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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Satanás ou Amigo?



 Satanás ou Amigo? JUN 21

                    
            Ainda estava Jesus a falar, quando chegou Judas, um dos doze, acompanhado duma multidão de gente armada de espadas e varapaus, por ordem dos príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo. Tinha o seu traidor combinado com eles este sinal: A quem eu beijar, esse é; prendei-o!”Logo se aproximou de Jesus com as palavras: “Salve, Mestre!”e o beijou.
            Respondeu-lhes Jesus: “Amigo, a que viestes?”
            Nisto se aproximaram eles, deitaram as mãos a Jesus e o prenderam. Um dos companheiros de Jesus puxou da espada e, vibrando-a contra um servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha. Disse-lhe Jesus: “Mete a espada na bainha! Todos os que manejarem espada à espada perecerão. Cuidas então que meu Pai não me mandaria em auxílio, agora mesmo, mais de doze legiões de anjos, se lho pedisse? Mas como se cumpririam, neste caso, as Escrituras, segundo as quais assim deve acontecer?             (Mateus  26,  47  ss)




            Simão Pedro quer dissuadir o Mestre do sofrimento – e tem de ouvir a acerba repreensão: “Retira-te de mim, Satanás, que me dás escândalo!”

            Judas Iscariotes lança o Mestre ao abismo do mais atroz dos martírios – e percebe a suave interrogação: “Amigo, a que vieste?”

            O aliado do sofrimento é amigo...

            O inimigo da dor é Satã...

            Estranha e profunda, essa intuição do Nazareno.

            Ah! Ele bem o sabia...

            O gozo profana – a dor santifica...

            O prazer afasta de Deus – o sofrimento aproxima da Divindade...

            As delícias mancham – o martírio redime...

            Fogem da fantástica visão da cruz os analfabetos da espiritualidade.

            E o Sumo Sacerdote da Nova Aliança ascende a ara do grande sacrifício, ele só, muito sozinho... Nenhum ministro. Nenhum levita... Nenhum acólito.

            Redentor – ele só...



Huberto Rohden
in “Em Espírito e Verdade”
Edição da Revista dos Tribunais, SP – 1941  


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