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sexta-feira, 12 de maio de 2017

O Médium e as Provações


O Médium e as Provações
Indalício Mendes
Reformador (FEB) Setembro 1957

Há médiuns que se mostram surpreendidos ou irritados porque se vêem atingidos por provações as vezes rigorosas. Entendem que, pelo fato de se dedicarem ao trabalho mediúnico, deviam estar livres de provas pesadas. Essa opinião, entretanto, revela ausência de conhecimento doutrinário. O médium é um combatente da primeira linha e por isto mesmo está sujeito a suportar o ônus do combate. Todavia, fiel aos seus deveres mediúnicos, persistente na exemplificação doutrinária, encontra compensações magníficas e não raro alcança uma situação espiritual que lhe permite não apenas enfrentar as provações que o afligem e a elas resistir, como também vencê-las, através da paciência e da compreensão. Isto não quer dizer que todo médium esteja fatalmente destinado a provações severas. Tudo depende do seu passado espiritual, da sua bagagem espiritual, dos encargos contraídos no passado e no presente. A mediunidade é uma bênção e o médium deve mostrar-se agradecido a Deus pelo fato de possuir condições para trabalhar em benefício de seus semelhantes, o que, em última análise, representa trabalhar em benefício próprio, desde que saiba honrar suas tarefas mediúnicas, amparado na orientação evangélica.

O grau de conformação esclarecida em face dos fatos irremediáveis, a coragem de enfrentar os golpes adversos, a serenidade em face do desespero e a confiança na assistência do Alto, são pontos importantes para situar a verdadeira posição espiritual. não apenas do médium, mas de todo aquele que se encontra sob o abrigo do Espiritismo cristão. Todavia, o médium, por ser um batalhador da primeira linha, está mais exposto à reação das trevas. Deve, por isto, renunciar ao trabalho da mediunidade? Nunca. Pelo contrário, quanto mais se dedicar a esse
serviço, buscando esclarecer-se no estudo da Doutrina, mais frutos colherá em benefício do seu futuro espiritual. De nada lhe valeria renunciar à tarefa mediúnica, porque, então, estaria sujeito a acometidas mais sérias, com a agravante de se encontrar sem defesa, pois a mediunidade que possui não desaparecerá pelo simples fato de ele desistir do abençoado trabalho. Sua responsabilidade crescerá mais e mais, assim como se tornará vulnerável, sem meios de resistir a solicitações inferiores, provocadas justamente por aqueles que desejam arruiná-lo.

Sejam quais forem as lutas e os sacrifícios exigidos pelo exercício da mediunidade, deve o médium aceitá-lo galhardamente. Quanto mais devotado se mostrar a seus deveres, sem esquecer de retificar seu rumo pelo estudo constante da Doutrina, mais possibilidade terá de sobrepor-se às trevas. Dia virá, então, que, voltando os olhos para o passado e rememorando as vicissitudes superadas, sentirá um bem-estar espiritual difícil, de ser definido. O médium é um convidado entre milhões e milhões de Espíritos, para o trabalho da mediunidade. Não deve jamais olvidar aquela passagem do Evangelho, que diz: “...haverá prantos e ranger de dentes - porquanto, muitos há chamados, mas poucos
escolhidos.”

Muitas vezes a incompreensão acerca das obrigações da mediunidade é causada pelo desconhecimento das lições doutrinárias de Kardec, pela, falta das luzes de “O Evangelho segundo o Espiritismo”... Um médium esclarecido está sempre em condições de prestar serviço valioso ao próximo e irá criando em volta de si um ambiente de proteção espiritual capaz de lhe outorgar, nos momentos mais críticos da existência terrena, a serenidade dos eleitos. Ora, se o médium é dos “chamados" deve demonstrar seu agradecimento a Deus, cumprindo fielmente suas tarefas, dando de si o máximo com a maior boa vontade e a maior dedicação, a fim de que mais tarde seja dos “escolhidos”. A mediunidade é serviço: serviço é responsabilidade, responsabilidade é testemunho de compreensão dos desígnios de Deus.

O médium consciente de suas obrigações jamais as abandona. Sua missão é servir, servir sempre, servir bem, servir com dedicação altruisticamente e, mais do que isso, servir com amor evangélico.


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