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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Kardec e Roustaing, dois grandes médiuns


Kardec e Roustaing,
dois grandes médiuns
Reformador (FEB) Dezembro 1946

            “O Espiritismo tem sido, de uns poucos anos a esta parte, o lenitivo de muitas dores profundas e dantes inconsoláveis, por ter-nos trazido a interpretação, em Espírito e Verdade, dos textos evangélicos, que até então se nos apresentavam velados pela letra que mata. A sua demora em aparecer como doutrina, foi natural, em virtude de, só agora, encontrar-se a Humanidade devidamente preparada para ter conhecimento do verdadeiro significado das palavras de Jesus.

            Há um nome que ficará eternamente ligado ao do Espiritismo, que é: Léon Hipolite Denizart Rivail, mais conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec.

            Espírito lúcido, de grande hierarquia espiritual, que tomou sobre os ombros a grande responsabilidade de codificar a doutrina que viria ressuscitar a Boa-Nova trazida para a Terra há dois mil anos, pelo Cristo, e que até aqui fora quase que afogada em meio do orgulho e demais sentimentos mesquinhos dos homens.

            Tinha, porém, que se cumprir a promessa de Jesus, referente à vinda do Consolador. Para isso, necessário seria que um Espírito de escol o precedesse, a fim de preparar-lhe as bases.

            Foi esta missão confiada a Kardec, o qual, com mestria ímpar, como real artífice que era, como metodizador incomparável, digno discípulo de Pestalozzi, fez um trabalho que ficará indelével para a Humanidade; que jamais será abalado em seus alicerces. É certo que muito lhe será acrescentado, ainda, pois ele mesmo o afirmou que não tinha dito a última palavra, pois a última palavra pertence ao Pai. Roustaing já acrescentou muita coisa ao que disse Kardec. E basta que leiamos as últimas obras ditadas pelo Espírito de André Luiz, para que nos apercebamos da verdade do exposto com relação à elasticidade da Doutrina. E não se pode duvidar de tais obras, de vez que foram elas prefaciadas pelo Espírito de Emmanuel, a quem já conhecemos sobejamente.

            Entretanto, poderemos observar que, se devemos muito aos Srs. Kardec e Roustaing, muito mais o devemos aos espíritos que os auxiliaram. Kardec e Roustaing foram os intermediários, os instrumentos dos quais se serviram os mensageiros divinos para alicerçarem as bases da ressurreição dos Evangelhos de Jesus, que houveram perdido a sua beleza primitiva, tais as alterações e falsas interpretações do seu texto sagrado.

            Urge, portanto, que não malbaratemos o êxito desse esforço gigantesco dos nossos maiores, novamente desviando o sentido e a finalidade da missão de Jesus, na Terra.

            Que não adulteremos nada, absolutamente, nem mesmo uma vírgula sequer, ou um til, para que isso não venha a servir, mais tarde, de precedente perigoso para uma segunda derrocada da Humanidade.

            Nada, pelo mesmo motivo, o homem deve acrescentar, de sua cabeça, à doutrina espírita, a fim de que não venha a incorrer nos mesmos erros do passado.

            O Espiritismo é uma doutrina 99% dos Espíritos e assim deve continuar, para que não se venha a materializar mais tarde; a fim de que não se estabeleça, novamente, o reinado da letra, que mata, mas, sim, do espírito, que vivifica.

            (Ext. da revista ‘A Verdade’, ano 38, página 1879, de Recife, Pernambuco) .

            Nota - Este artigo, pela data em que foi publicado, parece-nos ter sido escrito na mesma ocasião em que nós, aqui, recebíamos a inspiração de escrever e publicar um trabalho semelhante, conforme se verifica em "Reformador" de Outubro e Novembro.

            Do Blog: O autor refere-se aos artigos sob título Kardec-Roustaing I e II, já divulgados através deste blog.



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