática, na forma em que se apresentam. Pareceria que a desencarnação os depreciara, fazendo-os perder a lucidez, o patrimônio moral-intelectual conseguido nos longos sacrifícios em que se empenharam arduamente. Prognosticam, proféticos, os fins dos tempos e, imaginosos, recorrem ao pavor e à linguagem empolada, repetindo as proezas confusas de videntes atormentados do pretérito, atormentados que são, a seu turno, no presente.

            Utilizando-se das informações honestas da Ciência, passam à elaboração de informes fantásticos, ensaiando débeis vagidos de "ciência-ficção", desencadeando debates com arrimo em provas inexpressivas retiradas de lacônicos telegramas das agências noticiosas, com que esperam positivar seus informes sobre a vida em tais ou quais condições nesse ou naquele planeta do sistema solar, ou noutra galáxia que se lhes torne simpática, como se a Doutrina já não houvera oportunamente conceituado com segurança a questão, à Ciência competindo o labor de trazer a sua própria afirmação, sem incorrerem os espiritistas no perigo do ridículo desnecessário.

            Outras vezes, entregam-se à atualização de antigas crendices e feitiços, enredando os neófitos em mancomunações com Entidades infelizes, ainda anestesiadas pelos tóxicos da última encarnação, vinculadas às impressões do em que acreditavam e se demoram cultuando... Estimulam, assim, o vampirismo, inconsequentes, aumentando o número de obsidiados, por meio de conúbios nefários em que padecem demoradamente...

            Receitam práticas estranhas e confusas, perturbando as mentes que se encontram em plena infância da cultura como da experiência superior, tornando-se chefes e condutores cegos que são, a conduzirem outros cegos, terminando, conforme a lição evangélica, por caírem todos no mesmo abismo...

            O Espiritismo é simples e fácil como a verdade, quando penetrado. Deixá-lo padecer a leviana aventura de pessoas irresponsáveis, ingênuas ou malévolas é gravame de que não se poderão eximir os legítimos adeptos da Terceira Revelação.

            Como não é lícito fomentar debates ou gerar discussões improdutivas, cabem, frequentemente, sempre que possíveis, as honestas informações que levem a distinguir entre Doutrina Espírita e doutrinas espiritualistas, prática espírita e práticas mediúnicas, opinião espírita e opiniões medianímicas, calcadas tais elucidações na Codificação Kardequiana que delineou, aliás, com muita propriedade, as características do Espiritismo, conforme se lê na Introdução de "O Livro dos Espíritos", estando presentes em todo o Pentateuco, que desdobra os postulados mestres em magníficos estudos de perfeita atualidade, a resistirem a todas as investidas da razão, da técnica e da fé contemporâneas.

            A função de terapia moral do Espiritismo é incomparável. Torná-lo reduto de banalidades e imediatismos, convertendo-o em mesa farta de frivolidades, seria conspurcá-lo dolorosamente.

            Doutrina de comportamento, imprime nos adeptos integridade e dignificação, constituindo rota e veículo de progresso a todo aquele que aspire a mais fecundos horizontes, ambicionando perspectivas mais felizes para si e para o próximo.

            Aprofundar, portanto, estudos, no seu organismo doutrinário, é dever de todo espírita consciente, que passará a lecioná-lo, como decorrência do auto aprimoramento, com segurança e lucidez, não permitindo que a urze do absurdo ou o escalracho da fantasia se lhe imiscuam, gerando dificuldades compreensíveis nas mentes necessitadas e nos espíritos sofridos que pululam em toda parte, sedentos da água viva do Consolador Prometido, que já se encontra na Terra há mais de um século, prenunciando o período de felicidade que se avizinha e de que nos deveremos constituir pioneiros, pela forma como apresentarmos e vivermos o Espiritismo com Jesus.