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sábado, 7 de julho de 2012

Com Cirineu - ou sem Cirineu



Com Cirineu – ou Sem Cirineu JUL 07

                        
         Depois de o terem ludibriado, tiraram-lhe o manto, tornaram a vestir-lhe as suas vestiduras e o conduziram para fora para o crucificarem. Pelo caminho, encontraram um homem de Cirene, por nome Simão. Obrigaram-no a carregar-lhe a cruz. Chegaram, pois, ao lugar, que se chama Gólgota, isto é, lugar de caveiras. Deram-lhe a beber vinho misturado com fel. Jesus o provou, mas não quis beber. Então o pregaram na cruz.     Mateus 27:31ss


         Carrega o Nazareno a cruz de todos os pecados do mundo.

            E não há um pecador que lhe queira carregar a cruz da redenção.

            Só compelido à força, é que se encontra um Cirineu.

            Até aos hosanas e às palmas do triunfo, todo o homem encontra amigos a granel.         

            Até ao Getsemane, até ao Gólgota – onde estão eles?...

            Cegos, surdos, mudos, coxos, paralíticos, aleijados, leprosos, que fostes curados pelo taumaturgo de Nazaré – onde vos ocultais?

            Filha de Jairo, jovem de Naim, Lázaro de Betânia, que da morte fostes revocados à vida – porque vos esquecestes do vosso salvador?

            Não te admires, ó cristão, se com o Cristo tiveres de sorver o mesmo cálice do abandono e da ingratidão.

            Agradece a Deus se, a meia altura do Gólgota, encontrares um Cirineu ou uma Verônica – mas não contes com isto...

            Crava os olhos na cruz que te precede como sanguinolenta estrela polar, e, com o último resto das tuas forças, calca os rubros vestígios do Nazareno – sozinho, na imensa solidão do teu sangrento martírio...

            Não faças depender de Cirineus ou Verônicas o teu Cristianismo!

            Cristão integral – só no alto do Calvário, a sós com o Cristo...


Huberto Rohden
in “Em Espírito e Verdade”
Edição da Revista dos Tribunais, SP – 1941  


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