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terça-feira, 3 de julho de 2012

Voz do Além



Voz do Além    JUL 03

                                
         Quando Pilatos estava sentado no tribunal, mandou-lhe sua mulher este recado: “Nada tenhas que ver com esse justo; porque muito padeci hoje, em sonho, por causa dele.”      Mateus  27, 19


         Qual relâmpago em plena noite, cai esta cena ao meio do processo contra Cristo.

            Uma mulher pagã, que talvez nunca vira a Jesus, recebe em sonho a advertência de que o acusado é inocente, é um santo.

            Quando todos condenam o Nazareno; quando os sacerdotes o declaram blasfemo, e Pilatos o condena como rebelde, uma mulher tem a coragem de proclamar, em plena sessão do tribunal, a santidade do réu...

            Ela conhece – e sofre. Não se pode conhecer a Deus sem o amar.

            Não se pode amar sem sofrer.

            Sofrer, com a própria insuficiência.

            Sofrer, com a distância entre o excelso ideal e a triste realidade.

            Sofrer, com as injúrias que os homens irrogam ao nosso ideal.

            Como um brado das regiões do além repercute a voz de Claudia Prócula por entre o fragor do processo.

            Pilatos, porém, sufoca a voz sagrada do além com o ruído profano do aquém...

            E o “justo” é condenado pelos injustos...

            E desde esse dia, se guiam todos os Pilatos por esta norma...

            Desde esse dia, são condenados os justos...

            E nada conseguem as vozes suaves das Cláudias...

            Existe, porém, um Deus de justiça...

Huberto Rohden
in “Em Espírito e Verdade”
Edição da Revista dos Tribunais, SP – 1941  






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