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sexta-feira, 25 de março de 2011

20/ 50 'Crônicas Espíritas' por Frederico Figner




20CM  


            Meu caro padre Dubois:
           

            De acordo com a recomendação, procurei na medida da minha parca inteligência, 
e com toda sinceridade responder aos seus argumentos.
            Muitas vezes, nessas discussões, somos obrigados a dizer verdades 
que nem sempre são agradáveis, 
mas é impossível argumentar-se com o Evangelho sem desgostar 
aqueles que encaram as coisas por outro prisma.
            Tenho-me atido ao preceito de Jesus, no qual ele prescreve: 
“Mas seja o vosso falar: sim, sim; não, não; 
porque tudo que daqui passa procede do mal.” (Mateus, 5:37); e
 “O que eu vos digo às escuras, dizei-o às claras, 
e o que se vos diz ao ouvido, 
publicai-o do alto dos telhados.” (Lucas, 12:3)
            Tenho dito a verdade, e, graças ao Senhor, 
sem rancor contra quem quer que seja,
 desejando que todos possam 
encontrar a luz que por misericórdia achei. 
Cônscio de ter sido em passadas existências um 
Espírito culpado como os mais culpados, 
de certo não estou no caso de atirar a “primeira pedra”.
            Procurar esclarecer o meu próximo é o fito das minhas conversas, 
convencido de estar de posse da verdade relativa, 
mesmo porque a verdade inteira é Deus, 
e esta é intangível para quem quer que seja.
            Se as minhas citações não o convenceram de qu
 nem sempre o Espírito Santo e Jesus Cristo 
estavam com os papas e o clero da Igreja, talvez Barônio, 
confessor do papa Clemente VIII, seja mais feliz. 
Ele escreveu: “Bonifácio VI e Estevão VII foram infames 
celerados, monstros execráveis que encheram 
com os seus crimes a casa de Deus. 
Barônio acusa-os de terem excedido tudo quanto
 os mais cruéis perseguidores dos 
primeiros cristãos tinham feito sofrer os fiéis.”
            Genebrardo, arcebispo de Aix, “afirma também que
 durante dois séculos a Santa Sé foi ocupada por 
papas de vida tão desgraçada que mereciam 
ser apodados como apóstatas; 
diz que as mulheres governavam a Itália 
pela influência que exerciam junto do tronco pontifício”, 
e outras coisas que aqui não posso reproduzir.
            Se procura chamar a atenção para a doutrina espírita,
 é porque ela é, sem dúvida, a Terceira Revelação, 
o Consolador prometido pelo Senhor,
 e porque nela encontrei a chave da felicidade espiritual, 
que nem o Judaísmo nem outra religião qualquer me podem oferecer.
            E satisfaz a alma, por ver que, 
como em toda a parte e com especialidade na Inglaterra, 
os pastores protestantes mais proeminentes da Igreja Anglicana 
pregam o Espiritismo, do púlpito e em conferências públicas.
            O reverendo Dr. Cobbs, reitor da Igreja de St. Ethelsburg, 
de Londres, fez uma conferência tomando por tema:
 “Provai os espíritos” (I Epístola de João, cap. 4:1), 
da qual traduzo algumas passagens
 do jornal protestante “Christian Commonwealth”.
            Principia o conferencista por dizer “que a ortodoxia, 
para impedir que se estude o Espiritismo, 
escreveu o aviso Es ist verboten: (É proibido).
 A Sagrada Escritura condena a necromancia, 
a confabulação com os Espíritos. 
Porém, em primeiro lugar, 
esses dias em que a mera letra da Escritura
 era cegamente obedecida, passaram para sempre.
 A razão e a experiência, com o seu maior conhecimento, 
dão-nos uma visão mais alta; qualquer proibição 
tem que justificar-se perante a barra da razão e da experiência, 
antes que possa ser aceita como válidas.
            Em segundo lugar, os textos apresentados são todos 
do Velho Testamento, isto é, referem-se aos dias
 que diferem dos nossos a tal ponto, 
que não são compatíveis com os deveres que hoje nos são impostos. 
Por que não aplicam a lei do Levítico ao casamento, 
se a querem aplicar às sessões espíritas? 
Se os preceitos da lei Mosaica devem ser determinativos, 
todos têm que sê-lo, ou nenhum.
            Em terceiro lugar, acha-se conveniente, 
não aludir às passagens como a de Isaías, VIII: 19, 
que trata do Espiritismo como em oposição à adoração de Deus,
 e então se aplica ilógica e ilegitimamente 
a regra a um caso onde o Espiritismo está ocupado em servir a Deus.
 “Ignora-se o mandamento implícito “Provai os Espíritos”, 
porque, se nos manda prová-los,
compreende-se que alguns passarão a prova e outros não.”
            Veja, meus amigos, se isso não são sinais dos tempos 
que se aproximam. 
Espero ver em breve o amigo
 também nas nossas fileiras, e tenho dito.



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