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segunda-feira, 25 de junho de 2012

O traidor traído



 O traidor traído... JUN 25

                    
            Pela madrugada, resolveram os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo, de comum acordo, entregar Jesus à morte. Conduziram-no preso e entregaram-no ao governador Pôncio Pilatos.
            Ora, quando Judas, o traidor, viu que Jesus estava condenado, sentiu-se tomado de arrependimento e foi devolver as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e anciãos, dizendo: “Pequei, entreguei sangue inocente”.
            Replicaram-lhe eles: “Que temos nós com isso? Avém-te lá contigo mesmo.”
            Então, lançou ele as moedas de prata ao templo, foi-se embora e enforcou-se com uma corda. Os príncipes dos sacerdotes recolheram as moedas e disseram: “Não é lícito lançá-las ao cofre do templo, porque é preço de sangue.” Deliberaram comprar com elas o campo de um oleiro para servir de cemitério aos forasteiros. Por esta razão é chamado aquele campo, até o presente dia, Hacéldama, isto é: campo de sangueMateus  27; 1  ss



            O traidor acaba, por via de regra, traído.

            Ninguém lhe dá confiança.

            Todos se aproveitam dos seus serviços – mas ninguém quer saber da sua pessoa.

            Exploram o traidor e detestam a traição.

            Qual bagaço espremido, é jogado fora o desertor, desde que nada mais tenha a dar.

            Iscariotes reconhece e confessa o seu crime, mas não crê na bondade divina. Só crê na justiça.

            Contempla a torrente imunda da sua miséria, e não vê o oceano imenso da misericórdia de Deus, que absorve as torrentes e purifica todas as águas da iniquidade.

            “Nele há redenção copiosa...”

            Crer no seu pecado e descrer do perdão divino – é desespero e morte...

           
           
Huberto Rohden
in “Em Espírito e Verdade”
Edição da Revista dos Tribunais, SP – 1941  


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