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domingo, 21 de maio de 2017

Da Esperança à certeza da Imortalidade



Da Esperança  à certeza da Imortalidade 
por Kleber Harfeld

Reformador (FEB) Julho 1994


            - Corresponderia semelhante afirmativa a realidade por parte do eminente fisiologista?

            João Teixeira de Paula, em sua obra "Enciclopédia de Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo", escreve ser atualmente Metapsíquica (recorde-se que Richet escreveu um tratado sobre essa matéria) termo que

            "muitos autores condenam, já por não corresponder à verdade etimológica, já
mesmo por não corresponder der à ideia que lhe quis dar o criador. Aliás o próprio Richet, ou por considerar melhor o assunto, ou por acatar a crítica dos entendidos, reconheceu, muito mais tarde (o que poucos leitores hão percebido), não ser absolutamente correta a palavra
".

            Entretanto, ao mar o termo, baseara-se ele em Aristóteles, pois escreveu:

            "Em 1905 propus o termo metapsíquica, que foi unanimemente aceito. Tem ele por si (o que não é para desprezar) a autoridade de Aristóteles. Tendo tratado Aristóteles das forças física, quis escrever em seguida um capítulo acerca das grandes leis da natureza, as quais ultrapassam as as coisas da física e chamou então o livro: Além das coisas física (Meta ta fisick).  

            Atentos às definições levantadas por Richet à Metapsíquica, podemos imaginar hoje que ao criá-la, definindo-a de acordo com seu entendimento e escorado no grande sábio da Antiguidade, terá suscitado à época um questionamento:

            - O que seriam em realidade as "forças que parece serem inteligentes (...) ou poderes desconhecidos latentes na inteligência humana", forças e poderes que influíam em variados fenômenos? (Logicamente deveriam divergir as opiniões, sobretudo se considerarmos nesse tempo a existência do Espiritismo como doutrina codificada.)

            É verdade, não deixou Richet de referir-se ao Espiritismo. Em seu trabalho "O sexto sentido" (já mencionado) no livro IV, dissertando a respeito das hipóteses da telepatia, da vibração da realidade, da criptestesia pragmática, da hiperestesia, entra ele na área espírita, embora sempre aduzindo algumas ressalvas:

            "( ... ) Assim, pois, para nós prolongar esta discussão, poderíamos classificar os fatos da maneira seguinte, sob o ponto de vista da hipótese espírita:

            1º)  Casos nos quais tanto pode admitir a hipótese espírita como a hipótese de uma vibração da realidade. Todas as alucinações e sonhos verídicos fazem parte desse grupo. Demais a hipótese do sexto sentido não está absolutamente em desacordo com a hipótese espírita.

            2º)  Casos - pouco numerosos - nos quais a hipótese espírita é a mais cômoda, mas também podem ser explicados pelo sexto sentido.

            3º)  Casos numerosíssimos, os mais numerosos certamente, nos quais nenhuma hipótese espírita pode ser seriamente invocada, não comportando outra explicação senão a da existência  de um sexto sentido, isto é, a percepção de certas vibrações (desconhecidas) da realidade.

            Eis por que me parece não dar fé a hipótese espírita. Talvez chegue a tê-la algum dia (quem sabe?). Mas ela me parece ainda (pelo menos hoje) pouco provável, pois está em contradição (pelo menos aparente) com os dados mais precisos da fisiologia, enquanto que a hipótese do sexto sentido é uma noção fisiológica nova que não contradiz nada do que a fisiologia nos ensina.

            Portanto, conquanto em certos casos raros, o Espiritismo forneça uma explicação de aparência mais simples, não posso resolver-me a admiti-lo." (...)

            (Ressaltemos aqui a sincera franqueza do grande fisiologista.)

            O último parágrafo da obra "O sexto sentido" é bem curioso, deixando em nosso íntimo um mundo de divagações. Escreve Richet, incriminando um trabalho que levantou acirradas polêmicas:

            "Parece-me que o sexto sentido é uma pequena (extremamente pequena) janela aberta para essas forças misteriosas."

            Toda a inteligência desse sincero trabalhador, desse famoso fisiologista, todas as facilidades que teve no desempenho de suas atividades são ressaltadas por Humberto de Campos em sua obra "Crônicas de Além-Túmulo".

            Consoante observação que os próprios leitores já terão feito, tenho recorrido a esse fecundo autor espiritual quando da elaboração de trabalhos pertinentes a alguns vultos de projeção mundial. Assim aconteceu com estudos alusivos a D. Pedro II, Papa Pio XI, Marilyn Monroe, Tiradentes, Hauptmann, Erich von Ludendorff, e outros.

            Na apreciação, embora rápida, sobre a vida e obra do criador da Metapsíquica, e em particular com referência à sua passagem para o Plano Espiritual, usa o cronista de construções bem elucidativas (1).

(1) “Crônicas de Além Túmulo”, Capítulo ‘A passagem de Richet’, pelo médium Francisco Cândido Xavier, 11ª Ed. FEB

            Um diálogo estabelecido entre o "Senhor que toma lugar no tribunal de sua justiça" e um Anjo solicito às perquirições que lhe são dirigidas, e após menção feita àqueles que nos meados do século XIX partiram do Espaço prometendo trabalhar no plano terrestre no sentido de levantar o moral dos homens e suavizar-lhes as lutas. e depois de se referir a Charles Richet que era no Além "um inquieto investigador, com as suas análises incessantes, e que se comprometeu a servir aos ideais da Imortalidade adquirindo a fé que sempre lhe faltou", disserta o Anjo sobre as incontáveis facilidades concedidas ao detentor do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 1913.

            Finda a sua palavra, é inquirido:

            - E em matéria de espiritualidade (...), que lhe deram os meus emissários e de que forma retribuiu o seu espírito a essas dádivas?

            Escreve o Espírito Humberto de Campos:

            "-Nesse particular - exclamou solícito o Anjo, muito lhe foi dado. (...) Em Carqueiranne, em Milão e na ilha Roubaud, muitas claridades o bafejaram junto de Eusápia Paladino, quando seu gênio se entregava a observações positivas com os seus colegas Lodge, Myers e Sidgwick. De outras vezes, com Delanne, analisou as célebres experiências de Argel, que revolucionaram os ambientes intelectuais e materialistas da França, que então representava o cérebro da civilização ocidental.
            "Todos os portadores das vossas graças levaram as sementes da Verdade à sua poderosa organização psíquica, apelando para o seu coração, a fim de que ele afirmasse as realidades da sobrevivência; povoaram-lhe as noites de severas meditações, com as imagens maravilhosas das vossas verdades, porém, apenas conseguiram que ele descrevesse o ''Tratado de Metapsíquica" e um estudo proveitoso, a favor da concórdia humana, que lhe valeu o Prêmio Nobel (...), em 1913, (...)
            "(...) Dentro da espiritualidade, todos os seus trabalhos de Investigador se caracterizam pela dúvida que lhe martiriza a personalidade. Nunca pode, Senhor, encarar as verdades imortalistas senão como hipótese, mas o seu coração é generoso e sincero. Ultimamente, nas reflexões da velhice, o grande lutador se vejo inclinado para a fé, até hoje inacessível ao seu entendimento de estudioso. Os vossos mensageiros  conseguiram lapidar-lhe um trabalho profundo, que apareceu no Planeta como "A Grande Esperança" e, nestes últimos dias, sua formosa inteligência realizou para o mundo uma mensagem entusiástica em prol dos estudos espiritualistas.”

            Retorna a palavra ao Senhor, resolvendo este determinar ao Anjo a volta imediata de de Richet à Espiritual idade, justificando: "Se, após oitenta e cinco anos de existência na face da Terra, ele (Richet) não pode adquirir, com a sua ciência, a certeza da Imortalidade, é desnecessária a continuação da sua estada nesse mundo ." (Grifamos.)

            As palavras realmente são duras, embora plenas de realidade. Mas o Senhor promete a bênção de uma glória ao velho pesquisador:

            "Como recompensa aos seus esforços honestos em benefício dos irmãos em humanidade, quero dar-lhe agora, com o poder do meu amor, a centelha divina da crença, que a ciência planetária jamais lhe concedeu, nos seus labores ingratos e frios. "

            O retorno do eminente homem de ciência ao Plano Espiritual, cercado das presenças de Gabriel Delanne, Léon Denis, Camille Flammarion, e ainda de antigos colaboradores da "Revista dos Dois Mundos" e dos "Anais das Ciências Psíquicas " é deveras emocionante.

            Relata Humberto de Campos que o recém desencarnado, de início, tem impressão de estar regredindo no tempo, alcançando a época das materializações da Vila Cármen. Mas, ao mesmo tempo percebendo os próprios despojos, desperta para a grande realidade, sentindo claramente estar agora no Além, no mundo dos "verdadeiros v i vos".

            Continua o autor escrevendo que nesse momento urna voz suave e profunda, vinda do Infinito, ressoa no íntimo de Richet. Interpela da razão pela qual não afirmou ele a imortalidade para o mundo que acompanhava seu trabalho; fala das oportunidades materiais que lhe haviam sido outorgadas: considera, finalmente, da longa expectativa do mundo espiritual, esperançoso de que a fé pudesse emergir de seu coração. Entretanto, em contrapartida, recordando o esforço dele, Richet, e a sinceridade de seu coração em todos os dias de sua existência terrestre, na decifração de muitos enigmas dolorosos e ainda as torturas da morte que experimentara, embora o grande acervo de conhecimento haurido nos livros, considera em tom confortador:

            - E agora, premiando os teus labores eu te concedo os tesouros da fé que te faltou, na dolorosa estrada do mundo!

            E falando sobre um coração tocado de luminosidade infinita e misericordiosa, que as ciências nunca lhe haviam dado, termina o escritor espiritual escrevendo:


            "Formas luminosas e aéreas arrebatem-no pela estrada de éter da eternidade e, entre prantos de gratidão e de alegria, o apóstolo da ciência caminhou da grande esperança para a certeza divina da Imortalidade." (Grifamos.) 

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