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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Vozes do Alto

Vozes do Alto
Camille F.
Reformador (FEB) Fevereiro 1956

Só o Espírito pode demonstrar o Espírito

Da revista espírita L'Heure d'Être, editada na França, extraímos, do número de Novembro de 1951, a mensagem assinada por Camille F. que deve ser, sem dúvida alguma, do Espírito que, no plano da carne, era Camilo Flammarion, o astrônomo de Juvissy, subúrbio de Paris. Ei-la:

"Neste mundo de paz, de azul, de luz, de flores, minha alma é transportada em direção ao verdadeiro alvo da existência infinita, e não é mais como poeta amigo das estrelas e da imensidade azul do Universo mas é em essência que eu vivo. Essência  que se move, se conhece e experimenta, caminha passo a passo, penivelmente, mas com fé e progressão, em direção ao alvo - O AMOR PURO - centro, força e razão de ser de todo o movimento de VIDA.

Contudo, pressentindo a imensidade da grandeza que nos invade, contudo, possuindo uma fé intuitiva, o meu ser representou, em vida, apenas, um trabalhador inconsciente para uma causa consciente, um sonhador instintivo que, sedento de outros mundos, de pureza, de amor, de paz, conseguiu captar a possível realidade de existências para mitigar uma sede de justiça e de conhecimentos que, como no mais profundo de todo coração humano, foi, também, um archote vivo no mais recôndito de meu ser.

Depois, sobreveio a grande passagem.

Só, isolado, pesquisador vibrando de ardente intuição que estava em mim, tive que vencer uma longa e angustiosa luta interior no momento da passagem suprema.

Parti banhado de luz, de sons, de cores, de vozes, de flores, para encontrar-me, depois da passagem numa obscuridade latente de sensações físicas, visuais e morais.

Fui à procura de mim mesmo por via de profundas concepções feitas de observações objetivas de tudo o que me cercava.

Pouco a pouco produziu-se em mim a compreensão, um conhecimento pela penetração e não pela objeção.

Ao sonhador, seguiu-se o pesquisador, o realizador.

Hoje, após tantos anos, comparo-me a uma criança perdida em um oceano de sensações contraditórias que meu espírito ainda nem sequer compreendeu, nem concebeu.

Agitado por tantos acontecimentos, por tantas claridades deslumbrantes, minha vista sensitiva começa, apenas, a orientar-se e a governar-se. Por isso, chego raras vezes até vós, que deixei sobre a Terra.

Eu desejava levar até vós, não mais hipóteses, mas sim reais certezas de uma vida em continuação e infinita, sabendo, por experiência pessoal, que os homens andam à cata desta certeza por meio de provas - por assim dizer - materiais ou físicas.

Jamais vos convencerei, porque não se podem dar provas materiais ou físicas de uma realidade espiritual, sendo necessário que a essência tome consciência da penetração da essência. A matéria pode demonstrar a matéria, "Só o Espírito pode demonstrar o Espírito".

Eis porque, em diferentes manifestações, não se deve jamais querer procurar as provas idênticas de existência.

Por isso, também nas manifestações – assim chamadas - "físicas", de mesas, escritas, vozes diretas, transportes, etc. é somente através do espírito da manifestação que podereis encontrar uma certeza, e não através da própria manifestação.

Por todas estas razões, tenho esperado longamente. As minhas peregrinações nunca terão fim, porque, sendo a vida, em si, infinita e ilimitada, a minha alma navega num oceano infinito de conquistas (aquisições) (o grifo é nosso) particulares a fim de chegar ao universo estrelado de uma constelação integral e cada vez mais completa, até fundir-se, um dia, como o meu espírito o aspira, ao princípio único, divino e criador na infinita extensão da vida cósmica,

Eu voltarei, Paz,
Vosso

Camille F.” (Max  Kohleisen traduziu)

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