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quinta-feira, 30 de junho de 2011

1876 - A primeira Materialização ocorrida no Brasil?




Materializações
em 1876


Reformador (FEB)  Março 1953
           
            Passamos a expor um fato observado por grande número de pessoas, cujos nomes constam em documento arquivado:
            “No dia 8 de março de 1876, à Praia de Botafogo, na casa de residência de um distinto advogado brasileiro, ex-deputado à Assembleia Geral, na legislatura de 1866, e ex-presidente de Província, reunidos os cavalheiros abaixo designados, realizou-se em sua presença um trabalho espírita dos mais notáveis e dignos de observação e estudo, como seja o da materialização - em que se tornam, visíveis e tangíveis, seres inteligentes, criaturas humanas, ordinariamente invisíveis.
            Entre 8 e 9 horas da noite chegou o médium o qual estava de passagem, pelo Rio de Janeiro, com destino ao Rio da Prata em busca de uma herança que lhe deixara um parente ali falecido, conforme declarou naquele momento. Como se vê, o médium era completamente estranho a todos os presentes, inclusive o dono da casa.
            Sentaram-se todos em volta de uma mesa redonda, no meio da sala, mesa sólida e pesada. Juntamente com o médium estavam 24 pessoas, entre as quais médicos, engenheiros, advogados, militares, empregados públicos e comerciantes.
            Logo depois, sentiu-se que havia alguma coisa de estranho na mesa; fizeram-se perguntas por meio de percussão na mesa, pancadas com os dedos (tiptologia), obtendo-se em resposta a seguinte palavra - música. O dono da casa pediu a um seu amigo e compadre, que se achava presente, para ir à sala de jantar convidar sua esposa para vir tocar piano; o qual, levantando-se da mesa, encostou à parede a cadeira em que se achava sentado; apenas chegava ao corredor, quando a cadeira, impelida por força oculta, veio colocar-se de novo junto à mesa, tocando-a com o encosto. Voltando ele em companhia da esposa do seu compadre e mais outra senhora vizinha dela, que ali se achava de visita, ambas as senhoras se sentaram ao piano; e a mulher do dono da casa começou a tocar uma valsa terna. Os que se achavam presentes, junto a nós, porém invisíveis, pediram tiptologicamente - música alegre. Então, a senhora que executava tocou uma polca alegre, e imediatamente os que estavam junto à mesa foram obrigados a levantar-se porque esta começava a mover-se e agitar-se acompanhando o ritmo e a cadência musical e, assim, se elevou por mais de uma vez até aproximar-se à altura do lustre pendente do teto, erguendo-se do solo cerca de metro e meio.
            Ao mesmo tempo uma campainha e um pandeiro, que se achava, sobre a mesa, suspenderam-se no ar, agitando-se e fazendo ouvir os sons que lhes são próprios, acompanhando também a cadência da música. Terminada a polca, tudo voltou aos seus lugares, conservando-se em repouso. Conduziu-se a mesa para junto da porta de um gabinete que ficava ao lado, e no qual apenas havia encostadas às paredes cadeiras americanas. Nele havia duas únicas portas, uma das quais, a que dava saída para um terraço, foi fechada à chave, e, retirada esta, colocou-se uma campainha elétrica. Sentado o médium junto à mesa, em uma cadeira das do gabinete, tendo a frente voltada para a sala, pousou as mãos sobre a mesa, em redor da qual se achavam os presentes na sala.
            Tinha sido colocada uma cortina na porta do gabinete que dá entrada para a sala, de sorte que se tornavam visíveis somente a cabeça e as mãos do médium; e, imediatamente se ouviu um ruído no gabinete, e as cadeiras, afastando-se das paredes, dirigiram-se rapidamente para o ponto onde se achavam o médium e levaram diante de si as folhas da porta, que se fecharam sobre a cadeira em que se sentava o médium; e, então, por sobre a cabeça do médium se apresentaram três criaturas, dois homens inteiramente desconhecidos, de fisionomias distintas, bem vestidos, e entre eles uma senhora, parecendo de 30 a 40 anos, bem parecida, corpulenta, trajando um vestido preto decotado, mangas curtas; cumprimentaram os circunstantes por gestos com as mãos e com as cabeças, os homens apertaram as mãos dos presentes; e, sendo-lhes pedido os seus nomes, um desses Espíritos indicou papel e lápis, que, sendo-lhes pedido e lápis, que, sendo-lhe fornecido, escreveu: 8 de março de 1876 - Maria, Francisco, Jackson, e, depois desapareceram. Abrindo-se as portas, deixaram ver o gabinete completamente iluminado, tendo as cadeiras todas   voltado a seus lugares e achando-se abertas de par em par as folhas da porta que dá para o jardim, a qual tinha sido fechada à chave, e esta retirada e guardada, sendo colocada uma campainha elétrica. Entretanto, nenhum ruído for percebido quando aquela porta se abriu.”
(Ext. da ‘Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade’, 1881.)

Nota do Reformador: Eis aí um fato de notável materialização, em que um dos Espíritos materializados chega a tomar do lápis e, ao olhar de todos os assistentes encarnados, responde por escrito à pergunta que lhes fizeram. Lemos igualmente que os Espíritos masculinos, por assim dizer, apertaram as mãos dos presentes àquela memorável sessão espírita.
            Ao que sabemos, foi este o primeiro relato que se fez, no Brasil, de uma sessão deste gênero.


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