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domingo, 27 de janeiro de 2013

19. 'O Cristianismo do Cristo e o dos seus Vigários'





 19
 “O Cristianismo do Cristo
e o dos seus Vigários...
           
Autor: Padre Alta (Doutor pela Sorbonne)
Tradução de Guillon Ribeiro
1921
Ed. Federação Espírita Brasileira
Direitos cedidos pela Editores Vigot Frères, Paris




            Moisés, o homem de Deus, como lhe chama a Bíblia, merecia, pela transcendente santidade da sua alma, essa ciência transcendente e a ela seu Espírito se elevara pela lei mesma do ser, como uma chama muito pura se eleva no ar até ao éter puro, Ele conscientemente sabia o que a Natureza sabe inconscientemente e, para a vida física do seu povo, empregou as forças físicas superiores, do mesmo modo que para a instrução dos 70 profetas e que para o estabelecimento da sociedade e da religião hebraicas fez brilhar e falar no cume do Sinai a Luz Celestial.

            Ao cabo de alguns dias de marcha através do deserto, esgotaram-se as provisões trazidas do Egito; os fugitivos sentiam as mordeduras da fome e da sede. Descobrem água no lago de Mará, que significa "amargor" e o amargor que, de fato, possuía, a tornava impotável. Moisés, físico mais hábil do que os nossos doutores em ciências físicas, a transforma e o povo se dessedenta. No dia seguinte pela manhã, despertando sob os fulgores do esplêndido sol da África, toda aquela multidão esfomeada vê a areia do deserto juncada de uma neve singular, que se conservava resistente, sem se fundir, liquefazendo-se, apesar do intenso calor. Manú'! "Que é isto?" exclamam aqueles milhões de famintos. "É o pão que Deus vos fará cair do céu todos os dias, exceto aos sábados, responde Moisés; tomai e comei a provisão do dia; somente no sexto dia guardareis para o dia seguinte." E todo o povo apanhou o maná e o comeu. E, assim, durante os quarenta anos do Êxodo (12).

            (12)  Êxodo, XVI

            O nosso cepticismo talvez se sinta tentado a sorrir zombeteiramente dessa narrativa da Bíblia. Os mais inteligentes, os mais sábios do Instituto de França, quando da sua fundação, teriam, também eles, dado de ombros, se algum vidente lhes anunciara que, cem anos mais tarde, domesticaríamos o raio e lhes falara da telegrafia sem fio. Então, como hoje, a eletricidade existia na atmosfera terrestre, mas os sábios lhe ignoravam a manipulação. Como a eletricidade, como o magnetismo, que ainda por mais tempo a ciência oficial contestou, a força de vida vegetativa também existe no ar que alimenta as plantas e as árvores. Os nossos
sábios procuram hoje, sem o encontrarem, um meio da condensar essa força, para alimentar com ela o homem de um alimento físico-químico, que suprimisse carnes e legumes, cozinhas e cozinheiros. Moisés, muito simplesmente iluminado pela luz divina, se antecipou à ciência e condensou essa força de vida no maná com que nutriu o seu povo, enquanto o conduziu através do deserto.

            Mas, o maná de Moisés alimentava a vida do corpo nas condições excepcionais criadas pelo êxodo do povo hebreu através do deserto. Para a vida, o trabalho é uma lei necessária à formação intelectual e moral dos indivíduos em sociedade humana, neste mundo. Por isso é que a ciência e a civilização criam mais necessidades, em vez de as diminuir. A religião igualmente tem por função desenvolver e satisfazer em nós as exigências superiores da animalidade humana. Somos almas, Espíritos encerrados em corpos de carne. Tornemo-nos, pois, conscientes, Senhoras e Senhores, eu vos peço, dessa vida espiritual que se ignora, ah! tão escondida ela se acha no corpo e tão absorvidos nos encontramos pela vida material. A alma é que é vida e não o corpo, e o amor de Deus é que é a vida da alma. Tal, Senhoras e Senhores, a razão cio Cristianismo e tal o Cristianismo da Razão.




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