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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Emmanuel e a 2ª Grande Guerra




Emmanuel pré anunciou
a conflagração mundial 





inReformador’ (FEB) Junho  1945
por Indalício Mendes



            Emmanuel, o bondoso e iluminado Espírito, que tantas lições evangélicas nos tem oferecido, através da mediunidade desse humílimo e igualmente bom Francisco Cândido Xavier, pré-anunciou a grande catástrofe bélica que arrastou a Humanidade à dolorosa situação em que atualmente se encontra.

            Transmitindo ao nosso Chico as páginas rutilantes de "Emmanuel " , em 1937, cuja primeira edição apareceu em fevereiro de 1938, o dedicado Guia espiritual apontou, nesse livro magnífico, a guerra que se aproximava e que rebentou, afinal, em 1939. Fê-lo de modo inequívoco, embora com a simplicidade dos que, vivendo na verdade, a ela se referem sem espanto nem surpresa.  Transcreveremos alguns trechos, cujos pontos mais interessantes vão grifados.

            No capítulo IV – “Pela revivescência do Cristianismo" (pág. 45), chama a atenção dos homens para o estudo e a prática do Evangelho, como único meio de se salvar da destruição "o patrimônio de conquistas grandiosas da nossa civilização". Aludiu à “Ausência de unidade espiritual" (cap. XVIII, pág. 99), razão preponderante do desentendimento dos homens. A frente única pela paz não poderia estabelecer-se, porque a insinceridade e a desconfiança dos povos entre si, trabalhados pelos políticos ambiciosos, cavavam fundo abismo de nação para nação. Por isso, "o Tratado de Versalhes caiu com as deliberações políticas do novo Reich e a Liga das Nações compreendeu a inaplicabilidade do seu estatuto, no momento decisivo da campanha italiana na Abissínia".

            Este outro trecho mostra bem a precisão do comentário de Emmanuel, confirmado integralmente pelos acontecimentos políticos que precederam o conflito mundial: “A paz armada - Todos os "povos entenderam bem essas profundas desilusões. Mais de 100.000 homens mecanizados estão preparados no velho continente, só para a ofensiva do ar. Busca-se a todo transe uma solução para os problemas da guerra. Uma reforma visceral nos estatutos da sociedade de Genebra é inutilmente sugerida. Estuda-se a possibilidade de um acordo entre a França e a Itália, no sentido de assegurar-se a paz continental, atendendo-se às necessidades da região danubiana e equilibrando a Alemanha com o resto da Europa. Tenta-se a colaboração de todos os gabinetes. Os partidos iniciam a guerra das ideologias. Mas a Europa, nos seus conflitos inquietantes, conhece perfeitamente a sua condenação à guerra. Sociedades edificadas na pilhagem - A ilação dolorosa que se pode extrair da situação atual é a que essas sociedades foram edificadas à revelia do Evangelho, necessitando as suas bases mais profundas transformações. Fundadas com o rótulo de Cristianismo, elas não o conheceram. À sombra do Deus antropomórfico que criaram para as suas ComodIdades, inverteram todas as lições do Salvador, em cujo ideal de fraternidade e pureza, asseveravam progredir e viver. Distanciadas, porém, como se encontram, de uma identidade perfeita com os estatutos evangélicos, as sociedades europeias sucumbem sob o peso de sua opulência miserável. Suas fontes de cultura se acham visceralmente envenenadas, com as suas descobertas e ciências, que são recursos macabros para a destruição e para a morte. Não existe, ali, nenhuma unidade espiritual, à base do espírito religioso, mantenedor do progresso coletivo. Como poderá persistir de pé uma civilização dessa natureza, se todos os seus trabalhos objetivam o extermínio dos mais fracos, estabelecendo o condenável critério da força? O Ocidente terá de conhecer uma vida nova. Um sopro admirável de verdade há de confundir os seus erros seculares, As sociedades edificadas na pilhagem hão de se purificar, inaugurando o seu novo regime, à base da lição fraterna de Jesus. Esperemos, confiantes, a alvorada luminosa que se aproxima, porque depois das grandes sombras e das grandes dores que envolverão a face da Terra, o Evangelho há de criar, no mundo inteiro, a verdadeira Cristandade" (págs. 99-101).

            Prosseguindo em suas dissertações mediúnicas, Emmanuel aprofunda suas valiosas observações. E, no cap. XIX, tratando da "civilização ocidental", pondera: "É imprescindível não perdermos de vista os aspectos sociais da civilização moderna, para encontrarmos os falsos princípios das suas bases e o fim próximo que a espera inevitavelmente" (pág. 102).

            Sublinha os fatos, mostra como se processa a elaboração da guerra, para afirmar: “Um surto de civilização dessa natureza não pode prescindir da guerra e é por essa razão que o perigo iminente da carnificina bate de novo à porta da alma humana, saturada de temores e sofrimentos."  

            Emmanuel traçou o quadro pavoroso da conflagração que ainda perdura. Em pinceladas fortes, pintou a realidade da situação que, dia a dia, hora a hora, se agravava. E, assim, no subtítulo "O fantasma da guerra" (págs. 104-105), anunciou, sem reticências, a luta tremenda que haveria de subverter os mais nobres anseios da alma humana: “A Europa, na atualidade, é o gigante cansado, à beira do seu túmulo. Infelizmente, o senso arraigado do militarismo envenenou-lhe os centros de força. A Alemanha e a Itália superlotadas apelam para os recursos que a guerra lhes oferece. Não obstante todos os tratados e pactos em favor da tranquilidade europeia, nunca, como agora, foi a paz, ali, tão vilipendiada. O Tratado de Versalhes, o Pacto de Locarno nada mais foram que fenômenos diplomáticos, da própria guerra em perspectiva. Nunca houve um propósito sincero de fraternidade e de igualdade nessas alianças. Em 1928, foi assinado o Pacto Kellog, como se fora uma esperança para todas as nacionalidades. Entretanto, jamais, como nestes últimos anos, o armamentismo tomou tanto incremento, em todos os países do planeta. Só a França, nas suas estatísticas do ano passado, acusava uma despesa de mais de treze bilhões de francos, invertidos nos programas de sua defesa. E, atrás dos grandes vasos de guerra, das metralhadoras de pesado calibre, das granadas destruidoras, escondem-se os novos gases asfixiantes e os terríveis elementos da guerra bacteriológica que os algozes da ciência engendraram criminosamente para o suplício dos povos. O momento é de angústia injustificável. A própria Inglaterra, que nunca se encontrou tão poderosa e rica quanto agora, sente de perto a catástrofe; a sua missão colonizadora toca igualmente  a seu fim. Ao lado dos bens que os ingleses prodigalizaram a diversas regiões do planeta, houve de sua parte um lamentável esquecimento, o de que cada povo tem a sua personalidade independente."

            Então, depois de conhecermos o fim trágico dos homens que dirigiram o nazi-fascismo, compreendemos melhor o sentido destas palavras de Emmanuel (pág. 107): "De cada vez que os homens se querem impor, arbitrários e despóticos, diante das leis divinas, há uma força misteriosa que os faz cair, dentro dos seus enganos e de suas próprias fraquezas. A impenitência da civilização moderna, corrompida de vícios e mantida nos seus maiores centros, à custa das indústrias das armas, não é diferente do império babilônico que caiu, apesar do seu fastígio e da sua grandeza. No banquete dos povos ilustres da atualidade terrestre, leem-se as três palavras fatídicas do festim de Baltazar. Uma força invisível gravou novamente o Mane - Thecel - Phares" na festa do mundo. Que Deus, na sua misericórdia, ampare os humildes e os justos."

            Um dos capítulos mais impressionantes do livro que vimos comentando é o XX -(A decadência intelectual dos tempos modernos". Emmanuel desenvolve uma tese brilhante e incisiva. Mostra que o exercício despótico do poder, com a consequente anulação ou redução das liberdades públicas, é índice iniludível de decadência intelectual e moral. Todo o cortejo de restrições impostas pelos chamados "governos fortes" revela a intranquilidade dos tempos em curso. E na parte subordinada ao tópico "Ditaduras e problemas econômicos", Emmanuel frisa pontos de importância inegável. Diz ele : "Os governos fortes, fatores da decadência espiritual dos povos, que guardavam consigo a vanguarda evolutiva do mundo, não podem trazer uma solução satisfatória aos problemas profundos que vos interessam. Afigura-se-nos que a função das ditaduras é preparar as reações incendiárias das coletividades. A atualidade do mundo necessita criar um novo mecanismo de justiça econômica entre os povos" (págs. 109-110).

            No capítulo XXI - "Na dependência da guerra", "Sentença de destruição" e “O futuro pertencerá ao Evangelho" - Emmanuel conclui suas considerações a respeito da guerra que deflagraria dois anos depois de suas comunicações a Chico Xavier. Vamos concluir estes apressados reparos com mais uma citação do livro que traz o nome de Emmanuel:

            “Vê-se, mais que nunca, que toda a vida do Ocidente depende da guerra. Milhares de operários têm suas atividades postas ao serviço da manufatura das armas homicidas. Milhares de homens estão empregados no trabalho ativo da militarização. Milhares de criaturas se movimentam e ganham o pão cotidiano nas indústrias guerreiras."

            “A civilização está em crise porque conheceu a sua sentença de destruição. A guerra, no seu mecanismo industrial, econômico e político, é imprescindível e inevitável. Comunismo e fascismo, nas suas oposições ideológicas, só poderão apressá-la. "    

            “A civilização em crise, organizada para a guerra e vivendo para a guerra, há de cair inevitavelmente, mas o futuro nascerá dos seus escombros, para viver o novo ciclo da humanidade, sem os extremismos anti racionais, na época gloriosa da justiça econômica."

            Meditemos as palavras proféticas de Emmanuel, mas não nos esqueçamos jamais destas suas recomendações:

             "- Os homens não devem permanecer embevecidos, diante das nossas descrições. O essencial é meter mãos à obra, aperfeiçoando, cada qual, o seu próprio coração primeiramente, afinando-o com a lição de humildade e de amor do Evangelho, transformando em seguida os seus lares, as suas cidades e os seus países, afim de que tudo na Terra respire a mesma felicidade e a mesma beleza dos orbes elevados, conforme as nossas narrativas do Infinito."  


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