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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Idolatria


Idolatria
Martins Peralva
Reformador (FEB) Dezembro 1956

"Varões, por que fazeis essas coisas? -  ATOS.

Encontravam-se Barnabé e Paulo em Listra, pregando o Evangelho nascente e curando os enfermos, quando os habitantes da cidade, impressionados com os prodígios por eles operados em nome do Cristo, iniciaram estranho movimento de idolatria visando os servidores da Boa Nova.

A Barnabé chamavam Júpiter e a Paulo, Mercúrio, retribuindo-lhes, assim, a elevada condição de deuses.

Um sacerdote do Templo de Júpiter tentou até sacrificar animais ali mesmo, no local das pregações, ante os bandeirantes do Evangelho e em sua honra.

A perigosa e sutil iniciativa dos listrenses, embora inspirada na simplicidade, encontrou, contudo, imediata e enérgica repulsa da parte dos pregadores.

E não podia deixar de ser assim, uma vez que ambos, especialmente o sincero Apóstolo da Gentilidade, detestavam, qualquer tipo de idolatria.

Convencido das próprias limitações, que ainda lhes assinalavam o procedimento, realizavam a pregação em nome de Jesus-Cristo e para Jesus-Cristo faziam convergir o amor das populações que, através dos discursos e das curas, eram acordadas para o Evangelho do Reino.

Repelindo, energicamente, o leviano endeusamento, e possuídos de santa indignação rasgaram os vestidos e gritaram: "Varões, porque fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões."

Na censura dos pregadores, registrada por Lucas em Atos, identificamos uma mistura de revolta e tristeza, exteriorizando o indescritível mal-estar causado pela conduta dos habitantes de Listra.

O exemplo de Barnabé e Paulo deve servir de roteiro para os servidores de todas as épocas, especialmente da atualidade, quando o Cristianismo se restaura, gradativamente, sob as renovadoras claridades do Espiritismo, e quando o vírus do elogio indiscriminado se propaga, violentamente, em todos os setores.

Devemos cultivar - e difundir de modo incessante - a ideia de que Jesus é o motivo central do nosso esforço e o supremo objetivo de nossas humildes realizações.

Na caminhada ascensional, neste imenso educandário que é a Terra, o aprendizado é comum a todos, embora cada discípulo ocupe, realmente, diferente degrau na escala evolutiva.

Guardamos ainda, no dizer de Humberto de Campos, "suaves infantilidades no coração", o que significa dizer: porta aberta a equívocos geralmente lastimáveis.

Por que aceitar, pois, o operário do Bem, títulos de educação indevidos, se amanhã, nas bifurcações do caminho, no difícil momento dos testemunhos, reconheceremos a nossa condição deficitária de criaturas falíveis, sujeitas, como acentuaram Barnabé e Paulo, "às mesmas paixões”?

Deus é o vértice da nossa marcha.

E Jesus, Seu Dileto Filho, o ponto de convergência das nossas aspirações.

Glorificarmos a Deus e a Jesus através do serviço incessante no Bem, neste ou naquele setor, a fim de que o futuro nos dê, em bênçãos de amor e sabedoria, a Celeste Resposta ao nosso esforço - este sim, deve ser o supremo escopo das vidas que a Eles desejam consagrar-se.

Se nos é impossível, por agora, dar à nossa vida o sentido apostólico que assinalou a trajetória de Barnabé e Paulo, sigamos, pelo menos, o exemplo daqueles abnegados pregadores, levando aos incensadores de todos os tempos a linguagem, muita vez silenciosa, do nosso constrangimento:

"Varões, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões...”


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