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domingo, 21 de maio de 2017

Respondendo

Respondendo 
Irmão X por Chico Xavier
Reformador (FEB) Novembro 1956

 Meu caro M ... (1)

Indagando como interpretam os Espíritos o problema da guerra atômica, em síntese você pergunta como apreciamos nós, os desencarnados que tanto nos agarramos ao Evangelho de Jesus, a evolução da técnica científica no plano dos homens, e, sem pestanejar, devo dizer-lhe que o progresso da inteligência, na Terra de hoje, é realmente enorme.
Quem diria, no limiar deste século, que o mundo seria conduzido às facilidades que atualmente lhe favorecem a vida?
Poderosas embarcações aéreas cruzam o espaço, com velocidade supersônica, e transatlânticos, figurando cidades, flutuam no mar, eliminando as distâncias.
O turista viaja de um polo a outro mais facilmente que um de nossos antepassados quando se locomovia de sua taba para a maloca vizinha. Pela onda radiofônica, um repórter instalado no Rio ouve uma informação de Tóquio com mais segurança que uma resposta verbal que lhe desfechemos no ouvido entre quatro paredes, e, pelos prodígios da televisão, a família não precisa ausentar-se do conforto mais íntimo, para seguir, com atenção, os grandes eventos públicos.
No campo da Medicina, o avanço é surpreendente. Até o coração já foi abordado com êxito por instrumentos operatórios.
Entretanto, meu amigo, punge-nos observar o atraso do sentimento quando comparado ao raciocínio.
Quase sempre, o engenheiro que constrói pontes admiráveis, solucionando aflitivos problemas do trânsito, não sabe caminhar pacificamente dentro de casa. Há cirurgiões exímios que subtraem a úlcera duodenal e extirpam o câncer, ignorando como fazer a oclusão de um desgosto doméstico. Temos estudiosos que analisam a posição de galáxias remotas de acordo com os últimos apontamentos de Palomar e
não conseguem ver a necessidade de amor na residência que lhes é própria, não conseguem ver a necessidade de amor na residência que lhes é própria. Encontramos viajantes que excursionam pela Terra inteira, despendendo milhões e desconhecendo como viver em paz no domicílio em que nasceram.
Vocês dispõem de especialistas de todos os gêneros.
Há quem idealize arranha-céus, edificando-os sem dificuldade, há quem invente máquinas, as mais diversas, desde o trator pesado que derruba montanhas ao pequenino aparelho de cortar ovos, e há quem conduza a eletricidade aos menores recantos da vida, oferecendo repouso aos braços; contudo, não se sabe ainda como resolver as desarmonias da parentela, os enigmas das paixões animalizantes, as aflições do tédio, as predisposições ao suicídio e as aberrações da vaidade.
As rixas de marido e mulher, as bocas maldizentes, a desilusão com os amigos, a ingratidão de muitos jovens e a rabugice de muitos velhos são chagas morais, tão deprimentes no século XX como na época recuada dos faraós.
E penso, então, como seria importante a criação de máquinas que nos dessem juízo e equilíbrio, honestidade e paciência, discernimento e vergonha.
Entretanto, meu caro, semelhantes valores não são adquiríveis com alumínio ou aço, ouro ou ferro, soro de macaco ou terramicina. Constituem talentos do Espírito que é preciso conquistar ao preço de nosso próprio esforço. Assim sendo, não vale subir à estratosfera e descer ao abismo oceânico, alardeando o orgulho vão de quem domina por fora, derrotado por dentro.
É por isso que nós, os Espíritos desencarnados, conscientes dos próprios débitos e das próprias fraquezas, nos apegamos com tanto ardor ao Cristo vivo, o doador da imortalidade vitoriosa, porque para nós, antes de tudo, importa melhorar o coração e aprender a viver.


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