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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Casamento e Divórcio


Casamento
e Divórcio

19,3   Os fariseus vieram perguntar-lhe, para po-lo a prova: É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer? 19,4  Respondeu-lhe Jesus:“ -Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse:
19,5  Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois viverão uma só vida!
19,6  Assim, já não são duas, mas uma só vida, portanto, não separe o homem o que Deus ajuntou”
19,7  Disseram-lhe eles: - Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la?
19,8 Jesus respondeu-lhes: “É por causa da dureza de vosso coração, que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres, mas, no começo, não foi assim.
19,9 Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de noiva infiel, e esposa uma outra, comete adultério. E, aquele que esposa uma mulher rejeitada, comete também adultério.
19,10 Seus discípulos disseram:  - Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor  não  casar!
19,11 Respondeu Ele: “ -Nem todos são capazes de compreender o sentido destas palavras, mas somente aqueles a quem foi dado compreender.
19,12 Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, e há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmo se fizeram eunucos por amor do reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.”

            Para Mt (19,3-12), -Casamento e Divórcio - encontramos a palavra de Kardec, em  “O Evangelho...”, no seu Cap. XXII:

            “Não há de imutável senão o que vem de Deus; tudo o que é obra dos homens está sujeito a mudanças. As leis da Natureza são as mesmas em todos os tempos e em todos os países; as leis humanas mudam segundo os tempos, os lugares e o progresso da inteligência. No casamento, o que é de ordem divina é a união dos sexos para operar a renovação dos seres que morrem; mas, as condições que regulam essa união são de ordem tão humana, que não há no mundo inteiro, e mesmo na cristandade , dois países em que elas sejam absolutamente as mesmas, e que não haja um em que elas não tenham sofrido mudanças com o tempo.”

            “Mas na união dos sexos, ao lado da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há uma outra lei divina, imutável, como todas as leis de Deus, exclusivamente moral e que é a lei de amor. Deus quis que os seres estivessem unidos não somente pelos laços da carne, mas pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se transportasse para seus filhos, e que eles fossem dois, em lugar de um, a amá-los, a cuidá-los e fazê-los progredir.”

            “Mas, nem a lei civil, nem os compromissos que ela faz contrair, podem suprir a lei do amor se esta lei não preside a união; disso resulta que, freqüentemente, o que se une à força, se separa por si mesmo; que o juramento que se pronuncia ao pé do altar torna-se um perjúrio se dito como uma fórmula banal; daí as uniões infelizes, que acabam por se tornar criminosas; dupla infelicidade que se evitaria se, nas condições do casamento, não se fizesse abstração da única lei que o sanciona aos olhos de Deus: a lei do amor. Quando Deus disse: “Vós não sereis senão uma mesma carne”; e, quando Jesus disse: “Vós não separareis o que Deus uniu”, isso se deve entender da união segundo a lei imutável de Deus, e não segundo a lei variável dos homens.”

            “O divórcio é uma lei humana que tem por fim separar legalmente o que está separado de fato; não é contrária à lei de Deus, uma vez que não reforma senão o que os homens fizeram, e não é aplicável senão nos casos em que não se levou em conta a lei divina...”
           
          Para Mt (19,6), -O que Deus ajuntou não o separe o homem... - buscamos Emmanuel por Chico Xavier, em “Caminho, Verdade e Vida”:

            “A palavra divina não se refere apenas aos casos do coração. Os laços afetivos caracterizam-se por alicerces sagrados e os compromissos conjugais ou domésticos sempre atendem a superiores desígnios. O homem não ludibriará os impositivos da lei, abusando de facilidades materiais para lisonjear os sentidos. Quebrando a ordem que lhe rege os caminhos, desorganizará a própria existência. Os princípios equilibrantes da vida surgirão sempre, corrigindo e restaurando...A advertência de Jesus, porém, apresenta para nós significação mais vasta.

            “Não separeis o que Deus ajuntou”    corresponde também ao “não perturbeis o que Deus harmonizou.”

            Ninguém alegue desconhecimento do propósito divino. O dever, por mais duro, constitui sempre a vontade do Senhor. E a consciência, sentinela vigilante do Eterno, a menos que esteja o homem dormindo no nível do bruto, permanece apta a discernir o que constitui  “obrigação” e o que representa “fuga”.

            O Pai criou seres e reuniu-os. Criou igualmente situações e coisas, ajustando-as para o bem comum.

            Quem desarmoniza as obras divinas, prepara-se para a recomposição. Quem lesa o Pai, algema o próprio “ eu ” aos resultados de sua ação infeliz e, por vezes, gasta séculos, desatando grilhões...

            Na atualidade terrestre, esmagadora percentagem dos homens constitui-se de milhões em serviço reparador, depois de haverem separado o que Deus ajuntou, perturbando, com o mal, o que a Providência estabelecera para o bem.

            Prestigiemos as organizações do Justo  Juiz que a noção do dever identifica para nós em todos os quadros do mundo.


            Às vezes, é possível perturbar-lhe as obras com sorrisos, mas seremos invariavelmente forçados a repará-las com suor e lágrimas. ”    

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