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domingo, 6 de agosto de 2017

Com Amor

Com Amor
Roque Jacintho
Reformador (FEB) Novembro 1972

            O amor possessivo, que caracteriza a fase evolutiva da maioria das criaturas matriculadas na escola terrena, tem uma de suas mais dolorosas manifestações no drama afetivo diante da partida daqueles que fizeram breve trânsito pelo orbe.

            Na realidade, diante de alguém que participou de nossa constelação familiar e é chamado de retorno à Pátria Espiritual, poderemos nutrir desalento e sensação de quase revolta, lamentando lhe a ausência.

            Quanto menos soubermos respeitar as suas necessidades individuais, quanto
menor for o tirocínio religioso para compreender a finalidade de sua encarnação - mais ampliaremos a área do desajuste afetivo, alimentando dolorosas queixas, com as quais queremos exprimir nossa dor.

            À proporção, porém, que soerguermos nossa visão para os horizontes espirituais da Vida Maior mais respeitaremos os ausentes, sem nos enredarmos nas tramas do desequilíbrio emotivo.

            Não significa isto menos amor e sim menos possessão. Não significa isto simples, resignação inconsciente às leis divinas e sim mais entendimento para os quadros evolutivos individuais, que nem sempre conseguimos abarcar.

            Quando, pois, o amor se tornar mais afeto e menos sentimento de propriedade, saberemos interpretar a bênção do reencontro, nas pautas das leis da reencarnação, e aceitaremos a ausência dos familiares queridos com saudade, sem desespero, rejubilando-nos por saber cumprida uma das etapas de suas lutas redentoras.

            Mais amor e menos sentimento de posse revela o grau de espiritualização
que houvermos alcançado.

            Acolhamos com sabedoria e serenidade a lição do túmulo vazio que Jesus nos legou em seu Evangelho de amor e aceitemos com fé, confiança, amplo descortinio - que todo Espírito vem de Deus e realiza sua regeneração, vencendo etapas, coparticipando de nossas experiências na posição de familiar, parente querido - sem que venha a pertencer-nos. 

            O que une as criaturas, os únicos laços indestrutíveis, na consolidação das famílias espirituais, são os do amor com respeito, esmaecendo em nós o instinto da posse.

            Menos escravizados aos conceitos materiais - saberemos que as almas que

se amam estão vinculadas a Jesus e nada poderá separá-las, no fluir dos milênios, porque não se separa na Terra o que Deus ajuntou. 

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