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domingo, 6 de agosto de 2017

Esquisitices e Espiritismo


Esquisitices e Espiritismo
Vianna de Carvalho por Divaldo Franco
Reformador (FEB) Novembro 1972

            Ressumam com frequência nos arraiais da prática mediúnica esdrúxulas superstições que tomam corpo, teimosamente, entre os adeptos menos esclarecidos do Espiritismo, grassando por descuido dos estudiosos, que preferem adotar uma posição dubitativa, malgrado a coerência doutrinária de que sobejas vezes deu mostras o insigne Codificador.

            Pretendendo não se envolver no desagrado da ignorância que se desdobra sob a indumentária de fanatismos repetitivos, alguns espíritas sinceros, encarregados de esclarecer, consolar e instruir doutrinariamente o próximo, fazem-se tolerantes com erros lamentáveis, em detrimento da salutar difusão da Doutrina de Jesus, ora atualizada pelos Espíritos Superiores. A pretexto de não contrariarem a petulância e o aventureirismo, cometem o deplorável engano de compactuarem com o engodo, desconcertando as paisagens da fé e, sem dúvida, conspurcando os postulados kardequianos, que pareceriam aceitar esses apêndices viciosos e jargões deturpadores como informações doutrinárias.

            É natural que a expansão de qualquer ideia de enobrecimento experimente a problemática da superfície em oposição ao valor da profundidade, empalidecendo momentaneamente. Como consequência, todo ideal que se desenvolve celeremente sofre o perigo de desgaste e desfiguração, caso não se precatem aqueles que se tornam propugnadores de suas virtualidades e ensinamentos, especialmente com o porte que caracteriza a Doutrina Espírita.

            De um lado, é a ausência de estudo sistemático, de autodidatismo espirítico haurido na Codificação, de atualização doutrinária em face das conquistas do moderno pensamento filosófico e tecnológico; doutro, é o desamor com que muitos confrades, após se adentrarem no conhecimento imortalista, mantêm atitude de indiferença, resguardando a própria comodidade, por egoísmo, recusando-se a experimentar problemas e tarefas caso se empenhassem na correta difusão e no eficiente esclarecimento espírita; ainda, por outra circunstância, é a falsa super valorização que se atribuem muitos, preferindo a distância, como se a função de quem conhece não fosse a de elucidar os que jazem na incipiência ou na sombra das tentativas infelizes; e, por mal dos males, é porque diversos preferem a falsa estima em que se projetam ilusoriamente, em lugar do aplauso da consciência reta e do labor retamente realizado...

            ...E surgem esquisitices que viram manchetes do sensacionalismo da imprensa, mais interessada na divulgação infeliz, que atrai clientes, do que na Informação segura, que serve como luzes do esclarecimento eficiente.

            Médiuns e médiuns pululam nos diversos campos da propaganda, autopromovendo-se, mediante ridículos conciliábulos com as fantasias vigentes no báratro em que se converteu a Terra, sem aferição de valores autênticos, com raras exceções, conduzindo, quase sempre, a deplorável vulgaridade a nobre mensagem dos Céus, assim chafurdando levianamente nos vícios em que incorrem. Fazem-se instrumentos de visões extravagantes e dizem-se dialogando com anjos e santos desocupados, quando não se utilizam, ousadamente, dos venerandos nomes do Cristo e de Maria, dos Apóstolos como dos eminentes sábios e filósofos do passado, a retomarem com expressões da excentricidade, abordando temas de somenos importância em linguagem chã, com despautérios, em desrespeito às regras elementares da lógica e da gramática, na forma em que se apresentam. Pareceria que a desencarnação os depreciara, fazendo-os perder a lucidez, o patrimônio moral-intelectual conseguido nos longos sacrifícios em que se empenharam arduamente. Prognosticam, proféticos, os fins dos tempos e, imaginosos, recorrem ao pavor e à linguagem empolada, repetindo as proezas confusas de videntes atormentados do pretérito, atormentados que são, a seu turno, no presente.

            Utilizando-se das informações honestas da Ciência, passam à elaboração de informes fantásticos, ensaiando débeis vagidos de "ciência-ficção", desencadeando debates com arrimo em provas inexpressivas retiradas de lacônicos telegramas das agências noticiosas, com que esperam positivar seus informes sobre a vida em tais ou quais condições nesse ou naquele planeta do sistema solar, ou noutra galáxia que se lhes torne simpática, como se a Doutrina já não houvera oportunamente conceituado com segurança a questão, à Ciência competindo o labor de trazer a sua própria afirmação, sem incorrerem os espiritistas no perigo do ridículo desnecessário.

            Outras vezes, entregam-se à atualização de antigas crendices e feitiços, enredando os neófitos em mancomunações com Entidades infelizes, ainda anestesiadas pelos tóxicos da última encarnação, vinculadas às impressões do em que acreditavam e se demoram cultuando... Estimulam, assim, o vampirismo, inconsequentes, aumentando o número de obsidiados, por meio de conúbios nefários em que padecem demoradamente...

            Receitam práticas estranhas e confusas, perturbando as mentes que se encontram em plena infância da cultura como da experiência superior, tornando-se chefes e condutores cegos que são, a conduzirem outros cegos, terminando, conforme a lição evangélica, por caírem todos no mesmo abismo...

            O Espiritismo é simples e fácil como a verdade, quando penetrado. Deixá-lo padecer a leviana aventura de pessoas irresponsáveis, ingênuas ou malévolas é gravame de que não se poderão eximir os legítimos adeptos da Terceira Revelação.

            Como não é lícito fomentar debates ou gerar discussões improdutivas, cabem, frequentemente, sempre que possíveis, as honestas informações que levem a distinguir entre Doutrina Espírita e doutrinas espiritualistas, prática espírita e práticas mediúnicas, opinião espírita e opiniões medianímicas, calcadas tais elucidações na Codificação Kardequiana que delineou, aliás, com muita propriedade, as características do Espiritismo, conforme se lê na Introdução de "O Livro dos Espíritos", estando presentes em todo o Pentateuco, que desdobra os postulados mestres em magníficos estudos de perfeita atualidade, a resistirem a todas as investidas da razão, da técnica e da fé contemporâneas.

            A função de terapia moral do Espiritismo é incomparável. Torná-lo reduto de banalidades e imediatismos, convertendo-o em mesa farta de frivolidades, seria conspurcá-lo dolorosamente.

            Doutrina de comportamento, imprime nos adeptos integridade e dignificação, constituindo rota e veículo de progresso a todo aquele que aspire a mais fecundos horizontes, ambicionando perspectivas mais felizes para si e para o próximo.

            Aprofundar, portanto, estudos, no seu organismo doutrinário, é dever de todo espírita consciente, que passará a lecioná-lo, como decorrência do auto aprimoramento, com segurança e lucidez, não permitindo que a urze do absurdo ou o escalracho da fantasia se lhe imiscuam, gerando dificuldades compreensíveis nas mentes necessitadas e nos espíritos sofridos que pululam em toda parte, sedentos da água viva do Consolador Prometido, que já se encontra na Terra há mais de um século, prenunciando o período de felicidade que se avizinha e de que nos deveremos constituir pioneiros, pela forma como apresentarmos e vivermos o Espiritismo com Jesus.


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