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sábado, 26 de março de 2011

22/50 'Crônicas Espíritas' por Frederico Figner

pope throne

22CM   

            Meu caro padre Dubois:

            Recebi a sua carta de 23 p.p. e confesso que fiquei desiludido.
            Pensei que o amigo, a despeito do seu anonimato, 
estava à procura da verdade e, agora, 
vejo que o amigo é um sofista que tem interesse em torcer as verdades evangélicas.
            Mas, meu amigo, que lhe adianta isso? 
A vida é curta, e, quando chegar ao Além, 
quanta desilusão e quanta dor terá de curtir!
            Continua a sustentar que os dogmas não são obras 
dos concílios e sim revelações de Deus, 
que é ao mesmo tempo Jesus e o Espírito Santo!
            Pergunto-lhe eu: quando Jesus disse: 
“E eu rogarei ao Pai e Ele vos enviará o Espírito Santo”, 
queria Jesus dizer que Deus se enviaria a si mesmo?
            A verdade é que os concílios ecumênicos formularam os dogmas
 para evitar as controvérsias entre os diversos povos 
e entre o próprio clero, nas diversas Igrejas.
            Quanto à sua afirmação de que 
“a missão de Jesus e dos apóstolos não consistia em curar doenças”, 
é outra negação gratuita, pois assim como Jesus curou,
 assim deu poder aos seus discípulos de curar, 
e eles, de fato, fizeram as mesmas curas operadas por Jesus.
            E mais, as últimas palavras do Senhor, antes da sua ascensão, 
segundo o último capítulo de São Marcos, foram estas: 
“E estes sinais seguirão aos que crerem
Expulsarão os demônios em meu nome; falarão novas línguas, 
manusearão as serpentes; e, se beberem alguma postagem mortífera, 
não lhes fará mal: Porão as mãos sobre os enfermos e os curarão.
            Ora, isto era dito dos que cressem nos Evangelhos, 
que os apóstolos eram incumbidos de pregar; portanto, 
com mais razão deveria abranger os próprios pregadores que 
tinham por missão operar os mesmos prodígios do Mestre, para darem 
a prova provada da verdade. A Igreja Católica, porém, 
não quis saber desse modo de fazer conversões, 
preferiu combater o mundo com a fogueira, 
a cruz incandescente, por satisfazer melhor o seu instinto.
            E quando surgem, por ordem do mesmo Jesus,
 uns humildes obreiros, procurando de novo cultivar a vinha, 
“é por artes do demônio que eles obram”, diz a Igreja!
            Também é sofisma, e dos mais grosseiros,
 pretender que os papas (cuja criminalidade o amigo confessa), 
a despeito dos seus crimes, eram infalíveis na doutrina, 
pois é público e notório que eles se anatematizaram mutuamente, 
e sucessivamente anularam os decretos doutrinários dos seus antecessores.
            Qual deles estava com a razão: -- 
o que decretou ou o que anulou o decreto? 
O que excomungou ou o que anulou a excomunhão? 
O que fazia publicamente o comércio das bulas 
ou o que condenou esse comércio? 
O que instituiu a adoração às imagens 
ou o que condenou essa idolatria? 
Com qual deles estava o Espírito Santo?
            Quanto ao jejum de Jesus, segundo o Evangelho, 
creio que não o pode comparar ao jejum ensinado pela Igreja, 
a qual proíbe comer carne e permite comer peixe e outras gostosas iguarias, 
e, comprando-se uma licença especial (sempre o comércio), 
pode-se comer o que quiser.
            Nisso consiste a hipocrisia a que me referi num dos precedentes artigos.
Mas, meu amigo, para que ir mais longe? O senhor está satisfeito com a sua crença; que Deus lhe conserve.
            O Espiritismo não quer se impor a ninguém, 
ele veio para aqueles que procuram a verdade 
e não para os que pretendem possuí-la.
            Como nos tempos da vinda do Senhor, os simples, 
os humildes, os pequeninos, o receberam, e com ele se consolam, 
e os escribas e fariseus o repelem como repeliram a Jesus.
            A despeito da vontade deles, a Luz se espalha pelo 
mundo afora com uma velocidade que assombra. 
Graças ao Senhor...
                        

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