Translate

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Erasmo (Desidério)


Erasmo (Desidério)
Autor não identificado pela revista Reformador (FEB)
Reformador (FEB) Fevereiro 1956

Erasmo, um dos mais eruditos escritores de sua época, nasceu em Roterdam, na Holanda em 1467. Foi o Voltaire do século XVI. Desencarnou na Suíça, em 1536, Na Inglaterra, Erasmo escreveu o Elogio da Loucura, obra que mereceu traduzida em inúmeras línguas.

Em sua obra - Manual do Soldado Cristão -, cremos que ainda não traduzida para o português, expõe a vacuidade do que, na religião católica, é simples forma, rito material, comparado com o espírito de sincera piedade apostólica.

Nos Colóquios, expõe a série de vícios e loucuras de padres, monges, exploradores de milagres e de relíquias e outras superstições e abusos.

Erasmo traduziu o Novo Testamento. Foi um escritor da língua latina, a qual, na sua pena, teve toda a vitalidade e frescor de um idioma vivo e usual, com um vocabulário riquíssimo, uma sintaxe cuidadosamente clássica e um estilo encantador.

Os trabalhos escritos e publicados por Erasmo formam a Biblioteca Erasmiana.

Dele escreveu um dos seus biógrafos: "O fundo do seu caráter era de um vivo sentimento: generoso de coração, caritativo, doce, trato urbano, constante na amizade."

Para conhecimento de um que outro leitor que lhe desconheça a obra, abaixo transcrevemos alguns trechos do seu famoso livro - Elogio da Loucura:

"Que é, afinal a vida humana? - Uma comédia. Cada qual aparece diferente de si mesma; cada qual representa o seu papel sempre mascarado, pelo menos enquanto o chefe dos comediantes não o faz descer do palco. O mesmo ator aparece sob várias figuras, e o que estava sentado no trono, soberbamente vestido, surge, em seguida, disfarçado em escravo, coberto por miseráveis andrajos. Para dizer a verdade, tudo neste mundo não passa de uma sombra e de uma aparência, mas o fato é que essa grande e longa comédia não pode ser representada de outra forma." 

...................................................................

Mas porque não falar dos que julgam que, em virtude dos perdões e das indulgências, não tem nenhuma dívida para com a divindade! Com a exatidão de uma clepsidra e da mesma maneira por que, matematicamente, sem receber erro de cálculo, medem os espaços, os séculos, os anos, os meses, os dias, - assim também, com essa espécie de falazes remissões, medem eles as horas do purgatório. Outra espécie de extravagantes é constituída pelos que, confiando em certos pequenos sinais exteriores de devoção, em certos palanflórios, em certas rezas que algum piedoso impostor inventou para se divertir ou por interesse, estão convencidos de que irão gozar uma inalterável felicidade, conquistar riquezas, obter honras, satisfazer determinados prazeres, nutrir-se bem, conservar-se sãos, viver longamente e levar uma velhice robusta. E como se isso não bastasse, ainda esperam poder ocupar no paraíso um posto elevado, porém, de só passarem ao número dos beatos tão tarde quanto possível. Pensam, então, chegado o tempo de voar por entre inefáveis e eternas delícias do céu, uma vez abandonados pelos bens da Terra, a que se aferram de todo o coração.

Persuadidos dos perdões e das indulgências, ao negociante, ao militar, ao juiz, basta lançar a uma bandeja uma pequena moeda, para ficarem tão limpos e tão puros dos seus numerosos roubos como quando saíram da pia batismal. Tantos falsos juramentos, tantas impurezas, tantas bebedeiras, tantas brigas, tantos assassínios, tantas imposturas, tantas perfídias, tantas traições, numa palavra, todos os delitos se redimem com um pouco de dinheiro, e de tal maneira se redimem que se julga poder voltar a cometer de novo toda sorte de más ações.

Paremos por aqui. Todo o livro é uma condenação aos costumes dos poderosos do seu tempo: bispos, cardeais, papas, fidalgos, príncipes e monarcas.


Nenhum comentário:

Postar um comentário