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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Paralelos


Paralelos
Ismael Gomes Braga
Reformador (FEB) Outubro 1961

            Nosso tempo se caracteriza pela conquista do espaço sideral: - o homem já consegue viajar fora da zona de atração da Terra e a ela regressar são e salvo. Teoricamente já sabe ele que poderá firmar pé em algum dos outros planetas do nosso sistema solar, estabelecer convívio com outras humanidades, fazer aquisições preciosas com os filhos de mundos mais velhos e adiantados do que o nosso, mas somente com planetas vizinhos.

            Quando muito, no curto espaço de sua vida, poderá vir a atingir algum outro grupo de planetas próximo do nosso, mas não poderá sonhar com os sistemas longínquos, porque a viagem exigiria milênios e a vida humana é limitadíssima.

            Em nossa frente estará sempre o inexplorado espaço infinito e todo ele povoado de mundos inatingíveis para as naves do Espírito encarnado.

            Igualmente quanto ao progresso, havemos sempre de ver em nossa frente um infinito a conquistar, rumo a uma perfeição ideal, mas inatingível em toda a sua grandiosidade, porque diante de nós estarão sempre outros seres, criados em remotas antiguidades e que estão sempre progredindo, crescendo em saber e virtudes.

             Muitos desses seres já atingiram tal grandeza que nos pareceriam verdadeiros deuses, se nós os pudéssemos conceber com a nossa curta inteligência; mas não o podemos. A obra divina é demasiado grandiosa para que o homem a pudesse abranger com seu pensamento.

            Se no espaço podemos compreender que teremos em nossa frente sempre o infinito, ainda que pudéssemos locomover-nos com a rapidez do pensamento, igualmente no tempo teremos sempre a eternidade em nossa frente, para crescermos.

            Como é mesquinha e indigna do Criador a suposição de que a Terra é o centro do Universo e o único mundo habitado por seres inteligentes e que esse ser inteligente só pode crescer em conhecimentos e virtudes no curto momento que ele aqui vive, absorvido quase sempre pela conquista material do pão!

            Se o espaço e o tempo não conhecem limites, e se o grau de inteligência inata no homem varia ao infinito, como admitir que ele se confine entre o berço e o túmulo, como pensa a ciência materialista, ou só disponha deste momento fugaz para conquistar a perfeição destinada à eternidade, como pretendem as igrejas?

            O nada eterno depois da curta vida, conforme o materialismo, ou a eternização da nossa ignorância, ensinada pelas igrejas, são perspectivas igualmente repugnantes e em pleno desacordo com a observação do infinito no espaço, do eterno no tempo, da diversidade de grau de evolução com que nascem os homens e das transformações nas formas animais que os fosseis nos revelam.

            A doutrina reencarnacionista se impõe como necessidade lógica para compreendermos esse terceiro infinito - a Vida. Se o espaço não tem limites, o tempo não tem fim, também a vida não tem essas aparentes limitações que a curteza de nossa inteligência lhe traça.

            Há três linhas paralelas que se perdem em nosso horizonte intelectual: - Espaço, Tempo, Vida.


            Bendito seja Allan Kardec que nos resolveu esses problemas!

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