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domingo, 23 de junho de 2013

16a. e 16b. Revelação dos Papas - Bonifácio V, papa



16a

‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)

- Comunicações d’Além Túmulo -


Publicada sob os auspícios da
União Espírita Suburbana
Rua Dias da Cruz 177, Méier

Officinas Graphicas d’A Noite
Rua do Carmo, 29
1918


Bonifácio V, papa

O médium vê um homem velho, vestido de túnica escura, com a tiara da cabeça.
O seu rosto é claro e longo, a altura e o corpo regulares, os cabelos e a barba também branca.
Caminha meio curvado para a frente e está circulando de luz roxa clara com reflexos prateados.

_______________

      
            Aqui está o espírito de Bonifácio V, que perante este tribunal implora a misericórdia dos cristãos para as suas culpas.

       Compareço perante o mundo para proclamar-me culpado, confessar-me criminoso de erros e crimes que muito me envergonham e humilham perante vós, neste momento.

          Estou diante dos meus irmãos para lhes dizer a verdade, embora de um modo cruel e impiedoso, ainda mesmo lançado sobre o meu nome maior estigma, as mais infamantes culpas, as mais desonrosas acusações.

          Venho ainda sob a impressão dos sofrimentos, das torturas por que passou o meu espírito na eternidade, onde ficou perturbado, aflito e desesperado; onde gemeu e padeceu longo tempo, acusado pela sua própria consciência, que se tornou para ele inferno, abismo insondável, onde estive afundado revendo os meus crimes, invocando o meu passado tenebroso, cheio de atos abomináveis, de ações indignas que me apontam como o mais criminoso dos papas.

          Vem Bonifácio V a presença dos cristãos para narrar a sua vida de papa e de espírito desencarnado e, assim, mostrar aos homens o perigo a que se expõem, confiando nos falsos e absurdos ensinamentos que lhes são dados diariamente pelos que nada sabem da verdade pura e, por isso, procuram viver, gozar, satisfazer as suas ambições e vaidades à sombra da ignorância e ingenuidade das criaturas.

          Venho contar-vos o que comigo se passou na vida material, também o que me conduziu às torturas do inferno e o que me levou às doçuras do paraíso, donde hoje saio para vir aos vosso encontro.

          Estive à frente da Cristandade e nunca me preocupei com a sorte e o destino do que fora entregue à minha vigilância, confiado à minha guarda, para que eu defendesse e amparasse, livrando dos golpes e assaltos a que sempre estiveram expostos os princípios da doutrina de Jesus.

          Fui papa, mas não me convenci de que elevada e grandiosa era a missão que tomara sobre os ombros e enormes as responsabilidades que assumira aos sentar-me na cadeira pontifical.

          Não me convenci de que elevada e grandiosa era a missão que tomara sobre os ombros e enorme as responsabilidades que assumira ao sentar-me na cadeira pontifical.

          Não me conformei com as leis impostas por Deus a todo aquele que tem nas mãos as rédeas de um governo sagrado, desobedeci aos decretos da Infinita Sabedoria, que ordenava me conservasse fiel a minha missão, que jamais falseasse à verdade, mentisse à minha própria consciência ou desvirtuasse os ensinamentos recebidos de Jesus.

          Não me coloquei à altura da extraordinária missão que me fora confiada; não me mostrei digno, capaz de realizar tudo quanto, ao subir os degraus do torno pontifício, eu prometera fazer em prol da religião, pela consolidação dos princípios básicos da sagrada doutrina do Mártir dos Mártires.

          Esqueci-me, logo após ter empenhado o cetro papal, dos deveres que tinha que cumprir, dos compromissos assumidos perante Deus e a minha consciência.

          Olvidei tudo quanto recomendara o Mestre aos seus discípulos, o que estava escrito nos sagrados livros que eu compulsava por mero diletantismo, sem o mínimo desejo de por em prática o que ali estava escrito.

          Tudo desprezei por amor das coisas terrenas, tudo sacrifiquei aos interesses egoísticos e às ambições pessoais, levando o descaso pelas coisas sagradas ao ponto de permitir que fossem introduzidas na religião de Jesus Cristo modificações, reformas que atentavam contra a pureza imaculada da santa e gloriosa doutrina.

          Tudo fiz para comprometer o Cristianismo e acarretar para ele o descrédito e a desonra que ainda hoje perturbam, manchando a pureza da sublime e imaculada doutrina.

          Não me comportei, como devia, dentro dos limites da fé; exorbitei, ultrapassei as fronteiras das conveniências morais, para ir atirar-me no caminho da cobiça e das ambições pessoais.

          O papa Bonifácio V tinha sede de ouro e ambição de mando e domínio; tinha o pontífice romano, cujo espírito está neste momento na vossa presença, a mais insaciável volúpia de possuir tesouros, auferir lucros, acumular riquezas efêmeras da Terra, esquecendo-se de que só as riquezas e os bens do Céu dão a felicidade e a glória.

          Era o papa Bonifácio V um ambicioso vulgar, pois de tudo lançava mão para apodera-se do ouro pertencente a outros, aos quais procurava lesar com a sua ambição desmedida.

          Foi assim que sacrificou interesses do Vaticano aos seus, conduzindo mal as questões e pendências que eram a cada instante submetidas à sua apreciação.

          O papa usou sempre de parcialidade quando se tratava de interesses da Igreja, procurando obter lucros em todas as transações realizadas no seio da Cúria, onde a sua vontade era absoluta, podendo dispor a seu bel prazer de tudo quanto pertencia ao papado.

          Tudo fez o papa com o fim de apodera-se do que lhe não pertencia.

          Todos os meios hábeis, processos e ardis mentirosos e todos os planos tenebrosos para enriquecer-se a si e aos seus, tirando sempre proventos da religião, transformando a Igreja no mais abjeto balcão, sem consciência nem fé, sem critério nem dignidade pessoal.
          O papa Bonifácio V usurpou bens de inimigos seus, confiscando-os a título de indenizar os prejuízos que os seus possuidores haviam ocasionado à Cúria.

          Não trepidou o papa em aceitar a cumplicidade em vários delitos de lesa-instituição, praticados por amigos seus e também instrumentos de que se servia para as suas vinganças e perseguições.

          Compartilhou o papa Bonifácio V da sorte dos que eram acusados como dilapidadores das riquezas do Vaticano, sendo também atingido pelo mesmo labéu infamante.

          Teve falta de decoro e pudor o papa que ora vos visita para dizer-vos a verdade, que ficaria para sempre ocultada se não viesse o Espiritismo para restabelecê-la, mostrando aos homens quanto são iludidos pelos que se dizem, no mundo, os seus guias, os seus pastores espirituais.

          O papa Bonifácio V é um dos maiores culpados, por ter feito tudo quanto há de mais criminoso, grave e comprometedor para o seu nome e o da Igreja, a fim de apoderar-se do que não era seu.

          É criminoso o papa Bonifácio V por se ter deixado subornar por ocasião de ser decidida melindrosa questão entre um poderoso estado político e o Vaticano, favorecendo o papa o interesse do referido estado, com grande prejuízo para a tiara, que foi lesada numa copiosa soma, da qual ele e os seus apaniguados participaram, recebendo todos o seu quinhão por se terem mostrado fracos e venais na defesa dos interesses da Igreja, sempre prejudicada, vilipendiada por maus e falsos representantes, que tanto comprometeram o seu nome e a sua honra, sacrificando-lhe os mais caros e santos interesses.

          Sou ainda culpado por ter abusado da minha força e poder para dominar pelo terror adversários que, indignados com a minha conduta protestavam contra os meus desmandos e desregramento. Abusei do meu poder, decretando a sua expulsão do seio da Cúria, impedindo-os de exercer por longo tempo o sagrado ministério.

          Fui violento e déspota para os que não me lisonjeavam o orgulho e a vaidade, não se dispondo a satisfazer a minha cobiça e os meus apetites insaciáveis.

          Fui desumano e cruel com os que ousaram manifestar, ainda que delicadamente, o seu desgosto diante dos abusos e afrontas à moral aos decoro da religião de Jesus Cristo.

          Amordacei todos aqueles que se mostraram dignos e altivos, protestando contra os crimes e infâmias praticados no meu pontificado.

          Fui impiedoso com os que se conservaram fiéis aos princípios da moral cristã, os que não prevaricavam, os que não queriam mergulhar as mãos no ouro, receosos de que este as manchasse, pois desejavam conservá-las limpas e asseadas, como as suas próprias consciências e as suas almas puras e imaculadas.

          Persegui os dignos, os nobres, os puros e os honestos; amparei os indignos, os maus, os perversos, os criminosos e os devassos.

          Conduzi pela rua da amargura os que tiveram a hombridade e dignidade necessárias para se mostrarem superiores aos interesses mesquinhos, subalternos, preferindo morrer pobres, humildes e ignorados a se locupletarem com o que lhes não pertencia. Foi contra esses dignos e leiais companheiros que se desencadeou a minha cólera, que voltaram as minhas iras e os meus ódios; foi, pois, contra a honradez e a virtude que me revoltei e exasperei, foi contra o que era serio e honesto que desfechei os meus golpes, lancei anátemas e maldições.

          Não tive compaixão dos fracos, dos que não podiam medir força com o papa Bonifácio V, poderoso, senhor absoluto, dispondo da força e dos elementos materiais suficientes para abater e aniquilar os seus inimigos e adversários.

          Não teve o papa Bonifácio V piedade dos que não tinham para quem apelar no momento angustioso, na hora das aflições e dos desesperos, tendo somente como único recurso submeterem-se resignadamente à sua vontade despótica e absoluta.

          Jamais perdoou os seus adversários, jamais se condoeu da sua sorte e miséria; o seu coração nunca se confrangeu ao ver os inimigos humilhados, abatidos e prostrados diante do seu trono, do alto do qual jamais o papa Bonifácio V teve um gesto caridoso e compassivo que levasse o conforto às almas combalidas dos seus antagonistas, que ali suplicavam, entre lágrimas, o perdão para os seus crimes - se crime pode chamar-se o protesto contra devassidão e abusos desregrados.

          Esqueceu-se o papa Bonifácio V da recomendação de Jesus: “Perdoa, se queres ser perdoado também”.

          Afastou-se o papa Bonifácio V da doutrina de Jesus, quer prevaricando e praticando atos desonestos, quer perseguindo e exercendo vinganças contra aqueles que justamente se revoltam contra os crimes do Pontífices. Errou gravemente o papa que neste momento se comunica convosco, praticando todos esses atos que comprometeram o seu nome perante a história e o mundo, e o seu espírito perante Deus e a sua própria consciência.

-continua-



16b

‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)

- Comunicações d’Além Túmulo -


Publicada sob os auspícios da
União Espírita Suburbana
Rua Dias da Cruz 177, Méier

Officinas Graphicas d’A Noite
Rua do Carmo, 29
1918
-continuação-

Bonifácio V, papa



          Os seus dias na eternidade foram amargurados, tristíssimos, cheios de trevas, dores, lágrimas, ânsias e desesperos, tendo ali sofrido as maiores decepções e vergonhas, quando o seu espírito foi desmascarado perante o grande tribunal dos eleitos, que se reúne para julgar os que chegam da grande e perigosa jornada da vida terrena.

          Foram horríveis para o meu espírito essas horas, esses momentos em que vacilante, tímido, envergonhado, se apresentou perante o tribunal que tinha de julgá-lo diante do qual não pode negar, mentir e dissimular, como fizera perante os homens, ocultando-lhes a consciência criminosa, enegrecida pelos crimes hediondos que praticou na Terra, como homem e na qualidade de papa e chefe supremo do governo espiritual que lhe fora confiado e que não soubera honrar.

          Bonifácio V teve que confessar, perante Deus e os espíritos eleitos que o interrogaram, todos os seus crimes e, ao mesmo tempo, ouvir a sentença que dos lábios de um espírito puríssimo partia fulminando-o, estigmatizando-o, marcando lhe a fronte com o ferrete ignominioso da maldição!

          Deus, porém, tendo notado o meu desejo sincero de arrepender-me e também de reparar as faltas cometidas, fez cessar o meu martírio, concedendo-me voltar em novas encarnações para expurgar o meu espírito, sofrendo o que fiz sofrer os outros, submetendo-me a duríssimas provações que, se não fossem a Misericórdia e o Amor Infinitos, que jamais me abandonaram, certamente o meu espírito teria sucumbido em meio do caminho.

          Mas, graças a essa proteção e amparo divinos, venci essas dificuldades, merecendo a graça de viver na luz, podendo hoje apresentar-me diante de vós cercado dessa mesma luz, para dizer-vos em nome de Deus:

          Meus amigos, sede sempre honestos, jamais abuseis do que não é vosso. Não vos apodereis do alheio; não arrasteis os vossos irmãos para o caminho do crime, tornando-os cúmplices nos vossos erros e faltas; não abuseis da confiança que em vós outros depositarem amigos e companheiros; fugi sempre das ambições desmedidas; contentai-vos com o que tiverdes; jamais procureis enriquecer por meios ilícitos, lembrando-vos de  que as riquezas da Terra são efêmeras, desaparecem com a morte, não valendo, portanto, a pena qualquer sacrifício vosso ou do vosso irmão e semelhante para possuí-la.

          Deveis ambicionar as riquezas morais; estas são eternas, nunca se extinguem e acompanham o espírito por toda a eternidade.

          É por essa riqueza que deveis fazer todos os sacrifícios, envidar todos os esforços; só esse tesouro é digno de sofrimentos e dedicações. Tudo mais é efêmero, meus amigos e irmãos, tudo é falso e enganador.

          Quem vos fala, quem vos aconselha, sofreu os maiores martírios, perdeu os mais cruéis tormentos por se ter apoderado do que lhe não pertencia; por isso, hoje corre pressuroso a avisar-vos para não cairdes no mesmo abismo em que se afundou a sua alma depois da morte, para que a vossa consciência não se transforme no inferno em que se tornou a consciência do papa Bonifácio V, que hoje vos visita alegre e satisfeito, por já ter pago tudo quanto devia a Deus e a Jesus, em sete existências aflitivas que cumpriu aqui no vosso planeta.

          Assim, pois, vos recomendo o maior respeito aos ensinamentos de Jesus, cuja doutrina não deveis abandonar jamais, tendo sempre em mente as sabias palavras do Mestre:

          “Perdoai até o infinito, para que também infinitamente se vos perdoe.”

          “Amai-vos uns aos outros.”

          “Não façais a outrem o que não desejeis que vos façam.”

          “Não mateis.”

          “Não furteis.”

          Se cumprirdes à risca estes ensinamentos, sereis felizes um dia na vida eterna, para onde parte neste instante o vosso irmão Bonifácio V, para pedir a Deus que vos assista com a luz da Sua graça e da Sua infinita misericórdia.

          Adeus.
Bonifácio V, papa

Novembro de 1916

Bonifácio V
68º papa - 23/12/619 a 25/10/625

Informações complementares

            Em 619, toda a Terra Santa já se encontrava sob o domínio dos persas que só foram expulsos em 627. Maomé e o Islamismo varreram o mundo árabe desde 620. O inimigo externo aproximou os reinos europeus e a igreja de Roma mas desfez o mar mediterrâneo como ‘lago cristão’.
            Bonifácio V , na tentativa de estender seu poder ao mundo civil, determinou que todo celerado poderia se asilar numa igreja e de lá não poderia ser retirado, qualquer que fosse o crime a ele atribuído.

Fontes: ‘Santos e Pecadores’ por Eamon Duffy (Ed. Cosac & Naify – 1998)
et ‘Os Crimes dos Papas’ por Maurice Lachatre (Ed. Madras 2005)

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