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quarta-feira, 11 de julho de 2012

'Doutrina e Prática do Espiritismo' por Leopoldo Cirne



37   * * *


            Não nos deteremos em analisar a significação desse caso do sensitivo Josephina, particularmente interessante pela espontaneidade do testemunho que oferece em relação a anteriores existências, do mesmo modo que à antevisão do futuro, não porque careça de elementos para as mais graves considerações, sobretudo messe último ponto de vista, senão porque o nosso objetivo agora é reunir o maior número possível de documentos da reencarnação, colhidos nesse domínio da psicologia transcendental. Deixaremos, por isso, ao cuidado dos estudiosos deduzir as consequências que comportam as revelações do sensitivo e
passaremos a registrar, dentre os dezenove casos observados pelo Sr. de Rochas e que ocupam mais de 200 páginas do seu indicado magnífico volume, aqueles que pelo seu cunho de nitidez possam melhor contribuir para a ilustração da nossa tese.

            Omitiremos assim os casos que se seguem imediatamente (nª 3 e 4), relativos a Eugenia e á Sra. Lambert, de medíocre interesse, para nos determos no que se refere a Luíza, a cujo respeito começa o Sr. de Rochas por ministrar estas informações:


            "Luiza é uma moça que conta agora (1911) 36 anos. Filha de uma de minhas antigas empregadas, teve uma mocidade enfermiça, mas goza atualmente perfeita saude. Dotada de inteligência muito viva, começou trabalhando em manufatura de seda, em que veio a ser uma hábil  operária. Teve ocasião de se iniciar nos estudos psíquicos, assistindo às minhas experiências com sua amiga Josephina, em 1904 e 1905.  Presentemente se dedica à cura de doentes pelo método do Sr. Bouvier, de Lyon, com quem entrou em relação. Trata-os as mais das vezes à distancia e, ao que parece, tem feito curas extraordinárias em maníacos e degenerados, perseverando no tratamento durante meses consecutivos, com um grande espírito de caridade (1).

            (1) Esta circunstância é digna de nota, parecendo relacionar-se com os propósitos firmados pelo espírito depois de sua última encarnação, como adiante se verá.

            "É com dificuldade que adormece com os passes magnéticos, mas tem, no estado de vigília, a faculdade de ver o corpo astral dos sensitivos, quando exteriorizado, e de ela mesma se exteriorizar por sua própria vontade. - Durante minhas experiências com Josephina, percebia o corpo astral desta ao se desprender, sob uma forma vaporosa que se condensava pouco a pouco, até adquirir a forma humana, forma que mudava conforme a idade e a personalidade a que era momentaneamente conduzido o sensitivo."

            E depois de algumas particularidades, de secundária importância para o tema que nos preocupa, e de explicar como, em maio de 1908, tentou, pela primeira vez obter com esse novo sensitivo o fenômeno de regressão da memória, antes por sugestão verbal relativamente às datas (1) e pela pressão digital no ponto da memória sonambúlica, do que pela continuidade dos passes longitudinais, assim logrando transporta-la ao período anterior à sua atual encarnação, o Sr. de Rochas prossegue:

            (1)  Dizendo por exemplo: "tem agora 30 anos, 25 anos, 20 anos, 15 anos, etc." Em cada uma dessas idades o sensitivo acusava os fenômenos da  enfermidade de que padecia.

            "Luiza melhormente se recorda do que representa as cenas. Fora um padre, falecido em adiantada velhice, um excelente padre, simplesmente adstrito aos seus deveres sacerdotais. Morre e permanece na obscuridade (dans le gris) bastante tempo, até que adquira noção do seu estado, que ao começo não compreendia, porque julgava encontrar o paraíso ou o purgatório e nada disso via. Luiza aperta então a cabeça entre as mãos e se põe a soluçar; as lágrimas lhe deslizam pela face. (No estado de vigília ela é extremamente calma e de um espírito prático. Interrogo-a e ela termina por me responder que é muito infeliz, por haver ensinado coisas inexatas. Observo-lhe que não era culpa sua e que era melhor ter falado aos seus paroquianos do céu e do inferno que tê-los deixado crer nada existir depois da morte.

            “-Sim, é certo; mas infelizmente eles já não acreditam no inferno e, se estivessem persuadidos de que há uma série de existências em que se expiam as faltas cometidas nas anteriores, muito melhor procederiam." - Deseja então se reencarnar? - "Sim, para melhor me poder instruir e espalhar a verdade pelo povo, dedicando-lhe todos os cuidados." - Deve nesse caso reencarnar numa família rica que lhe  proporcionará instrução? - "Não; é preciso, ao contrário, que nasça na miséria, para a conhecer.

            "No dia 15 de julho de 1910 tive novamente ocasião de ver Luiza e aproveitei para saber se ela me diria a mesma coisa que há dois anos sobre a reencarnação.  Adormeci-a e fi-la retroceder para o passado. Quando chegou ao período anterior a sua atual encarnação, pedi-lhe que se recordasse de sua existência precedente. Procurou muito tempo e me respondeu de modo fragmentário: "Eu me vejo ..., fui um velho que morava no campo...  trago uma batina... sou um padre... " - Quer se reencarnar? - "Sim." - Numa família rica?  - "Não, no seio de gente pobre," para melhor conhecer a miséria e a aliviar."

            "Projetei mais longe, por sugestão, o recuo ao passado; como as lembranças se lhe apresentavam confusas, pediu-me que, mediante passes, lhe aprofundasse o sono o que efetuei. Recordou-se então de que em sua existência anterior nascera em Méaudres (cantão do Villard-de-Lans), localidade em que não tem ela a mínima ligação em sua vida atual;  fizera seus estudos eclesiásticos no grande seminário de GrenobJe, tendo sido, antes dessa existência, uma moça falecida ainda jovem e muito orgulhosa, que lhe valera uma permanência aflitiva na obscuridade, onde encontrara maus espíritos que a atormentavam. Reconduzi-a então, por meio de passes transversais e sugestões, à sua idade atual e em seguida a encaminhei para o futuro, transmitindo-me ela previsões, cuja probabilidade reconheci ao interroga-la, completamente desperta e tendo perdido a lembrança do que me dissera no estado de sonambulismo.





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