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segunda-feira, 23 de julho de 2012

4. Bilhetes


4.   Bilhetes
           

            Não admitem os materialistas a existência do espírito. O homem, para eles, não passa daquilo que veem, sentem, apalpam e examinam com o bisturi; todavia, já admitem a desagregação do átomo e já conseguiram demonstrar que a matéria de um metal, aparentemente morta contém alta dose de uma energia de que já conhecem o efeito, somente o efeito.

            Admitem, pois, uma energia viva que não veem, não sentem, não apalpam e não podem examinar. E a aceitam, porque lhe viram o efeito, destruindo cidades..         

            Anteriormente, quando os Espíritos nos revelavam a existência da matéria una, da qual provinham todos os corpos existentes na terra, riam-se os nossos sábios. Hoje, porém, que já foram além da molécula e já conseguiram transpor o átomo, por lhe conhecerem a formação e lhe verificarem a possível transformação através de bombardeamentos de um ou mais elétrons, caminham os homens para a unicidade que sempre apregoamos.

            Ainda não conhecem a energia que movimenta os elétrons em torno do núcleo, mas já lhe sentem o poder e já admitem que essa partícula infinitesimal da matéria encerra o poder de destruir cidades e nações.

            Por outro lado, ainda porque veem e assistem aos seus efeitos, não negam que a luz possua a força e o poder da matéria, apesar de a concepção atual da Ciência não admitir que a luz seja matéria. Admitem a força da luz, porque a veem atuar no radiômetro de Crookes e fazê-lo girar, e por observarem que ela decompõe os sais contidos na chapa fotográfica e que pode apressar as reações químicas e até mesmo ocasionar explosões violentas.

            Não aceitam a eletricidade como matéria, mas já não negam que ela possua propriedades da matéria visível e palpável, aproveitando-se--lhe a força, a energia, o poder.

            Como vemos, o homem só crê naquilo que lhe fere os sentidos e crê pelo efeito, apenas pelo efeito, visto que desconhece a causa de todos esses fenômenos.

            Assim tem sido, também, com a existência do espírito. Quase todos os que o admitiram, só se renderam depois de sentirem o seu poder. Alguns, porém, que já lhe observaram o poder, que assistiram à levitação de móveis pesados, que já catalogaram longa série de fatos demonstrativos de que. o espírito é matéria intelectualizada e quintessenciada, ainda se deixam ficar no meio do caminho, à espera de que se lhes apresente a composição química do espírito.
           
            Aceitam a força da luz, da eletricidade e do átomo, sem lhes conhecer a fórmula química, ainda mesmo apenas qualitativa. Aceitam-na porque é oriunda da matéria não intelectualizada, obediente ao homem e por ele manejável; porém, ao se lhes deparar uma força maior, que lhes não obedece à ordem, que se lhes não subordina, os homens, orgulhosos, revoltam-se e exigem, da cátedra de príncipes da Criação, que lhes deem a composição química do espírito e que este se lhes subordine, como aparentemente lhes são obedientes todas as forças da matéria não intelectualizada.

            Ora, se um móvel se levanta e se sustém no ar e se um espírito se deixa fotografar, impressionando a chapa, é porque existe uma força produzindo o levantamento daquele e um corpo material que pousou diante da objetiva fotográfica.

            Há, portanto, força e matéria; invisíveis, sim, mas força inteligente, que se não deixa dirigir pelo homem, e matéria quintessenciada, que só se torna visível pela ação da vontade do seu possuidor.

            Força invisível, mas real. Força que pode proteger ou perseguir, conforme a afinidade espiritual entre o agente emissor e o agente receptivo, transmitindo inspirações e fluidos benéficos, quando merecidos, ou maléficos, como nos casos de obsessão.

            Quando os homens, menos presunçosos, se voltarem para o estudo e observação dessa força, teremos realizado na Terra a maior conquista dos séculos, maior que as descobertas da eletricidade e da energia atômica, porque nos conduzirá a conhecimentos que nos acompanharão extra fronteiras, através dos séculos, além, muito além do túmulo que encerra o amontoado de átomos componentes do nosso corpo transitório.

            Esperemos.


assina     G. Mirim
(Antônio Wantuil de Freitas)
in ‘Reformador’ (FEB) em Outubro  1945




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