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sábado, 21 de julho de 2012

43. 'Doutrina e Prática do Espiritismo' por Leopoldo Cirne



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            A esse titulo, não será supérfluo reproduzirmos textualmente a exposição que do primeiro de tais casos faz o Sr. de Rochas.

            "A Sra. Caro - diz ele - é uma moça de 20 anos (1910), no gozo da mais perfeita saude. Casou-se aos 17 anos, e seu marido, que tem predileção pelas ciências psíquicas, um dia me pediu que a adormecesse, a fim de combater passageiras insônias, de que ela padecia. Obtive ótimo resultado, logo à primeira aplicação, e restabeleci a normalidade do sono.

            "Animados pelo sucesso, continuamos as experiências e verifiquei que ela manifestava todas as faculdades de um sensitivo dotado da maior sensibilidade. Sob influência dos passes longitudinais, o corpo astral se lhe desprende pela cabeça; desloca-o ela à vontade e lhe faz tomar a forma que eu desejo. Sente-o, quando eu o toco, ao passo que não experimenta ação alguma exercida sobre o corpo físico. - Acusa a existência de pontos hipnógenos e histerógenos nos lugares ordinários. É muito sugestionável, mas unicamente se o quer. Impossível faze-la praticar, mesmo adormecida, uma ação que lhe não agrade; embirra em tal caso e repele a sugestão.  Posso, entretanto, atraí-la por simples sugestão mental.

            "Teve um parto absolutamente sem dor, sob a influência da sugestão, c quando tem qualquer pequeno incômodo, basta-me, para a  curar completamente, exteriorizar seu corpo astral e colocar , por indicação sua, .a mão sobre o duplo da parte afetada, (que ela vê com uma coloração diferente da do resto do corpo astral). - É extremamente sensível à musica e dá à fisionomia, de um modo admirável, a expressão de todas as emoções que lhe faz ela experimentar.

            "Quando a adormeço até o grau suficiente, por meio de passes, vê o interior dos corpos e o fluído que de meus dedos se desprende. Se, nesse estado, olha para sua filhinha, a vê rodeada de uma aureola de cerca de 2 centímetros, em todo lugar onde a carne está desnudada, especialmente na cabeça. Se o marido toca então violino, corno habitualmente o faz para acalmar a filhinha, quando chora, vê a auréola se dilatar na direção do instrumento, desde que as notas são agudas, e retrair-se quando graves. Para lhe permitir contudo essa observação, é necessário que eu lhe tenha feito a sugestão de não ouvir a musica, sem o que, estando exteriorizado o seu corpo fluídico, não a pode ela suportar, porque - diz - é como se alguém lhe operasse nos nervos expostos.

            "De várias experiências resulta que ela se reporta a três vidas anteriores. Na última, que precedera à atual, é um rapazinho João, nascido numa família miserável, logo depois abandonado e que dormia nos matos, onde acabou por ser estrangulado, na idade de 15 anos, por uns salteadores. Nesse momento leva a mão ao pescoço e dá mostras de sufocação. Em relação a essa vida jamais variou.

            "Suas mais antigas recordações, determinadas pela pressão na fronte, a transportam a uma vida de soldado, a cujo respeito cala toda particularidade. Foi depois uma senhora, que morava num castelo e abandonou o marido e o filho, fugindo com um amante. Na velhice e depois da morte se arrepende e verte lágrimas sinceras.            

            "Reencarna, sem escolha da sua parte, no corpo de uma menina, Magdalena, cuja mãe parece ter sido uma mulher galante; durante a infância não vê seu pai senão algumas vezes, à tarde: ele passa a noite em casa e torna a sair pela manhã. Mora em Paris, para os lados da praça do Trono . Aos 18 anos, toma um amante, moço , que ama e com quem vive. Alguns anos de felicidade; depois o amante a abandona e ela vai passando sucessivamente a outros. Era ao tempo do segundo Império. Acaba por se fazer manteúda de um velho e morre infeliz aos 50 anos . Aí se insere uma nova personalidade, que nem sempre se apresenta: é um tal Henrique Charon, proprietário na Côte-d’Or, que vivia no tempo do presidente Grévy, falecido aos 56 anos e grande apreciador de mulheres.

            "Vem depois a personalidade João.

            "Se a adormeço com os passes longitudinais, sem interrupção para interrogatório, a fisionomia se lhe modifica, para representar quer a infância, quer a idade madura, quer a morte e a reencarnação, com a atitude peculiar do feto. - Despertando-a por meio dos passes transversais, noto que passa pelas mesmas fases, em sentido inverso, até o estado normal. Quando se reencarna no ventre de sua mãe, toma a posição do feto. Reparando nas posições fetais, pode-se determinar exatamente a vida em que se encontra ela.

            "No intervalo das reencarnações está na semiobscuridade, sem grande sofrimento; vê em volta espíritos, entre os quais alguns maus se reúnem para fazer mal.

            “A existência desventurada de João lhe fora imposta como punição de seus desregramentos, na personalidade precedente. - Agora está paga a sua dívida, sendo-lhe assim possível ter uma vida normal. 

            "Quando está adormecida até o grau de perceber o fluido, vê formar-se em torno a si um cilindro luminoso, se por minha vez lhe ando em volta. - Um dia lhe perguntei se não via então algum espírito; ao cabo de um instante seu olhar se fixou e adquiriu uma expressão de medo. Levou a mão ao pescoço. A reiterada pergunta que lhe fiz respondeu que via o espírito do que a estrangulara, na existência de João.

            "O fenômeno de regressão da memoria em sua vida atual é muito positivo, - Até a idade de 7 anos não há reflexo de pudor.

            Para o futuro muito pouco a impeli. Ela se vê-entretanto, aos 26 anos em Paris, o que representa provavelmente a realização de um desejo. Mas assume então um ar triste e recusa explicar-se."




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