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domingo, 22 de julho de 2012

3. Bilhetes



3.   Bilhetes
           

            Afirmamos sempre que o Espiritismo não é uma das religiões do mundo, porque as religiões humanas não passam de agrupamentos egoísticos, dirigidos por criaturas excessivamente presunçosas, que se julgam representantes diretas de Deus, com ordens e sagrações que as tornam semidivinas, com pretensões ao poder temporal e, sobretudo, por se apresentarem como infalíveis e únicas intérpretes das leis divinas, às quais associaram uma infinidade de dogmas que se lhes tornaram necessários para o domínio absoluto da consciência dos seus adeptos e perseguições aos que lhes rejeitam a enorme série  de contradições e de absurdos.

            O Espiritismo nada tem de comum com essas organizações políticas, falsamente rotuladas de religião. Nele, o adepto é senhor de sua razão, crê somente no que o seu estado de adiantamento espiritual pode aceitar; no entanto, em seu seio há lugar para todos, até mesmo para aqueles que o combatem, visto afirmar que todas as criaturas caminham para Deus, que todas encontrarão a salvação na misericórdia divina e que nenhuma ficará pertencendo ao imaginário demônio, figura simbólica que os interesses materiais das falsas religiões apresentam como poderoso concorrente do Criador e Pai.

            Esses agrupamentos humanos, puramente humanos, desvirtuaram de tal forma o sentido dos ensinamentos contidos nos livros básicos das revelações, que, nos dias atuais, a própria palavra - religião - perdeu a sua significação real, designando atualmente reuniões sectaristas, verdadeiras sociedades comerciais, onde vários milhões trabalham e contribuem para o bem- estar de alguns e dos que a estes prestam certos e determinados serviços.

            Não é pois o Espiritismo uma das religiões do mundo. Nele não se encontram os rituais e os cultos extravagantes que os homens criaram para impressionar as massas; nele não existem criaturas privilegiadas com o poder de excomungar ou perdoar e nem pessoas que pretendam viver à custa da venda de bênçãos e de preces. Nele não há essa enorme série de desrespeitos aos princípios e recomendações recebidas do Alto, não há comendas e títulos almotaçados, sacramentos tabelados e ofícios religiosos de caráter profano.

            Daí o dizermos que o Espiritismo não é uma das religiões humanas, mas, a religião divina, em toda a sua simplicidade, pureza e amor, asseverando aos adeptos de todos os credos que os homens são iguais e que todos se salvarão, hoje ou amanhã, com o aprenderem, através das reencarnações, que tudo depende de nós mesmos, como resultante da obediência e da prática do grande ensinamento: "Fora da caridade não há salvação".

            As leis apresentadas na Codificação básica do Espiritismo e nas revelações que lhes sucederam e que continuam e continuarão a chegar aos homens, de acordo com o progresso intelectual da Humanidade, não foram criadas por "infalíveis" criaturas da Terra, mas transmitidas do Alto pelos Espíritos que já se encontram em planos elevadíssimos e que de lá nos trazem a dose de instrução espiritual que o Governador do planeta julga útil e necessária ao nosso adiantamento e encaminhamento para Deus.

            Religando todas as criaturas ao Criador, não as catalogando por credos, raças, cores e posições sociais, asseverando que todas se religarão ao Pai, sem que uma única ovelha se perca nas profundezas de um mitológico inferno, é o Espiritismo, etimologicamente, racionalmente, espiritualmente, a religião divina, a religião que forçará os homens a se reunirem e as religiões a se readaptarem aos princípios de que se afastaram.

            Não possui o Espiritismo sacerdotes e templos majestosos; não faz alianças com os poderosos da Terra e nem possui organizações de princípios nazifascistas; não oferece renda aos que lhe pregam os ensinos; nada exige dos que lhe aderem ao movimento; todavia, tornando cada adepto num sacerdote e tendo em cada médium um elemento de toque para os corações embrutecidos, ele conseguirá transformar a mentalidade do mundo, em tempo relativamente curto, com o aumento sempre crescente desses milhões de adeptos já conseguidos, em apenas um século de trabalho.

            Não visa o Espiritismo o domínio temporal e material dos povos, mas, a transformação do mundo com a educação espiritual do homem.



assina     G. Mirim
(Antônio Wantuil de Freitas)
in ‘Reformador’ (FEB) em Agosto  1945




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