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quarta-feira, 11 de julho de 2012

1. Bilhetes




            Pregamos todos a necessidade da união fraternal entre os espíritas. Todos nos colocamos como defensores dessa medida. Desde os tempos de Kardec, porém, essa união preconizada pelos Espíritos não passa de uma espécie de plataforma política, utilizada pelos homens que se entrechocam e se dilaceram, dentro da mesma doutrina, na discussão de pontos secundários e, alguns, à procura de assuntos por onde possam atacar, destruir e soterrar o trabalho construído pelo esforço, dedicação e amor de outros confrades que lhes não são simpáticos.

            Pregamos a união com frases retumbantes e exemplificamos a desunião com as nossas atitudes de todos os momentos. Todos queremos mandar e ninguém deseja obedecer. Se não nos ouvem os conselhos, se não nos seguem as diretrizes e se não se curvam à nossa suposta autoridade, empregaremos contra eles as armas de que dispusermos no momento. Essa é a realidade que se nos depara e que infelizmente ainda continuará a ser observada em nossos meios, onde cada criatura deseja ser o super-homem. Esse é o quadro real e dominante. Há quadros piores, mas sobre estes não falaremos, quais os de criaturas que colocam os seus interesses pessoais, e algumas vezes até o seu progresso material, acima de qualquer interesse coletivo.

            Kardec se queixava dessas criaturas. O próprio Cristo as teve ao seu derredor, e, talvez por isso, ele nos deixou bem claro que severamente seriam julgados aqueles que muito recebessem. São criaturas que se comprometeram a trabalhar pela obra da coletividade. Receberam muito, porque foram incluídas entre os escolhidos para a disseminação da Nova Revelação. De acordo com a Lei, prestarão contas do que realizaram e voltarão à Terra para que se purifiquem desse orgulho doentio.

            Aconselhar e doutrinar essas criaturas ou apresentar-lhes a Lei, não produzirá qualquer efeito salutar. São criaturas falidas, que só se modificarão após algumas encarnações. A própria dor, que transforma tão grande número de homens, não tem efeito sobre essas criaturas embrutecidas pelo orgulho e pelo egoísmo alimentados e desenvolvidos no correr dos séculos que se foram. De Judas à Joana d'Arc houve um interregno de treze séculos. E Judas havia merecido a suprema glória de pertencer ao Colégio Apostólico do Divino Mestre!

            Que fazer, pois? Cruzar os braços? -- Não! Compete-nos lutar. Torna-se necessário o maior desenvolvimento dos nossos recursos espirituais, no trabalho perseverante de evitar que os males irradiados por esses companheiros cheguem a produzir os danos de uma segunda morte entre os que lhes ouvem a palavra envenenada pelo ódio, pelo despeito ou pela insinuação dos invisíveis que lhes são afins. Sim, lutemos como os médicos nos campos de batalha. Lutemos para evitar que o bacilo atinja todo o rebanho e oremos para que esses missionários que faliram, agora, possam receber a misericórdia de novas oportunidades de vida, das quais saiam vencedores na luta contra os seus próprios espíritos.  

assina     G. Mirim
(Antônio Wantuil de Freitas)
in ‘Reformador’ (FEB) em Junho  1945






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