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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Missões Diferentes










Missões Diferentes
Lino Teles
(Ismael 
Gomes Braga)

Reformador (FEB)
 Novembro 1961

            Num excelente artigo publicado em "O Globo", de 19-8-61, pág. 9, o conhecido escritor Eugênio Gomes interroga: "Seria Castro Alves espírita?" e responde demonstrando o interesse do poeta pelo Espiritismo, nos últimos anos de sua curta vida.

            Fato semelhante se nota nos últimos dias da vida de L. L. Zamenhof, quando ele esboçou a lápis uma tese espírita que não pode escrever, porque a morte o interrompeu.

            Igualmente Castro Alves, ao interessar-se pelo Espiritismo, em plena juventude, faleceu.

            Porque esses dois gênios não tiveram tempo de se tornarem espíritas? 

            Parece-nos que suas missões eram diferentes e teriam sido prejudicadas pelo Espiritismo, ainda fraco e muito combatido.     .

            A missão de Castro Alves era lutar contra a escravidão apontando-a como tremenda injustiça social que devia ser abolida. Ora, se ele conhecesse e pregasse a Doutrina Espírita, ensinaria a lei de carma, a existência de perfeita justiça em tudo, e consequentemente a existência da escravidão como processo de recuperação de Espíritos endividados. O escravo deixaria de ser a vítima inocente de uma instituição social injusta. Mas era preciso combater a instituição mesma, porque os senhores de escravos se tornavam culpados e por seu turno teriam de sofrer consequências. A missão do poeta era apenas de combater, como muitos outros, a escravatura, até fazerem, como fizeram, a abolição.

            Com Zamenhof a situação era outra: sua missão era estabelecer a língua internacional como instrumento de confraternização universal, e tinha que pairar acima das divisões religiosas e partidárias. O Espiritismo era e ainda é uma dessas divisões. Se ele fosse pregar Espiritismo, conquistaria para o Esperanto a hostilidade das igrejas e do materialismo reinante. Teve que limitar-se à obra linguística, deixando o Espiritismo para o futuro.

            De modo semelhante, muitos reformadores sociais têm que operar sem conhecimento do Espiritismo. Trazem no momento uma missão diferente da espírita, têm que fazer obra combativa que repugna ao espírita. Só no futuro todas as missões se reunirão num todo em favor da Humanidade inteira.

            Nota-se isso apenas quanto aos grandes Missionários. Os pequenos servidores, como nós, têm ação limitada; só podem trabalhar dentro de partidos, escolas, igrejas, onde são conhecidos. Nossa missão é muito diferente da obra dos grandes Missionários: nós agimos nas secções, e eles no todo.

            Do Blog: Existem 2 livros que falam de Castro Alves: ‘Castro Alves e o Espiritismo’ de Altamirando Carneiro e ‘Chico Xavier, o obreiro do Senhor e Castro Alves, o apóstolo da liberdade’ de Maria Antônia de Moura. Este último recebe a chancela da FEB.



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