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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O preço da má-fé


O Preço da Má Fé
por Luciano dos Anjos
Reformador (FEB) Fev 1971

Como não é possível alinhar sequer meia dúzia de argumentos apodíticos capazes de
fazer elidir a granítica estrutura conceptual do Espiritismo; como não é possível arguir-se uma única contraprova séria da fenomenologia espírita; como não é possível sustentar junto a ninguém, ou a poucos, ou a alguns, que não existe o que todos diariamente sentem, sabem ou veem, em matéria de fatos mediúnicos; como absolutamente nada disso é mais possível nesta fascinante década em que Rhine e Pratt já admitem a sobrevivência e a reencarnação (função “theta”); eis que, desesperados, marfados, irresignados como à volta do caixão a chorar a despesa do enterro, apelam para os recursos que, por burlescos, configuram de resto a derrocada. Então, buscam demonstrar (?), através da contraprovinha, que tudo no Espiritismo é embuste. Maliciosos, antegozando uma vitória de Pirro, esgueiram-se pela Avenida Passos e lá vão, com nomes fictícios, nomes de desencarnados ou nomes de bichos, a pedirem receitas ao Alto para testar os médiuns, os Espíritos ou a Doutrina! Se não é na FEB, serve em qualquer Centro. Doloroso é que, por insegurança ou má orientação, há-os inclusive que se dizem espíritas, ao cabo de cuja ação, entretanto, vão desgraçadamente colher o fruto amargo da decepção ou o desapontamento irreversível. Quando não, às vezes, o arrependimento tardio e sempre acrimonioso.
           
            Esse comportamento, ora estranhável, da parte dos confrades, ora ridículo, da parte dos de tratores, deixa em seu rastro, afinal de contas, uma indagação séria e honesta, dentro dos espíritos das criaturas de boa fé e sinceras: por que isso acontece? Enfim, qual a explicação para o erro, que não basta, é claro, ao derruimento do Espiritismo, mas que, em última análise, existe de verdade?

            É mais para estes do que para quaisquer outros que me decidi por este artigo. Não o faço para o provador velhaco, não o faço para o espírita de pouca fé. Faço-o para você, leitor, que não usou o método, que não gostou do método, que lamentou o método, mas que tem direito, como simples espectador, a um esclarecimento claro e completo, tão amplo quanto satisfatório, à altura das naturais exigências do racionalismo kardecista. Raciocinar não é uma sugestão da Doutrina Espírita; é uma imposição. “A razão do homem - lembrou Humberto de Campos nas “Novas Mensagens” - em si mesma, fez o direito convencional, mas fez igualmente o canhão e o prostíbulo. E, sem a fé, sem a compreensão de sua própria alma, estranho às suas realidades profundas, o homem caminha, às tontas endeusando todas as energias destruidoras da alegria e da vida”. Ensinamento que, sem dúvida, aconselha também à sintonia do sentimento, a fim de que o raciocínio não sofra distorções e não enseje a dúvida, ao invés da certeza.

            Anotemos, antes de mais nada, as 5 hipóteses para o erro (ou “erro”) em discussão, quais sejam:

            1 - Receita pedida para quem não está doente;
            2 - Receita apresentada com nome ou endereço trocado;
            3 - Receita com nome de animais;
            4 - Receita com nome de desencarnados;
            5 - Receita com nome e endereço fictícios.

            A priori: não vamos cogitar dos casos em que os Espíritos (e quantos não os há nos anais do Espiritismo!), percebendo a má fé de quem os consulta, ou, então, nada apurando de grave para justificar uma receita, significativamente riscam o papel de alto a baixo; ou devolvem-no em branco; ou simplesmente auguram as bênçãos do Alto para a Infeliz criatura. Há, na Federação Espírita Brasileira, vários desses casos. Há-os certamente em muitas outras agremiações espíritas. Tirante, pois, esses casos, vamos examinar tão-só aqueles nos quais os Espíritos realmente receitam alguma droga, ou alguma providência clínica. Vejamos, assim, a primeira hipótese: o autor do teste coloca no papel seu nome, embora esteja gozando de excelente saúde; chega até mesmo, às vezes, a referir a disfunção dum órgão qualquer, como o fígado, o rim, etc., apesar de nada sentir.

            Ora, quem pode jurar que, malgrado sua disposição física, seu aspecto salutar, tudo não passa duma simples e enganosa aparência? Quantas pessoas não nos surpreendem, frequentemente, por revelarem, da noite para o dia, um estado mórbido qualquer, às vezes passageiro, outras vezes gravíssimo, até letal? Supor-se bom, hígido, referto de saúde, é muito relativo e nem sempre expressa uma realidade. Os Espíritos, conhecendo de cima o problema, podem perfeitamente receitar sem estarem cometendo engano. Doutro lado, podem também estar apenas clinicando no campo da profilaxia, com isso prevenindo um mal que sabem em progressão e que a qualquer momento se agravará. Podem ainda ter sabido duma doença que até então não apresentara nenhum sinal, mas que se encontra
na trajetória cármica daquela criatura, e, sempre bondosos, cuidam de fortalecer lhe o corpo material com complexos vitamínicos, desintoxicantes, polivalentes, etc. Afinal, essa mesma hipótese não poderia perfeitamente ocorrer num consultório médico? Alguém vai clinícar-se acompanhado dum parente e o facultativo acaba receitando para os dois, ao perceber que este, embora não sentisse nada, revela entretanto um mal oculto qualquer.

            Passemos ao segundo caso: o “testador” troca o nome ou o endereço propositalmente. Aqui, também não vejo dificuldade em explicar o comportamento dos Espíritos. A armadilha nada significa, senão um trabalho a mais para os benfeitores da Espiritualidade. Vamos socorrer-nos ainda desta feita da imagem do médico terreno para melhor expressar-me. Dá-se lhe o endereço ou o nome do doente trocados e ele, por amor à profissão, ou ao doente, ou a Deus, resolve perder algum tempo extraordinário e, pesquisando de boa vontade, acaba localizando onde se acha ou o identificando. Puro e simples trabalho de pesquisa. É um esforço que certamente quebrará o ritmo dos serviços no plano invisível, mas plenamente compreensível e, acima de tudo, muito viável e muito plausível. Não fossem eles nossos verdadeiros amigos e protetores!.. Na troca do nome a pesquisa deverá ser um pouco mais dificultosa; mas se repete, certamente, a dedicação dos Espíritos, que acabam por localizar a pessoa necessitada. Não ignoremos, além disso, que há sempre um Anjo de Guarda, também, para emprestar a sua contribuição, nos momentos menos rotineiros...

            E aqui temos a terceira hipótese: receitas deixadas com nomes de animais, cachorros, gatos, papagaios, tartarugas, etc. Cito estes porque foi os que encontrei referidos na literatura atinente. É claro que pode ser qualquer outro bicho, alguns até com nomes tipicamente de pessoas, como Manoel (era um papagaio), Joana (era uma tartaruga), Luís (era um galo), Azevedo (era um macaco), etc. Os Espíritos, consultados, receitam normalmente ou indicam alguma orientação, através do médium em transe. Ante o aparente absurdo, os céticos se jactam da prova contra as leis da mediunidade. Mas, afinal, que há de estranho ou absurdo nisso? Onde o erro? Qual a razão para esse entono, para essa espécie de libação patológica, própria unicamente dos que desconhecem alguns dos mais primários conceitos do Espiritismo?

            E, mesmo que se raciocine em termos materialistas, não é sobejamente sabido que os animais sentem, sofrem, apresentam reações metabólicas de sensível paralelo com o homem? Os animais, portanto, têm doenças como qualquer homem e merecem, como estes, tratamento clínico, assistência dos seus donos ou dos Espíritos, por que não?! Nós, espíritas, sabemos muito bem que têm eles uma alma, e que sofrem, sentem, amam. Encarnam, desencarnam e reencarnam como nós. Organicamente espelham, em linhas gerais, a disposição nossa. E se nós, criaturas cheias de pecados, somos capazes de sensibilizar-nos com seu sofrimento e lhes envidar socorros, por que o não fariam os Espíritos? Se na Terra achou-se por bem, dentro do nosso atraso e da nossa inferioridade, criar a Veterinária, por muito mais razões entenderia o Alto, certamente, de se preocupar também com as doenças dos próprios animais. Embora, convenhamos, os cuidados com eles devam antes caber a nós. Já é um sacrifício muito grande por parte dos Espíritos estarem vencendo mil barreiras para receitar para os homens. É de se esperar que não os ocupemos com as doenças de nossos irmãos inferiores. Afinal, cada qual na sua posição. Tento apenas demonstrar que não é absurdo o fato de se receber uma receita para um animal. Mas daí a preocupar os desencarnados com mais essa tarefa vai enorme distância. Pois, se nem mesmo para questões do próprio homem nem sempre devemos consultá-los... Entraríamos sem dúvida na faixa da inconveniência e da impertinência, se cada vez que sentíssemos uma simples dor de cabeça ou uma dor de dente, fôssemos consultar os Espíritos... Bom senso - eis o conselho que dou aos que porventura me tenham compreendido mal e se saiam a ocupar nossos benfeitores com problemas que podemos e devemos solucionar. Do contrário, para que médicos e veterinários na Terra?

            Prossigamos analisando agora a quarta hipótese. Por malícia ou por engano, é apOsto no receituário espírita o nome de alguém que já desencarnou. Desta feita, coloco-me à sombra de André Luiz para explicar o caso que, a rigor, nada tem de complicado. No seu livro “Nos Domínios da Mediunidade”, aquele médico operoso do Espaço nos explica - o que já era por si só tão óbvio - como funcionam na Espiritualidade os serviços de socorros nos casos do receituário espírita. Tomemos-lhe a palavra, colhida à pág. 144 da 2ª edição daquela obra:

            “Muita vez, a longa distância, a criatura em sofrimento é mostrada aos que se propõem socorrê-la e os samaritanos da fraternidade, em virtude do número habitualmente enorme dos aflitos, com a obrigação de ajudar, de improviso, não podem, de momento, ajuizar se estão recebendo informes acerca de um encarnado ou de um desencarnado, mormente quando não se acham laureados por vastíssima experiência. Em certas situações, os necessitados exigem auxílio intensivo em pequenina fração de minuto. Assim sendo, qualquer equívoco desse jaez é perfeitamente admissível.” (o grifo acima é meu).

            O esclarecimento é convincente. Os Espíritos estão preocupados em localizar a doença, o mal orgânico, e não em fazer apurações para verificar se de fato a criatura está vivendo num ou noutro plano. Não esqueçamos que todos os males físicos se projetam no perispírito, e que, em contrapartida, as deformações perispirituais se refletem no soma. Aprendemos, aliás, que só se sai desse círculo vicioso pela própria dor, física ou moral, que enseja o aprimoramento espiritual - única via de acesso à restauração da harmonia celular psicossomática. Relativamente ao detalhe do endereço, muito pouca é a sua significação. “O fato de ser o receituário feito com o exame da imagem, presente, do perispírito do consulente, explicará possíveis casos, suscetíveis de ocorrer, em que uma pessoa possa ser medicada mesmo que o seu falecimento já se tenha verificado”. “É que, em muitos casos, embora desencarnado, o Espírito permanece no ambiente familiar, especialmente no quarto e na cama onde experimentou as dores da enfermidade, na ilusão de que ainda vive”. “Estando o seu perispírito ainda presente na casa, a sua imagem poderá ser captada e projetada no espelho fluídico situado junto ao médium.. Daí ser possível, raramente, aliás, a indicação de medicamentos, mesmo que já tenha desencarnado a pessoa objeto da consulta. No receituário feito em massa, isso pode ocorrer algumas vezes. Os leigos estranharão e os estudiosos acharão a coisa muito simples e absolutamente natural”.

            Estas considerações, por tudo judiciosas e bastantes, recolhi-as da pág. 157 da 1ª edição do oportuníssimo livrinho de Martins Peralva, publicado pela FEB, sob o título “Estudando a Mediunidade”, e que é um repassar criterioso e autorizado de todas as lições daqueloutro, de André Luiz, a que já me referi linhas acima. Ademais, não sendo o caso, isto é, admitindo-se - apenas para complicar a hipótese - que o espírito não esteja de fato no local dado na Terra e referido no papel entregue ao médium, nem assim nossos zombadores terão azo de alargar o sorriso matreiro. Entenda-se que os benfeitores já possuem outros elementos, como nome, idade, etc., e podem buscá-lo “mentalmente”. Com mais facilidade ainda, se os parentes, os interessados, os consulentes, etc., estiverem preocupados com ele, como soí, aliás, acontecer em consequência natural do próprio desejo de vê-lo curado, aliviado ao menos. Se não há essa preocupação sincera ou honesta (caso do provador solerte), há porém a preocupação insincera e desonesta. Em termos de sintonia espiritual isto basta... Até o ignóbil pensamento dum assassino pode, por ondas mentais, permitir a localização da sua vítima, por parte dos Espíritos. Apenas a título de remate: é pacífico que, no caso de ser ditada uma receita para um ser desencarnado, ela de nada lhe valerá, pois os males de que é porventura portador, nessa hipótese, só poderão ser atacados através do passe magnético, dos recursos fluídicos do imenso laboratório do Invisível, enfim, da terapêutica espiritual. Ou, em última instância, do abençoado remédio da reencarnação...

            Finalmente, leitor, chegamos à última alternativa, que parece ser a de mais demorada explicação. Trata-se do homem de pouca fé que inventa um nome qualquer, imagina um endereço e deixa a sua receita com o médium. No dia seguinte - se não ocorre o caso de que já falei, em que o Espírito nada responde ou apenas dita um conselho, revelando que conhece a intenção do velhacório - lá vem um medicamento ou uma providência que arrancam do astucioso o seu inconsequente grito de vitória, cuja euforia
faz trombetear aos ventos a pretensa contraprova de toda a fenomenologia espírita!

            “ ...na Federação Espírita Brasileira obtive receitas médicas ditadas pelos médicos do espaço, os quais médicos do espaço visitavam os enfermos nos respectivos domicílios. As receitas me foram fornecidas muito direitinhas, etc. e tal. Sucedeu, porém, que os enfermos para os quais eu as tinha pedido, não existiam. Eram imaginários. Eu os tinha inventado como inventara, também, os respectivos domicílios”.

            Esta revelação está na pág. 73, com toda essa horrível redação, do livro dum Sr. Átila Paes Barreto, publicado em 1944, intitulado “O Enigma Chico Xavier posto à Clara Luz do Dia”. A luz foi tanta sobre o pobre e apagado Chico que ele aí está até hoje, com mais de 40 anos de mediunidade, produzindo páginas imortais da literatura, enquanto ninguém sabe onde anda o Sr. Átila que, afinal, lembra os hunos, as famigeradas hostes do século V e aquela história da grama que não renascia sob seus pés... Esse livro (tenho-o em minha estante porque tenho praticamente todos os livros de combate ao Espiritismo) é tão mal feito, é tão primário que, naquela mesma página, o autor prossegue no seguinte tom:

            “Dirão os srs. espíritas que as receitas que obtive foram ditadas por espíritos gaiatos. Não foram pedidas gaiata e astuciosamente? Logo... Mas o diabo foi que as pedi de maneira tal que nem uma legião de espíritos gaiatos, quer encarnados, quer desencarnados, podia saber (?!!!) quem estava pedindo e o que estava sendo pedido”. (O parêntese é meu.)

            É o que digo: foi luz demais... Está óbvio que o Sr. Átila não tinha ou não tem ainda o senso muito atilado e andou passando muito por alto sobre as lições do Espiritismo. Do contrário, saberia que é evidente, mais do que evidente, que os Espíritos podiam saber e que, não raro, o que acontece é isso mesmo: toda gaiatice tem seu preço...

            Três coisas podem acontecer ante uma brincadeira desse jaez.

            Primeiro: os Espíritos não descem do promontório da sua bondade e da sua humildade e, apesar de observarem tratar-se o consulente dum tratante, aproveitam a oportunidade a fim de indicar algum medicamento para ele próprio. Passa-se o fato mais ou menos no mesmo diapasão daquele assaltante que aborda o médico no meio da rua e depois acaba sendo por ele medicado. Nem pergunta ao celerado a que vem; sua missão é curar e adverte-o da lepra que traz estampada no rosto.

            Segunda possibilidade: os Espíritos, sempre benevolentes, porém conscientes das próprias fraquezas interiores dos encarnados, preferem sujeitar-se à crítica do erro, do que precipitar um processo evolutivo ou ensejar um trauma condenável. Para quem construiu toda a sua cultura sobre determinados fundamentos conceptuais, de que valeria uma nesga de verdade? Ele obviamente a negaria de qualquer forma. Buscaria explicar o fato através das suas idéias de “espírito forte” e continuaria recalcitrante na sua tremenda erronia. Ainda que o médico do Além dissesse: “Sua receita é falsa. Você quer me testar” o cético maldoso, ainda não preparado para receber a luz da Verdade, logo redarguiria, pública ou interiormente: “Miserável! Esse mistificador leu meu pensamento, através da telepatia!” Ou, então: “Pensa que me engana? Ele soube por alguém da minha armadilha”! E continuaria a desacreditar, a buscar uma fórmula negativista qualquer para explicar o acontecimento. Afinal, de que adiantaram os chamados milagres de Jesus, senão para reforçar a sua sentença de morte? Eu (é bem verdade que sou criatura ainda muito atrasada espiritualmente, mas de qualquer forma arrisco o exemplo), eu, Espírito desencarnado responsável pelo receituário de algum centro espírita da Terra, não pensaria duas vezes: receitava um remédio a esmo? (que eu tinha certeza de que ele nem ninguém o tomaria) e... seguia em frente, a cuidar de casos realmente sérios.

            Vejamos, afinal, a terceira e última possibilidade: trata-se de criatura que não pode ser arrolada entre os maldosos, podendo até ser um esforçado espírita, mas, que, por invigilância por estremecimento da sua fé resolve num lamentável descuido, testar a sua própria crença, a sua Doutrina mesma. Tem ele todo o direito - afinal é um ser livre - de testar a eficiência dos Espíritos, dos médiuns ou do receituário espírita; mas também os Espíritos têm o direito de testar-lhe a fé... A decepção é sempre o preço duro e muito alto que se paga em nome da má fé. André Luiz ensina exatamente isso, na pág. 144 de “Nos Domínios da Mediunidade”, edição citada:

            “Quem busca sinceramente a fé, encontra o prêmio da compreensão clara e pacífica das coisas, sem prejudicar-se diante de contradições superficiais e aparentes”. “Mas se os consulentes são exemplares de leviandade e má fé, abeirando-se do trabalho mediúnico no propósito deliberado de estabelecer a descrença e a secura espiritual, semelhantes resultados, quando se verificam, servem para eles como justa colheita dos espinhos que plantam, de vez que abusam da generosidade e da paciência dos Espíritos amigos e recolhem para si mesmos a negação e a tortura mental. Quem procura a fonte límpida, arremessando-lhe lodo à face, não pode, em seguida, obter a água pura”.

            Lapidar lição de lógica, bom senso e entendimento! E como se acolchetam maravilhosamente bem, aqui, aquelas palavras do Cristo: “Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lucas, 12-48).

            Contato mediúnico é questão de sintonia. E sintonia é estado mental de sutileza quase inconcebível. Basta uma filigrana qualquer para alterá-la. No mais, oscila necessariamente em função da predisposição espiritual, numa espécie de condicionamento reflexológico, dependente de fé, de confiança, de respeito, de amor. Convém ler sobre isso “Mecanismo da Mediunidade”, do mesmo André Luiz, onde o assunto é minudentemente explanado. Assim sendo, uma milésima alteração do dial psíquico pode ensejar um engano. Ou - '0 que é muitíssimo provável - abrir uma fresta a um gaiato qualquer do Espaço, sempre pronto a “colaborar” no aprofundamento da descrença e da dúvida dos outros. Se o interessado pelo receituário mediúnico não traz puro o coração, que espera obter? Era preciso que seu crédito passado fosse muito alto para que a lei “compensasse” sua momentânea fraqueza e reajustasse o dial automaticamente, casos então em que, embora por exceção, a receita volta em branco, ou riscada, ou com uma doce advertência dos Espíritos, mostrando que sabem das intenções do consulente. Mas, como já disse, isso é prêmio, isso é bênção, isso é misericórdia, e, para obtê-los, tem de haver merecimento, não obstante algum momentâneo gesto de falência.

            Um dia, também quiseram testar Jesus. O Mestre conheceu-lhes o pensamento e assegurou os direitos de César... Um dia, desafiaram Jesus a salvar-se a si próprio e o Salvador deixou-se ficar à cruz, na crise da sua aparente derrota, enquanto seus matadores cantavam vitória e mergulhavam no abismo da desilusão... Além de perderem o convívio do Cristo, perderam também o melhor motivo de esperança. E morreram sem ela. O tédio e a solidão fizeram-lhes companhia.

            Sem dúvida, é muito alto o preço da má fé...










E você? Já leu este livro?

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