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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

As novas "descobertas" dos negadores do Espírito


As novas “descobertas” dos negadores do Espírito
Vinélius Di Marco (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Agosto 1974

            O  Espiritismo tem mantido admirável posição de serenidade diante dos velhos adversários, que repetem sempre as mesmas frivolidades, à guisa de combate, com a
coragem renitente de um D. Quixote irritado com os moinhos de vento, despreocupados na sua faina benigna de realizar a metamorfose do trigo em alvinitente farinha.

            Os parapsicólogos conseguiram ficar na moda, reproduzindo o sucesso inicial da Metapsíquica, que “não encontrava uma saída ou uma fórmula para desbancar o Espírito, e havendo muitos metapsiquistas de feição espírita, o nome ficou desacreditado. Criou-se então outro nome; deram jeito à Ciência, por maneira a crer-se que tudo isto que se tem como proveniente de mortos não passa de projeções do inconsciente”. Isto foi escrito pelo sempre lembrado confrade Carlos Imbassahy.

            Os novos metapsiquistas, que se denominam parapsicólogos, também não querem saber do Espírito, porque inventaram que a mente e o inconsciente realizam espetáculos mais agradáveis ao gosto moderno.

            Não faz muito tempo, apareceu nas livrarias o volumoso livro de bolso “Psychic
Discoveries Behind the Iron Curtain”, de Sheila Ostrander e Lynn Schroeder, e editado
pela “Bantam Books”. O capítulo 16, que começa na página 20ª, é dedicado à “Kirlian”,
câmara inventada pelo soviético Semyon Davidovich Kirlian, destinada a fotografar a
aura humana. O jornal carioca “O Globo”, de 9 de maio último, e o programa “Fantástico”, de 7 de julho, da TV Globo, trataram do assunto, informando que seria realizado, no Rio e em Niterói, um curso de fenomenologia paranormal. Quer dizer que a notável descoberta do inteligente soviético já chegou a estas paragens. Mas ele não sabe se deve considerar-se “inventor” ou “descobridor”. Talvez essa cruciante dúvida ainda perdure... Semyon Davidovich é um homem prático, mas também um interessante romântico, pois disse, com a maior seriedade, que o seu “invento” ou “descoberta” é “uma janela para o desconhecido”. Apenas não revelou o segredo: a janela já foi aberta, ou permanece fechada? A doutrina marxista é contra o sobrenatural. O Espiritismo também. Na Rússia, não diremos o povo, em si, mas os dirigentes não querem saber de nada que possa ter caráter religioso. Por isso, aceitaram a Parapsicologia, porque nela, segundo os ortodoxos, pelo menos, não há Deus, não há Jesus, não há alma. Em compensação, tudo isso é substituído pelo poder mágico da mente. Para eles, a mente não mente, é expressão da verdade parapsicológica. Mesmo assim, ainda há, na própria Rússia, os que não vão muito com a Parapsicologia.

            Na questão da aura humana, “descoberta” ou “inventada” por Semyon Davidovich Kirlian, os resultados foram por eles reputados surpreendentes. Fotografar a aura humana? Como teria sido isso possível? Devem ser essas as perguntas dos mais infensos aos mistérios do “sobrenatural”. E ainda há quem duvide que semelhante “descoberta” ou “invenção” tenha sido mesmo realidade. Nós não podemos duvidar porque a nossa certeza é antiga e consolidada.

            Em 1927, o ilustre Raoul Montandon, estudioso suíço que se dedicou apaixonadamente aos problemas psíquicos, publicou volumoso livro, editado pela Librairie Félix Alcan, com o seguinte título: “Les Radiations Humaines - Introduction a Ia démonstration expérimentale de l'existence des corps subtils de l'homme, avec 46 figures dans le texte et 26 planches”. Obra verdadeiramente notável, pelos estudos do conspícuo autor, aprofunda-se nas experiências realizadas sob absoluto controle científico, antecipando-se quase meio século das conquistas soviéticas, até mesmo nas fotografias da aura humana, fotografias comuns, sem mistério algum, como, por exemplo, as das mãos de M. Majewski, médium curador, da Sra. Issaeff, do Dr. Bertholet e de outros.

            A bem dizer, não há nada de tão espantoso na “descoberta” ou “invenção” de Semyon Davidovich. Ele se refere a “campos-psi”, influenciado talvez pela expressão “campos de força”, usada por certos físicos. O nosso ilustrado confrade Hernani Guimarães Andrade também já construiu um aparelho para ver e fotografar o espectro ectoplásmico dos Espíritos, o TEEM (Tensionador Espacial Electromagnético), com resultados satisfatórios.

            E seus estudos continuam. Trata-se de pessoa idônea, avessa a ruídos em torno do seu nome, que tem condições para dar ótimas contribuições à ciência pelas pesquisas que vem fazendo. Apenas uma restrição temos a, lhe opor, com todo o respeito que ele merece: é o uso sistemático da terminologia parapsicológica. Não obstante, é confortadora a opinião que desassombradamente sustenta de que considera a “linha científica do Espiritismo” como “a maior contribuição deste século, obtida por via mediúnica, para a solução do problema da natureza do homem, hoje tão focalizado pela Parapsicologia”. Como complemento dessa afirmação, acrescenta: “Fica aqui consignada, a título de registro e endossada por mim, a seguinte previsão: as obras de André Luiz, psicografadas por Francisco Cândido Xavier, serão, futuramente, objeto de estudo sério e efetivo nas maiores universidades do mundo, e consideradas como a mais perfeita informação acerca da natureza do homem e da sua vida após a morte do corpo físico” “A Matéria Psi”, editora “O Clarim”, Matão).

            Pois bem. Esse respeitável confrade, tão devotado à ciência, não encontrou ainda quem, animado do mesmo elevado propósito de desenvolver estudos tão importantes, pretendesse dar-lhe apoio e colaboração. Suas ligações com parapsicólogos, por isso mesmo, talvez, tendem a estreitar-se cada vez mais e um deles, da Belk Research Foundation, informado da construção inicial do TEEM, aconselhou-o a estagiar em uma empresa subsidiária da NASA, nos Estados Unidos. Ele, porém, graças a Deus preferiu ficar no Brasil.

            O que o Espiritismo já conseguiu relativamente a provas científicas da realidade espiritual e mediúnica está muito além da situação que a Parapsicologia desfruta.

            Concordamos plenamente com Hernani Guimarães Andrade, quando assegura que os parapsicólogos estão precisando muito da série ‘Nosso Lar’. E o mundo todo carece urgentemente das obras de Emmanuel”. Embora não milite, conforme disse, “nas respeitáveis fileiras do Espiritismo religioso”, acha ele que os parapsicólogos necessitam das obras de André Luiz e Emmanuel, cujo conteúdo religioso é inegável. Apanhamos, a esmo, “No Mundo Maior”, de André Luiz, e abrimos o capítulo V: ‘O poder do Amor’, que é, realmente, um hino ao amor, que é todo amor, substancialmente amor. Nele encontramos, entre muitas outras, frases como esta: “O conhecimento pode pouquíssimo, comparado com o muito que o amor pode sempre”; “O fundamento da obra divina é de amor incomensurável”; “Praza a Deus, André, possamos também aprender a amar, adquirindo o poder de transformar os corações; “O coração está cheio de poder renovador”.

            No prefácio, Emmanuel, sempre amoroso e terno, pondera: “A missão de André Luiz é, porém, a de revelar os tesouros de que somos herdeiros felizes na Eternidade, riquezas imperecíveis, em cuja posse jamais entraremos sem a indispensável aquisição de Sabedoria e do Amor”.

            Soviéticos ou não, nenhum parapsícólogo avançará sem reconhecer a existência e o poder do Espírito, isto é, da Alma, porque a mente nada mais é do que um atributo, se 
assim podemos dizer, do Espírito ou Alma.

            Sem Espírito não haverá mente. O resto é ilusão e confusão. Não se pode pretender que um materialista ceda ante os fatos irretorquíveis das manifestações dos Espíritos. Não. Ele engendrará mil argumentos, mil artifícios, mil sofismas, empregará termos exóticos e complicados, recorrerá a raciocínios enigmáticos, alongar-se-á em argumentos que a nada conduzirão e concluirá, orgulhoso, que o seu ponto de vista está certo, desprezando ‘ab-initio’ a mais lúcida e irrespondível argumentação do contrário. Quando os antagonistas do Espiritismo não invocam o surrado chavão da fraude, escudam-se no pretexto da mistificação, da sugestão, etc. Os russos começaram negando fortemente a possibilidade da telepatia. Hoje, resmungando, já a admitem. Piano, piano si va lontano...

            As grandes novidades parapsicológicas não nos surpreendem. O tempo se encarregará de provocar mudanças. O Espiritismo não tem pressa, porque os Espíritos estão a par das tribulações dos que o negam. Louise Rhine, esposa do famoso J. B. Rhine, que prefaciou seu livro “Canais Ocultos do Espírito”, depois de narrar certo fato, teve estas palavras significativas, que grifamos: “Todavia, por outro lado, não é possível dizer que o morto não tomou parte nessas experiências. Talvez por algum meio obscuro provocou o sonho. Afinal de contas, seria de presumir desejasse tornar conhecido a quem teve o sonho o teor respectivo” (página 238). Relutante, embora, e isto é natural, tropeçando no ‘psi’, ela alude a experiências parapsicológicas em laboratório, considerando: “Essas aptidões ou qualidades, em si mesmas, são de ordem espiritual, se com este termo exprimirmos o extra físico. Talvez seja a primeira prova evidente produzida pela idade científica.”

            Que se poderá inferir do que foi dito neste artigo, senão que a Parapsicologia, se quiser sobreviver, terá de ir cedendo, paulatinamente, a mão à palmatória, reconhecendo, como deixa entrever Louise Rhine, que o Espiritismo permanecerá incólume às teorias que pretenderem substituir os ensinamentos dos Espíritos? 

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