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sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Sonho de Salom Alejhem


O Sonho de Salom Alejhem
Cristiano Agarido (Ismael Gomes Braga)
Reformador (FEB) Fevereiro 1956

O mais primoroso escritor da nova literatura israelita publicou seus livros sob o pseudônimo de SaIom Alejhem, que significa "Paz seja convosco”.

Num primoroso livrinho com o título “Igual para todos”, conta ele uma história que tentaremos resumir aqui.

Os homens viviam descontentes e preocupados com as desigualdades monetárias: uns possuíam bilhões, enquanto outros nunca tinham um níquel. Resolveram dirigir a Deus uma petição, para que fosse reunido todo o dinheiro
existente no mundo e redistribuído em partes iguais para cada ser humano. Deus deferiu o pedido e mandou à Terra anjos que tomaram formas humanas e executaram o mandato. Todo o dinheiro foi reunido e distribuído. Coube cinco milhões de rublos a cada ser humano. Um casal com oito filhos recebeu logo cinquenta milhões; um casal sem filhos, apenas dez milhões; um celibatário, cinco milhões. Houve imenso regozijo no primeiro momento; mas todos os camponeses abandonaram a lavoura, os operários deixaram as construções no ponto em que se achavam, os ferroviários paralisaram todo o tráfego, as lojas não se abriram, os coveiros deixaram a enxada, os padeiros não acenderam os fornos, os professores despediram seus alunos, as cozinheiras correram para a rua.

Toda a população saiu para as ruas à procura de alimentos, mas o mercado estava fechado. Uma pobre velha conseguira assar pães para levar aos netos. Quiseram comprar-lhe os pães, porém ela se recusou a vender. Tomaram a cesta por violência e espancaram a anciã. Um popular arrombou a porta de um açougue e foi morto pelo machado do açougueiro. Toda a multidão atacou os açougues e os machados entraram em ação: houve uma carnificina no bairro dos açougueiros.

A população faminta atacava para tomar de assalto os restos de alimentos que sobejaram da véspera. Cada ser humano se tornou uma fera e o mundo, um inferno.

Então Meier, o único sábio que se opusera à petição, explicou:

- Está muito longe ainda o tempo em que o homem agirá pelo coração e pela inteligência; por enquanto ele se comporta apenas como o animal, somente o estômago o dirige; só o medo da fome o leva a produzir alguma coisa.

Não merece ainda mais do que a escravidão em que vive. O seu egoísmo o isola de todos os outros e não reconhece nenhuma solidariedade.

Só como escravo ele colabora para o bem geral.

Infelizmente, Meier tem razão. São raríssimos os indivíduos capazes de fazer alguma coisa por amor, por ideal de solidariedade. Quase ninguém percebe a interdependência existente entre os seres.

O Espiritismo nos vem revelar outro aspecto desse mesmo problema.

No plano espiritual próximo da Terra, já livre do aguilhão da fome, o Espírito age por amor ou por ódio ou fica ocioso. Agindo por amor sente-se feliz, cria um céu em seu próprio ser; agindo por ódio, cria um inferno; ficando ocioso sofre tédio e desespero que o impelem a agir, a criar seu céu ou seu inferno.


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