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terça-feira, 26 de junho de 2012

Origens...







            “Mais uma vez vai o homem desperdiçando as oportunidades de legítimo progresso. Mais uma vez a Clemência ilimitada do Senhor começa a se manifestar.

            Em meio ao materialismo devastador, que afasta o coração humano de Deus, erguem-se as ideias desse verdadeiro cristão que foi Jean Jacques Rousseau, com sua iluminada sensibilidade e seu profundo amor e fidelidade aos Evangelhos, em frontal contraste com seus antigos companheiros, a preparar os caminhos para o advento da Terceira Revelação da Lei de Deus. Nas páginas do romance pedagógico ‘Emílio’ estavam gravadas as ideias de luz que iriam influenciar todos os homens realmente sensíveis à obra de redenção humana, à verdadeira religião que é acima de tudo amor. No Contrato Social, Rousseau condena veementemente a intolerância entre os homens e prega o restabelecimento das ideias do Cristo como único meio de serem resolvidos os ingentes problemas sociais, salientando que "a religião do homem, sem templos, sem altares, sem ritos, limitada ao culto puramente interior do Deus Supremo e aos deveres eternos da moral. é a pura e simples religião do Evangelho, o verdadeiro teísmo e o que se pode chamar direito divino natural".

            O pensamento de Rousseau iria cair no coração de João Henrique Pestalozzi e exercer sobre seu espírito, exaltado e sonhador, bom e tolerante, uma extraordinária influência, incentivando-lhe a encetar sua obra revolucionária nos domínios da educação. Introduzindo notáveis modificações nos métodos de ensino, tendo sempre presentes as inspiradas palavras de Rousseau "A única lição de moral que convém à infância, e a mais importante para toda a idade, é a de nunca fazer mal a ninguém", Pestalozzi funda em Yverdun um dos mais notáveis centros de educação de que se tem notícia, abrindo suas portas para alunos do mundo inteiro, sem distinção de língua, raça ou credo religioso, dando logo de início, uma notável lição de universalismo e fraternidade, que iria marcar indelevelmente todos os seus discípulos.

            Convencido de que "a ênfase educativa deve ser posta sobre a espontaneidade natural do ser humano, que convêm preservar contra a corrupção social", ergue as bases da moderna pedagogia, associando severidade e amor, justiça e caridade, como qualidades essenciais ao desempenho das funções magistrais.

            No ambiente fraterno e doce de Yverdun é que vai se formar o espírito de Denizard Rivail, amado discípulo de Pestalozzi, a quem caberia a sacrossanta missão de codificar a doutrina Espírita, tarefa gigantesca que desempenhou com o maior acerto e dignidade, legando ao homem a explicação definitiva para todas as suas dúvidas a respeito do porque da existência e dos sublimes objetivos da vida material.”

por Nilton S. Thiago

trecho do prefácio do livro
 “O Conflito dos Séculos”
de Arnaldo S Thiago
 1ª Ed Lunardelli  1975 (?)


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