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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

1. 'O Cristianismo do Cristo e o dos seus vigários'




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 “O Cristianismo do Cristo
e o dos seus Vigários...
           
Autor: Padre Alta (Doutor pela Sorbonne)
Tradução de Guillon Ribeiro
1921
Ed. Federação Espírita Brasileira
Direitos cedidos pela Editores Vigot Frères, Paris


SOBRE A OBRA E O AUTOR

            O título da presente obra permite, como só muito raramente sucede, se faça ideia bastante aproximada, senão de todo exata, da matéria nela explanada, do objetivo que colima e, portanto, do seu valor e da sua importância, sobretudo no momento atual, em que se verifica o evento, realmente grandioso, da revivescência, na sua primitiva pureza, do Cristianismo do Cristo, desde tantos séculos substituído pelo dos que se proclamaram seus vigários.

            Demais, a lhe encarecer o valor, que reputamos alto, e a importância, que excepcional nos parece, sobressai a circunstância de ter sido o Autor um homem de talento, pensador e filósofo de invulgar erudição, comprovada por trabalhos vários de grande fôlego, e que, ao elaborar este, ainda tinha a vantagem da posição de onde lhe era dado submeter, como submeteu, a uma análise ampla e rigorosa, mesmo exaustiva, os fatos e os textos que lhe traçavam o caminho conducente à meta visada. Essa posição era a de sacerdote romano, profundo conhecedor da teologia católica e de todas as obras e escritos em que a Igreja de Roma baseia as suas interpretações do Velho e do Novo Testamentos, amoldando-os ao seu ponto de vista: o da instituição de um cesarismo religioso, melhor acabado, pelo aspecto liberticida, do que todos os cesarismos políticos, havidos e por haver...

            Sacerdote romano, mas consciência emancipada, espírito independente e amante ardoroso da Verdade, dispunha ele, a par de vasta cultura científica, aqui evidenciada a cada passo, de todos os elementos para, aproveitando-os com inteligência e seguro critério, apreciar a série longa de transformações e adulterações mediante as quais o Cristianismo apostólico se mudou em Cristianismo romanista.

            Tanto basta para exprimir o alcance da obra de que falamos, como basta, para marcar a oportunidade da publicação em nosso país que, cada dia mais, se vai tornando, sem embargo das leis severas que regulam a entrada de estrangeiros nas terras do Brasil, viveiro inigualável de toda a enorme clerezia que, impossibilitada de permanecer no seio de outras nações, assim do velho como do novo continente, se encaminha para aqui onde, graças à nossa tradicional negligência com o que mais nos devera interessar, terreno propício encontra às suas lucrativas atividades, favorecidas ainda por toda sorte de privilégios e isenções.

            Todavia, por melhor darmos a ver, antecipadamente, o que é, em substância, o "Cristianismo do Cristo e o dos Seus Vigários", diremos que, partindo da afirmativa de que não há mister se sonhe hoje com "uma nova religião", após tantas religiões velhas que morreram, ou ainda vivem, mas de vida vegetativa, o Autor se propôs demonstrar que uma análise imparcial, não imperfeita, de todo o material acumulado no campo religioso, leva à descoberta de que, sob todas as formas das diversas religiões que disputam, há milênios, a docilidade humana, uma mesma e única Religião fundamental existe, como pensavam os primeiros filósofos cristãos: Clemente de Alexandria, Ammonius Saccas e Orígenes, doutrina que devera ser a de todo espírito que crê num Deus único e, principalmente, a dos que que atribuem a origem da Religião a uma revelação única, feita pelo mesmo Deus único, à mesma Humanidade única, desde o primeiro dia da história da Humanidade neste mundo.

            Como com facilidade se pode reconhecer, é isso o que ressalta dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus-Cristo, em espírito e verdade, e o que claramente mostra o Espiritismo que, fazendo reviver o Cristianismo, qual o pregou e exemplificou o seu divino fundador, mas liberto das então necessárias obscuridades da letra, objetiva, primacialmente, conduzir em definitiva o homem a tudo compreender e sentir, firmado na crença inabalável, por derivada de convicções profundas, na existência de um Deus único, com todos os atributos de perfeição absoluta, segundo o revelou o seu Messias, prometido desde épocas remotíssimas à mesma Humanidade terrena.

            Em face do que vimos de expender, podemos acrescentar que, tendo por ponto de partida a assertiva que acima citamos, o Padre Alta, ao alcançar o termo desta sua obra, depois de haver mostrado, através da formação sucessiva das igrejas e dos dogmas, a deformação progressiva da Religião do Cristo, deixou patente que essa religião, por efeito da seiva divina que desde sempre a vivificou, não poderia de modo algum perecer, nem desaparecer, visto que nela está tudo, o que constitui "a religião". E, como somente ela corresponde plenamente aos anseios de todos os espíritos que, no seu dizer, desejam a religião do espírito, de todos os corações que anelam pela religião do coração; como somente ela a esses pode congregar, unindo-os acima dos sectarismos e explorações, ainda segundo as suas próprias palavras, implicitamente demonstrou que nos dias atuais ressurge o verdadeiro Cristianismo, o do Cristo, dado que outras não são, diversas daquelas, as características com que se apresenta o Espiritismo.

            Iniciando a sua análise, que é formidável e minuciosa, conforme a denunciam os simples títulos dos vinte capítulos em que a obra se desenvolve, pelo estudo da preparação providencial do Cristianismo, chega ele no último, ao que chama a questão decisiva e assim resume:

            "A missão do clero não é impor a sua autoridade. ("A ninguém chameis mestre; um único é o vosso mestre, o Cristo.") A missão do clero é instruir-se cada vez melhor e devotar-se cada vez mais. ("Aquele dentre vós que quiser ser o primeiro faça-se o servo de todos,") O clero desceu a encosta dos arrastamentos humanos; cumpre-lhe subir por onde desceu, Transformar-se ou perecer, tal o dilema que o progresso da liberdade e da ciência impõe a todas as igrejas e, em primeiro lugar, à Igreja Romana que, sendo a mais poderosa, tem maiores responsabilidades."

            Pouco adiante, na Conclusão, faz ver a que preço unicamente o Cristianismo se tornará Catolicismo, isto é, Universalismo, e como cada uma das diferentes árvores do jardim do Cristo se tornará a árvore prometida no Evangelho, árvore onde os pássaros do céu farão seus ninhos, conforme diz Mateus (XIII, 32).

            Embora sumária, como aliás não podia deixar de ser, esta notícia, cremos, faculta uma ligeira ideia da excelência e da relevância doutrinária de que se revestem, para um estudo aprofundado do Espiritismo-cristão, ou Cristianismo-espírita, as conferências que sobre o Cristianismo do Cristo e o dos seus vigários fez o Padre Alta e reuniu em volume, formando esta obra magistral que ele rematou com as seguintes palavras do Apocalipse: 

            "Ouça, aquele que tiver ouvidos de ouvir, o que diz o Espírito às Igrejas, pois que está próximo o tempo!"



7 comentários:

  1. Meu irmão, onde eu consigo esta obra?

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  2. Entendo eu que ainda está no Catálogo da FEB. Se não encontrar lá sugiro buscar na Livronauta ou na Estante Virtual,. São sites de venda de livros usados q se alcança via Google. Já comprei centenas de livros com eles de diferentes livreiros e só tive 'problemas' uma única vez. Fique com Deus,

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    1. Muito obrigado pela presteza em me responder, pelas informações e atenção. Fique com Deus também.

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  3. encontrei em um ferro-velho êste livro em 2010 ,trouxe prá casa mas,não li naquele ano.Agora estou lendo com bastante atenção e estou vendo com que profundidade o Padre Alta trata todas as nossas dúvidas até então.Maravilhosa a obra que já tem nada mais ou nada menos cem anos de idade...

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  4. Sem dúvida, trata-se de um livro precioso esse do Padre Alta. Nessa linha, se você me permite uma sugestão, leia também o 'Roma e o Evangelho' de D. José Amigó y Pellicer. Também é editado pela FEB. Infelizmente, o marketing de algumas editoras ditas espíritas nos levam a dar preferência a obras sem valor doutrinário como tantas com que nos deparamos por aí. Assim, o precioso e o clássico ficam esquecidos. Fique com Deus e boas leituras.

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  5. Apresento a vocês o meu trabalho Vade Mecum Espírita acabei de catalogar esta obra em uma apostila sobre inspiração. www.vademecumespirita.com.br

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  6. Conhecemos o trabalho de vocês há décadas. Já se incorporou à história do Espiritismo no Brasil. Parabéns!

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