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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Uma personalidade inconfundível


Uma personalidade inconfundível
Indalício Mendes
Reformador (FEB) Junho 1954

Frequentemente os que ainda não lograram vislumbrar as luzes do caminho cometem equívocos ao pretenderem julgar a personalidade de Jesus. Os materialistas costumam insistir no ponto de vista falso de que os princípios do Cristianismo enfraquecem o caráter humano, roubando-lhe a virilidade, porquanto ensinam o homem a ser simples e humilde. Não compreendem que a simplicidade não é sinal de fraqueza e que a humildade não revela, de modo algum, carência de energia moral. Pelo contrário, o homem simples é um homem forte, desde que saiba situar na devida posição a sua simplicidade. O homem humilde é poderoso, porque se revela senhor de si mesmo, dominador de seus instintos, pois sabe jugular seus impulsos e agir consoante as determinações de uma vontade esclarecida. Por conseguinte, o homem humilde, antes de ser um fraco, é uma criatura possuidora de grande poder volitivo.

Ensinando os homens a conduzirem sua vida na simplicidade, o Cristianismo tem por fim formar caracteres pobres e limpos; apontando-lhes o rumo da humildade, procura engrandecer o espírito humano, predispondo-o à tolerância consciente e ao perdão construtivo. Os simples não se envilecem ante as tentações do mundo. Os humildes não se amesquinham jamais, porque conservam o coração fechado ao orgulho e sussurram suavemente, ainda quando poderiam gritar. A humildade não envergonha: enaltece. O orgulho e a vaidade não redimem; destroem o que de melhor o homem pode possuir no coração. Jesus é grande porque a sua simplicidade é imensa e é imenso porque a sua humildade é infinita. Entretanto, quanta expressão na sua meiguice quanta força na sua conduta serena e-imperturbável! A sua aparente fragilidade tem resistido aos séculos e prevalecerá por todos os tempos vindouros. Deixando-se supliciar e levar à cruz, sem um protesto, sem um queixume, espantou a Humanidade com a força incoercível dessa fragilidade que os materialistas interpretam tão mal. Pregando o amor, sofrendo o ódio cego dos homens empolgados pela maldade, rasgou com o próprio sangue o itinerário luminoso que há de propiciar à Humanidade a felicidade ansiada!

Fraco não é o Cristianismo, mas são fracos aqueles que não puderam ainda abrir os olhos para as verdades que estão nos Evangelhos. Jesus foi de urna bravura inigualável, ao opor sua doutrina amorosa aos princípios duros do judaísmo. Com a cordura sem par do seu sentimento fraterno, cresceu de tal maneira que as sinagogas tremeram e o poder romano se abalou, vindo, mais tarde, a desmoronar ruidosamente. Enquanto isto, o Mestre se expandia, levando aos homens, a todos os homens, sua mensagem de paz e amor, mesmo àqueles que o sacrificaram, mas que, através das reencarnações sucessivas, encontrarão um dia a redenção almejada, porque Jesus não fecha jamais as portas do perdão a ninguém!

Onde a fraqueza de quem opôs a fé esclarecida ao poder violento e homicida de criaturas animalizadas pelo egoísmo e pela ambição? Onde a fraqueza de quem, sabendo os riscos que corria, enfrentou-os com admirável tranquilidade, escudado na fé e escorado na certeza de que sua missão messiânica teria de ser cumprida? Foi Jesus o fraco ou fracos foram aqueles que, temerosos da sua humildade, se juntaram para sacrificá-la, ainda que muitos, como Pilatos, se acovardassem diante das conveniências humanas, permitindo fosse imolado um justo para que a maldade se aplacasse transitoriamente? De quem o maior poder: de Jesus, amparado por Deus em sua gloriosa peregrinação terrena, ou dos potentados da Terra, que lhe venceram o corpo, mas não lhe dominaram o espírito maravilhoso? De quem o poder maior: de Jesus, que adquiriu maior vida ao sofrer o insulto da cruz ou dos homens transitoriamente poderosos, de existência limitada por exigências biológicas? Jesus ainda hoje vive no coração das criaturas de boa-vontade, cujas palavras não desmentem os sentimentos agasalhados no coração. Ele reina cada vez mais na Terra e os poderosos de um dia se confundiram já no volutabro (devassidão imunda) e para lá ainda se encaminham os espíritos trevosos do passado e do presente. Mas, tão grande é a misericórdia do Mestre, que a sua bondade penetra a lama dos charcos e oferece aos infelizes desviados da verdade repetidos ensejos para a conquista da reabilitação.

Jesus, o simples; Jesus, o humilde. Digamo-lo com alegria, porque Jesus é, sem dúvida, a personificação da simplicidade e da humildade. Mas Jesus é forte pelo seu infinito amor à Humanidade; é poderoso, pela Sua desmedida misericórdia, na obra de tornar os bons ainda melhores e fazer dos maus figuras exemplares de bondade.

Está nos Evangelhos, que Jesus é o caminho, a verdade, a vida. Está no Espiritismo que não há condenações irremissíveis e que para todos os pecadores há possibilidade de salvação, através dos testemunhos que as reencarnações sucessivas propiciam. O inferno e o purgatório estão dentro daqueles que renunciaram à companhia do Mestre. São figuras simbólicas que definem os sofrimentos a que o homem se subordina por sua inferioridade moral. Uma vez que cada criatura comece a lutar pela renovação de suas condições morais, poderá ir paulatinamente destruindo o inferno e o purgatório que criou para si mesma, porquanto Deus jamais castigou, jamais lançou seus filhos a sofrimentos eternos.

Sua infinita sabedoria, sua infinita misericórdia, sua infinita bondade se refletem na personalidade encantadora de Jesus-Cristo, que resume, em suas virtudes, a perfeição a que poderão chegar um dia todas as criaturas que se disponham a identificar-se com Deus.

Ao dizê-lo não nos abismamos na beatice que frustra o raciocínio livre. Longe de nós a escravidão beata, porque, reconhecendo os incontestável realidade de Deus e a evidência de Jesus, nos tomaremos livres na proporção em que se dilatar esse reconhecimento. Deus e Jesus apenas podem ser reconhecidos através do sentimento. À medida que avançamos e ampliamos a nossa compreensão das verdades espírito evangélicas, diminuímos a distância que nos separa de Deus e de Jesus. Todavia, não basta compreender, porque é imprescindível demonstrar essa compreensão através do exemplo cotidiano.

Compreender e exemplificar são, nesse caso, como que sinônimos. Daí a grandiosidade do sacrifício de Jesus, porque ele foi o coroamento da mais soberba exemplificação das verdades divinas. E o foi porque, exemplificando, o Mestre revelou a sua profunda compreensão de Deus.


A meditação diária facilita a comunhão da nossa alma com os invisíveis trabalhadores da Seara do Cristo. Ela nos leva a oportunidade de experimentar o grau de sensibilidade psíquica que possuímos, pela sensação de alívio e bem-estar que nos traz. E é necessária à preparação do espírito para o aprendizado evangélico de todos os dias. O estudo da Doutrina Espírita, compilado com o dos Evangelhos, arma-nos para a defesa de que necessitamos nas surpresas mais sutis da vida de relação. Todavia, é meditando que poderemos tornar o nosso espírito mais dócil às lições do Evangelho, porque nos ofereceremos melhor à influência benéfica dos nossos irmãos desencarnados. E à proporção que o meditar se for tornando um hábito para o nosso espírito, iremos encontrando menos dificuldade para sentir a grandeza moral de Jesus e os encantos da sua personalidade realmente forte e irresistível.

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