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sábado, 23 de junho de 2012

Porque... Por Quê?


Porque... por quê? JUN 23

                    
                       
            O pontífice interrogou a Jesus sobre os seus discípulos e sobre a sua doutrina. Respondeu-lhe Jesus: “Tenho falado em público a todo o mundo. Tenho ensinado sempre nas sinagogas e no templo, aonde concorrem todos os judeus, e não falei coisa alguma à ocultas. Por que me interrogas a mim? Interroga aos que ouviram o que lhes disse. Eles bem sabem o que ensinei.”
            A estas palavras, um dos servos assistentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: “Se falei mal, dá prova do mal; mas, se falei bem, por que me feres?” João  18,  19 ss




            De rica seara, fecunda semente foi esta bofetada.

            Depois dela, infinitas bofetadas têm sido distribuídas a “réus” inocentes por servis bajuladores de poderosos tiranos.

            Sorrir para os de cima e espezinhar os de baixo – oh! quão humana é esta desumana política!

            Mas entre o direito da força dos potentes lá de cima e dos insolentes cá de baixo está, qual lúgubre esfinge, a força do direito, que há de um dia responder ao tremendo “por quê” do Nazareno, a que a injustiça da humana Justiça não deu resposta. “Por que me feres?...”

            Ficou o Sinédrio devendo até hoje a resposta a esse divino “porquê” – e Israel erra pelo mundo há vinte séculos, fantástico Ahasver[1], à procura de resposta a essa lúgubre interrogação do melhor de seus filhos...

            E vós, povos cristãos, por que feris o Cristo? Por que que banis do vosso meio, dos vossos governos, dos vossos parlamentos, dos vossos tribunais, das vossas escolas, das vossas repartições públicas, por que banis e expulsais esse homem de Nazaré? que mal fez ele à humanidade?... se fez mal, provai o mal – mas, se fez bem, por que o expulsais? Por que?... por que?...”

           
           
Huberto Rohden
in “Em Espírito e Verdade”
Edição da Revista dos Tribunais, SP – 1941  


[1] Entendemos que o Ahasver de Rohden seja o mesmo Ahasverus citado abaixo. Se negativo... Corrijam-me!

“A lenda de Ahasverus surgiu no Século IV e apareceu na Europa a partir de 1228, quando um arcebispo armênio, visitando a Inglaterra, mais precisamente o convento de Saint’Albans, revelou conhecer em seu país uma testemunha viva da paixão de Cristo. Tratava-se do judeu Ahasverus, agora convertido e batizado por Ananias com o nome de Cartaphilus, o mesmo que esmurrara o Salvador quando este, sob o peso da cruz, tombara diante de sua porta.

Ahasverus, o judeu errante e “eterno estrangeiro” aonde quer que vá em sua peregrinação permanente, era um carpinteiro de Jerusalém que estava em sua tenda de trabalho no dia do santo suplício. Jesus, humilhado, açoitado e sangrando, deteve-se um mínimo instante à sua porta, haurindo forças para prosseguir em seu calvário. Ahasverus parou seus afazeres, chegou-se para perto do divino nazareno e, empurrando-o, vociferou colérico:

-- Vai andando! Vai logo!
Jesus apenas olhou-o e respondeu-lhe mansamente:
-- Eu vou e tu ficarás até a minha volta...

E Ahasverus está até hoje errando pelo mundo, sem caminho certo, sem morrer, mas sem descanso, esperando e esperando pela volta do Senhor.....” Fonte: www.flogão.com.br



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