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sábado, 17 de dezembro de 2016

A Lição do Passado



A lição do passado 
por Leopoldo Machado
Reformador (FEB) Dezembro 1938

            A mísera viúva, moça e doente, com oito filhos, afora um por nascer, contou-nos sua historia:

            - Vivi sempre feliz, embora pobre, no meu lar. Tinha o suficiente para viver, tendo, mais do que isso, para a minha felicidade: o amor e a assistência do meu marido. Quando menos esperava, morreu ele de congestão cerebral. Fora ultimar a escrita comercial da casa de que era empregado e morreu a trabalhar. Fiquei na miséria, com os filhos! À noite, quando os vejo, uns doentes, outros famintos, todos na miséria, choro e me desespero. Descreio da justiça e misericórdia de Deus e penso no suicídio.

            - Para agravar a sua situação, Deus existe e é justo e misericordioso, não tenha dúvida disto.

            - Fazendo uma pobre viúva assim, com oito filhos famintos e mais um por nascer?

            - Aí está a sua infinita justiça e a sua grande misericórdia.

            - Não compreendo.

            - Ouça, pois, esta ligeira história: Era um mau chefe de família, mau esposo e mau pai. Abandonava a esposa e os filhos, a conselhos de maus amigos, pela taverna, pelo jogo, pela esbórnia. Sempre indiferente aos rogos e às lágrimas da esposa, às necessidades e apelos dos filhos, só aos amigos de vício atendia. E, com os amigos viciados, gastava tudo, consumia quanto ganhava...

            A notícia dos seus crimes chegou aos ouvidos do juiz da terra, que castigou de modo que parece bárbaro, mas que é justo e misericordioso, o mau esposo e pai, bem como os amigos que o desviaram. Tirou-lhes tudo quanto possuíam e condenou o mau pai e esposo a uma vida miserável, em que precisa trabalhar para viver, e, das sobras do pouco de que dispunha, viverem os amigos que o transviaram. Se, ontem, viveram, explorando-o, de seus recursos, dos recursos que ele sonegava à esposa e aos filhos, era justo vivessem agora, parasitariamente, de suas miseráveis sobras....

            - Realmente, para um esposo e pai deste jeito, para amigos dessa qualidade, só mesmo a justiça de um juiz assim... Não vejo, entretanto, porque me conta esta história...

            - Conto-lhe, porque é a sua história e para que compreenda que está sendo, - É a verdade. É o que nos ensina a lei da reencarnação, a única de molde a fazer que as criaturas compreendam, no estado em que a senhora está, a sua situação, sem maldizer da justiça e da misericórdia de Deus, sem pensar em suicídios. Antes, bendizendo a sua misericórdia e justiça e abençoando quanto de sofrimento lhe sobrevier.

            - Onde e como poderei sabe-Ia?


            - Estudando o Espiritismo. Estude, procurando compreendê-lo e senti-lo, e aí encontrará as forças que lhe faltam para carregar a sua cruz de nove braços - a sua vida de martírios com os seus nove filhos! 


         

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